Archives of the Faculty of Veterinary Medicine UFRGS
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Quase 30 anos impactando vidas: O Legado de um Projeto de Extensão em Primeiros Socorros
O Projeto de Extensão “Primeiros Socorros” da UNIFAL-MG celebra quase 30 anos de existência, sendo seu principal objetivo a disseminação dos primeiros socorros por meio de capacitações baseadas em protocolos atualizados para o atendimento de emergências. As metodologias ativas, como simulações realísticas e estudos de caso, foram empregadas para promover um aprendizado dinâmico e interativo. Nesse período, o projeto capacitou cerca de 19.231 pessoas, entre acadêmicos, profissionais da saúde, educadores, instrutores, empresas e população em geral. Em sua trajetória, o projeto foi agraciado com três premiações, publicou um capítulo de livro e participou de 19 eventos científicos. Seus resultados contribuíram para salvar vidas, reduzir complicações e formar multiplicadores. O projeto também contribui para a formação acadêmica e cidadã de seus membros e para a promoção da saúde, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU: ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e ODS 4 (Educação de Qualidade)
(R)existe - a arte do povo da luta por moradia
O artigo descreve a produção da exposição "(R)EXISTE!" realizada em Porto Alegre na galeria Ecarta no ano de 2023, com foco na arte como resistência de comunidades vulnerabilizadas. A exposição foi uma iniciativa do projeto de extensão (R)existe, e incluiu diversas expressões artísticas e culturais produzidas em oficinas realizadas em espaços como a Ocupação Centro Cultural Ksa Rosa, o Assentamento 20 de Novembro e a ONG Peregrinos Sem Fronteiras, além de outros artistas ligados à luta por moradia. A proposta buscou fortalecer coletivos de arte e cultura, dar visibilidade à luta por moradia no município e subverter o papel tradicional de galerias de arte. Com uma abordagem de arte-educação, o evento também desafiou as estruturas necropolíticas, promovendo a reflexão sobre a luta por direitos e a valorização cultural, além da interação dialógica da extensão e da universidade com a comunidade periférica
INTELECTUALIDADE E POLÍTICA NA TRAJETÓRIA DE FRANTZ FANON
Este artigo analisa a trajetória de Frantz Fanon a partir das tensões entre intelectualidade e política, destacando sua importância para os debates contemporâneos nas Ciências Sociais sobre o papel do intelectual engajado. O objetivo é discutir de que maneira Fanon vivenciou e elaborou, ao longo de sua vida, as contradições entre a produção de conhecimento e a prática revolucionária, em contextos marcados pela colonialidade, pelo racismo e pela violência institucional. A metodologia adotada é qualitativa, por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, com base na análise de sua obra publicada, de sua biografia e da recepção crítica de seus textos, além do cruzamento com a teoria social clássica e contemporânea sobre o papel dos intelectuais. O artigo reconstrói os deslocamentos geográficos, políticos e epistemológicos de Fanon — da Martinica à Argélia, da medicina à militância —, evidenciando como sua atuação desestabiliza fronteiras entre saber técnico e intervenção política. Concluímos que Fanon não se limita à figura do intelectual tradicional ou do político pragmático, mas encarna um sujeito revolucionário que se constituiu na intersecção entre razão e ação, teoria e prática.
FILOSOFIA CRÍTICA NA ESCOLA: um caminho para desconstruir o machismo na leitura bíblica
This article aims to critically investigate the role of philosophy in the school environment as a tool for deconstructing the machista interpretations present in biblical tradition. The research begins with the observation that, historically, the Bible was written and interpreted predominantly by men, within patriarchal cultural contexts, resulting in the symbolic and social marginalization of the female body—especially in themes such as menstruation, infertility, and submission. The adopted method is theoretical-analytical, based on authors from critical philosophy, feminist theology, and the history of religions, including Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Odja Barros Santos, and comparative studies on ancient myths. The analysis includes emblematic biblical episodes, such as the treatment of infertile women and the case of the woman with a flow of blood, confronting them with narratives from earlier cultures—Sumerian, Egyptian, Babylonian, and Greco-Roman—that had already addressed femininity with complexity, centuries before the composition of the Hebrew texts. The findings reveal that biblical myths are not unprecedented revelations, but rather late adaptations of cultural discourses that perpetuated common forms of violence against women. The research concludes that the inclusion of critical philosophy in schools is essential to promote an ethical, historical, and liberating reading of faith, enabling students to understand religious texts as human constructions subject to questioning, rather than as absolute truths.This article aims to critically investigate the role of philosophy in the school environment as a tool for deconstructing the machista interpretations present in biblical tradition. The research begins with the observation that, historically, the Bible was written and interpreted predominantly by men, within patriarchal cultural contexts, resulting in the symbolic and social marginalization of the female body—especially in themes such as menstruation, infertility, and submission. The adopted method is theoretical-analytical, based on authors from critical philosophy, feminist theology, and the history of religions, including Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Odja Barros Santos, and comparative studies on ancient myths. The analysis includes emblematic biblical episodes, such as the treatment of infertile women and the case of the woman with a flow of blood, confronting them with narratives from earlier cultures—Sumerian, Egyptian, Babylonian, and Greco-Roman—that had already addressed femininity with complexity, centuries before the composition of the Hebrew texts. The findings reveal that biblical myths are not unprecedented revelations, but rather late adaptations of cultural discourses that perpetuated common forms of violence against women. The research concludes that the inclusion of critical philosophy in schools is essential to promote an ethical, historical, and liberating reading of faith, enabling students to understand religious texts as human constructions subject to questioning, rather than as absolute truths.This article aims to critically investigate the role of philosophy in the school environment as a tool for deconstructing the machista interpretations present in biblical tradition. The research begins with the observation that, historically, the Bible was written and interpreted predominantly by men, within patriarchal cultural contexts, resulting in the symbolic and social marginalization of the female body—especially in themes such as menstruation, infertility, and submission. The adopted method is theoretical-analytical, based on authors from critical philosophy, feminist theology, and the history of religions, including Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Odja Barros Santos, and comparative studies on ancient myths. The analysis includes emblematic biblical episodes, such as the treatment of infertile women and the case of the woman with a flow of blood, confronting them with narratives from earlier cultures—Sumerian, Egyptian, Babylonian, and Greco-Roman—that had already addressed femininity with complexity, centuries before the composition of the Hebrew texts. The findings reveal that biblical myths are not unprecedented revelations, but rather late adaptations of cultural discourses that perpetuated common forms of violence against women. The research concludes that the inclusion of critical philosophy in schools is essential to promote an ethical, historical, and liberating reading of faith, enabling students to understand religious texts as human constructions subject to questioning, rather than as absolute truths.Este artigo tem como objetivo investigar de forma crítica o papel da filosofia no ambiente escolar como ferramenta de desconstrução das leituras machistas presentes na tradição bíblica. A pesquisa parte da constatação de que, historicamente, a Bíblia foi escrita e interpretada majoritariamente por homens, em contextos culturais patriarcais, o que resultou na marginalização simbólica e social do corpo feminino — especialmente em temas como menstruação, esterilidade e submissão. O método adotado é teórico-analítico, com base em autores da filosofia crítica, teologia feminista e história das religiões, como Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Odja Barros Santos e estudos comparativos sobre mitos antigos. A análise inclui episódios bíblicos emblemáticos, como o tratamento das mulheres estéreis e o caso da mulher com fluxo de sangue, confrontando-os com narrativas de culturas anteriores — suméria, egípcia, babilônica e greco-romana — que já abordavam o feminino com complexidade, séculos antes da redação dos textos hebraicos. Os achados revelam que os mitos bíblicos não são revelações inéditas, mas adaptações tardias de discursos culturais que perpetuaram violências comuns contra as mulheres. A pesquisa conclui que a inserção da filosofia crítica na escola é essencial para promover uma leitura ética, histórica e libertadora da fé, permitindo que estudantes compreendam os textos religiosos como construções humanas passíveis de questionamento, e não como verdades absolutas.This article aims to critically investigate the role of philosophy in the school environment as a tool for deconstructing the machista interpretations present in biblical tradition. The research begins with the observation that, historically, the Bible was written and interpreted predominantly by men, within patriarchal cultural contexts, resulting in the symbolic and social marginalization of the female body—especially in themes such as menstruation, infertility, and submission. The adopted method is theoretical-analytical, based on authors from critical philosophy, feminist theology, and the history of religions, including Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Odja Barros Santos, and comparative studies on ancient myths. The analysis includes emblematic biblical episodes, such as the treatment of infertile women and the case of the woman with a flow of blood, confronting them with narratives from earlier cultures—Sumerian, Egyptian, Babylonian, and Greco-Roman—that had already addressed femininity with complexity, centuries before the composition of the Hebrew texts. The findings reveal that biblical myths are not unprecedented revelations, but rather late adaptations of cultural discourses that perpetuated common forms of violence against women. The research concludes that the inclusion of critical philosophy in schools is essential to promote an ethical, historical, and liberating reading of faith, enabling students to understand religious texts as human constructions subject to questioning, rather than as absolute truths
SADE: quando o desejo se torna absoluto
O ensaio analisa a obra do Marquês de Sade, em especial Os 120 Dias de Sodoma e A Filosofia na Alcova, investigando a relação entre desejo, crueldade e racionalidade. Discute sua crítica à moral cristã, ao Iluminismo e à Revolução Francesa, explorando a utopia de uma república libertina fundada no instinto natural. Dialoga com Beauvoir, Foucault e Bataille, mostrando o sadismo como discurso filosófico, paródia social e pedagogia do excesso
A MODERNIDADE INSUSTENTÁVEL E O HOMEM: As Enchentes do Rio Grande do Sul como sintomas da técnica moderna
Este ensaio pretende analisar as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul nos anos de 1941 e 2024, relacionando esses eventos com as descrições e observações presentes na obra "Fisionomia do Rio Grande do Sul" de Balduíno Rambo e as filosofias de Martin Heidegger e Byung Chul Han. A pesquisa busca compreender os fatores naturais e sociais que contribuíram para esses desastres, bem como as mudanças e continuidades ao longo da modernidade, utilizando os conceitos de modernidade sádica, desenvolvimento insustentável, técnica moderna, modernidade pornográfica, enxame e psicopolítica
Um olhar dos docentes formadores sobre os elementos estruturantes dos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo da área de Ciências da Natureza
Os cursos de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza (LEdoC-CN), tem se caracterizados como espaços-tempos para que docentes-formadores promovam a auto-interformação a partir da compreensão dos pressupostos estruturantes dos cursos. Assim, a autoformação ocorre em um processo contínuo de reelaboração dos saberes iniciais, confrontando-os com as experiências práticas vivenciadas; e a interformação se materializa na relação com outros docentes, discentes e comunidades. Diante do exposto, o presente estudo busca a compreensão dos docentes-formadores sobre os elementos estruturantes dos cursos de LEdoC-CN no Rio Grande do Sul[1], analisando como o processo de auto-interformação influencia sua prática e sua formação contínua. A pesquisa se configura como qualitativa a partir de um estudo de caso múltiplo em que se realizou entrevistas semiestruturadas com os docentes-formadores das LedoC-CN do RS. Destacamos que os elementos estruturantes do curso de LEdoC-CN possibilitam a autoformação e a interformação dos docentes-formadores, nos espaços-tempos vivenciados no curso. Esse processo se deu na efetivação de discussões e reflexões sobre os seus modos de ensinar e aprender dos docentes-formadores
[1] UFFS, UFRGS – PoA e Litoral Norte, FURG e UNIPAMP
Era uma vez... os diversos jeitos de ser, com respeito e práticas antirracistas
RESUMO: O presente artigo relata a experiência pedagógica “Era uma vez... os diversos jeitos de ser, com respeito e práticas antirracistas”, desenvolvida em 2025 com a turma do Pré B Azul da Escola Municipal de Educação Infantil Ivanise Jann de Jesus, em Santa Maria/RS. O objetivo foi promover a valorização da identidade negra, combater estereótipos e incentivar o respeito às diferenças desde a infância, construindo uma memória individual e coletiva. A fundamentação teórica apoiou-se na Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), na Lei nº 10.639/2003, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1997) na Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) e nos estudos de Kaercher e Rosa (2021), Munanga (2005) e Andrade (2005), destacando o papel do professor como facilitador de aprendizagens e reflexões sobre diversidade. A metodologia adotada incluiu contação de histórias, rodas de conversa, atividades artísticas, observação e registro das falas e interações das crianças, além de fotografias e anotações em diário de campo. O corpus consiste nas narrativas, autorretratos e produções das crianças, bem como em registros fotográficos das ações pedagógicas. Os resultados indicam mudanças nas percepções e interações infantis, evidenciando crescente valorização da diversidade, reconhecimento das identidades negras e a construção de práticas antirracistas no contexto escolar.
PALAVRAS-CHAVE: educação étnico-racial; infância; práticas antirracistas
A VELHICE ANTIUTILITÁRIA: o envelhecer como ato de desobediência na sociedade moderna
Este artigo aborda a velhice na sociedade capitalista a partir das críticas de Byung-Chul Han e Ailton Krenak. A análise propõe que a velhice, em sua essência não-produtiva, é um ato de desobediência à lógica utilitária do capital, sendo marginalizada tanto na "sociedade do desempenho", descrita por Han, quanto na visão utilitária do capitalismo. Han analisa a transição de uma sociedade disciplinar para uma sociedade do desempenho, na qual o idoso é considerado um "fracassado" devido à perda de produtividade. Em contraste, Krenak ressignifica a velhice, celebrando-a como um repositório de sabedoria ancestral e resistência à lógica do consumo e da obsolescência produtiva. Ao estabelecer um diálogo entre essas duas visões, o artigo evidencia as convergências e divergências nas propostas de resistência. A velhice, em ambos os casos, não é vista como um problema, mas como sintoma de uma crise civilizacional, que desafia a fundação de uma sociedade centrada na produtividade. Uma possível solução proposta seria uma reestruturação de valores, onde a velhice é valorizada como sabedoria e fruição, e não como fracasso ou peso para a sociedade
GESTAR POTÊNCIAS: experiências possíveis no chão de uma escola pública
Desafios da educação étnico-racial pública