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A crise dos vivos: uma crise na comemoração dos mortos? A propósito do “Livro das Capelas” da catedral de Coimbra (século XIV)
The second half of the fourteenth century witnessed economic hardship and social upheaval, resulting from epidemics that decimated populations, bad weather that caused famine, and wars that mobilised men and money and generated violence and destruction. This context of difficulties was experienced across the kingdom and locally and was therefore also felt in the city of Coimbra. In the upper part of the city – the Almedina – where the cathedral, its mother parish, was located, there were further tensions at play. In this area many powers coexisted, as it was home to the episcopal palace – the residence of many canons – the royal palace – the residence of many officials – as well as the Estudo Geral (the University) and the student quarter. The tension of those years even breached the walls of the cathedral itself, where the prelate Pedro Tenório and the canons of the chapter clashed. The awareness of this difficult atmosphere leads to the question: did this situation have repercussions on the religious life of the cathedral parish? Could this conflict have affected religious services and, specifically, the office of suffrage for the dead? These questions, as well as their answers, were prompted by the Livro das Capelas (lit., ‘Book of Chapels’), a composite manuscript drawn up in the 1370s, which details the existing chapels in the cathedral and the reforms to which they were subjected. The present article will focus on this small codex, describing its material aspects and analysing its content in search of answers to the proposed questions.
Bibliographical references
Sources
Manuscript sources
Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo – Sé de Coimbra, 2ª incorporação, mç. 52, doc. 2051.
Published sources
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Studies
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Na segunda metade do século XIV, viviam-se anos de dificuldades económicas e de convulsão social, decorrentes das epidemias que dizimavam populações, dos maus anos climáticos que causavam fome, das guerras que mobilizavam homens e dinheiro e geravam violência e destruição. Este contexto de dificuldades vivia-se no reino e localmente, sentindo-se por isso também na cidade de Coimbra. Nesta cidade, na sua parte alta – a Almedina –, onde se erguia a catedral, sua paróquia mãe, faziam-se sentir outras tensões. Nesse espaço instalavam-se o paço episcopal, a residência de muitos cónegos, o paço régio, a residência de muitos oficiais e ainda o Estudo Geral e o bairro dos estudantes, coexistindo diversos poderes. Toda a tensão desses anos entrava mesmo por dentro da Sé, onde se enfrentavam o prelado Pedro Tenório e os cónegos do cabido. A perceção dessa ambiência difícil, leva-nos a questionar: essa situação terá tido repercussões na vida religiosa da paróquia da catedral? Poderia esse conflito condicionar o serviço religioso e, concretamente, o ofício de sufrágio pelos mortos? Tais questões, assim como as suas respostas, foram originadas pelo “Livro das Capelas”, um manuscrito compósito elaborado na década de 1370, que nos discrimina as capelas existentes na Sé e as reformas que nelas foram introduzidas. Esse pequeno códice será o objeto de estudo deste artigo, em que daremos a conhecer a materialidade desse manuscrito, enquanto analisaremos o seu conteúdo, para, através dele, respondermos aos quesitos que formulamos.
Referências Bibliográficas
Fontes
Fontes manuscritas
Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo – Sé de Coimbra, 2ª incorporação, mç. 52, doc. 2051.
Fontes impressas
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Estudos
ALARCÃO, Jorge – Coimbra. A montagem do cenário urbano. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2008.
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BENEDICTOW, Ole J. – The Black Death 1346-1353: The Complete History. Woodbridge: The Boydell Press, 2004.
BENITO, Pere; CAROCCI, Sandro; FELLER, Laurent (dir.) – Économie de la pauvreté au Moyen Âge. Madrid: Casa de Velázquez, 2023.
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FARELO, Mário Sérgio da Silva – O cabido da Sé de Lisboa e os seus cónegos (1277-1377). 2 vols. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2003. Dissertação de Mestrado.
HUYGHEBAERT, H. – Les Documents nécrologiques, Col. Typologie des sources du Moyen âge occidental, fasc. 4. Louvaina: Brepols Turnhout, 1972.
MARQUES, A. H. de Oliveira – Introdução à História da Agricultura em Portugal, 3ª ed. Lisboa: Edições Cosmos, 1978.
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RODRIGUES, Manuel Augusto – “D. Pedro Tenório (1371-1378) segundo o Livro das Vidas dos Bispos da Sé de Coimhra”. In FONSECA, Luís Adão; AMARAL, Luís Carlos; SANTOS, Maria Fernanda Ferreira (coords.) - Os Reinos Ibéricos na Idade Média. Livro de Homenagem ao Professor Doutor Humberto Carlos Baquero Moreno, vol. II. Porto: Livraria Civilização Editora, 2003, pp. 827-834.
ROSA, Maria de Lurdes Pereira – “As almas herdeiras”. Fundação das capelas fúnebres e afirmação das almas como sujeito de direito (Portugal 1400-1520). Lisboa: École des Hautes Études en Sciences Sociales- FCSH da UNL, 2005.
SÁNCHEZ SESA, Rafael – “Don Pedro Tenorio y la reforma de las Órdenes monásticas en el
A Chancelaria de Sancho I (1185-1211)
Cartas e diplomas Na Idade Média, como adverte Constable, não há cartas no verdadeiro sentido dos nossos dias. Na verdade, a intimidade, a espontaneidade e a privacidade não constituíam a essência da epistolografia medieval, que se traduzia quase, e apenas, em atos literários públicos. Desde logo a forma como as cartas eram escritas e mandadas e ainda a grande iliteracia da maioria dos homens para tal concorriam. Na elaboração das cartas seguiam-se formulários que as modelavam correta e elega..
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Recensão: ANDRADE, Amélia Aguiar; TENTE, Catarina; SILVA, Gonçalo Melo; PRATA, Sara (eds.) - Inclusão e Exclusão na Europa Urbana Medieval. Inclusion and Exclusion in Medieval Urban Europe. Lisboa: Instituto de Estudos Medievais-Câmara Municipa
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