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    “É dar a cara à tapa todos os dias”: arranjos de privacidade em torno dos usos das mídias digitais por mulheres jovens brasileiras

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    This text is constructed with the aim of understanding how the public-private relationship is experienced by women from the Brazilian popular classes, connected by the world wide web. The reflection will address how dimensions of honor, shame, recognition, feelings linked to gender and sexuality arrangements, as well as aspects related to the place of residence – which are part of these women’s life experiences – are important for the way these subjects negotiate their visibility and/or protect their network privacy. The research was conducted based on a digital ethnography, developed on social media platforms, as well as in the housing contexts of the research interlocutors, in the city of Rio de Janeiro. The proposal reflects on how privacy and what is said, hidden, shared, where it is said and how it is exposed results from a relational arrangement, which takes into account intersubjective as well as contextual elements. The text questions the thesis that affirms the end of privacy and the idea that exposure on the network is the result of either narcissistic personalities or the subject’s lack of knowledge about the interests of large technology corporations. Exposure on the network, on the contrary, shows an elaborate management of social capital online and the constitution of circuits of recognition among women.Este texto constrói-se com o intuito de compreender como a relação público-privado é vivenciada por mulheres das classes populares brasileiras, conectadas pela rede mundial de computadores. A reflexão apontará como dimensões de honra, vergonha, reconhecimento, sentimentos vinculados a arranjos de gênero e sexualidade, bem como aspectos relacionados ao local de moradia – que integram as experiências de vida dessas mulheres – são importantes para a forma como estes sujeitos negociam sua visibilidade e/ou protegem sua privacidade em rede. A pesquisa foi conduzida com base em uma etnografia digital, desenvolvida em plataformas de redes sociais, bem como em contextos de moradia das interlocutoras da pesquisa, na cidade do Rio de Janeiro. A proposta reflete sobre como a privacidade e aquilo que é dito, ocultado, compartilhado, onde é dito e como é exposto resulta de um arranjo relacional, que leva em conta elementos intersubjetivos, assim como contextuais. O texto questiona a tese que afirma o fim da privacidade e a ideia de que a exposição na rede é resultado ou de personalidades narcísicas ou de um desconhecimento do sujeito acerca dos interesses das grandes corporações da tecnologia. A exposição na rede, ao contrário, mostra uma elaborada gestão do capital social online e a constituição de circuitos de reconhecimento entre mulheres

    O fascismo da cor de Muniz Sodré e a persistente tese da singularidade do racismo à brasileira

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    This review analyzes the book O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional, which aims to criticize the concept of structural racism, by Silvio Almeida, and argue that the slavery social form category would be able to precisely explain the singularity of Brazilian racism. After presenting Muniz Sodré’s main arguments, we argue that the work repeats the theses of the sociology of racial relations of the 1950s and 1960s, which analyzed color prejudice as a pre-modern inheritance of slave society and racism as an ideology. Although Sodré’s book identifies undeniable problems in the concept of structural racism, his proposal suffers from a unitary and excessively narrow conception of social structure, which does not consider the possibility of informal structures of racial inequality at different levels of generalization of meaning: macrostructures, mesostructures, and microstructures. Thus, the book, despite the criticisms of the problems existing in the concept of structural racism, offers an alternative that, in addition to failing to consistently explain Brazilian racism, reproduces the persistent thesis of Brazilian singularity, which is a major obstacle to being able to consistently understand the particularities of Brazilian dilemmas in a modern and global order.Esta resenha analisa o livro O fascismo da cor: uma radiografia do racismo nacional, que tem como objetivo criticar o conceito de racismo estrutural, de Silvio Almeida, e sustentar que a categoria forma social escravista seria capaz de explicar precisamente a singularidade do racismo à brasileira. Após apresentarmos os argumentos principais de Muniz Sodré, sustentamos que a obra repete as teses da sociologia das relações raciais dos anos 1950 e 1960 que analisava o preconceito de cor como herança pré-moderna da sociedade escravista e o racismo como ideologia. Embora o livro de Sodré identifique problemas inegáveis no conceito de racismo estrutural, sua proposta padece de uma concepção unitária e excessivamente estreita de estrutura social, que não considera a possibilidade de estruturas informais de desigualdade racial em diferentes níveis de generalização de sentido: macroestruturas, meso-estruturas e microestruturas. Assim, o livro, em que pese as críticas aos problemas existentes no conceito de racismo estrutural, oferece uma alternativa que, além de não conseguir explicar consistentemente o racismo brasileiro, reproduz a persistente tese da singularidade brasileira que é um importante entrave para que possamos compreender consistentemente as particularidades dos dilemas brasileiros numa ordem moderna e global

    Orden democrático, acción y decisión: Aportes de Emilio De Ípola a la teoría sociológica

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    This work studies the contributions of Emilio De Ípola to the area of sociological theory between the mid-1980s and the beginning of the 21st century. During these years, this author made some significant contributions to sociology, especially in relation to its two fundamental theoretical problems: social order and social action. Regarding the first, based on a little-known work in Argentina by Émile Durkheim, De Ípola developed a series of observations on the characteristics that the State and society must acquire to found a stable democratic order. Regarding the second problem, he connected various theoretical perspectives, such as the natural semantics of action of Paul Ricoeur, the ethnomethodology of Harold Garfinkel and the contributions from Laurent Thévenot and Francisco Naishtat’s pragmatism, which enrich the classic conceptualizations of Max Weber and Talcott Parsons, leading to the incorporation of the dimension of language as part of the notion of action. Finally, the concept of decision emerges as a foundational act that bursts into a pre-existing dynamic, creating new orders and collective subjects, redefining the conditions of what is possible.Este trabajo estudia las contribuciones de Emilio De Ípola al área de teoría sociológica entre mediados de la década de 1980 y comienzos del siglo XXI. Durante estos años, este autor realizó algunos aportes significativos a la sociología, especialmente con relación a sus dos problemas teóricos fundamentales: el orden social y la acción social. En cuanto al primero, a partir de un trabajo poco conocido en Argentina de Émile Durkheim, De Ípola desarrolló una serie de observaciones sobre las características que el Estado y la sociedad deben adquirir para fundar un orden democrático estable. Respecto al segundo problema, llevó a cabo una articulación de diversas perspectivas teóricas, como la semántica natural de la acción de Paul Ricoeur, la etnometodología de Harold Garfinkel y los aportes desde el pragmatismo de Laurent Thévenot y Francisco Naishtat, que enriquecen las conceptualizaciones clásicas de Max Weber y Talcott Parsons, dando lugar a la incorporación de la dimensión del lenguaje como parte de la noción de acción. Finalmente, aparece el concepto de decisión como un acto fundacional que irrumpe en una dinámica preexistente creando nuevos órdenes y sujetos colectivos, redefiniendo las condiciones de lo posible

    E. P. Thompson, teóricos(as) da decolonialidade e feminismo decolonial: contribuições para as mulheres rurais

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    Este artigo propõe uma reflexão teórica sobre a viabilidade de integrar as abordagens de E.P. Thompson e da perspectiva decolonial nos estudos sobre mulheres rurais. Embora ambas as abordagens sejam amplamente discutidas nas ciências humanas e sociais, sua articulação para investigar especificamente as experiências das mulheres rurais ainda é incomum. Este exercício analítico baseia-se nas obras de Thompson, assim como nos intelectuais decoloniais Catherine Walsh, Edgardo Lander, Walter Mignolo, Aníbal Quijano e nas feministas decoloniais Rita Segato, Ochy Curiel e Yuderkys Espinosa Miñoso, que exploram a decolonialidade sob a perspectiva das mulheres latino-americanas. Argumenta-se que a “história vista de baixo”, especialmente pelos conceitos de “lógica histórica” e “experiência” de Thompson, pode ser articulada com a construção de conhecimento “de baixo para cima”, defendida pela teoria decolonial. Através de noções como “decolonialidade”, “desobediência epistêmica” e “interculturalidade”, a teoria decolonial oferece um aparato conceitual que complementa a visão histórica de Thompson. Essa articulação favorece a compreensão das complexas interações entre sexo, raça/etnia, classe e colonialismo nas vivências das mulheres rurais em contextos coloniais e pós-coloniais, posicionando-as como produtoras de conhecimento e não meros objetos de estudo.This article proposes a theoretical reflection on the feasibility of integrating the approaches of E.P. Thompson and the decolonial perspective in studies on rural women. Although both approaches are widely discussed in the humanities and social sciences, their articulation to specifically investigate the experiences of rural women is still uncommon. This analytical exercise draws on the works of Thompson, as well as decolonial intellectuals Catherine Walsh, Edgardo Lander, Walter Mignolo, Aníbal Quijano and decolonial feminists Rita Segato, Ochy Curiel and Yuderkys Espinosa Miñoso, who explore decoloniality from the perspective of Latin American women. We argue that the notion of “history from below”, especially through Thompson’s concepts of “historical logic” and “experience”, can be articulated with the “bottom-up” construction of knowledge advocated by decolonial theory. Through notions such as “decoloniality”, “epistemic disobedience” and “interculturality”, decolonial theory offers a conceptual apparatus that complements Thompson’s historical vision. This articulation favors an understanding of the complex interactions between gender, race/ethnicity, class and colonialism in the experiences of rural women in colonial and post-colonial contexts, positioning them as producers of knowledge and not mere objects of study

    Genealogia do espanto: Heloisa Buarque de Hollanda e a virada periférica

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    The essay explores the “peripheral turn” in Brazilian cultural criticism through the work of Heloisa Buarque de Hollanda, now known as Heloisa Teixeira. It highlights her key initiatives, such as curating exhibitions focused on the peripheries, publishing book collections, and founding the “Universidade das Quebradas.” Rather than interpreting the content of these initiatives, the essay places greater emphasis on their “form”, in line with Susan Sontag’s approach. To understand them as a repertoire of forms that hold significance within Brazilian society and culture, the essay situates the author’s peripheral turn within a genealogical series, which we term the “astonishment” of the Brazilian intellectual at the “people’s” capacity for agency. In doing so, the essay seeks to highlight Heloisa Buarque de Hollanda’s contributions to the democratization of culture in Brazil.O ensaio aborda a “virada periférica” na crítica da cultura brasileira a partir de e em Heloisa Buarque de Hollanda. Para tanto, discute iniciativas capitais da crítica que hoje assina Heloisa Teixeira, como curadorias de exposições sobre as periferias urbanas, publicação de coleções de livros e a Universidade das Quebradas. No lugar de uma interpretação dos conteúdos, o ensaio dá mais atenção à “forma” dessas iniciativas, seguindo sugestão de Susan Sontag. E para compreendê-las como um repertório de formas que faz sentido na sociedade e na cultura brasileiras, situa a virada periférica da autora numa série genealógica, a que chamamos do “espanto” do intelectual brasileiro diante da capacidade de agência do “povo”. Com isso, queremos destacar as contribuições de Heloisa Buarque de Hollanda no processo de democratização da cultura no Brasil

    A crise da democracia liberal e a exclusão do antagonismo da política

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    The emergence of far right discourses in countries with democratic institutions considered stabilized gains resonance and electoral support and representation in the institutions of liberal democracy, at the same time that they question the very liberal democratic model in which they emerged and which gave them a certain degree of legitimacy. In this article, the central objective is to address the relationship between democracy and antagonism, based on the Discourse Theory of Laclau and Mouffe (2015), and to present a reflection on the stability and crisis of liberal democracy in dialogue with institutionalist and populists. I conclude with the assertion that both the stability of democracy and its crises depend on the way in which its institutions incorporate (incorporated) or not the political antagonisms (conflicts) that emerge (emerged); in addition to explaining the importance of antagonism for the vitality of democracy and the necessary permeability of institutions to citizens' complaints.A emergência de discursos de extrema-direita em países com instituições democráticas consideradas estabilizadas ganha ressonância e respaldo eleitoral e representatividade nas instituições da democracia liberal, ao mesmo tempo em que questionam o próprio modelo democrático liberal em que emergiram e que lhes deram certo grau de legitimidade. Neste artigo, o objetivo central é o de abordar a relação entre democracia e antagonismo, com base na Teoria do Discurso de Laclau e Mouffe (2015), e apresentar uma reflexão acerca da estabilidade e da crise da democracia liberal dialogando com as visões institucionalistas e populistas. Concluo com a assertiva de que tanto a estabilidade da democracia como suas crises passam pela forma como suas instituições incorporam (incorporaram) ou não os antagonismos políticos (conflitos) que emergem (emergiram); além de explicar a importância do antagonismo para a vitalidade da democracia e a necessária permeabilidade das instituições aos reclames dos cidadãos

    ¿Qué (no) hay de populismo en “la razón populista”? Significantes vacíos, fronteras y la especificidad de la lógica populista

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    Laclau establishes an identity between populism and politics; doing that, he maintains that populism is the only proper political logic. Criticisms of this idea have been well founded; however, there has been no substantial progress regarding the question that emerges as soon as one assumes that populism is only one among many other political logics: what is its ontological specificity? In this regard, I propose to establish a precise meaning for the concept of “preeminence of equivalence” postulated by Laclau as a distinctive feature of populism. To do that, I introduce the idea of “double frontier”. After pointing out that this feature, although capturing populist specificity, does not transcend the ontic level, I critically address the works of Gerardo Aboy Carlés and Sebastián Barros in this regard, showing that despite their valuable contributions, their approaches do not manage to resolve, at least not completely, this question. I then present my proposal that, based on some of Laclau’s statements and supported by the basic principles of his political ontology, aims to demonstrate the role played by empty signifiers in the ontological specificity of all political logic, including populist logic.Laclau establece una identidad entre populismo y política, esto es, sostiene que el populismo es la única lógica propiamente política. Las críticas realizadas a esta idea tienen bases sólidas; sin embargo, no hubo avances sustanciales respecto a la pregunta que emerge apenas se asume que el populismo es sólo una entre otras tantas lógicas políticas: ¿cuál es su especificidad ontológica? Al respecto me propongo, en primer lugar, establecer un significado preciso, que defino como de “doble frontera”, a la noción de “preminencia de la equivalencia” postulada por Laclau como un rasgo distintivo del populismo. Luego de señalar que este rasgo, si bien captura la especificidad populista, no transciende el nivel óntico, abordo críticamente los trabajos de Gerardo Aboy Carlés y Sebastián Barros al respecto, mostrando que sus enfoques, más allá de sus valiosos aportes, no consiguen saldar, al menos completamente, esta cuestión. Paso luego a presentar mi propuesta que, basada en algunas afirmaciones de Laclau y sostenida en principios básicos de su ontología política, se orienta a demostrar el rol que juegan los significantes vacíos respecto de la especificidad ontológica de toda lógica política, incluida la populista.Laclau establece una identidad entre populismo y política, esto es, sostiene que el populismo es la única lógica propiamente política. Las críticas realizadas a esta idea tienen bases sólidas; sin embargo, no hubo avances sustanciales respecto a la pregunta que emerge apenas se asume que el populismo es sólo una entre otras tantas lógicas políticas: ¿cuál es su especificidad ontológica? Al respecto me propongo, en primer lugar, establecer un significado preciso, que defino como de “doble frontera”, a la noción de “preminencia de la equivalencia” postulada por Laclau como un rasgo distintivo del populismo. Luego de señalar que este rasgo, si bien captura la especificidad populista, no transciende el nivel óntico, abordo críticamente los trabajos de Gerardo Aboy Carlés y Sebastián Barros al respecto, mostrando que sus enfoques, más allá de sus valiosos aportes, no consiguen saldar, al menos completamente, esta cuestión. Paso luego a presentar mi propuesta que, basada en algunas afirmaciones de Laclau y sostenida en principios básicos de su ontología política, se orienta a demostrar el rol que juegan los significantes vacíos respecto de la especificidad ontológica de toda lógica política, incluida la populista

    O Teatro em Comunidade do Coletivo Estopô Balaio

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    This article explores the relationship between aesthetics and politics, as proposed by philosopher Jacques Rancière (2020), to examine the processes of production and creation, as well as the dynamics of labor, organization, and management within Coletivo Estopô Balaio, located in the far east of São Paulo. The research draws on ethnographic data from a doctoral study in Social Anthropology to deepen the analysis of this thematic scope. For the Collective, theater is not merely a physical space but a social relationship that intertwines labor, artistic creation, and territory/audience. In this sense, the community serves as the foundation not only for artistic production and creation but also for the group's management.Este artigo investiga a relação entre estética e política, conforme proposta pelo filósofo Jacques Rancière (2020), para analisar os processos de produção e criação, bem como as dinâmicas de trabalho, organização e gestão do Coletivo Estopô Balaio, situado no extremo leste da cidade de São Paulo. A pesquisa se apoia em dados etnográficos, provenientes de uma investigação de doutorado em Antropologia Social, para aprofundar a reflexão sobre esse recorte temático. Para o Coletivo, o teatro não se restringe a um espaço físico, mas configura-se como uma relação social que articula trabalho, obra e território/público. Nesse sentido, a comunidade se estabelece como fundamento tanto para a criação e produção artística quanto para a gestão do grupo. &nbsp

    Vereda da Salvação: intersecções entre raça, gênero e crença na dramaturgia de Jorge Andrade

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    In 1955, the city of Malacacheta, Minas Gerais, witnessed an episode of religious fanaticism that resulted in the brutal murder of four children. A decade later, Jorge Andrade, a writer from São Paulo, dramatizes the case in a work of warning and caution. Vereda da Salvação (1965) remains relevant and timely in discussions of religious fanaticism. However, this paper intends to analyze how the playwright portrays the intersections of gender, race, and belief. Unfortunately, the author makes discursive choices that omit the racial identity of the characters, and he also reduces the plot of the female protagonists to an orbiting role around the men's narratives. In his work, Andrade prompts us to reflect on the dangers of a religious discourse grounded in the promise of a new land, aimed at people who have never had a piece of land to call their own. Hope becomes the villain in this process, to the point that reality loses its place, making way for fantasy and a collective delusion of ascension to the heavens. Despite offering a strong critique of the catechizing stance of some neo-Pentecostal doctrines, the author seems to portray the conflict solely through the lens of class struggle, neglecting the intersections of race and gender present both in the dramaturgy and in the event in Minas Gerais.Em 1955, o município de Malacacheta, Minas Gerais, testemunhava um episódio de fanatismo religioso que levou à morte quatro crianças violentamente assassinadas. Uma década após o ocorrido, Jorge Andrade, escritor paulista, se propõe a retratar o caso em uma dramaturgia de denúncia e alerta. Vereda da Salvação (1965) é pertinente e atual na discussão acerca do fanatismo religioso, porém, o presente trabalho se propõe a analisar o modo como o dramaturgo expõe as intersecções de gênero, raça e crença. Infelizmente, o autor faz escolhas discursivas que omitem a racialidade das personagens, bem como torna a trama das protagonistas femininas orbitantes em relação às narrativas dos homens. Em sua obra, Andrade nos leva a refletir acerca dos perigos de um discurso religioso calcado na promessa de uma nova terra direcionada às pessoas que nunca tiveram um pedaço de terra para si. A esperança torna-se vilã neste processo, de tal modo que a realidade perde seu espaço, dando lugar à fantasia e ao delírio coletivo de uma ascensão aos céus. Apesar de uma crítica contundente à posição catequizadora de algumas doutrinas neopentecostais, o autor parece querer retratar o conflito ocorrido apenas pelo viés  da luta de classes sociais, negligenciando as intersecções de raça e gênero presentes na dramaturgia e no acontecimento em Minas Gerais

    Permanência e devir em “objetos indiscerníveis”: Conjecturas sobre desvios ontológicos na ciência, arte e design

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    In this paper, we start from the analysis of the “artifacts”, by the historian of design and art, Rafael Cardoso, and about the “utensils” and “instruments”, by the historian of science, Alexandre Koyré, which understand these objects as stable in their ontological classes. Then, we relate the concepts of these classes of objects with the metaphor of the philosopher Vilém Flusser, who sees design as a “bridge” between science and art, and we contrast our conception of objects. In order to do so, we rely on a phenomenalist gnoseology and a relational ontology, which contribute to the understanding of how design objects can change their meanings by moving between ontological classes. The aim is to add conceptual elements to the theoretical basis of design, making it more apt both to describe aspects of objects, which are increasingly becoming multifaceted, and to intentionally drive them through distinct ontological classes.Partimos das análises acerca dos “artefatos”, do historiador do design e da arte, Rafael Cardoso, e sobre os “utensílios” e os “instrumentos”, do historiador da ciência, Alexandre Koyré, que compreendem esses objetos enquanto estáveis em suas classes ontológicas. Em seguida, relacionamos os conceitos dessas classes de objetos com a metáfora do filósofo Vilém Flusser, que vê o design como uma “ponte” entre ciência e arte, e contrapomos à nossa concepção de objetos, dialogando com a filosofia da arte de Arthur Danto, a filosofia do design de Per Galle e a filosofia das formas simbólicas de Ernst Cassirer. Nos apoiamos em uma gnoseologia de cunho fenomenalista e em uma ontologia relacional, que, acreditamos, contribuem para o entendimento de como objetos podem alterar seus significados movendo-se entre classes ontológicas distintas

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