Revistas URI - FW (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, campus de Frederico Westphalen/RS)
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JEKYLL E HYDE: O HORROR ATRAVÉS DO TEMPO
Este estudo tem por objetivo analisar a transposição do romance The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (STEVENSON, 1993) para a adaptação The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (2006), dirigida por John Buechler. Essa discussão está fundamentada nas proposições de Charles Peirce (2012) acerca do processo interpretativo na intersemiótica, considerando sua visão triádica do signo. É focalizada a (não)representatividade negra na adaptação fílmica por meio do olhar sócio-histórico de Coleman (2019), bem como a imagem da mulher na adaptação, considerando a concepção patriarcal de anjo do lar (PATMORE, 1864). Conclui-se que a construção do grotesco na adaptação está centralizada na personalidade trifacetada do protagonista, a qual se distancia da dualidade inicialmente construída no romance. Também, é entendido que a presença de negros não contribui para uma representatividade efetiva, uma vez que os discursos presentes no enredo não possibilitam identificação da negritude com os personagens
A CORRELAÇÃO ENTRE TEMPO E DINHEIRO NO ENREDO DO ROMANCE OS RATOS, DE DYONÉLIO MACHADO
Dyonélio Machado foi um escritor modernista brasileiro que se popularizou pelo seu romance Os Ratos. Este romance tem como questão elementar a relação entre o tempo e o dinheiro. O personagem vive uma jornada de 24 horas onde deve obter 65 mil réis para quitar sua dívida com o leiteiro. Neste contexto, a relação tempo e dinheiro se fazem presentes e interferem de maneira elementar no enredo. Este estudo busca demonstrar como esta relação faz com que o personagem principal, Naziazeno, tenha sua subjetividade invadida e assaltada por fatores externos relacionados à sua dívida e ao tempo para quitá-la. Para tanto, utilizar-se-á dos seguintes aportes teóricos e críticos para demonstrar o que acima foi proposto: Ricouer (2010), Nunes (2013), Agostinho (1999), Moisés (2017), Han (2021) dentre outros
A PERCEPÇÃO DE DOCENTES MÉDICOS ACERCA DA IMPLEMENTAÇÃO DAS METODOLOGIAS ATIVAS E DA AVALIAÇÃO POR COMPETÊNCIAS NOS CURSOS DE MEDICINA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
O presente estudo teve como objetivo a elaboração, a identificação, o registro e a categorização de teses, dissertações e artigos científicos relacionados à percepção de docentes médicos sobre a implementação de metodologias ativas e a avaliação por competências nos Cursos de Medicina, respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Para isso, foi realizada uma revisão de literatura nas bases de dados: Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), mediante o uso dos termos: “diretrizes da medicina”, “metodologias ativas”, “formação médica”, “competências médicas”, “avaliação por competências”, “DCN medicina” e “ensino médico”, em diferentes combinações. Foram incluídos artigos, dissertações e teses publicados entre 2014 e 2020, em português e espanhol. A maior parte das publicações apresentou a preocupação com a inserção das metodologias ativas e da avaliação por competências para a adequação dos currículos médicos frente às DCNs de 2014. Com base na literatura encontrada, os docentes relatam a importância da observação de modelos educacionais similares, de forma a facilitar a implementação das metodologias ativas na formação médica. Essa forma de ensino, somada à avaliação por competências, gera alunos mais questionadores, críticos e reflexivos. Contudo, os professores sofrem com a sobrecarga de trabalho, com a alta carga horária e com a grande demanda de trabalho extraclasse. Logo, percebe-se a necessidade de produções científicas que explorem e orientem resoluções para essas fragilidades encontradas, de forma a permitir e estimular a formação de médicos capazes de atuar com maior autonomia, humanização e integração no trabalho em equipe
CULTURA MAKER, BNCC E NOVO ENSINO MÉDIO: PRÁTICAS DA ERA DIGITAL NO CAMPO DA LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO
Esta pesquisa reflete sobre a cultura maker – movimento do “faça você mesmo” (do it yourself) que se baseia na criação, construção, recriação ou reparação de objetos ou materiais – aliada à educação. Nessa perspectiva, o estudo interliga a cultura maker ao Novo Ensino Médio (Lei 13.415/2017) e à Base Nacional Comum Curricular, de forma a sugerir a criação de um itinerário formativo que envolva esse movimento no desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas à leitura e à produção de texto. Assim, objetiva analisar a possibilidade da criação de um itinerário formativo que trate da cultura maker e elencar possíveis abordagens para sua efetivação na escola a fim de inserir esse movimento tão significativo hodiernamente também no contexto escolar. Para isso, é realizada uma pesquisa bibliográfica cujo referencial teórico ampara-se em autores como Zylbersztajn (2015) e Silveira (2016), os quais versam sobre a cultura maker na educação, bem como a BNCC, documento norteador do Novo Ensino Médio. A partir das reflexões sobre o que é o movimento maker, sua relação com a educação e sua possível inserção como itinerário formativo, constata-se que a cultura maker pode ser levada para a sala de aula, desde que isso seja feito com planejamento, materiais adequados e, é claro, criatividade. Neste trabalho, elenca-se como principal possibilidade de abordagem a produção de posts para redes sociais baseados no movimento do “faça você mesmo”, os quais podem ser importantes para a vida profissional dos estudantes e unir diversas áreas – escrita, design gráfico e criatividade – em suas produções, contribuindo para uma formação que leva em conta o desenvolvimento de habilidades práticas de leitura e produção textual no contexto da era digital
O GÊNERO DO DISCURSO LITERÁRIO COMO INSTRUMENTO PARA REFLEXÃO DE TEMAS SENSÍVEIS
Este artigo estuda o gênero do discurso ‘literatura’ como instrumento para reflexão de temas sensíveis e busca responder a seguinte questão de pesquisa: Como a literatura (enquanto gênero do discurso) pode contribuir para reflexões acerca desses tópicos? Buscou-se desenvolver, enquanto objetivo geral, uma discussão sobre a importância da palavra literária na Educação e seu papel como instrumento para reflexão desses assuntos, tendo, ainda, como objetivos específicos: revisar discussões teóricas acerca do (não) lugar da literatura na perspectiva da história, da sociedade, da economia etc.; levantar características da palavra literária, a partir de revisão bibliográfica, que permitam seu papel de instrumento de reflexão para temas sensíveis; e refletir sobre possibilidades de trabalho com a literatura na sala de aula com esse propósito. A fundamentação teórica traz autores de diferentes áreas, tais como Augusto Ponzio e o Círculo de Bakhtin – da Filosofia da Linguagem –, bem como teóricos da Linguística Aplicada – a exemplo de Luiz Percival Leme Britto e João Wanderley Geraldi –, e da Literatura – como Antônio Cândido. Nesse contexto, desenvolveu-se uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa (de acordo com Gil, 2007). Os resultados apontam para a importância da literatura enquanto gênero do discurso nas escolas, uma vez que essa revoluciona as práticas de ensino tradicionais, abrindo portas para novas perspectivas de discussão sobre temas sensíveis
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO CRONOTOPO DO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL: PERCEPÇÕES DE TUTORES DE UM INSTITUTO FEDERAL
Este artigo define por objetivo analisar percepções de tutores do curso de especialização em Docência na Educação Profissional, em um Instituto Federal, acerca da avaliação da aprendizagem dos discentes no cronotopo do ensino remoto emergencial (ERE). Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso em que o corpus é constituído das respostas a um survey. Os resultados do estudo indicam que os tutores utilizaram diversos instrumentos avaliativos, tais como: fóruns, provas dissertativas e seminários. Os dados demonstram que eles perceberam desempenho aquém do esperado e não consideram ser possível realizar avaliação criteriosa dos discentes no ensino remoto emergencial
PROCESOS DE INSTITUCIONALIZACIÓN DE NIÑOS/AS EN HOGARES CONVIVENCIALES DE LA CIUDAD AUTÓNOMA DE BUENOS AIRES ¿UN PROCESO REVICTIMIZANTE?
El objetivo de la presente investigación es identificar cuáles son las situaciones de carácter potencialmente revictimizante que ocurren durante la institucionalización en hogares convivenciales de la Ciudad autónoma de Buenos aires (CABA), a fin de comprender los procesos de subjetivación de niños, niñas y adolescentes (NNyA) que se producen en dichas organizaciones, en especial se busca dar cuenta de los procesos psico-sociales por los que atraviesan los NNyA que son separados de sus familias biológicas por una medida excepcional de protección de derechos y son alojados en dichas organizaciones. A este fin se realizó un análisis descriptivo los datos obtenidos mediante entrevistas a cuidadores y profesionales de Hogares Convivenciales de NNyA en convenio con el Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires, Defensorías Zonales y Juzgados Civiles, y lectura y análisis sistemático de legajos de dichas organizaciones. Además, a fin de contextualizar, teórica, histórica e institucionalmente, las categorías centrales de la investigación se presenta un breve recorrido sobre el proceso de construcción de la categoría de la niñez en el contexto argentino y de las modificaciones históricas, sociales y jurídicas que fueron influyendo en la concepción actual que se tiene de dicho concepto
BARTHES E UNAMUNO: CONSIDERAÇÕES SOBRE MITO E LITERATURA
Este artigo trata de como as esferas do mito e da linguagem podem se relacionar em um objeto estético, mais especificamente em uma obra literária. Partindo da análise das interações que aparecem descritas no romance Niebla escrito em 1916 por Miguel de Unamuno, pretende-se observar como o discurso mítico estabelecido pela burguesia dominante na sociedade espanhola daquele período se mostra dialético e, em certo sentido, bastante frágil. Para tanto, recorre-se aqui à teoria de mito de Roland Barthes, que em sua obra Mitologias, escrita em 1954, elabora uma definição do que é o mito dentro do contexto contemporâneo e insere a noção de que o discurso mítico pode ser interpretado, em termos semiológicos, como uma estrutura de significação que tem a própria língua como significante. A consequência dessa ideia é que o mito é, a priori, vazio de intencionalidade e pode ser revestido ou manipulado ideologicamente até em sentidos opostos