Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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O TEATRO DO OPRIMIDO NA INTERNET: RESISTÊNCIA E FORMAÇÃO CRÍTICA EM CAMINHADAS DIGITAIS
This study explores the adaptation and reception of the Theatre of the Oppressed (TO) in virtual space, focusing on how this theatrical practice adjusts and is perceived in the digital environment, especially amid a context of growing political and social polarization. The research is based on literature review, analysis of digital platforms, and the use of artificial intelligence tools for data collection and interpretation. It highlights the potential of TO as an instrument of resistance, dialogue, and critical formation in the digital environment, while also pointing out the challenges of engagement and reach within contemporary social media dynamics.Este estudo explora a adaptação e recepção do Teatro do Oprimido (TO) no espaço virtual, enfocando como esta prática teatral se ajusta e é percebida no ambiente digital, especialmente em um contexto de crescente polarização política e social. A pesquisa se baseia em revisão de literatura, análise de plataformas digitais e uso de ferramentas de inteligência artificial para coleta e interpretação de dados. Observa-se o potencial do TO como instrumento de resistência, diálogo e formação crítica no ambiente digital, apontando também para os desafios de engajamento e alcance em meio às dinâmicas contemporâneas das redes sociais
EDITORIAL
Expediente do Dossiê "O Caminho quem faz é o caminhante ao Caminhar: Teatro do Oprimido Brasil adentro, mundo afora
A DANÇA É UMA VOZ PRETA: o marabaixo como epistemologia e poética de resistência
This article analyzes marabaixo as a poetics of resistance through dance. The central proposal is to reflect on the element of dance within the scope of marabaixo as a relevant element to think about an epistemology that configures itself as resistance to the hegemonic discourses that reinforce the marginalization of this movement that is so omnipresent in the culture of the state of Amapá. When reflecting on dance, the present proposal configures a way of revealing dance as a type of narrative in which the marabaixo is “narrated” from its aesthetic possibilities, enhancing the form of manifestation of dance as a black voice that redefines the marabaixo in its epistemic power. To analyze the implications of the topic we used authors such as Adichie (2019), Canclini (1983), Canto (1998), Costa (2018), Quijano (2005) Pedro, Costa e Caleiro (2020) Spivak (2010).Este artigo analisa o marabaixo como poética de resistência a partir da dança. A proposta central é refletir sobre o elemento da dança no âmbito do marabaixo como elemento relevante para pensar uma epistemologia que se configure como resistência ante os discursos hegemônicos que reforçam a marginalização deste movimento tão onipresente na cultura do estado do Amapá. Ao refletir sobre a dança, a proposta presente configura uma forma de revelar a dança como uma espécie de narrativa na qual se “narra” o marabaixo desde suas possibilidades estéticas potencializando na forma da manifestação a dança como uma voz preta que redefine o marabaixo em sua potência epistêmica. Para analisar as implicações do tema usamos autores como Adichie (2019), Canclini (1983), Canto (1998), Costa (2018), Quijano (2005) Pedro, Costa e Caleiro (2020) Spivak (2010) entre outros
Retalhos do Brasil Bandeiriano
O presente artigo discute, a partir do tema Brasil, a experiência da poesia bandeiriana ligada à vivência de um lugar partilhado cotidianamente, alcançado através do olhar de reconhecimento do outro, de identificação com a alma nacional, com a gente humilde e com o mundo simples. Por certo, apesar de breves incursões, Bandeira mergulha, de modo vigoroso e inventivo, em manifestações da cultura nacional, como tradições específicas de índios, de negros e do branco europeu que vieram à tona em sua poética. Figuras e práticas humanas, de genuinidade brasileira, entraram a partir da poética de Libertinagem (1930), a exemplo da preta Irene, da pequena Siquê, D. Janaína e Macumba do pai Zusé. Nesse artigo, veremos como Manuel Bandeira sonda práticas e cultos específicos da cultura dos negros e do índio, a fim de vivenciar, no plano linguístico, uma nação nova, carregada de simbologia afrobrasilusa. Para tanto, tomamos as compreensões de Darcy Ribeiro, em O povo brasileiro (2006), que disserta sobre a fusão cultural e mestiça que há no Brasil; bem como, a de Roberto Pontes (1999), sobre a cultura e a literatura afrobrasilusa, responsável pelo hibridismo cultural da nossa nação
Hibridação literária no romance O Quinze: Naturalismo e Modernismo
O romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, faz parte da segunda geração modernista do Brasil e tem como referência a grande seca de 1915, representando a miséria e a marca da desigualdade social que se fez presente no período em questão. Na obra mencionada, é nítida a presença de elementos característicos da literatura naturalista brasileira, a saber: abordagem de problemas sociais, descrição minuciosa da miséria e do ambiente, determinismo e representação objetiva da realidade, características essas que compõem a sociedade e os romances naturalistas do final do século XIX. Neste artigo, buscaremos encontrar tais elementos naturalistas em O Quinze, tomando como base a Teoria da Residualidade, formulada por Roberto Pontes (1999), segundo a qual em toda cultura há elementos remanescentes de tempos e espaços anteriores. A referida teoria trabalha com os seguintes conceitos operacionais: resíduo, mentalidade, imaginário, hibridação cultural e cristalização, a fim de apontar e explicar a relação existente entre culturas distantes no tempo e no espaço. Neste trabalho, buscaremos analisar a obra mencionada a partir da hibridação dos períodos literários, buscando as semelhanças tanto culturais quanto sociais do Naturalismo presentes residualmente em O Quinze. Assim, constataremos que os períodos literários não são completamente independentes, mas que possuem relações uns com os outros mesmo em tempos e espaços distintos
Os círculos do inferno de Dante e O crime do Padre Amaro
Os modos de pensar, sentir e agir de todas as épocas e lugares podem ser relacionados através da Teoria da Residualidade, visto que esta envolve os aspectos histórico-sociais de uma sociedade. Assim sendo, uma das perspectivas de se estudar a literatura é o de relacioná-la com toda a sociedade que o cerca, a partir do contexto de criação, de ambientação e de recepção desta obra. Dante Alighieri nos deixou A divina Comédia, escrita no século XIV durante o exílio forçado de seu autor; O crime do padre Amaro, por sua vez, foi escrito e publicado no último quadrante do século XIX, pelo lusitano Eça de Queirós. Cinco séculos as separam, mas tanto A Divina Comédia quanto O crime do padre Amaro trazem reflexões acerca do homem, da sociedade, da política e da religião de seu tempo. O intuito neste trabalho é imaginar a trajetória da personagem Amaro Vieira no Inferno descrito por Dante Alighieiri em sua Divina Comédia, caso este não tivesse se arrependido em vida dos pecados e das faltas cometidas
RELAÇÃO SOLO-VEGETAÇÃO EM UMA FLORESTA DE VÁRZEA: INFLUÊNCIA DO GRADIENTE ALUVIAL DO RIO MATAPI NA COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA
O estudo foi desenvolvido em uma área de vegetação inundável localizada às margens do rio Matapi, no estado do Amapá. Três parcelas de 80 × 240 m (1,92 ha) foram demarcadas para a coleta de dados, abrangendo todos os indivíduos arbóreos com diâmetro ≥ 5 cm a 1,3 m do solo. Também foram coletadas quatro amostras simples de solo em cada subparcela. A diversidade florística foi analisada por meio dos índices de Shannon, Pielou e Números de Hill. Para avaliar a influência dos atributos químicos do solo e do gradiente de distância em relação ao rio na estrutura da vegetação, empregou-se uma Análise de Componentes Principais (PCA). No total, foram registrados 3.836 indivíduos, distribuídos em 22 famílias botânicas e 45 espécies. A PCA indicou maior concentração de nutrientes nas subparcelas mais próximas do rio, enquanto níveis mais elevados de acidez ocorreram nas áreas mais distantes, evidenciando a influência do gradiente aluvial na diferenciação da composição florística
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE ESPANHOL E A LINGUÍSTICA APLICADA:: diálogos extensionistas em rotas decoloniais
A diversidade cultural e linguística que compõem a América Latina, com mais de 58 milhões de pessoas indígenas e 133 milhões de pessoas negras que vivem nesse território, ainda não ocupa um espaço justo e igualitário na formação intercultural de professores de espanhol. Embora nas últimas décadas as pesquisas críticas em Linguística Aplicada contemporânea e indisciplinar no Brasil convoquem para uma agenda que suleie as nossas epistemes (Moita Lopes, 2006; Kleiman, 2013; Matos, 2020; Mulico e Costa, 2021), a educação linguística que visibiliza as vozes do Sul ainda é desafiada pelas estruturas coloniais que sustentam e organizam os sistemas educativos. No sentido de contribuir com tais discussões, esse artigo objetiva dialogar com práxis que têm caminhado em rotas decoloniais e compartilhar uma praxiologia em direção decolonial na formação de professores de língua espanhola, a partir de uma prática extensionista em diálogo com o povo indígena Mapuche da Argentina. Para tanto, retomo um curso de extensão oferecido pelo Departamento de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e enfoco aqui algumas rotas decoloniais que trilhamos com os professores e as professoras através do diálogo com outras vozes, a partir um material didático com potencial de tensionar a colonialidade nas aulas de espanhol
Cotidiano e pós-modernidade: novos rumos da teoria social contemporânea
O objetivo deste trabalho é analisar uma parte significativa da Teoria Social contemporânea, caracterizada a partir da concepção de pós-modernidade. Na passagem do século XIX para o século XX, as determinações estruturais e estáticas gradativamente perderam espaço. Em contrapartida, as abordagens sociológicas convergiram para a apreensão da diversidade de formas de sociabilidade dissolvidas no contexto histórico-social. Isto viabilizou a afirmação do cotidiano enquanto epicentro das investigações do universo social. Por conseguinte, a defesa de uma sociedade pós-moderna, empreendida na segunda metade do século XX, encontrou seu principal ponto de sustentação na noção de cotidiano. E, neste caso, tornou-se possível, em termos teóricos, a exposição da dinâmica existencial cada vez mais acelerada, da pulverização dos referenciais sólidos inerentes à tradição e, principalmente, o reconhecimento das diferenças sociais
OS SABERES DE PARTEIRAS TRADICIONAIS E O OFÍCIO DE PARTEJAR EM DOMICÍLIO NAS ÁREAS RURAIS
Este é um estudo de abordagem qualitativo que utilizou a História Oral como caminho de investigação de um conjunto de saberes e práticas que compõem o ofício de parteiras tradicionais em quatro municípios do Estado do Amapá. Essa atividade vivida por 20 parteiras repete uma tradição oral de transmissão de conhecimentos e experiências. Os resultados revelam tentativas de preservação dos valores culturais deantepassados e assim se inscreve em um saber milenar que ao longo do tempo oferece significativa contribuição para a construção de um novo olhar em busca da humanização do parto e as relações no contexto da saúde da mulher. Demonstra finalmente, o reconhecimento e a legitimação social do ofício de partejar