Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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    Trabalhadores brasileiros na Guiana Francesa: entre a invisibilidade e o desemprego

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    O artigo é resultado de um estudo sobre a migração de brasileiros para a Guiana Francesa, na fronteira franco-brasileira cujo imaginário do “Eldorado” impulsiona um fluxo migratório contínuo. Analisa-se as relações de trabalho vividas por migrantes clandestinos, suas estratégias de inserção e permanência no mercado de trabalho, as relações sociais cotidianas, e as tensões de viver excluído e inserido num espaço plural que é a fronteira. Utilizam-se procedimentos metodológicos qualitativos via observação de campo e entrevistas, e quantitativos na coleta de dados primários e formulação do perfil do trabalhador pesquisado. Os depoimentos destes clandestinos revelam pessoas que vivem um paradoxo, entre a invisibilidade em território estrangeiro e o desemprego a que são submetidos no Estado brasileiro. A vida de brasileiros na Guiana Francesa é de clandestinos imergidos em clandestinidade

    EDITORIAL

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    Nesta edição da Revista PRACS temos a satisfação de apresentar o dossiê “Por que Epistemologias Feministas?”, organizado pelas professoras Ilze Zirbel, Débora Aymoré e Dilnéia Couto. O dossiê, sua estrutura, seus artigos e sua história são apresentados no texto de apresentação elaborado pelas organizadoras

    Resenha do Livro “Cultura e ontologia no mito da Cobra Encantada” da Dra. Marilina Conceição Oliveira Bessa Serra Pinto

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    Resenha do Livro “Cultura e ontologia no mito da Cobra Encantada” da Dra. Marilina Conceição Oliveira Bessa Serra Pint

    América Latina, conceito e identidade: algumas reflexões da história

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    Desde suas origens no século XV o conceito América Latina e a identidade latino americana é fonte de diferentes interpretações. Algumas delas presentes na literatura dominante até o século XX foram marcadas por definições equivocadas e até preconceituosas. Tal cenário intensificou reações de uma literatura crítica regionalista centrada sobretudo, na defesa nos valores locais. No entanto, do antagonismo teórico envolvendo ambas as visões pelo menos dois aspectos se destacam: a polêmica em torno da origem conceitual do termo América Latina e o contraste em torno da ideia de identidade latina americana. Neste sentido, visando analisar ambos os pressupostos deste recorte histórico o presente artigo retoma a polêmica sobre o surgimento do conceito de América Latina e evidencia a luz da teoria o enfoque da legitimidade da identidade latina. Por outro lado, enfatiza também o debate em torno da ideia de “pertencimento” do Brasil a região, tema amplamente discutido no início do século XIX. Ao término deste percurso teórico analítico este artigo conclui que não há um consenso sobre os primeiros autores a utilizar a terminologia América Latina, e que a identidade latina ainda é um tema em construção. Todavia, evidencia que o reconhecimento da unidade de nações latinas na história mundial se relacionam entre outros fatores ao despertar do homem latino para as especificidades de seu povo, cultura e língua. Riqueza que, aliada ao sentido de união das nações para superação dos seus principais problemas são fatores que podem potencializar a ideia de América Latina não apenas como conceito, mas também como região soberana e independente

    Modelo bi-logístico aplicado aos primeiros 1015 casos de COVID-19 em indígenas do Estado do Amapá e norte do Pará

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    In this article, we present the Bi-logistic growth model whose objective was to model the temporal trend of cases of COVID-19 in indigenous people in the State of Amapá and north of Pará. The mathematical model applied when observed two inflection points in the evolution of the disease over time. It has six parameters, where K1 and K2 are the limiting values of the phenomenon, α1 and α2 are the growth rates in each block, and β1 and β2 are the inflection points at the time the disease decelerates. The model obtained statistical significance (p <0.01) and indicated May 12 and July 22, 2020, as dates when the disease decelerated in the indigenous population surveyed. The Bi-logistic model has good adherence to model cases of COVID-19 that present two distinct periods of growth and that immediate interventions are necessary to contain COVID-19 in indigenous landNeste artigo apresentamos o modelo de crescimento Bi-logístico cujo objetivo foi modelar a tendência temporal de casos de COVID-19 em indígenas do Estado do Amapá e Norte do Pará. O modelo matemático se aplica quando observamos dois pontos de inflexão na evolução da doença ao longo do tempo. Ele têm seis parâmetros, onde K1 e K2 são os valores limitantes do fenômeno, α1 e α2 são as taxas de crescimento em cada bloco, e β1 e β2 são os pontos de inflexão no tempo em que a doença desacelera. O modelo obteve significância estatística (p<0,01) e indicou 12 de maio e 22 de julho de 2020 como as datas em que a doença desacelerou na população indígena pesquisada. O mo-delo Bi-logístico possui boa aderência para modelar casos de COVID-19 que apresentem dois períodos distintos de crescimento e que se faz necessário intervenções imediatas para conter a COVID-19 em terras indígenas

    CORPOS EM FRONTEIRA: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICA YANOMAMI ATRAVÉS DO CORPO E AS INFLUÊNCIAS MISSIONÁRIAS NO ALTO RIO NEGRO

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    Este artigo investiga as dinâmicas de identidade e resistência entre os Yanomami dos rios Maturacá e Marauiá, no Alto Rio Negro, explorando como o corpo emerge como uma fronteira cultural em contextos de contato com missões religiosas. Embora as influências missionárias variem sutilmente entre os Yanomami habitantes das calhas dos dois rios, são desenvolvidas estratégias de negociação cultural que se refletem em certas práticas corporais. A partir de uma abordagem interdisciplinar, o estudo destaca o corpo como espaço de confronto e resistência, evidenciando as maneiras pelas quais a comunidade ressignifica a presença napë (não-yanomami) e se afirma enquanto resistência cultural, transcendendo os conflitos presentes nos espaços fronteiriços, e ressignificando identificações

    MARIA ARAGÃO E A CIRCULAÇÃO DAS IDEIAS MARXISTAS NO MARANHÃO ENTRE 1945 e 1955

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    O artigo aborda os primeiros dez anos da trajetória política de Maria José Camargo Aragão (1910-1991) junto ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), buscando enxergá-la como parte integrante da história da circulação das ideias marxistas no Maranhão e no Brasil. Partindo de perspectivas históricas para análise do pensamento político, como o materialismo histórico, o contextualismo linguístico e as metáforas da circulação, recepção e tradução das ideias, recorre-se à pesquisa documental e à pesquisa bibliográfica. Maria Aragão, maranhense, negra, de origem da classe trabalhadora, professora e médica, filiou-se ao PCB em 1945, quando residia no Rio de Janeiro. Naquele ano, quando a direção nacional do PCB julgou necessária a reorganização partidária no Maranhão, Aragão propôs seu nome e encaminhou-se voluntariamente ao estado, tornando-se a dirigente responsável pelo setor de agitação e propaganda. No âmbito das tarefas partidárias, fundou, em 1945, o jornal Tribuna do Povo (1945-1962), órgão de imprensa do PCB no Maranhão, à frente do qual atuou como diretora, secretária, repórter e principal redatora e vendedora. Neste período, além de revendedora dos jornais Voz Operária, Imprensa Popular, da Revista Problemas e de representante da Editora Vitória, protagonizou outra tarefa de relevo: as atividades ininterruptas de busca por recursos materiais, cruciais para a continuidade das atividades partidárias. Sua atuação militante incluiu, via de regra, um permanente contato com os trabalhadores, da cidade e do campo, na capital e no interior maranhense. Isto posto, ao integrar de maneira protagonista as atividades fundamentais do PCB no Maranhão, apropriando-se de suas teses, de matriz terceiro-internacionalista, seguindo as orientações traçadas nas resoluções partidárias e buscando aplicá-las na realidade local, identificamos Aragão como uma agente central nos processos de recepção, apropriação e difusão das ideias marxistas no Maranhão entre 1945 e 1955

    GAMELEIRA, UMA ENTRE TANTAS HISTÓRIAS DE (IN)JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL NO LESTE MARANHENSE

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    A situação vivida pela comunidade tradicional de Gameleira, localizada no Bioma Cerrado, entre os municípios de Milagres do Maranhão e Brejo, região Leste do estado, se soma a muitos outros casos de violências e despossessões sofridas por povos e comunidades tradicionais no Brasil diante do avanço do grande capital sobre áreas rurais. A persistência de um conflito entre as famílias de Gameleira e um empreendimento sojicultor, tensionada por tentativas de expansão e ocupação de uma área coletiva da comunidade, agravaram impactos anteriores sobre os recursos naturais, comprometendo práticas tradicionais de aprovisionamento alimentar. Perícia socioambiental demandada pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão junto a grupos de pesquisa da Universidade Estadual do Maranhão, constatou as consequências socioambientais negativas da expansão do empreendimento e a noção de “injustiça socioambiental” se comprovou estratégica para traduzir e expressar a complexidade dos ataques sofridos pelo conjunto de comunidades rurais que, secularmente, ocupam e produzem em vastas regiões do Maranhão, hoje ameaçadas pelo uso indiscriminado de defensivos agrícolas e tentativas abusivas e violentas do agronegócio para expropriação de terras coletivas. Esta conflituosa situação convida a refletir sobre questões metodológicas adequadas a cenários de violências sofridas por grupos sociais que, em situação de vulnerabilidade diante da hegemonia do discurso do desenvolvimento, são postos numa correlação de forças assimétrica perante seus antagonistas que, manejando recursos políticos e econômicos, têm levado a perdas dos recursos naturais indispensáveis à reprodução de suas vidas e, consequentemente, à permanência em suas terras tradicionais. Para tanto, categorias como “antropologia por demanda” (SEGATO, 2021) e “etnografia nos/dos interstícios” (MUNIZ, 2023), expressão de práticas de pesquisa ética e politicamente implicada em construir coalizões com coletividades historicamente subalternizadas, foram acionadas para construção da perícia socioambiental e se mostraram como caminho capaz de argumentar junto ao Estado, resultando em decisão judicial favorável aos direitos coletivos de Gameleira sobre suas terras ancestrais

    A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM DONA FLOR EM DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, DE JORGE AMADO: UM OLHAR RESIDUAL

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    Nos romances de Jorge Amado há uma arte dessacralizada, conectada ao popular, o que aproxima a sua obra da literatura “carnavalizada”, típica da Idade Média, estudada por Bakhtin (2010), pois, além da linguagem irreverente, os tipos, cenários e motivos, criados pelo escritor, são traços da cultura extraoficial que caracterizam a estética de contestação de normas do carnaval e fazem aparecer corpos grotescos que geram o estranho e invertem os sentidos. A fim de estudar essa temática, busca-se, na presente comunicação, analisar o corpo grotesco no romance de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos, no que respeita à liberdade da protagonista dona Flor no trato com seu corpo em seus diferentes estados civis: solteira, casada, viúva e casada em segundas núpcias. No desejo de compreender como a mentalidade medieval manifesta-se ativamente na construção dessa personagem, baseamo-nos na carnavalização de Baktin (2010), e na Teoria da Residualidade Literária e Cultural, proposta teórico-investigativa sistematizada por Roberto Pontes e certificada junto à Universidade Federal do Ceará e ao Diretório de Pesquisa do CNPq. Esta pode ser resumida no seguinte: na cultura e na literatura nada é original, tudo é residual; e faz uso dos seguintes conceitos operativos: resíduo, cristalização, mentalidade, imaginário, endoculturação e hibridação cultural. &nbsp

    CONTO E CORDEL DE JARID ARRAES: POSSÍVEIS DIÁLOGOS EM NARRATIVA DE RESISTÊNCIA

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    O presente trabalho tem como finalidade apresentar uma vertente da pesquisa de dissertação, em andamento, que busca investigar como a representação feminina é esteticamente figurada e elaborada na obra Redemoinho em dia quente (2019), livro de contos da escritora contemporânea Jarid Arraes. Sobre a faceta apresentada aqui, propõe-se um diálogo entre o conto Mais iluminada que as outras e o cordel Zacimba Gaba, ambos da autora Jarid Arraes. O conto é narrado por uma voz feminina que parece refletir sobre sua própria imagem e identidade. Inicialmente há a descrição dos membros e aspectos físicos do corpo do sujeito narrador, conduzindo o leitor para uma reflexão sobre como esse corpo ocupa o espaço em que se encontra e como ele ativa a memória de um lugar outro do qual só ouviu falar e, posteriormente, leu sobre esse espaço, bem como a relação estabelecida com os seus ancestrais que forma sua identidade. Ou seja, o corpo é dispositivo revelador dos desafios enfrentados pelas pessoas negras (Ratts/Nascimento, 2006), assim como no cordel Zacimba Gaba, que canta a história da heroína que lutou bravamente para libertar muitos negros da escravidão  atacando navios negreiros que pretendiam desembarcar no porto do estado do Espírito Santo. O diálogo proposto neste trabalho traz uma investigação sobre a semelhança entre as formas de resistência das quais os personagens se apropriam. No conto, a narradora recorda a história do catraieiro conhecido como Dragão do mar e, no cordel, a heroína Zacimba Gaba tem, em suas ferramentas de luta, as mesmas estratégias usadas pelo catraieiro para resistir aos desafios impostos pelo opressor. Portanto, propõe-se uma leitura de dois gêneros textuais diferentes que se assemelham na narrativa de manutenção e ruptura da tradição literária

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