Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP)
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Da ocupação à formação do Território Quilombola São Pedro em Castanhal, Pará, Brasil: uma breve versão a partir de fontes orais
O artigo sintetiza parte de uma pesquisa de mestrado realizada junto à Comunidade Quilombola São Pedro, localizada na zona rural do município de Castanhal, Pará, Brasil. O objetivo é redigir uma breve versão da formação do Território Quilombola desde a ocupação empreendida pelos primeiros moradores negros à disposição territorial atualmente demarcada e reconhecida pelo Estado brasileiro. O método utilizado foi a realização de entrevistas semiestruturadas com nove pessoas cujas idades variaram entre 46 e 98 anos e que declararam carregar na memória versões das origens da comunidade. O resultado consiste em uma possibilidade narrativa que organiza saberes contextualizados sobre um determinado momento do passado, e que abrange a formação dos antigos sítios de negros do Inhangapi até a unificação de seis deles no atual território quilombola de São Pedro.  
Bicentenário da Independência no Brasil e no Pará: história, memória e tecnologias
Em 2022 e 2023, uma personagem da história do Brasil, a Independência, tornou-se centro das atenções e induziu a nação brasileira a se repensar, avaliar seu processo histórico e debater projetos de nação. Estas reflexões se inserem no âmbito das comemorações do bicentenário da emancipação política do Brasil que se constitui em oportunidade ímpar para que haja uma reelaboração da memória Imperial construída naquele momento e dos fatos que marcaram a história brasileira, agora sob as perspectivas sociais do tempo presente. No Pará, o processo ganha contornos próprios da política local, com eventos específicos, conectados a outras realidades regionais, como rebeliões e motins, que envolveram diferentes setores da sociedade. Sob esse prisma, este texto apresenta os resultados do projeto que reuniu a comunidade de professores, historiadores e estudiosos na construção de produtos acadêmicos e educacionais, como publicações de obras de referência, comerciais e materiais audiovisuais que, refletindo sobre o momento de comemorações do bicentenário da independência, promoveu reflexões que estabeleceram uma memória que recuperou os eventos políticos consolidados pela historiografia, de forma a expressar as experiências de luta e atuação de negros escravizados, caboclos, indígenas e homens brancos pobres, entre outros setores marginalizados
Editorial: Uma COP-30 na capital da Amazônia brasileira
Apresentação do volume feita pelo Editor da Revista
A parte e o todo: como a independência no Pará ajuda a entender o processo em todo o Brasil
Este artigo não pretende analisar os acontecimentos da independência no Pará de forma isolada, como se a província estivesse em uma ilha. Também não se pretende descrever uma parte do quebra-cabeças cuja somatória é a história nacional. De modo diferente, pretende-se responder a seguinte pergunta: como a independência no Pará ajuda a entender o processo em todo o Brasil? Para isso, destacamos quatro eixos: 1) A importância das diferentes cronologias; 2) O papel das guerras; 3) As conexões entre as províncias; 4) Os múltiplos significados da independênci
A Cabanagem: a “guerra de castas" amazônica e algumas perspectivas comparativas
Em 7 de janeiro de 1835, um grupo de proprietários de terras, artesãos, soldados e camponeses invadiu Belém, capital da região amazônica. Conhecida como Cabanagem, essa rebelião ocorreu durante um período de convulsão social não apenas no Pará, mas também no Brasil. A capital voltou às mãos imperiais em 13 de maio de 1836, mas, os rebeldes mesmo perdendo gradualmente cidades e acampamentos rurais fortificados, nunca foram derrotados militarmente, até que uma anistia geral foi concedida a todos os rebeldes pelo imperador Pedro II em julho de 1840. A Cabanagem foi uma aliança ampla e frágil entre várias classes e grupos étnicos, e envolveu povos indígenas, com diferentes interesses e dimensão internacional. As ideias liberais radicais reuniram aqueles que viviam em distritos rurais e urbanos e apelaram às animosidades de longa data contra o controle distante por parte de estranhos, ao uso inconsistente da lei para proteger todas as pessoas e aos regimes de trabalho obrigatório que afastaram as pessoas das suas famílias e terras. A pacificação violenta da região foi justificada pelo retrato do movimento como uma guerra racial, dominada por “pessoas de cor” incapazes de se governarem a si próprias
Entrevista: revisitando a Independência do Pará, com Geraldo Mártires Coelho
Entrevista realizada em 2022 com o Historiador e Professor de História da Universidade Federal do Pará e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Dr. Geraldo Mártires Coelho, sendo entrevistadora Ada Bastos
Histórico do comportamento populacional da Região de Integração do Marajá entre os anos de 2012 e 2022
RESUMO: Este estudo teve como objetivo compreender e descrever aspectos relativos ao comportamento populacional na Região de Integração do Marajó, no Estado do Pará, entre os anos de 2012 e 2022. A pesquisa adotou uma natureza descritiva e exploratória, bem como uma abordagem predominantemente quantitativa. A coleta de dados recaiu sobre variáveis quantitativas que permitiram a descrição do comportamento populacional do espaço geográfico de referência do estudo: A Região de Integração do Marajó, mediante uma pesquisa documental realizada junto ao repositório da FAPESPA. Possibilitando a) a construção de gráficos lineares, conforme técnicas estatísticas descritivas, apresentando o comportamento populacional no período estudado; b) a realização de cálculos estatísticos para extração da taxa de natalidade anual, da taxa de mortalidade anual e do crescimento vegetativo anual, a variação percentual anual da população e a variação percentual acumulada da população, a cada ano. Como resultados, constatou-se que, para além da descrição do comportamento populacional da RI do Marajó, ao longo do período analisado, o estudo destacou pontos dignos de posterior aprofundamento de investigações populacionais de cada município e apontou um possível caminho de correção dos valores projetados ano a ano
Imprensa, Independência e poder no Grão-Pará
A imprensa desempenhou um importante papel no processo que levou à adesão do Grão-Pará à independência proclamada no Centro-Sul, já que, como formadora de opinião pública, funcionou como palco do teatro político representado pelos grupos da elite paraense que disputavam o poder na província. Os exemplares de jornais portugueses que circulavam em Belém, como o “Diário das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa”, o “Astro da Lusitânia”, “O patriota”, o “Mnmosine Constitucional”, permitiam a esta elite tomar conhecimento do que acontecia em Portugal e no resto da Europa, além de tal fato ter tido importância no estabelecimento da imprensa no Grão-Pará, com “O Paraense”, de Felippe Patroni. O jornal criado por Patroni publicava matérias que possibilitavam acompanhar a luta política travada pelas duas facções nas quais a elite provincial se dividiu e a campanha de desgaste movida contra a Junta de Governo Civil e o Governo das Armas e que culminaram na adesão do Grão-Pará à independência
“Morram os europeus!”: a Independência brasileira sob a ótica da Revolução no Baixo Tocantins, Província do Grão-Pará
Este artigo tem como objetivo discutir o processo de Independência brasileira na antiga Província do Grão-Pará, com foco nas disputas políticas ocorridas na região do Baixo Tocantins. Formada pelas vilas de Cametá, Abaeté, Igarapé-Miri, Mojú, Portel, Baião, Beja e Conde, essa vasta região mergulhou num turbilhão de intensas lutas políticas e sociais, ambientadas na complexa e violenta formação do Estado e da Nação, cujas manifestações mais contundentes, interpretadas a partir da análise da correspondência oficial da época e do diálogo com a historiografia recente, indicam a pouca estabilidade do conceito de “unidade nacional” e a emergência de projetos variados de futuro protagonizados por pessoas das “baixas esferas” da sociedade, sobretudo negros, indígenas, desertores e demais despossuídos. O resultado mais estável desta investigação é a de que o processo de Adesão do Pará à Independência está longe de ter sido pacífico e restrito socialmente ás elites políticas da década de 1820, e descortina uma realidade mais ampla e intricada de revoluções populares na construção da nação brasileira