1,720,985 research outputs found
O papel dos recetores metabotrópicos de glutamato do tipo 5 nos astrócitos do córtex infralímbico na facilitação descendente em monoartrite
Dissertação de mestrado em Ciências da SaúdePain arises as a vital defense mechanism, essential for survival. Unfortunately, it can become a disease and lose its biological value when prolonged in time, as in chronic disorders. Arthritis, a chronic inflammatory disease highly prevalent in the elderly, is characterized by progressive degradation of joints and persistent pain. Recent advances in brain imaging techniques allowed pinpointing specific brain areas whose activity is altered in arthritic patients. Amongst these areas, the prefrontal cortex (PFC) was reported to be functionally altered in arthritis. In addition, a previous work from our lab showed the infralimbic cortex (IL), a subarea of the PFC, plays a facilitatory role in the descending modulation of nociception after activation of its type-5 metabotropic glutamate receptors (mGluR5) in experimental monoarthritis.
As mGluR5 are expressed in neurons and astrocytes, to better understand which cell type might be mediating IL mGluR5-induced pronociception in healthy and monoarthritic animals, we selectively ablated IL astrocyte function using a gliotoxin (L-α-aminoadipate). Nociception was then evaluated before and after IL mGluR5 activation/inhibition during peripheral thermal noxious stimulation. In addition, to evaluate the role of the rostroventromedial medulla (RVM) as a potential downstream spinal-projecting effector of IL mGluR5-induced pronociception, the activity of its ON- and OFF-like cells was also assessed.
Our results suggest IL astrocytic mGluR5 are involved in nociceptive facilitation in experimental monoarthritis but not in healthy animals. Interestingly, RVM cells traditionally associated with nociceptive facilitation/inhibition are not involved in IL mGluR5-induced pronociception although a potential contribution of RVM NEUTRAL-cells cannot be discarded. Future studies should focus on the mechanisms between astrocytes and neurons that facilitate nociception in experimental monoarthritis.A dor é um mecanismo de defesa essencial para a sobrevivência. Infelizmente, pode perder o seu valor biológico quando se prolonga no tempo, tornando-se ela própria numa doença crónica. A artrite, uma doença crónica inflamatória com elevada prevalência em idades mais avançadas. É caracterizada pela degradação progressiva das articulações e por dor persistente. Os avanços nas técnicas de imagiologia cerebral permitiram, nos últimos anos, a identificação de áreas específicas do cérebro que sofrem alterações na sua atividade em doentes com artrite. Entre estas áreas encontra-se o córtex pré-frontal (PFC), onde foram detetadas alterações funcionais na sua atividade em pacientes com artrite. Recentemente, um estudo do nosso laboratório demonstrou que o córtex infralímbico (IL), uma sub-região do PFC, desempenha um papel facilitador na modulação descendente da nocicepção após a ativação dos recetores metabotrópicos de glutamato do tipo 5 (mGluR5) em ratos com monoartrite experimental.
Dado que os mGluR5 são expressos em neurónios e astrócitos, e para perceber qual o tipo de célula que pode estar a mediar o efeito pronociceptivo dos mGluR5 no IL em ratos saudáveis e com monoartrite, a função astrocítica no IL foi selectivamente ablada com recurso a uma gliotoxina (L-α-aminoadipato). A nocicepção foi avaliada antes e depois da ativação ou inibição dos mGluR5 no IL através da aplicação periférica de estimulação térmica nóxica. Adicionalmente, para avaliar o papel do bolbo rostral ventromedial (RVM) como um potencial efetor da pronocicepção induzida pelos mGluR5 no IL, a atividade das suas células do tipo ON e OFF foi avaliada.
Os nossos resultados sugerem que a função dos mGluR5 nos astrócitos do IL está envolvida na facilitação descendente da nocicepção em monoartrite experimental. Curiosamente, as células do RVM tradicionalmente associadas à facilitação/inibição nociceptiva não estão envolvidas na pronocicepção induzida pelos mGluR5 no IL, no entanto, um potencial contributo das células NEUTRAS do RVM não deve ser descartado. Seria interessante em trabalhos posteriores estudar os mecanismos de interação entre astrócitos e neurónios que levam à facilitação da nocicepção em ratos com monoartrite experimental
Caracterização temporal das diferenças entre sexos no modelo experimental de dor neuropática por constrição crónica (CCI)
Dissertação de mestrado em Ciências da SaúdeA dor neuropática crónica afeta 7-10% da população e é frequentemente acompanhada por distúrbios
emocionais (ansiedade/depressão), que reduzem significativamente a qualidade de vida dos doentes.
Recentemente, mostrámos que no modelo experimental de dor neuropática por constrição crónica do
nervo ciático (CCI), ratos fêmea mostraram um desenvolvimento retardado, mas progressivo de
alodinia mecânica e térmica que, ao contrário do que se observa nos machos, não melhorou ao longo
do tempo. Além disso, as fêmeas não demonstraram comportamentos ansiosos - nem depressivos - 4
semanas após a indução. Neste trabalho, o objetivo foi então caracterizar os distúrbios nociceptivos e
emocionais num período inicial (2 semanas) e mais tardio (8 semanas) após a indução do modelo de
CCI, tanto em ratos machos como em fêmeas.
Os ratos Wistar Han foram divididos em um de quatro grupos: fêmeas controlo (SHAMF), fêmeas
neuropáticas (CCIF), machos controlo (SHAMM) e machos neuropáticos (CCIM). A presença de dor foi
avaliada durante 2 ou 8 semanas, após os quais a ansiedade e o comportamento depressivo foram
avaliados, seguido de gravações eletrofisiológicas single cell na medula rostral ventromedial (RVM).
Tanto os machos neuropáticos como as fêmeas desenvolveram alodinia mecânica a partir da semana
1, no entanto, verificou-se que os machos recuperavam mais cedo na semana 3, enquanto as fêmeas
só recuperavam a partir da semana 6. Importantemente, tanto os machos como as fêmeas mostraram
alodinia térmica durante todo o período experimental (8 semanas). Em relação aos distúrbios
emocionais, os machos mostraram um fenótipo mais ansioso e depressivo do que as fêmeas,
independentemente do CCI. As gravações eletrofisiológicas sugerem que a RVM está apenas
parcialmente envolvida na modulação descendente da dor neuropática induzida por este modelo. No
seu conjunto, os nossos resultados mostram a existência de diferenças específicas entre machos e
fêmeas no desenvolvimento de distúrbios nociceptivos e emocionais após a indução do modelo de CCI,
corroboradas por dados eletrofisiológicos, destacando a necessidade de incluir indivíduos do sexo
feminino no estudo dos mecanismos e tratamentos da dor neuropática crónica.Chronic neuropathic pain affects 7-10% of the population and is often accompanied by emotional
impairments (anxiety/depression), greatly reducing the quality of life of patients. Recently, we showed
that in the Chronic Constriction Injury (CCI) model of experimental neuropathic pain, female rats
showed a delayed but progressive development of mechanical and cold allodynia that, contrary to what
is observed for males, did not improve over time. Also, female rats did not display anxious- nor
depressive-like behaviour 4 weeks post- induction. In this work, we aim to further characterize the CCI induced nociceptive and emotional impairments at earlier (2 weeks) and later (8 weeks) time-points in
both male and female rats.
Wistar Han rats were assigned to one of four groups: sham-operated females (SHAMF
), neuropathic
females (CCIF
), sham-operated males (SHAMM) and neuropathic males (CCIM). Animals were allowed to
develop neuropathic pain for 2 or 8 weeks, after which anxiety and depressive-like behaviour were
assessed and followed by single-cell electrophysiological recordings of the rostral ventromedial medulla
(RVM) cells. Both neuropathic males and females developed mechanical allodynia from week 1
onwards, however, males were shown to recover earlier at week 3, while females only recovered from
week 6 onwards. Importantly, both males and females displayed cold allodynia throughout the entire
experimental period (8 weeks). Regarding emotional impairments, males showed a more anxious and
depressive phenotype than females, independently of CCI. Electrophysiological recordings suggest the
RVM is only partially involved in descending modulation of CCI-induced neuropathic pain. Altogether,
our results show the existence of sex-specific differences in the development of CCI-induced nociceptive
and emotional impairments, corroborated by electrophysiological data, highlighting the need to include
female subjects in the study of neuropathic pain mechanisms and treatments.O apoio financeiro foi atribuído através de subsídios da
Plataforma de Microscopia Científica do ICVS, membro da Plataforma Portuguesa de Bioimagem (PPBI-POCI-01-0145-FEDER-022122; e por Fundos Nacionais, através da Fundação para a Ciência e
Tecnologia (FCT) - projecto UIDB / 50026/2020 e UIDP / 50026/202
Plantas medicinais e a sua relevância nos processos oxidativos e inflamatórios
Programa doutoral em Agricultural Production Chains – From Fork to Farm (Agrichains)As plantas aromáticas e medicinais têm sido uma parte integrante da civilização humana desde a
antiguidade, como terapias para várias doenças e contribuindo para o desenvolvimento da medicina
tradicional em todo o mundo. Estas plantas contêm uma diversidade de compostos bioativos com
propriedades terapêuticas, tornando-as recursos valiosos para as indústrias da saúde e farmacêutica.
Com o crescente interesse em abordagens naturais e holísticas, o estudo e a utilização de plantas
aromáticas e medicinais continuam a atrair a atenção de investigadores, profissionais de saúde e
consumidores.
Este trabalho teve como objetivo a valorização das plantas medicinais e aromáticas, com um foco
específico nas Coreopsis tinctoria, Baccharis dracunculifolia e Genista tridentata. Ao aumentar a
consciencialização sobre o seu potencial como fontes de compostos bioativos com valor medicinal e
económico significativo, procurámos identificar extratos que exibam atividades bioativas empregáveis nas
indústrias farmacêutica, alimentar e cosmética.
Demonstramos que os extratos das plantas estudadas (C. tinctoria, B. dracunculifolia e G. tridentata)
possuem um elevado teor de compostos fenólicos, os quais contribuem para as suas fortes atividades
antioxidantes no sequestro de radicais livres, antinociceptivas em modelos experimentais de osteoartrose
e diabetes tipo 2, assim como atividades anti-inflamatórias em modelos de irritação dérmica e de feridas
em animais diabéticos. Assim, estes resultados apoiam a utilização destas plantas em formulações
farmacêuticas ou como ingredientes alimentares funcionais. A interação sinérgica entre plantas
medicinais e terapias convencionais revela-se promissor para melhorar a eficácia de tratamentos pré-existentes e reduzir efeitos colaterais.Aromatic and medicinal plants have been an integral part of human civilization since ancient times,
providing therapies for various diseases and contributing to the development of traditional medicine
worldwide. These plants contain a diverse array of bioactive compounds with therapeutic properties,
making them valuable resources for the healthcare and pharmaceutical industries. With the growing
interest in natural and holistic approaches, the study and use of aromatic and medicinal plants continues
to attract the attention of researchers, healthcare professionals and consumers.
This work aimed to highlight the valorization of medicinal and aromatic plants, with a specific focus on
Coreopsis tinctoria, Baccharis dracunculifolia and Genista tridentata. By raising awareness of their
potential as sources of bioactive compounds with significant medicinal and economic value, we sought
to identify extracts that exhibit bioactive activities applicable acrossthe pharmaceutical, food and cosmetic
industries.
Our findings demonstrate the extracts of the studied plants (C. tinctoria, B. dracunculifolia and G.
tridentata) have a rich phenolic compounds content, which contribute to their strong antioxidant activities
in free radical scavenging, analgesic activities in experimental models of osteoarthritis and type 2
diabetes, as well as anti-inflammatory activities in models of dermal irritation and diabetic-induced
wounds. Thus, these results support the use of these plants in pharmaceutical formulations or as
functional food ingredients. The synergistic interaction between medicinal plants and conventional
therapies shows promise for improving the efficacy of pre-existing treatments and reducing side effects.The author Inês Martins Laranjeira acknowledges the financial support provided by the FCT-Portuguese
Foundation for Science and Technology (PD/BD/150263/2019 and COVID/BD/153324/2023) under
the Doctoral Program "Agricultural Production Chains from fork to farm" (PD/00122/2012) and from
the European Social Funds and the Regional Operational Programme Norte 2020. Furthermore, this work
received support from the European Investment Funds FEDER/COMPETE/POCI – Operational
Competitiveness and Internationalization Programme [POCI-01-0145-FEDER-031987], as well as the
Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT) [UIDB/50026/2020 and UIDP/50026/2020].
Additionally, the research was backed by Financiamento Plurianual de Unidades de I&D UIDB/04, and
"Contrato-Programa" UIDB/04033/2020 and UIDB/04050/2020 funded by national funds of the FCT
I.P
Caracterização nociceptiva, emocional e eletrofisiológica do modelo experimental de dor neuropática por constrição crónica em fêmeas Wistar Han
Dissertação de mestrado em Ciências da SaúdeChronic neuropathic pain affects 7-10% of the population and is often accompanied by comorbid emotional impairments that adversely affect nociceptive symptomatology. This condition greatly reduces the quality of life of the patients, impairing physical, cognitive, emotional and social functioning which, consequently, interferes with treatment. Importantly, although chronic pain and emotional disorders are more prevalent in women, only a few publications focus on female animals. While the chronic constriction injury (CCI) model has been shown to mimic human neuropathies regarding mechanical/thermal hyperalgesia, allodynia and spontaneous pain in both sexes, data on CCI-induced emotional impairments on female rats remains scarce.
In this work, young adult rats (Wistar Han) were divided into five groups: males with CCI (CCIM), gonadally intact females (SHAM/SHAM), ovariectomized females (SHAM/OVX), ovariectomized females with CCI (CCI/OVX) and gonadally intact females with CCI (CCI/SHAM). Nociceptive testing began before CCI surgery and was performed weekly throughout 5 weeks after which the anxiodepressive-like behaviour was also assessed. In the postoperative period, CCI animals displayed visible gait abnormalities, limping and guarding the affected hind paw, and the development of mechanical and cold allodynia from week 1 onwards. CCI developed mechanical allodynia, with CCI/OVX animals displaying symptoms prior to CCI/SHAM females. While no differences were found between CCI and SHAM animals concerning anxiety- and depressive-like behaviours, ovariectomy induced anhedonic-like behaviour, regardless of CCI surgery. Single cell electrophysiological data from the rostral ventromedial medulla (RVM), an area mediating nociceptive processing, suggest an increase in descending pronociception after chronic neuropathy. These results demonstrate the existence of sex differences on the comorbidity between neuropathic pain on the CCI model, modulated by RVM descending control.A dor crónica neuropática afeta 7-10% da população e é frequentemente acompanhada por distúrbios emocionais, nomeadamente ansiedade e depressão. Esta patologia reduz significativamente a qualidade de vida dos pacientes, afetando as suas capacidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais e, consequentemente, interferindo com o tratamento. No entanto, apesar de a dor crónica e dos distúrbios emocionais que lhe estão associados serem mais prevalentes em mulheres, poucos trabalhos são realizados em animais fêmea. Não obstante o modelo de lesão por constrição crónica (CCI) mimetizar neuropatias humanas em termos de hiperalgesia mecânica e térmica, alodinia e dor espontânea em ambos os sexos, são escassos os dados sobre distúrbios emocionais em ratos fêmea.
Neste trabalho, ratos jovens (Wistar Han) foram divididos em cinco grupos: machos com CCI (CCIM), fêmeas gonadicamente intactas (SHAM/SHAM), fêmeas ovariectomizadas (SHAM/OVX), fêmeas gonadicamente intactas com CCI (CCI/SHAM) e fêmeas ovariectomizadas com CCI (CCI/OVX). A avaliação nocicetiva iniciou-se na semana anterior à cirurgia de CCI, perdurando 5 semanas, após as quais o comportamento anxiodepressivo foi também avaliado. No período pós-operatório, os animais com CCI apresentaram alterações na marcha, e o desenvolvimento de alodinia mecânica e térmica ao frio. Todas as fêmeas CCI desenvolveram alodinia mecânica e este comportamento instalou-se mais cedo nas CCI/OVX comparativamente às CCI/SHAM. A indução de CCI em fêmeas não levou ao desenvolvimento de comportamentos ansiosos e depressivos, embora a ovariectomia tenha induzido um comportamento tipo-anedónico, independentemente de CCI. As gravações eletrofisiológicas single cell na medula rostral ventromedial (RVM), área mediadora do processamento nociceptivo, sugerem um aumento da pronociceção descendente após neuropatia crónica. Estes resultados demonstram a existência de diferenças entre sexos na comorbidade entre a dor neuropática e distúrbios emocionais no modelo de CCI, modulada pelo controlo descendente da RVM.Este trabalho foi realizado no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho. O financiamento provém do projeto NORTE-01-0145-FEDER-000013, do Programa Operacional Regional do Norte (NORTE 2020/FEDER), e do projeto POCI-01-0145-FEDER-007038, sobre o Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) e de fundos nacionais da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)
Reorganização das vias glutamatérgicas do córtex pré-frontal medial (mPFC) em monoartrite experimental: o papel do mPFC ventral na modulação descendente da nocicepção
Tese de Doutoramento em Ciências da SaúdeThe understanding of pain mechanisms and the development of novel therapies relies mostly on
our knowledge of neurotransmitter pharmacology in nociceptive processing. These
neurotransmitter pathways have been extensively characterized at the peripheral nervous system,
spinal cord and brainstem levels; however, our knowledge is less comprehensive regarding frontal
brain regions. The beginning of the XXI century brought the conventionalization of brain imaging
technologies and the uncovering of the major involvement of cortico-limbic structures in pain
phenomena. Imaging studies showed that continuous noxious peripheral inputs elicit profound
morphological and functional changes in areas such as the prefrontal cortex (PFC), contributing to
the emotional and cognitive imbalances occurring in chronic pain. However, contrary to well-studied
brainstem pain modulatory areas, such as the rostral ventromedial medulla (RVM) or the dorsal
reticular nucleus (DRt), the molecular mechanisms in frontal regions of the brain remain
understudied. Hence, we propose to clarify the role of two medial PFC (mPFC) areas, the prelimbic
and infralimbic cortices (PL and IL, respectively) towards nociceptive modulation in normal
conditions, as well as in prolonged inflammatory pain.
The long-term effects of intra-articular injection of kaolin and carrageenan (K/C; four weeks after
induction) upon nociceptive behavior and knee joint structure consisted of the development of
severe lesions in the articular joint concomitantly to sustained primary hyperalgesia and altered
gait. Using a behavioral approach, the tonic and phasic actions of the PL and IL were evaluated in
healthy (SHAM, saline intra-articular injection) animals by locally microinjecting lidocaine and
glutamate, respectively. This approach uncovered the opposing effects of glutamate in the PL and
IL: fast antinociception resulted from PL activation, while slow pronociception resulted from IL
activation. The use of metabotropic glutamate receptor (mGluR) agonists and antagonists allowed
to dissect the slow effect of glutamate in the IL and to conclude that it acts preferentially upon
mGluR5 to facilitate nociception in both SHAM and K/C animals. Interestingly, mGluR5 has no
tonic nociceptive input in healthy animals, as observed by the lack of effect of an mGluR5
antagonist. After four weeks of K/C, however, mGluR5 antagonist exerted antinociception, an effect dependent on intact astrocyte function, as shown by the loss of mGluR5 antagonist effect after
astrocyte ablation with a specific gliotoxin, L-α-aminoadipate.
The contribution of mGluR5 to IL-mediated pronociception was also evaluated by performing
electrophysiological recordings of the nociceptive modulatory cells of the RVM and the DRt, as well
as in the nociceptive neurons of the spinal dorsal horn. Pronociception from the IL was relayed
through the DRt in healthy animals; however, the relay shifted to the RVM after prolonged
inflammatory pain. In the dorsal horn, the heat-evoked responses of both wide-dynamic range
(WDR) and nociceptive specific (NS) neurons were exacerbated by IL application of mGluR5 agonist
in SHAM and K/C animals. Finally, there is also evidence that spinal TRPV1 are possible mediators
of IL-induced pronociception.
In conclusion, mGluR5 in the IL exacerbates nociceptive behavior, as well as the
electrophysiological responses of DRt and spinal nociceptive neurons to peripheral noxious
stimulation in rodents. Long-term exposure to inflammatory pain leads to plastic changes in the IL,
which promote astrocytic dependent nociceptive modulation and the remodeling of IL-mediated
pronociceptive descending pathways from a DRt to a RVM-dependent pathway. Further studies
should focus on modulation of the motivational/affective aspects of pain modulation by the IL, for
a better understanding of the mechanisms that underlie the development of chronic pain and its
associated comorbidities.A compreensão dos mecanismos de dor e o desenvolvimento de novas terapias para o seu
tratamento depende principalmente do nosso conhecimento da farmacologia dos
neurotransmissores implicados no processamento nociceptivo. Estas vias de neurotransmissores
estão extensamente caracterizadas ao nível do sistema nervoso periférico, da medula espinhal e
do tronco cerebral; em relação às áreas frontais do cérebro, no entanto, o nosso conhecimento é
menos abrangente. No início do século XXI o uso de tecnologias de imagiologia cerebral tornou-se
mais corrente e levou à descoberta do enorme envolvimento de estruturas cortico-límbicas em
fenómenos de dor. Estudos de imagiologia mostraram que estímulos periféricos nóxicos contínuos
provocam alterações morfológicas e funcionais profundas em áreas como o córtex pré-frontal (PFC)
e contribuem para o desenvolvimento de distúrbios emocionais e cognitivos em dor crónica. No
entanto, ao contrário de áreas moduladoras da dor bem caracterizadas como o bolbo rostral
ventromedial (RVM) ou o núcleo reticular dorsal (DRt), os mecanismos moleculares das áreas
frontais do cérebro permanecem pouco estudados. Consequentemente, propusemo-nos a
clarificar o papel de duas áreas do PFC medial (mPFC), os córtices pré-límbico e infralímbico (PL
e IL, respetivamente), na modulação da nocicepção em condições normais, bem como em dor
inflamatória prolongada.
Os efeitos a longo prazo da injeção intra-articular de caulino e carragenina (K/C; quatro semanas
depois da indução) no comportamento nociceptivo e na estrutura articular do joelho consistiram
no desenvolvimento de lesões severas na articulação concomitantemente com hiperalgesia
primária persistente e alterações na marcha. Através do uso de uma abordagem comportamental
e da microinjeção local de lidocaína e de glutamato, avaliaram-se os efeitos nociceptivos tónicos e
fásicos, respetivamente, do PL e do IL em animais normais (SHAM, injeção intra-articular de
solução salina). Esta abordagem revelou os efeitos opostos exercidos pelo glutamato no PL e no
IL: a ativação do PL promoveu um efeito antinociceptivo rápido, enquanto a ativação do IL resultou
num efeito pronociceptivo lento. Para examinar o efeito comportamental lento do glutamato no IL
usaram-se agonistas e antagonistas de recetores metabotrópicos de glutamato (mGluR), concluindo-se que o glutamato atua preferencialmente nos recetores mGluR5 do IL para facilitar a
nocicepção em animais SHAM e K/C. Curiosamente, os mGluR5 não exercem uma ação tónica
em animais normais, tal como pôde ser observado pela falta de alterações comportamentais após
a injeção de um antagonista de mGluR5. Pelo contrário, após quatro semanas de dor inflamatória
o antagonista do mGluR5 promoveu um efeito antinociceptivo. Este efeito é dependente do
funcionamento normal dos astrócitos, já que o antagonista de mGluR5 perdeu o efeito após a
ablação dos astrócitos com uma gliotoxina específica, o L-α-aminoadipato, injetada no IL.
A contribuição dos mGluR5 para o efeito pronociceptivo mediado pelo IL foi também estudado
através da avaliação eletrofisiológica de alterações na atividade das células moduladoras da
nocicepção do RVM e do DRt, bem como dos neurónios nociceptivos do corno dorsal da medula
espinhal. Em animais normais, a pronocicepção desencadeada pelo IL foi mediada através do DRt,
mas em animais com dor inflamatória esta mediação descendente passou a ser feita através do
RVM. No corno dorsal, as respostas evocadas por estímulos quentes nóxicos em neurónios widedynamic
range (WDR) ou nociceptive specific (NS) foram exacerbadas pela aplicação de um
agonista do mGluR5 no IL quer em animais SHAM, quer em animais K/C. Finalmente, existem
também indícios de que os recetores TRPV1 da medula espinhal podem ser mediadores do efeito
pronociceptivo do IL.
Em conclusão, os mGluR5 no IL promovem a facilitação do comportamento nociceptivo, assim
como das respostas eletrofisiológicas do DRt e de neurónios nociceptivos da medula espinhal a
estímulos periféricos nóxicos em roedores. A exposição prolongada a dor inflamatória causou
alterações plásticas no IL, promovendo a modulação da nocicepção por parte dos astrócitos, e
levando à reorganização das vias descendentes do IL de uma via mediada pelo DRt para uma via
mediada pelo RVM. Em trabalhos futuros, deverá ser explorada a modulação por parte do IL dos
aspetos motivacionais e afetivos da dor, de modo a promover um melhor entendimento dos
mecanismos subjacentes ao desenvolvimento de dor crónica e das comorbidades a ela
associadas.This work was supported by a grant from Fundação para a Ciência e a Tecnologia:
SFRH/BD/90374/201
Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis
The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation
counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings
are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that
only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into
account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed
Pharmacological potential of Baccharis dracunculifolia in the control of emotional-like comorbidities in chronic pain
Dissertação de mestrado em Biologia Molecular, Biotecnologia e Bioempreendedorismo em PlantasIn osteoarthritis (OA) the progressive degeneration of articular structures persistently activates nociceptors leading to chronic pain. Chronic pain is often accompanied by the comorbid development of emotional impairments, including anxiety and depression, an effect recently associated to changes in the activation level of microglia in the brain.
Baccharis dracunculifolia DC (Asteraceae) (Bd) is a Brazilian medicinal shrub, popularly known as "Alecrim do Campo", shown to be an important source of active compounds with anti-stress and anti-inflammatory ability.
After assessing its phytochemical profile, B. dracunculifolia antioxidant activity was evaluated using several in vitro models: free radical scavenging (DPPH method), iron chelating activity (ICA), NO and SO scavenging with quercetin used as a reference standard.
The ability of B. dracunculifolia extract in reversing the OA-induced nociceptive and emotional impairments was studied in ovariectomized adult female rats (Rattus norvegicus, vr. albinus, wistar) using the kaolin/carrageenan (K/C) model. Four weeks after OA induction, mechanical hyperalgesia was confirmed and the pharmacological treatment started. Control animals (SHAM) were administered PBS while ARTH animals either received PBS or B. dracunculifolia 50mg/kg (Bd50) and 100 mg/kg (Bd100), via gavage, daily for five weeks.
At the end of the treatment, anxiety-like behaviour was determined using the Open Field Test (OFT), anhedonia using the sucrose preference test (SPT) and learned helplessness using the forced swimming test (FST). Animals were then euthanized, the brains excised, preserved and sectioned. Activated microglia was stained with IBA-I and quantified in brain slides of target areas (Prefrontal Cortex, amygdala and periaqueductal gray matter)
Our phytochemical analysis showed the Bd extract mainly contains phenolic compounds which is in accordance with its significantly higher activity in scavenging SO radicals. Treatment with Bd extract reversed OA-induced mechanical hyperalgesia and partly reversed anxious and depressive-like behaviour in ARTH animals concomitant to a decrease in the number of brain activated microglia.
Our findings suggest Bd extracts can potentially be used as adjuvants in the management of OA-induced pain and associated emotional comorbidities.Na Osteoartrose (OA), a degeneração progressiva das estruturas articulares ativa os nociceptores, provocando dor crónica. A dor crónica é acompanhada pelo desenvolvimento de comorbidades emocionais, incluindo ansiedade e depressão, um efeito recentemente associado a alterações dos níveis de ativação das células da microglia no encéfalo.
Baccharis dracunculifolia DC (Asteraceae) (Bd) é um arbusto medicinal da flora brasileira e popularmente conhecido como "Alecrim do Campo", caracterizada como uma importante fonte de compostos ativos com capacidade antisstress e anti-inflamatória.
Após a análise fitoquímica, a atividade antioxidante de B. dracunculifolia foi avaliada utilizando vários modelos in vitro: eliminação de radicais livres (método de DPPH), atividade de quelação de ferro (ICA), eliminação de NO e SO, usando a quercetina como padrão referencia.
A capacidade do extrato de B. dracunculifolia na reversão dos comportamentos nociceptivos e emocionais foi estudada em ratos fêmeas adultas ovariectomizadas (Rattus norvegicus, vr. abinus, wistar) com um modelo de caulina/carragenina (K/C). Quatro semanas após indução de OA, a hiperalgesia mecânica foi confirmada e iniciou-se o tratamento farmacológico. Aos animais controlo (SHAM) foi administrado PBS, enquanto os animais ARTH receberam PBS ou extrato de B.dracunculifolia em doses de 50mg/kg (Bd50) e 100 mg/kg (Bd100), via gavagem, diariamente, por cinco semanas.
No final do tratamento, o comportamento ansioso foi determinado utilizando o Teste de Campo Aberto (OFT), a anedonia usando o Teste de Preferência de Sacarose (SPT) e o desamparo aprendido com o Teste de Natação Forçada (FST). Os animais foram eutanasiados, os cérebros foram excisados, preservados e seccionados. A microglia ativada foi corada com IBA-I e quantificada num subconjunto de lâminas cerebrais contendo as áreas alvo (Cortex Prefrontal, Amigdala e Substância Cincenza Pariequeductal).
A nossa análise fitoquímica mostrou que o extrato de Bd é composto principalmente por compostos fenólicos, o que está de acordo com a elevada atividade de sequestro de radicais SO. O tratamento com o extrato de Bd reverteu a hiperalgesia mecânica induzida por OA e reverteu parcialmente o comportamento ansioso e depressivo dos animais. Concomitantemente, o tratamento com Bd diminuiu o número de microglia ativada no encéfalo dos animais ARTH. Os nossos resultados sugerem que os extratos Bd podem ser usados como adjuvantes no tratamento da dor induzida pela OA e comorbidades emocionais associadas
Variations on the Author
“Variations on the Author” discusses two of Eduardo Coutinho’s recent films (Um Dia na Vida, from 2010, and Últimas Conversas, posthumously released in 2015) and their contribution to the general question of documentary authorship. The director’s filmography is characterized by a consistent yet self-effacing form of authorial self-inscription: Coutinho often features as an interviewer that rather than express opinions propels discourses; an interviewer that is good at listening. This mode of self-inscription characterizes him as an author who is not expressive but who is nonetheless markedly present on the screen. In Um Dia na Vida, however, Coutinho is completely absent form the image, while Últimas Conversas, on the contrary, includes a confessional prologue that moves the director from the margins to the center of his films. This article examines the ways in which these works stand out in the filmography of a director who offers new insights into the notion of cinematic authorship
Pharmacological potential of Baccharis dracunculifolia in the treatment of osteoarthritis
Dissertação de mestrado em Biologia Molecular, Biotecnologia e Bioempreendedorismo em PlantasBaccharis dracunculifolia D.C. (Asteraceae) (Bd) is a medicinal Brazilian shrub, popularly known
as "alecrim do campo" and "vassoura", known for its antioxidant, anti-inflammatory, anti-stress
and other activities. Antioxidants are substances that prevent various pathological changes in living
cells and medicinal plants are considered potential sources of natural antioxidants.
Inflammation is a protective reaction that is triggered by stimuli in response to tissue infections
and injuries, however dermal inflammation can cause acute and chronic diseases depending on
the time of persistence. Osteoarthritis (OA) is the most common form of arthritis and the most
debilitating, affecting about 40 million people in Europe, especially the elderly. OA is characterized
by progressive degeneration of tissues within and surrounding the joints and by recurrent
inflammatory episodes that lead to structural changes, including cartilage erosion, fibrillation and
decreased thickness of articular cartilage.
In this work, experimental OA was induced in a group of 8 week old female ovariectomized rats
(Rattus norvegicus, var. Albinus, Wistar), weighting 210 ± 17 g. Animals were divided in 4 groups
(n = 6 per group): (i) SHAM, (ii) ARTH, (iii) ARTH treated with Bd extract (50 mg/kg), and (iv) ARTH
treated with Bd extract (100 mg/kg). Four weeks after induction of OA in the animals, Bd extracts
were administrated by gavage for a successive period of 5 week. Throughout this period, the
animals were assessed for changes in gait (catwalk test), hyperalgesia in the joints (PAM),
locomotor ability (OFT), knee circumference, and acute dermal inflammation.
The results of this study showed that B. dracunculifolia possesses phenolic compounds and
antioxidant and anti-inflammatory activity. Treatments with B. dracunculifolia improved motor
performance, especially in the group treated with 100 mg/kg of Bd extract. Otherwise, treatment
with 50 mg/kg of Bd extract reduced mechanical hyperalgesia. The histology of the joints shows
that the treatments with extract of Bd, mainly the treatment of Bd100, inhibit the wear of the
cartilage in the joints. In addition, dermal inflammation was also resolved with the topical treatment
of B. dracunculifolia.
This dissertation should be seen as an aid to the development of new natural drugs, mainly for the
treatment of osteoarthritis and its additional consequences to the disease, as well as for dermal
inflammations. However, more studies will be needed.Baccharis dracunculifolia D.C. (Asteraceae) (Bd) é um arbusto medicinal brasileiro, popularmente
conhecida como “alecrim do campo” e “vassoura”, conhecida por suas atividades antioxidantes,
anti-inflamatórias, anti-stress, entre outras. Os antioxidantes são substâncias que previnem várias
alterações patológicas nas células vivas e as plantas medicinais são consideradas fontes potenciais
de antioxidantes naturais.
A inflamação é uma reação de proteção que é desencadeada por estímulos em resposta a infeções
e lesões de tecidos, no entanto a inflamação dérmica pode causar doenças agudas e crônicas,
dependendo do tempo de persistência. A osteoartrite (OA) é a forma mais comum de artrite e a
mais debilitante, e afeta cerca de 40 milhões de pessoas na Europa, especialmente os idosos. OA
é caracterizada por degeneração progressiva de tecidos dentro e ao redor das articulações e por
episódios inflamatórios recorrentes que levam a mudanças estruturais, incluindo erosão da
cartilagem, fibrilação e diminuição da espessura da cartilagem articular.
Neste trabalho, a OA experimental foi induzida num grupo de ratos ovariectomizados fêmeas de 8
semanas de idade (Rattus norvegicus, var. Albinus, Wistar), com pesos de 210 ± 17 g. Os animais
foram divididos em 4 grupos, (n = 6 por grupo): (i) SHAM, (ii) ARTH, (iii) ARTH tratados com extrato
de Bd (50mg/kg), e (iv) ARTH tratados com extrato de Bd (100 mg/kg). Quatro semanas após a
indução de OA nos animais, os extratos de Bd foram administrados por gavagem por um período
de 5 semanas sucessivas. Ao longo deste período, os animais foram avaliados quanto a alterações
na marcha (teste de catwalk), hiperalgesia nas articulações (PAM), habilidade locomotora (OFT),
circunferência do joelho, e inflamação aguda dérmica.
Os resultados deste estudo mostraram que a B. dracunculifolia possui compostos fenólicos e
atividade antioxidante e anti-inflamatória. Os tratamentos com B. dracunculifolia melhoraram os
desempenhos motores, especialmente no grupo tratado com os 100 mg/kg de extrato de Bd. De
outro modo, o tratamento com 50 mg/kg de extrato de Bd reduziu a hiperalgesia mecânica. A
histologia das articulações mostra que os tratamentos com extrato de Bd, principalmente o
tratamento de Bd100, inibe o desgaste da cartilagem nas articulações. Além disso, a inflamação
dérmica também foi solucionada com o tratamento tópico de B. dracunculifolia.
Esta dissertação deve ser encarada como um auxílio para o desenvolvimento de novos fármacos
naturais, principalmente para o tratamento da osteoartrite e suas consequências adicionais à
doença, assim como para inflamações dérmicas. No entanto, mais estudos serão necessários
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