Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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REDEFINIÇÕES DE LIMITES DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO POR HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA LEGAL
Entretanto, a expansão de grandes usinas hidrelétricas na região tem influenciado as redefinições de limites em unidades de conservação, gerando implicações socioambientais. Nessa perspectiva, o objetivo deste artigo é analisar as redefinições de limites das unidades de conservação associadas à implantação de usinas hidrelétricas na Amazônia Legal, identificando suas tipologias, extensões e impactos territoriais. O estudo fundamenta-se no conceito de território usado e nas relações de poder que configuram as pressões sobre essas áreas protegidas. Os resultados indicam que 18 Unidades de Conservação tiveram os seus limites redefinidos, representando 5% das áreas protegidas da Amazônia Legal, em processos que incluem redução, ampliação, incorporação e revogação. Conclui-se que a expansão hidrelétricas tem contribuído para reconfigurações territoriais e fragilização dos instrumentos de proteção ambiental, gerando novos desafios para a gestão desses territórios na região.
 
A PLATAFORMA YOUTUBE E O CONTEXTO COMUNICATIVO DA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE OS CONTEÚDOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
Este artigo propõe refletir, a partir dos modelos analíticos de Basil Bernstein (1996) sobre o dispositivo pedagógico, a existência de um novo código pedagógico, sendo este a expressão de uma nova gramática que orienta as práticas e discursos relacionados à educação. Assim sendo, investigamos os princípios dominantes que estruturam o dispositivo pedagógico do século XXI através de autores e seus conceitos: capitalismo de vigilância (Zuboff, 2020), colonialismo de dados (Couldry e Mejias, 2019; Kwet, 2017, 2019), performatividade e conhecimento governante (Ball, 2020). Como estratégia metodológica para observar a ação desses princípios, analisamos dez vídeos do Youtube encontrados com a utilização da ferramenta YouTube Data Tools a partir de um termo retirados dos livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2018. A análise dos vídeos revelou a existência e resistência de um código pedagógico pré-digital, pautado em uma gramática distinta da elaborada pela pesquisa. Por fim, concluímos que o dispositivo pedagógico do século XXI atua em diferentes dimensões e em tempos distintos e talvez, por isso, ainda não tinha sido revelada a sua configuração. Este artigo é um exercício de desvelar o código digital que estrutura este novo discurso pedagógico
SIRVENTÊS E A POESIA INSUBMISSA: UMA QUESTÃO RESIDUAL
O sirventês é um modo poemático mediévico praticado pelos trovadores para fins políticos. Pertence ao campo da sátira, estilo literário apropriado ao objetivo de zombar, ironizar e criticar vícios humanos, inclusive abordando temas políticos e sociais. No século XX, no Brasil, desenvolve-se exponencialmente uma poesia com viés também social e político, em especial, por autores da vertente Protesto Social da Geração 60 da Literatura Brasileira, na qual muito se produziu literatura em decorrência do golpe militar de 1964. Essa geração foi devidamente caracterizada pelo poeta e crítico Pedro Lyra na “Introdução” a Sincretismo: A poesia da Geração 60 (2005). Esse modelo poético, considerado poesia insubmissa, soa como eco do sirventês medieval. Neste artigo tomaremos o livro Verbo Encarnado, do escritor cearense Roberto Pontes, publicado em 1996, como comparativo da análise residual entre a aproximação dessa poesia medieval e a produção poética na obra ponteana. Nosso trabalho objetiva compreender e demonstrar como esse resíduo de poesia anterior, de cunho social, perpetua-se e reverbera em produções poéticas atuais, como a escrita na década de 90, do séc. XX, no Brasil. Lançando mão de poemas caracterizados como sirventês, da poesia insubmissa de Roberto Pontes, procederemos a um cotejo que verifique a remanescência de uma concepção poética noutra
MUNDOS INDÍGENAS E COSMOLOGIAS AMAZÔNICAS: HISTÓRIA, IDENTIDADES, RESÍDUOS E CONTRACOLONIZAÇÃO
O artigo investiga o desafio de integrar cosmologias ameríndias nos espaços escolares, propondo uma reflexão sobre a inadequação das metodologias ocidentais para compreender as narrativas e os imaginários dos povos indígenas. Argumenta-se que a estrutura linear de ensino e a divisão rígida entre história e ficção, típicas da educação ocidental, impedem o reconhecimento pleno das culturas tradicionais. A abertura para novos modos de pensar, baseados na ligação intrínseca entre natureza, memória e identidade, é apresentada como um caminho para ressignificar a educação e tornar a escola um espaço de pertencimento para estudantes indígenas. A valorização de suas oralituras, histórias, crenças, religiosidade e simbólicas é crucial para a construção de uma pedagogia inclusiva e contracolonial, que supere a visão segregadora ainda presente no ambiente escolar
(In) justiça e violência na Amazônia: O Massacre da fazenda Princesa
A partir da análise dos autos do processo criminal que apurou a responsabilidade dos envolvidos na chacina da fazenda Princesa, este trabalho discute a prática da pistolagem no Pará e suas interfaces com o sistema de justiça criminal (polícia civil, ministério público e judiciário). O massacre em questão ocorreu próximo à cidade de Marabá/PA, no ano de 1985, a mando e a soldo de Marlon Pidde, fazendeiro. Os trabalhadores foram amarrados, sofreram torturas, foram queimados e jogados no rio. O fazendeiro foi ao mesmo tempo mandante e executor do crime. Além de contratar pistoleiros para matar os trabalhadores rurais, também participou diretamente da carnificina, ateando fogo a uma das casas dos trabalhadores rurais. Tendo em vista o caso, pretende-se: 1) compreender a violência embutida nos crimes de pistolagem; 2) explicar a complexa construção da impunidade pelas agências penais envolvidas na apuração das mortes por encomenda de posseiros e trabalhadores rurais envolvidos em conflitos pela posse da terra
A EFICÁCIA E O CUMPRIMENTO DOS PARÂMETROS LEGAIS DAS RPPN’S NO ESTADO DO AMAPÁ NO PERÍODO DE 1997 A 2007
A proteção do meio ambiente passou a ser preocupação não apenas de ambientalistas e de governos comprometidos com a problemática ecológica, mas também de cidadãos conscientes e preocupados com a trajetória de destruição da natureza. Nesse sentido, a crescente destruição da natureza fez com que particulares também somassem esforços no intuito de ajudar na sua preservação e conservação. A ação de particulares para a criação de reservas particulares não se orientou apenas com o intuito de proteger o meio ambiente, mas também ao objetivo de obter garantias como direito de propriedade, isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Assim, pretende-se discutir a eficácia das reservas particulares como política pública para a proteção da natureza além de aferir se os proprietários e o órgão responsável pela fiscalização das mesmas, no caso o IBAMA, cumprem com os parâmetros legais. O período a ser analisado compreende do ano de 1997 a 2007
LETRAMENTO PARA A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA
Neste texto são apresentados resultados parciais do projeto de pesquisa intitulado “Os gêneros textuais e sua didática: uma prática reflexiva para o ensino-aprendizagem da língua materna”, que vem sendo desenvolvido desde agosto de 2006, em uma escola Agrícola. O projeto tem por objetivo fomentar um ensino reflexivo de língua, considerando a realidade de usos pelos alunos, culminando com a formação de sujeitos leitores e produtores proficientes de textos orais e escritos. O lócus da pesquisa é uma escola com um perfil particular em relação às demais escolas estaduais. Trata-se de uma escola situada a 17 km, da cidade de Macapá-AP, gerenciada pela igreja católica. Os sujeitos envolvidos são crianças e adolescentes com baixo nível de letramento, na maioria filhos de pais analfabetos. Nos dois anos e meio de atividade, já se identificou o perfil dos sujeitos envolvidos e de suas famílias, bem como desenvolveu-se uma série de atividades com vistas ao objetivo pretendido que é o de ampliar as capacidades deleitura e escrita desses sujeitos. Como resultado parcial da pesquisa, verificou-se uma grande progressão dos alunos, comprovando que o trabalho com os gêneros textuais, a partir de Seqüências Didáticas, é produtivo e eficaz. Como pressuposto teórico, seguiu-se o conceito bakhtiniano de gêneros de discurso, retomado e desenvolvido porSchneuwly (2004) em um quadro da psicologia vygotskiana e da Didática das Línguas, que fornece uma concepção sobre o ensino e aprendizagem da língua materna numa perspectiva sócio-histórica. Dentro dessa perspectiva são também mobilizados os conceitos de transposição didática, a partir de Chevallard (1985) e didatização de objetos de ensino Barros-Mendes (2005). Como princípio de pesquisa, considerou-se a perspectiva da Linguística Aplicada de Moita Lopes (1996) que trabalha a construção do conhecimento “centrado na resolução de um problema de um contexto de aplicação específico”