Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP)
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MUSAS EN EL PARAÍSO: apropiaciones del plátano por parte de españoles e indígenas. Nuevo Reino de Granada, siglos XVI y XVII
La implantación del plátano en el Nuevo Reino de Granada no fue impulsado por la Corona española, comosí sucedió con otros productos alimenticios (p.e. caña de azúcar, gallinas y trigo), sino que se dio de unamanera informal, llevado a cabo por algunos europeos desde comienzos del siglo XVI. A pesar de que elcultivo del plátano prosperó muy pronto, tanto que parecía un producto aborigen, la adopción por parte de losindígenas demoró un tiempo; a fines del XVI, solo algunos pueblos lo cultivaban como parte de sutributación, pero no para su consumo. En el XVII, lo adoptan como parte de la dieta, aunque no siempre loidentifican como un alimento vinculado al gusto, sino a la necesidad. Para entender este proceso, esnecesario vincular estructuras de consumo, formas de trabajo y demografía. Estos diferentes aspectos de lasociedad permiten ver otras de las facetas de la globalización del mundo, en este caso con un fruto tropicalque se impone en otras latitudes tropicales, llevado por los europeos
A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NORTISTA NO ATO DE COMER E COZINHAR: Uma perspectiva do Chef Paulo Martins na gastronomia regional paraense
O artigo tem como objetivo refletir sobre o papel divulgador do chef Paulo Martins na cozinha paraense, sejapor meio de suas crônicas no livro Memórias de um piloto de fogão, quanto na construção legítimaidentitária nortista na Gastronomia. Analisando a Revista Veja Belém de 2005 a 2010 como divulgadora dagastronomia paraense nacionalmente e de suma importância no diálogo entre a sociedade paraense com ascrônicas de Paulo Martins. Dando a devida importância a cozinha paraense como uma culinária autônomaatualmente
TEMPOS DE OURO: uma análise sobre a formação espacial de Israelândia-GO
A dinâmica espacial na perspectiva de espaço geográfico, permite a compreensão dos diferentes usos que estãocontidos na conformação espacial. Os usos podem estar associados às condições de apropriação da natureza, quepor sua vez a transforma em território usado. A formação espacial é um resultado de espaço produzido. A partirdessa perspectiva procurou se compreender a formação espacial de Israelândia (GO), que tem uma constituição aassociada aos garimpos rudimentares do século XVIII. Assim, a interpretação recorreu ao tempo de longaduração para analisar a conformação espacial atual desse município do Oeste goiano
ELOGIO AO PROFESSOR ROBERTO ARAÚJO DE OLIVEIRA SANTOS, POR OCASIÃO DA POSSE DA SÓCIA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PARÁ, AURILEÁ ABELÉM, FUNDADORA DA CADEIRA N. 44
MEDINDO PADRÕES DE GEODIVERSIDADE DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TOCANTINS E ITACAIÚNAS, PARÁ, AMAZÔNIA-BRASIL
Diversidade de vida tem prioridade nas políticas públicas desde os anos do pós-guerra, suaimportância é inegável em todos os setores da sociedade. A presente secção objetiva chamar atençãopara a importância do patrimônio natural, a saber, a geodiversidade, conceito trabalhado por MurrayGray (2004; 2008; 2018), que traz elementos de valorização associadas aos aspectos de valorintrínseco, cultural, estético, econômico, pesquisa e educação, nessa obra, buscamos associá-la asanálises de bacias hidrográficas. Esse tipo de análise tem se restringido as questões morfométricas ehidrogeológicas, nosso desafio é demonstrar a importância da operacionalização do conceito degeodiversidade na bacia hidrográfica Tocantins e Itacaiúnas. O uso do sistema de informaçãogeográfica permitiu organizar cinco clusteres de geodiversidade (alta, moderadamente alta, média,moderadamente baixa e baixa), na bacia hidrográfica capaz de espacializar tais padrões degeodiversidade. Espera-se que as políticas públicas de planejamento sejam capazes de absorveremesse novo conceito nas suas variáveis
CONFLITUALIDADE ENTRE O MOVIMENTO SOCIAL CAMPONÊS E MERCADOS NA AMÉRICA LATINA: DA VISÃO MONETÁRIA À VISÃO TERRITORIAL
Qual o significado que o termo “mercado” assume nas formulações dos movimentos sociaiscamponeses e quais as alternativas discutidas pelos sujeitos para se relacionar ou confrontarcom este? Esta é a principal questão abordada por este artigo, destacando a multimensionalidadede lutas e da dinâmica socioeconômica destes sujeitos na América Latina. Utilizamos comoreferência para as nossas análises os documentos de alguns dos maiores movimentos sociais dosubcontinente, como os da Cúpula dos Povos de AbyaYala, os documentos da Via Campesina edo MST, sem o intuito de iguala-los ou compara-los. Os documentos são referentes as décadasde 2000 e 2010 e apresentam, além das relações dos movimentos com os mercados, algumas dassuas bandeiras de lutas e marcas do pensamento político do período. O principal argumentodefendido no texto é que o mercado para o campesinato, como espaço da circulação não apenasde produtos, é um elemento marcado pela diversidade socioeconômica e da produção territorialdo campesinato
AMEAÇA E CARÁTER TRANSNACIONAL DO NARCOTRÁFICO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Na atualidade, verifica-se que o crime organizado vem fragilizando a lógica de proteção e defesa das fronteirasdos Estados nacionais. E, nesse contexto, a Amazônia brasileira tornou-se uma rota primária obrigatória para aorganização em redes do tráfico de cocaína de origem Andina em direção aos principais mercados consumidores.O objetivo aqui é analisar o caráter transacional do narcotráfico na Amazônia brasileira que destaca a existênciade uma geografia do crime a partir de conexões regionais-globais que se dão sobre a região. A metodologia dapesquisa pautou-se em: revisão bibliográfica, análise de documentos, trabalhos de campo, observaçõessistemáticas e entrevistas
GESTOS E RESISTÊNCIA: IMAGEM E MONTAGEM DO PENSAMENTO
Nos últimos oito anos, desde 2009, o mundo vem presenciando ondas crescentes de levantes populares que têmsacudido, em seus agires micropolíticos, algumas estruturas. Protestos, manifestações, marchas e ocupações que,de diferentes recantos, insurgem enquanto remontagens do sujeito em sua dimensão coletiva. Este ensaioencontra em Didi-Huberman, mais especificamente em sua exposição Soulevements (Levantes), elementos parapensar conceitualmente a montagem sacudida pelos acontecimentos políticos atuais. Didi-Huberman monta essaexposição pensando em cinco tempos, cinco gestos que vão do micro ao macro, a saber: o gesto da fúriainquieta, o gesto intensivo de um corpo que grita, o gesto de clamor da palavra, o gesto de inflamação coletivados vagalumes e o gesto de sobrevivência para além do seu desaparecimento. Através de algumas imagens daexposição e da obra “Carta ao Pai”, de Elida Tessler, traça-se alguns elementos para pensar a montagem comomodo de expor visualmente as descontinuidades do tempo que atuam em todas as sequências da história, modosde organizar – de desmontar, de analisar e também de contestar – o próprio horizonte de nosso tempo. Por fim,com subsídio de Dardot, Laval, Negri e Hardt, chega-se à ideia de desmontagem do neossujeito, deste sujeitocontemporâneo e neoliberal do qual o desejo é tomado como um novo poder, espaço ininterrupto de disputa. Noentanto, a produção de um comum – resgatada pelo drapeado dos levantes atuais – é aqui evocada enquantogesto efetivo de resistência
CENÁRIO POLÍTICO E CARICATURAS DE OPOSIÇÃO EM BELÉM DO PARÁ – 1920-1927
O Estado do Pará viveu uma grave crise econômica, após o apogeu da economia da borracha. E, os anos 20 doséculo passado mostrava que havia uma intensificação da mesma. Por isso, havia uma fragilização das relações entreos cidadãos e o Estado. Os sucessivos governadores republicanos, atribuíam a seus antecessores a culpa pelasituação econômica desfavorável. O governadorDionysio Bentes, por exemplo, identificou um segundo o problema,que segundo sua análise estava relacionado a falta de pessoas para habitar as regiões distante do territórioparaense.Portanto, a crise econômica seria combatida, e o principal intuito era o de desenvolver o Estado, noentanto, pela falta de gente no território tão extenso, dificultava a colonização, não à toa que boa parte da região era,por isso, despovoada e desconhecida se comparada as zonas preferidas. O que acontecia com Belém, para ondehavia uma constante fugas de migrantes de diversas regiões do país e da própria região, neste caso era consideradade acesso fácil, como a capital, as margens dos rios navegáveis e da Estrada de Ferro de Bragança. Justamente nestecenário, a figura do politiqueiro ganhou destaque, contudo, os caricaturistas aproveitaram a situação para mostrar assuas representações pelos lápis endiabrados
SUBJETIVIDADE, MONTAGEM E ÉTICA NO CINEMA DOCUMENTÁRIO: PISTAS METODOLÓGICAS ENTRE EDUARDO COUTINHO E WALTER BENJAMIN
Instituição de um regime cinematográfico, o documentário se estabeleceu sob uma forte conotaçãorepresentacional, e tornou-se um método para fornecer, a partir de imagens, um sentido de factualidade àinvestigação da realidade. A narrativa documentária dominante ancora-se em tons conclusivos sobre o real,produz endereçamentos pré-estabelecidos entre histórias e imagens, constrange os acasos. Para WalterBenjamin, os vencedores narram a história de uma perspectiva continuísta e teleológica. Os derrotados emergemnestas narrativas como carentes e destituídos de coragem ou de ousadia. A imagética da derrota se subsidia nanaturalização da miséria, no embotamento de qualquer sensibilidade coletiva – e, portanto, política – que sepossa forjar sobre a miséria. O modo como se retrata o outro e o mundo são índices das relações de poder emjogo, implicam posições e apostas éticas. Nestas linhas que aqui se tecem entre a escrita da história e aexperiência fílmica do documentário, desejou-se produzir um deslocamento na tradição histórica dos vencedorespela via de um outra imagética dos derrotados, apontada no documentário “Boca de Lixo”, do cineasta EduardoCoutinho. O método de construção das imagens em “Boca de Lixo” se aproximaria das pistas benjaminianaspara a atividade do historiador materialista, para o qual o passado deixa de ser um fato objetivo e transforma-seem um fato de memória, uma “atualidade intensiva”. Em “Boca de Lixo” Coutinho aciona uma interrupção dasrepresentações e clichês que temos da miséria e do lixo através de imagens de um “presente que destrói ocontínuo da história” (BENJAMIN, 2009)