Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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CHAUI: PLURA SIMUL NA ÉTICA DE ESPINOSA
Neste trabalho partimos da seguinte hipótese: o advérbio simul e a expressão plura simul (pluralidade simultânea) são chaves para compreender as principais teses inovadoras da ética de espinosa, assim como a leitura desta obra proposta por Marilena Chaui no livro Nervura do Real ii (2016)
SER PARTE E TOMAR PARTE
O texto inicia seu trajeto no prefácio do Tratado Teológico Político, passa rapidamente pelos conceitos de liberdade e de felicidade da Ética, cita Que é a literatura? de Jean Paul Sartre para dizer que escrever e falar são maneiras de se engajar [tomar parte] no mundo. E, finalmente, homenageia a professora Marilena Chaui, uma intelectual engajada
THE METAPHYSICS OF AUGUSTINE AND THE FOUNDATION OF THE CARTESIAN SCIENCE
The aim of this paper is to show to what extent Descartes can be situated within the Augustinian metaphysical tradition and to what extent he has departed from it. To this end, we will argue that Descartes has borrowed his main Meditations’ arguments from Augustine’s philosophy. However, in spite of all factual and textual evidence we will provide against the originality of Descartes’ metaphysical discussions, it will be stressed, on the other hand, that in borrowing not only the cogito argument, but also some general features of his philosophy from Augustine’s works, Descartes intends to frame a metaphysics which will be the ground on his new mechanistic physics. Having this in mind, we will hold that no claim can be put forward against the originality and far-reaching scope of Descartes’ philosophical intentions. Indeed, Descartes’ purpose is to build a new science under a metaphysics, even though this metaphysics is the Augustianian one
ESPINOSA E O CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL
As definições do bem e do mal que abrem a Parte iv da Ética parecem posicionar decididamente Espinosa entre os filósofos que consideraram poder defini-los por meio de proposições suscetíveis de verdade e falsidade, reconduzindo, portanto, à razão a origem destas noções. Por outro lado, a proposição 8 da mesma parte afirma de modo inequívoco que o conhecimento dos valores morais é inteiramente redutível a um estado emocional. Dado este aparente paradoxo, trata-se, então, de analisar se e como podem ser conciliadas as definições de bem e de mal e a proposição 8 da Parte IV. O artigo mostra que a filosofia de Espinosa busca produzir uma mutação dos conhecimentos e, portanto, dos desejos; em última instância, uma mutação da natureza do agente, da qual irá derivar, necessariamente, uma mutação na especificação dos bens e nas ações, porque, mudando a natureza da mente, serão diferentes as coisas que provocam alegria e que serão, desse modo, desejadas. Não por acaso, o supremo bem, o conhecimento de Deus, comporta um componente afetivo: a alegria. Trata-se de mostrar que o componente afetivo é intrínseco ao juízo de valor e, ao mesmo tempo, exprime a natureza do sujeito e motiva a sua ação. Por isso, o homem que usa a razão não poderá senão desejar o que lhe é verdadeiramente útil
O CARÁTER IMAGINATIVO DA MEMÓRIA NO LIVRO II DA ÉTICA DE ESPINOSA
O presente artigo busca, a partir da leitura das proposições 17 e 18 do livro II da Ética, inserir Espinosa na tradição filosófica que trata a memória como uma faculdade de caráter fundamentalmente imaginativo. Essa tradição tem destaque na modernidade com Descartes, cujo modelo físico de explicação dos mecanismos da memória é, segundo nossa leitura, aquele em voga no século XVII e o mesmo que serviu de base para a chamada pequena física da Ética, da qual depende a demonstração das proposições 17 e 18 do livro II
SINGULAR
O trabalho da obra de Marilena Chaui, em seu A nervura do real – volume ii, é espinosano no sentido pleno do termo: como Espinosa, Marilena Chaui precisa desconstruir um discurso cristalizado e mostrar que a substância única espinosana gera, em uma complexa rede causal, seres singulares. Os seres singulares existem como efeitos da substância única e como efeitos da série infinita de causas da Natureza (naturada). A coisa singular é resultado, portanto, de uma dupla causalidade, e se não se pode dizer que tem uma existência necessária por sua essência, existe necessariamente pela causa.A questão da singularidade, porém, não me interessa apenas como via de acesso à filosofia de Espinosa e, por contraste, à filosofia de Leibniz. Interessa-me de maneira afetiva. O artigo narra, por isso, dois momentos de meu diálogo com Marilena Chaui acerca da singularidade
MARILENA CHAUI: A FILOSOFIA, A DÍVIDA E O DOM
Esta apresentação do pensamento de Marilena Chaui procura mostrar o alcance tanto filosófico quanto acadêmico e político de sua obra, bem como sua presença no espaço público. Neste sentido, Marilena Chaui desenvolveu trabalhos de Mestre e autora, segundo uma perspectiva singular, pois, para Marilena Chaui, a Filosofia não é apenas uma profissão, mas uma vocação. Assim, também, no Departamento de Filosofia, mais do que uma carreira, Marilena realizou uma história, história que marca nossa identidade de Departamento e de Universidade. Com erudição filosófica, literária e histórica, seus escritos e ensinamentos generosamente se destinam ao especialista, ao aprendiz e o grande público leitor
LINGUAGEM E POLÍTICA EM ESPINOSA
Mais próxima do corpo e da imaginação, a linguagem que pode ser deduzida da ontologia espinosana nos coloca frente ao problema das relações entre mente e corpo. Como pode uma palavra, modo da extensão, comunicar uma ideia, modo do pensamento, se nosso espírito não é uma replicação do corpo e não há expressão entre os atributos? Ao mesmo tempo Espinosa nos mostra como o desenvolvimento e permanência da língua de um povo ao longo dos tempos depende do uso da linguagem em sociedade. Desenvolvendo estes elementos, o presente artigo visa então construir uma proposta de solução para o problema da linguagem em Espinosa pelo estudo de seus textos políticos
MARILENA CHAUI E A REFLEXÃO SOBRE A UNIVERSIDADE
O texto apresenta uma visão geral do caminho percorrido por Marilena Chaui em sua reflexão sobre a universidade, que se efetua desde os anos 1970 e culmina na compreensão da gênese e do funcionamento específico da forma contemporânea da universidade: a universidade operacional, reduzida à condição de organização prestadora de serviços, administrada segundo a lógica da empresa capitalista moderna, atravessada pela heteronomia e distanciada de sua vocação política democrática. Os artigos de Chaui dedicados à universidade configuram um rico espaço de inteligibilidade no qual se entrecruzam a sua interpretação sobre as estruturas históricas e culturais da sociedade brasileira, sua concepção da democracia, sua análise acerca dos efeitos que o neoliberalismo impõe sobre a produção e a destinação dos saberes, o lugar e o sentido da universidade. A crítica de Chaui à universidade refaz uma memória institucional necessária ao enfrentamento de sua forma atual: busca vincular o exercício de entendimento à recusa do instituído, convocando, assim, o desejo de transformação.
CHAUI E O MODELO DA NATUREZA HUMANA NA ÉTICA DE ESPINOSA
Este artigo aborda uma das contribuições mais relevantes do livro A Nervura do Real, vol. 2, de Marilena Chaui: sua análise da noção de modelo da natureza humana apresentada no Prefácio da parte iv da Ética de Espinosa. Chaui entende este conceito como uma noção comum, afastando-se tanto dos intérpretes que o veem como uma construção puramente imaginária, quanto daqueles que o veem como um exemplo de racionalidade normativa