Revistas URI - FW (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, campus de Frederico Westphalen/RS)
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O ESTADO JUSPOSITIVISTA EM AÇÃO CONTRA OS POVOS ORIGINÁRIOS
RESUMOO ensaio que se apresenta está inserido na linha de pesquisa Estado Constitucional e Cidadania na Sociedade Contemporânea e tem o objetivo de tematizar os povos originários e a ação hegemônica do Estado juspositivista brasileiro. Delimita-se para estudar a realidade jurídica do contexto indígena através da teoria crítica. A dialética é eleita como forma de compreender as teorias e fundamentar as perspectivas do debate. O texto enfrenta a questão histórica, pelo viés do Direito, dos povos indígenas e sua problemática frente à hegemonia do Estado. Analisa os casos de retrocesso face aos direitos dos povos indígenas e a inaplicabilidade da norma constitucional já garantida. Analisa a concepção basilar filosófico-jurídica dos princípios norteadores da construção do Estado brasileiro e o tratamento dado aos povos originários, tendo como foco o período republicano e a ação do positivismo filosófico na construção do sistema integracionista e protecionista, proposto e levado a cabo pelo Estado em processos de inserção espacial junto aos territórios indígenas. O ensaio esforça-se no sentido de estudar ações de supressão territorial praticadas por governos anteriores à ditadura militar instalada no Brasil entre 1964 e 1985 e, também, durante este período exceção. Na sequência, busca-se identificar alternativas à luz da filosofia jurídica em contraponto ao direito positivista que se mostra linear e contraditório com os direitos das minorias étnicas e da realidade indígena. Palavras-Chave: Povos Originários. Juspositivismo. Teoria Crítica. Direito. Positivismo Filosófico
COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODERIA AJUDAR NA LEITURA NOS ANOS INICIAIS
A inteligência artificial pode ajudar as escolas a otimizar a gestão de recursos, como salas de aula, materiais escolares e professores. Por meio da análise de dados, fica evidente que a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar a prever a demanda por recursos, além de otimizar a alocação de recursos para maximizar a eficiência e minimizar os custos. Ela está ajudando a personalizar o ensino, oferecendo feedback imediato aos alunos e avaliando o progresso de maneira mais eficiente. Ademais, a IA está permitindo aos professores economizarem tempo ao automatizar tarefas repetitivas e liberando-os para concentrarem-se nas necessidades individuais dos alunos. Contudo, a IA vai muito além, seus recursos também podem ajudar a realizar com sucesso outras atividades diretamente relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem: agendar anúncios e eventos para distribuição em massa entre os alunos, programar chatbots para gestão e atendimento aos alunos, nos anos iniciais, usar tablets e jogos de alfabetização, músicas do alfabeto, jogos da memória, letras coloridas, por exemplo, e podem ser solicitadas vídeochamadas com as crianças, em grupo de leitura
REFLEXÕES DO FEMININO E O TABU DA MATERNIDADE EM MEDEIA: O TEATRO GREGO COMO METODOLOGIA ATIVA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
O presente artigo tem como objetivo apresentar o projeto de extensão universitária intitulado Teatro grego nas escolas: conhecendo a antiguidade, desenvolvido pelo curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de Três Lagoas com o Colégio Unitrês Objetivo, no ano de 2023, utilizando, como ponto central, a encenação da tragédia grega Medeia, de Eurípides: uma peça teatral que tem como protagonista uma mulher de cultura diferente da dos gregos, e que mata os filhos como vingança pela traição do marido. Para auxiliar no debate, utiliza-se das questões de análise da linguagem teatral, gênero e ensino de História, tais como Cavassin (2008), Colling e Tedeschi (2015) e Fonseca (2003), para suscitar a importância de um tema polêmico da mulher que ainda instiga as sociedades contemporâneas, ao mesmo tempo em que permite ser um caminho de enriquecimento artístico educacional e uma ponte de conhecimento do mundo sociocultural da antiguidade
LITERATURA, ÉTICA E EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE: REFLEXÕES A PARTIR DE “ELOGIO DA LITERATURA”, DE Z. BAUMAN E R. MAZZEO
Pretende-se neste ensaio teórico validar argumentativamente o incentivo à institucionalização de horários específicos para a leitura pelas escolas em tempo integral. Supõe-se que a imersão hermenêutica nas obras de literatura, pedagogicamente conduzida na perspectiva da formação integral, possibilita aos estudantes sua capacitação para a cidadania democrática, além de sua preparação para o trabalho. A construção do texto está focada na questão da ética pertinente ao trabalho pedagógico na contemporaneidade. Elogio da Literatura, de Z. Bauman e R. Mazzeo (2020), é a obra literária tomada como objeto privilegiado de interlocução. Metodologicamente, ensaia-se pensar as questões ético-pedagógicas a partir da experiência da leitura (Brayner, 2015), o que implica seguir a abordagem teórico-metodológica hermenêutico-crítica. Por esta via, resulta que a formação a ser promovida pelas escolas abrangerá não apenas as capacidades pertinentes à dimensão técnico-instrumental da razão humana, mas também as capacidades interpretativas, comunicativas, reflexivas, críticas e artísticas da razão discursiva
AFROFUTURISMO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA PROPOSTA ANTIRRACISTA
Este artigo visa fomentar ações que promovam uma educação antirracista a partir da formação de leitores nas salas de aula da educação básica, enfatizando a importância textos oriundos das culturas africana e afro-brasileira. Além disso, busca integrar a literatura afrodescendente brasileira como um meio de desconstruir narrativas coloniais e realçar a influência africana na construção da identidade nacional. O objetivo é gerar discussões reflexivas sobre temas cruciais à educação antirracista, incluindo o contexto histórico e político do racismo no Brasil. Para isso, é essencial alinhar-se às diretrizes curriculares do Ministério da Educação, explorar a essência do afrofuturismo, e entender os pilares da educação antirracista. O artigo envolve a análise e o trabalho com diferentes gêneros textuais representativos da literatura e cultura africana e afro-brasileira, seguindo os padrões da BNCC e a Leis n° 10.639/03 e n° 11.645/08. O planejamento inclui a realização de oficinas que abrangem aspectos da narrativa e buscam reavaliar o papel do educador no desenvolvimento de estudantes capazes de pensamento crítico
A CONSTRUÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE PRÁTICA DE LEITURA COM O PÁTIO DAS SOMBRAS E EPITÁFIO
Este artigo objetiva apresentar uma proposta de prática de leitura utilizando a metodologia da sequência básica proposta por Rildo Cosson (2009) na obra Letramento literário: teoria e prática que pode ser aplicada em turmas do 9º ano do Ensino Fundamental. Os textos escolhidos foram O Pátio das sombras (2014), de Mia Couto e a música Epitáfio (2002), do grupo Titãs. Optamos por esses textos, porque apresentam visões distintas sobre um mesmo assunto: a morte. Na nossa compreensão, em muitos casos, esse tema ainda é um tabu, mas a literatura pode viabilizar a discussão de algo presente na vida de todas as pessoas. Para isso, utilizamos como referencial teórico, os pressupostos de Alberto Manguel (1997), Antonio Candido (1988), Eliana Yunes (2016), Marisa Lajolo (2002), Regina Zilberman (1988), Tzevetan Todorov (1967), Annie Rouxel (2004) e Rildo Cosson (2009, 2020). A proposta de letramento literário apresentada neste trabalho pode contribuir para fomentar discussões sobre a leitura e estabelecer novas abordagens com ações dinâmicas de trabalho com a literatura na sala de aula
A CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO E O DESENVOLVIMENTO DA CIDADANIA E REFLEXÃO CRÍTICA PELA VIA DE AÇÕES INTEGRADAS COM A LINGUAGEM: O QUE NOS DIZEM OS DOCUMENTOS
Pretende a reflexão acerca da contrarreforma denominada “Novo Ensino Médio”, ao encontro da análise de documentos que a embasam, objetivando investigar o que expressam acerca do desenvolvimento da cidadania e da reflexão crítica dos discentes, no que tange aos processos de ensino-aprendizagem mediados pela linguagem. Dialoga com Sacristán (2013), Silva (2016), Libâneo (2008, 2014), Goodson (1995), Covre (1986), Pinsky (1999), e Mikhail Bakhtin e seu Círculo (Volochinóv, 2017; Bakhtin, 2016). Trata-se de pesquisa desenvolvida no âmbito de estudos de mestrado, de base qualitativa, com realização de análise documental. Evidencia as motivações políticas, econômicas e sociais envolvidas na contrarreforma e interpela o referido currículo no sentido de sua contribuição para uma prática pedagógica que proporcione o incremento da cidadania e reflexão crítica dos discentes, haja vista que seu engessamento acaba por impedir o desenvolvimento de ações que possibilitem a participação dos estudantes em atividades linguístico-discursivas integradas, que os permitam se colocar, responsiva e responsavelmente, mediante os diferentes discursos sociais
INOVAÇÃO SOCIAL E APRENDIZAGEM: ASPECTOS BIBLIOMÉTRICOS E TEÓRICOS
O fenômeno da inovação social possui relação teórica com o campo da educação, principalmente com o tema aprendizagem. Este estudo apresenta essa congruência respaldada em uma seleção de artigos extraídos da base Web of Science, por meio de uma revisão sistemática da literatura realizada em duas fases: análise bibliométrica com suporte dos softwares CitNetExplorer (historiografia) e VOSViewer (mapeamento) e utilização do methodi ordinatio, método para filtragem por fator de impacto, ano e número de publicação; e análise dos artigos filtrados. Observamos na literatura que os fenômenos se conectam em várias modalidades, como aprendizagem de serviço, aprendizagem social e aprendizagem ao longo da vida, sendo o ápice a chamada aprendizagem transformativa, defendida principalmente por Jack Mezirow, Laurent Daloz, Robert Boyd e Paulo Freire. Nessa dinâmica, o contexto é determinante para que a inovação social consiga gerar esse tipo de aprendizagem. Este trabalho interessa a pesquisadores, a educadores e a gestores educacionais
PROCESSOS DIALÓGICOS NA PRODUÇÃO DE NARRATIVAS INTERCULTURAIS E INTERGERACIONAIS NO ENSINO SUPERIOR
Apresenta-se um estudo sobre educação intercultural em contexto do ensino superior, descrevendo e problematizando as experiências dos participantes na produção de narrativas que exploram processos intergeracionais e de estranhamento cultural. Segue uma metodologia de autoestudo, pois as autoras são também participantes dos processos que pesquisam, procurando não apenas compreendê-los, mas também contribuir para a sua transformação. Ao longo de um semestre foram registrando suas reflexões: os estudantes na forma de portfólios individuais, a docente na forma de um diário de investigação. Procedeu-se à análise de conteúdo desses registros, triangulando-os para discutir a relevância dos processos narrativos no desenvolvimento da interculturalidade. Da análise emergem confluências entre os participantes acerca do papel das dimensões relacionais, práxicas, artísticas-técnicas. As primeiras integram relações dialógicas e colaborativas entre instituições, mas sobretudo processos intergeracionais e interculturais. Das dimensões práxicas destaca-se a autoreflexividade e a vivência da teoria pela própria metodologia, bem como a reflexão e debate sobre questões mais específicas associadas a diferenças culturais, à discriminação de gênero, interculturalidade crítica, relação com a ancestralidade e interdisciplinaridade. No que respeita às dimensões de criação com componentes artísticos e técnicos, surgem referências à utilização de fotos, criação de poemas e textos, elaboração de storytelling digitais visuais, bem como às aprendizagens daí decorrentes
TENDÊNCIAS E DESAFIOS NA CARREIRA CIENTÍFICA DAS MULHERES: UMA ANÁLISE NO CONTEXTO BRASILEIRO
O contexto contemporâneo revela persistente desigualdade de gênero, acompanhada por diversas formas de violência contra as mulheres. No entanto, há um notável aumento na participação feminina no setor acadêmico brasileiro, com mais mulheres ocupando posições de destaque em instituições de ensino e pesquisa. O Brasil se destaca como pioneiro entre as nações ao alcançar a igualdade de gênero no nível mais alto de educação, o doutorado, em 2004. Apesar desses avanços, os campos STEM ainda são hostis para as mulheres, especialmente nos segmentos mais remunerados. Embora a participação feminina na produção científica tenha aumentado, persistem desafios relacionados à permanência, promoção e valorização do trabalho das mulheres. Esses desafios refletem-se na divisão sexual do trabalho e na associação histórica das mulheres com características emocionais, o que contribui para a crença em sua inadequação para carreiras científicas. Esta revisão narrativa visa analisar a evolução e os desafios enfrentados pelas mulheres na carreira científica no Brasil