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Debate público e filosofia no Brasil
No ensaio que abre o dossiê, de autoria de Nythamar de Oliveira, são discutidos alguns paradigmas teóricos na filosofia política contemporânea, notadamente as teorias de John Rawls, Jürgen Habermas e Amartya Sen. São mobilizados, nesse contexto, conceitos centrais na filosofia política como os de igualdade, liberdade, equidade, democracia, justiça e autonomia. Mais do que apresentar as ideias desses autores de grande relevo na atualidade, conectando-as com debate filosófico mais amplo, o ensaio “Debatepúblico e filosofia no Brasil” oferece também uma reflexão sobre o papel dessas teorias – e dos filósofos que delas se ocupam – na realidade política brasileira e, mais especificamente, no contexto da formação e consolidação das instituições democráticas em nosso país. Para tanto, o autor mescla de maneira peculiar contribuições de filósofos pertencentes às mais diversas posições do espectro político e ideológico.</jats:p
Debate público e filosofia no Brasil
No ensaio que abre o dossiê, de autoria de Nythamar de Oliveira, são discutidos alguns paradigmas teóricos na filosofia política contemporânea, notadamente as teorias de John Rawls, Jürgen Habermas e Amartya Sen. São mobilizados, nesse contexto, conceitos centrais na filosofia política como os de igualdade, liberdade, equidade, democracia, justiça e autonomia. Mais do que apresentar as ideias desses autores de grande relevo na atualidade, conectando-as com debate filosófico mais amplo, o ensaio “Debatepúblico e filosofia no Brasil” oferece também uma reflexão sobre o papel dessas teorias – e dos filósofos que delas se ocupam – na realidade política brasileira e, mais especificamente, no contexto da formação e consolidação das instituições democráticas em nosso país. Para tanto, o autor mescla de maneira peculiar contribuições de filósofos pertencentes às mais diversas posições do espectro político e ideológico
A dimensão agonística da teoria do reconhecimento em Axel Honneth
Na filosofia política contemporânea, a Teoria Crítica tem buscado uma atitude crítica sobre a própria teoria social frente às novas tarefas de realizar um diagnóstico das patologias e potenciais emancipatórios das sociedades contemporâneas. Nesse sentido, a Teoria do Reconhecimento proposta por Axel Honneth procura ser o referencial teórico de um modelo avaliativo dos conflitos sociais contemporâneos através de um conceito moral de luta social. Trata-se do reconhecimento intersubjetivo da identidade inerente à vida social, na qualidade de uma tensão. Para tanto, o processo intersubjetivo de reconhecimento mútuo se projeta para dentro das formas de vida. Assim, as relações éticas de uma sociedade são representadas por formas de uma intersubjetividade prática, ou seja, um movimento de reconhecimento entre sujeitos que consiste num processo de etapas de reconhecimento e de conflito ao mesmo tempo. Nesse contexto, o modelo de conflito apresentado tem como finalidade interpretar o processo de formação social, pois o conflito é uma forma de interação humana que pode ou não ser caracterizado como uma luta.Consequentemente, defendo que o conflito é gerado por uma ausência ou não de reconhecimento e deve ser interpretado sob as mais diversas realidades, numa dimensão agonística, ou seja, respeitando o outro como legítimo em sua pretensão. Por isso, a tese é fundamentada pelo modelo agonístico da cientista política Chantal Mouffe. Para a autora, o conflito necessita adotar uma forma que não destrua a associação política, significa que algum tipo de ligação deve existir entre as partes em conflito, de forma a não considerar seus oponentes como inimigos nem suas exigências ilegítimas. Esse tipo de relação Mouffe chama de “agonismo”, que significa uma relação nós/eles entre partes em conflito que reconhecem a legitimidade do seu oponente como “adversários” e não “inimigos”. Assim, adoto o discurso agonístico, aqui interpretado como reconhecimento, que leva, assim, a um profundo respeito e preocupação pelo outro. Nesse sentido, o conflito é essencial para o crescimento e o desenvolvimento da personalidade, por gerar vivências e experiências valiosas para o indivíduo em seu ciclo de vida.O conflito representa uma interação que faz com que os sujeitos se reconheçam mutuamente no respectivo outro. No primeira parte da tese, através do contexto histórico da teoria crítica, chega-se a sua reatualização na sociedade contemporânea. Desse modo, delimita-se as premissas da reconstrução normativa, bem como o contexto conflitivo apresentando a dimensão agonística. Na segunda parte, analisando a noção de conflitos e seus aspectos reflexivos-críticos, apresenta-se o modelo agonístico de Chantal Mouffe, de modo a verificar a dimensão agonística na teoria do reconhecimento. E, na última parte, investiga-se a categoria do “reconhecimento”, em particular a teoria proposta por Axel Honneth, percorrendo a reatualização em Hegel e as esferas de reconhecimento, apontando, ainda, as formas de desrespeitos e/ou não-reconhecimentos na conjuntura atual. Assim sendo, o conflito é um movimento de interação humana, o qual provoca os sujeitos a se reconhecerem mutuamente e, desse modo, a análise da dimensão agonística se faz necessária como reflexão e crítica para a teoria do reconhecimento.In contemporary political philosophy, Critical Theory has sought a critical attitude towards social theory itself in the face of the new tasks of carrying out a diagnosis of the pathologies and emancipatory potentials of contemporary societies. In this sense, the Theory of Recognition proposed by Axel Honneth seeks to be the theoretical framework for an evaluative model of contemporary social conflicts through a moral concept of social struggle. It is about the intersubjective recognition of the identity inherent to social life, as a tension. For this, the intersubjective process of mutual recognition is projected into the forms of life. Thus, the ethical relations of a society are represented by forms of practical intersubjectivity, that is, a movement of recognition between subjects that consists of a process of recognition and conflict stages at the same time.In this context, the conflict model presented aims to interpret the process of social formation, since conflict is a form of human interaction that may or may not be characterized as a struggle.Consequently, I argue that conflict is generated by an absence or not of recognition and must be interpreted under the most diverse realities, in an agonistic dimension, that is, respecting the other as legitimate in his claim. Therefore, the thesis is based on the agonistic model of the political scientist Chantal Mouffe. For the author, the conflict needs to adopt a form that does not destroy the political association, it means that some kind of connection must exist between the parties in conflict, in a way that neither their opponents are considered enemies nor their illegitimate demands. This type of relationship Mouffe calls “agonism”, which means an us/them relationship between conflicting parties who recognize their opponent's legitimacy as “adversaries” and not “enemies”. Thus, I adopt the agonistic discourse, here interpreted as recognition, which leads, thus, to a deep respect and concern for the other. In this sense, conflict is essential for the growth and development of the personality, as it generates valuable experiences for the individual in his/her life cycle.Conflict represents an interaction that makes the subjects mutually recognize each other in the respective other. In the first part of the thesis, through the historical context of critical theory, its re-updating in contemporary society is reached. In this way, the premises of normative reconstruction are delimited, as well as the conflictive context presenting the agonistic dimension. In the second part, analyzing the notion of conflicts and its reflexive-critical aspects, Chantal Mouffe's agonistic model is presented, in order to verify the agonistic dimension in the theory of recognition. And, in the last part, the category of “recognition” is investigated, in particular the theory proposed by Axel Honneth, covering the reactualization in Hegel and the spheres of recognition, also pointing out the forms of disrespect and/or non-recognition. in the current juncture. Therefore, conflict is a movement of human interaction, which causes subjects to recognize each other and, thus, the analysis of the agonistic dimension is necessary as a reflection and criticism for the theory of recognition
O d?ficit sociol?gico do republicanismo de P. Pettit : interfaces com a teoria cr?tica de Honneth
Submitted by PPG Filosofia ([email protected]) on 2018-05-21T13:55:35Z
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Previous issue date: 2018-03-27Coordena??o de Aperfei?oamento de Pessoal de N?vel Superior - CAPESThis study establishes a dialogue between the neo-Roman republicanism of Philip Pettit and the critical theory of Axel Honneth. The discussion revolves around the theme ?freedom? and its developments. I sought, during the research, to list elements that allowed me to sustain that freedom as non-domination, formulated by Petit, suffers from a social deficit. Therefore, I proposed that some categories from Honneth?s critical theory could enrich the language of republicanism, namely, the notion of recognition, social pathology, and the theoretical-methodological model of normative reconstruction. Petit?s theoretical undertaking advances a lot in the construction of a concept of freedom, understood as non-domination, especially in the criticism of liberalism, and yet Petit sticks to an analytic description of the phenomenon of domination, losing sight of the potential for social criticism that the concept of non-domination entails. Consequently, Petit formulated a model of democratic participation qua contestation, whose basic assumption is a strictly juridical conception of the person. This assumption results in a deflation of the notion of people and turns the republicanism weak from the sociological point of view. I argue, together with John McCormick, that Pettit?s republicanism loses the socioeconomic cleavage given by Machiavelli and ends up being refractory to the social dimension of the conflict. I present, in turn, Honneth?s critical theory as an alternative to what I call the sociological deficit of the republican theory. Finally, I outline a criticism of the Brazilian national state in the light of critical theory and, at the same time, raise some questions about republicanism?s and critical theory?s potential to offer answers to Brazilian social dilemmas.Este trabalho estabelece uma interlocu??o entre o republicanismo neorromano de Philip Pettit e a teoria cr?tica de Axel Honneth. A discuss?o empreendida gira entorno do tema da liberdade e seus respectivos desdobramentos. Procurei no decorrer da pesquisa elencar elementos que me permitiram sustentar que a liberdade como n?o-domina??o formulada por Pettit padece de um d?ficit social. Por conseguinte, sugeri que algumas categorias da teoria cr?tica de Honneth poderiam enriquecer a linguagem do republicanismo, a saber, a no??o de reconhecimento, patologia social e o modelo te?rico-metodol?gico de reconstru??o normativa. O empreendimento te?rico de Pettit avan?a muito na constru??o de um conceito de liberdade entendida como n?o-domina??o, especialmente na cr?tica ao liberalismo, por?m, Pettit fica preso a uma descri??o anal?tica do fen?meno da domina??o, perdendo de vista o potencial de cr?tica social que o conceito de n?o-domina??o enseja. Como consequ?ncia disso Pettit formula um modelo de participa??o democr?tica, na forma de contesta??o, cujo pressuposto de base ? uma concep??o estritamente jur?dica de pessoa. Tal pressuposto resulta em um esvaziamento da no??o de povo e deixa o republicanismo fraco do ponto de vista sociol?gico. Argumento, junto com John McCormick, que o republicanismo de Pettit perde a clivagem socioecon?mica dada por Maquiavel e acaba sendo refrat?rio ? dimens?o social do conflito. Apresento na sequ?ncia a teoria cr?tica de Honneth como alternativa ao que chamo aqui de d?ficit sociol?gico da teoria republicana. Por fim, fa?o uma cr?tica ao estado nacional brasileiro ? luz da teoria cr?tica e, ao mesmo tempo, levanto ligeiros questionamentos sobre o potencial do republicanismo e da teoria cr?tica oferecerem respostas aos dilemas sociais do Brasil
Realismo político e cooperação internacional: valores internacionais e consenso sobreposto como alternativa de estabilidade
Proponho a Tese de que a estabilidade oferecida pela busca de um consenso sobreposto (moral) de Estados, que se procura atingir pelo método do equilibrio reflexivo, é mais eficiente do que a baseada em um equilibrio de poder ou ações prudenciais e pode ser alcançada com mais facilidade do que a criação de uma instituição internacional com uso exclusivo da força. Tal Tese precisa de uma teoria que lhe dê suporte. Para chegar a ela levanto alguns dos problemas que esse esboço de teoria irá tratar após uma exposição do pensamento de Carr, Morgenthau e Waltz, relevantes pensadores da escola realista das R.I. São considerados os limites que suas teorias possuem para dar conta das questões que propõem, dentro da perspectiva das barganhas de poder de Carr, dos problemas trazidos pelas éticas de diferentes nacionalismos de Morgenthau, das três imagens de Waltz bem como dos limites da teoria sistêmica. Entendo que são três os obstáculos realistas para a estabilidade e cooperação internacionais: aqueles advindos da tentativa de universalizar valores nacionais, a disputa pelo poder e as preocupações com poder relativo. Uma vez que agentes internacionais reconhecem que a cooperação pode trazer maiores benefícios que a não-cooperação eles podem buscar um cenário em que a cooperação ocorra com maior segurança. Para esse fim, uma solução para o primeiro obstáculo, como a que proponho, pode diminuir a relevância dos outros dois. Para propor tal solução faço uso dos conceitos de consenso sobreposto e do equilibrio reflexivo de maneira análoga àquela como eles aparecem na Justiça como Equidade de John Rawls.Dou à minha teoria o nome de Legitimidade como Equidade e estabeleço como ponto fixo provisório os valores do Jus Cogens Internacional. Estabeleço uma virtude correlata à prudência aristotélica para os agentes internacionais e divido a Legitimidade como Equidade em uma fase preliminar e outra institucional. Defendo o uso do equilibrio reflexivo na Legitimidade como Equidade contra suas principais objeções, garantindo sua validade. A Tese proposta, quando respaldada por uma teoria como a Legitimidade como Equidade, se justifica.I propose the Thesis that the stability offered by the searching for a (moral) overlapping consensus of States, which is sought using the method of reflective equilibrium, is more efficient than the one based on a balance of power or prudential actions and can be achieved more easily than the creation of an international institution with exclusive use of the force. This Thesis needs a theory that supports it. To get to it, I raise some of the issues that this sketch of theory will deal with, after an exposition of the thoughts of Carr, Morgenthau and Waltz, relevant thinkers of the realist school of I.R.I consider the limits that their theories have in order to address the problems proposed by themselves, in the perspective of Carr's bargains of power, Morgenthau's problems brought by the ethics of different nationalisms, the three images of Waltz, as well as the limits of his systemic theory. I understand that there are three realist obstacles to stability and international cooperation: those arising from the attempt to universalize national values, the struggle for power and concerns with relative power. Since international actors can recognize that cooperation can bring greater benefits than the non-cooperation, they may seek a scenario where cooperation can occur with greater security. To this end, a solution to the first obstacle, like the one I propose, can minimize the magnitude of the other two. To propose such solution I make use of the concepts of overlapping consensus and reflective equilibrium in a way similar to the one they appear in John Rawls' Justice as Fairness. I give my theory the name of Legitimacy as Fairness and establish as temporary fixed point the values of International Jus Cogens.I establish a virtue correlative to Aristotelian prudence for international agents and I divide the Legitimacy as Fairness in a preliminary stage and an institutional stage. I defend the use of reflective equilibrium in Legitimacy as Fairness against its major objections, ensuring its validity. The Thesis proposed, when supported by a theory like the Legitimacy as Fairness, is justified
Democracia e individualismo: a igualdade como princípio organizador
As democracias ocidentais contemporâneas caracterizam-se pelo consenso a respeito da defesa dos direitos individuais fundamentais. O princípio da igualdade, tanto em sua formulação jurídica quanto em sua expressão social, tem por objetivo fazer com que fatores como poder econômico, influência política, origem familiar e preferências pessoais não possam promover desigualdades que não possuem justificativa moral. O princípio da liberdade tem por objetivo garantir espaço para a autonomia e a livre expressão individual. O conflito entre esses dois princípios, como se sabe, define o contexto tanto das conquistas e dos impasses dos regimes democráticos quanto o contexto do debate filosófico a respeito da fundamentação da democracia. Minha tese é a de que a instauração do individualismo nas democracias ocidentais é o resultado de um longo processo de desenvolvimento histórico que estabeleceu a igualdade – e não a liberdade – como o princípio organizador fundamental da ordem social democrática. Essa reavaliação permite superar os impasses gerados por teorias que colocam a autonomia e a racionalidade como fundamento das sociedades democráticas, inflacionando, assim, o conceito de liberdade, restringindo a política a processos de deliberação que deveriam se aproximar de condições idealizadas que não encontram correspondência na prática social e, quase sempre, pressupondo definições para o que seria a natureza humana, a escolha racional ou uma verdadeira autenticidade ou esclarecimento que permitiria escapar de todos os tipos de determinações heterônomas. Para indicar em que sentido proponho essa reavaliação, inicio retomando a obra de Alexis de Tocqueville (1805-1859). Proveniente de uma família aristocrata em plena época pós-revolucionária na França, Tocqueville analisa a formação dos Estados Unidos da América mostrando que, na instauração da democracia americana, o ideal de igualdade ocupa um lugar anterior ao ideal de liberdade não só historicamente, mas também na justificação e na prática do sistema democrático. Subverte-se, assim, tanto a leitura da modernidade enquanto tentativa de efetivar conjuntamente os ideais de igualdade e liberdade, quanto a leitura de que o traço essencial da modernidade seria a instauração de uma racionalidade que acabou tornando-se instrumental ou técnica. Na primeira metade do século XIX, com uma interpretação que evita o unilateralismo, Tocqueville constata que a característica principal das democracias é o fato de que os homens, colocados em situação de igualdade, isolados e entregues a si mesmos, são indivíduos frágeis que, desprovidos de tradições, só possuem a razão para tentar justificar as leis que devem se auto-impor. Essa leitura tocquevilleana negativa da democracia moderna permite compreender fenômenos contemporâneos aparentemente tão incompatíveis quanto, por exemplo, o isolamento social e o amplo consenso em relação aos direitos humanos ou as instituições jurídicas como instância última de mediação dos conflitos sociais e a falência praticamente completa da lei e de quaisquer instrumentos de poder para lidar com questões humanas e, mais recentemente, tecnológicas.O individualismo democrático é, fundamentalmente, a consequência da efetivação cada vez maior do ideal moderno de igualdade. A filosofia política precisa levar a sério o fato de que, ao mesmo tempo em que corrói o ideal de uma racionalidade autofundante, essa condição democrática abre espaço, como nunca antes na história humana, para a responsabilidade individual. Essa responsabilidade é que nos permite, enquanto seres limitados e contingentes, chegar mais perto do ideal moderno de autonomia e autodeterminação
Corporate philosopher: fundamentação teórica para atuação do filósofo nas organizações
O espanto é a origem do filosofar, segundo Platão e Aristóteles. A face teórica da Filosofia, tão rica e fundamento de outros conhecimentos, está em descrédito. Na área educacional, a Lei nº 11.684/08 tornou obrigatório o ensino de Filosofia no currículo do Ensino Médio. No ensino superior, com a redução dos currículos, pela superespecialização e pelo progressivo ensino à distância, ficou marginalizada. Sua face aplicada, porém, parece ganhar novos contornos. A filosofia clínica já é uma realidade há anos. E a revista Exame, em setembro de 2004, noticiara a contratação de filósofos por empresas de consultoria empresarial, como diferencial de mercado diante da abundância de profissionais com MBA (Master Business Administration), e devido às preocupações éticas frente ao crescimento da algoritmização e da inteligência artificial. Surge o Corporate Philosopher (e sua variação, o Chief Philosophy Officer). Alguns anos depois, empresas do Vale do Silício e de Portugal passaram a aderir à inovação, delegando ao filósofo construir também soluções para a felicidade e o bem-estar organizacional. No Brasil, quando muito, organizações recorrem ao filósofo para palestras pontuais, demandando reflexões motivacionais: este profissional ainda é visto como essencialmente teórico, pouco aderente às questões práticas. Desejando estar inserida no contexto contemporâneo, a empresa, com o filósofo, se sustenta diante das demandas constantes, como inclusão e diversidade, felicidade e bem-estar de colaboradores, liderança e desenvolvimento emocional, reconhecimento de diferenças, acessibilidade, liberdade e igualdade, identidade institucional, ética e responsabilidade social, inovação em métodos e processos organizacionais, práticas ESG (ambiental, social e de governança), compliance (conformidade), marca e reputação institucionais. Pretende-se, neste trabalho, fundamentar teoricamente essa atuação a partir: a) de uma reflexão filosófico-psicanalítica sobre a questão da identidade; b) do conceito de Cuidado de Si de Michel Foucault, numa perspectiva ético-estética que proporciona, não só aos sujeitos, mas às organizações, um exercício contínuo de self, em um trabalho permanente de inventar um estilo, como a “estética da existência”, aliado à ideia de autoconhecimento inserida no pensamento de Platão (especialmente na obra Alcibíades I); c) da conjugação teórica da ética da alteridade (Emmanuel Levinas), da ética da responsabilidade (Jean-Paul Sartre) e da ecosofia (Félix Guattari) diante das demandas de uma cultura organizacional inserida na contemporaneidade; e d) da ideia de felicidade em Aristóteles, no estoicismo, no epicurismo e na psicologia positiva. Por fim, este trabalho demonstrará também, a partir da experiência em duas organizações (realizados basicamente como trabalho de campo experimental), quais as possíveis atribuições de um Corporate Philosopher, no contexto brasileiro, com a criação de um Programa de Gestão da Felicidade®, especialmente em atenção à função da filosofia, tal como preconizada por Foucault, a saber: questionar todos os fenômenos de dominação e poder (de ordem paranoica) em qualquer nível e em qualquer forma com que eles se apresentem.Amazement is the origin of philosophizing, according to Plato and Aristotle. The theoretical face of Philosophy, so rich and the foundation of other knowledge, is in disrepute. In the educational area, Law No. 11,684/08 made the teaching of Philosophy mandatory in the High School curriculum. In higher education, with the reduction of curricula, super-specialization and progressive distance learning, it became marginalized. Its applied phase, however, seems to take on new contours. Clinical philosophy has been a reality for years. And Exame magazine, in September 2004, reported the hiring of philosophers by business consultancy companies, as a market differentiator given the abundance of professionals with MBAs, and due to ethical concerns regarding the growth of algorithmization and artificial intelligence. The Corporate Philosopher (and its variation, the Chief Philosophy Officer) appears. A few years later, companies in Silicon Valley and Portugal began to embrace innovation, delegating the philosopher to also build solutions for happiness and organizational well-being. In Brazil, at most, organizations turn to the philosopher for specific lectures, demanding motivational reflections: this professional is still seen as essentially theoretical, with little adherence to practical issues. Wishing to be inserted in the contemporary context, the company, with the philosopher, supports itself in the face of constant demands, such as inclusion and diversity, happiness and well-being of employees, leadership and emotional development, recognition of differences, accessibility, freedom and equality, identity institutional, ethics and social responsibility, innovation in organizational methods and processes, ESG (environmental, social and governance) practices, compliance, institutional brand and reputation. The aim of this work is to theoretically substantiate this action based on: a) a philosophical-psychoanalytic reflection on the issue of identity; b) Michel Foucault's concept of Self-Care, in an ethical-aesthetic perspective that provides, not only to subjects, but to organizations, a continuous exercise of self, in a permanent work of inventing a style, such as the “aesthetics of existence ”, combined with the idea of self-knowledge inserted in Plato’s thought (especially in the work Alcibiades I); c) the theoretical combination of the ethics of otherness (Emmanuel Levinas), the ethics of responsibility (Jean-Paul Sartre) and ecosophy (Félix Guattari) in the face of the demands of an organizational culture inserted in contemporary times; and d) the idea of happiness in Aristotle, Stoicism, Epicureanism and positive psychology. Finally, this work will also demonstrate, based on experience in two organizations, what are the possible responsibilities of a Corporate Philosopher, in the Brazilian context, with the creation of a Happiness Management Program, especially in attention to the function of philosophy, such as advocated by Foucault, namely: questioning all phenomena of domination and power (of a paranoid order) at any level and in any form in which they present themselves
Political realism and international cooperation : international values and overlapping consensuses as an alternative of stability
Submitted by Caroline Xavier ([email protected]) on 2017-04-06T17:11:22Z
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Previous issue date: 2016-12-06Coordena??o de Aperfei?oamento de Pessoal de N?vel Superior - CAPESI propose the Thesis that the stability offered by the searching for a (moral) overlapping consensus of States, which is sought using the method of reflective equilibrium, is more efficient than the one based on a balance of power or prudential actions and can be achieved more easily than the creation of an international institution with exclusive use of the force. This Thesis needs a theory that supports it. To get to it, I raise some of the issues that this sketch of theory will deal with, after an exposition of the thoughts of Carr, Morgenthau and Waltz, relevant thinkers of the realist school of I.R.I consider the limits that their theories have in order to address the problems proposed by themselves, in the perspective of Carr's bargains of power, Morgenthau's problems brought by the ethics of different nationalisms, the three images of Waltz, as well as the limits of his systemic theory. I understand that there are three realist obstacles to stability and international cooperation: those arising from the attempt to universalize national values, the struggle for power and concerns with relative power. Since international actors can recognize that cooperation can bring greater benefits than the non-cooperation, they may seek a scenario where cooperation can occur with greater security. To this end, a solution to the first obstacle, like the one I propose, can minimize the magnitude of the other two. To propose such solution I make use of the concepts of overlapping consensus and reflective equilibrium in a way similar to the one they appear in John Rawls' Justice as Fairness. I give my theory the name of Legitimacy as Fairness and establish as temporary fixed point the values of International Jus Cogens. I establish a virtue correlative to Aristotelian prudence for international agents and I divide the Legitimacy as Fairness in a preliminary stage and an institutional stage. I defend the use of reflective equilibrium in Legitimacy as Fairness against its major objections, ensuring its validity. The Thesis proposed, when supported by a theory like the Legitimacy as Fairness, is justified.Proponho a Tese de que a estabilidade oferecida pela busca de um consenso sobreposto (moral) de Estados, que se procura atingir pelo m?todo do equilibrio reflexivo, ? mais eficiente do que a baseada em um equilibrio de poder ou a??es prudenciais e pode ser alcan?ada com mais facilidade do que a cria??o de uma institui??o internacional com uso exclusivo da for?a. Tal Tese precisa de uma teoria que lhe d? suporte. Para chegar a ela levanto alguns dos problemas que esse esbo?o de teoria ir? tratar ap?s uma exposi??o do pensamento de Carr, Morgenthau e Waltz, relevantes pensadores da escola realista das R.I. S?o considerados os limites que suas teorias possuem para dar conta das quest?es que prop?em, dentro da perspectiva das barganhas de poder de Carr, dos problemas trazidos pelas ?ticas de diferentes nacionalismos de Morgenthau, das tr?s imagens de Waltz bem como dos limites da teoria sist?mica. Entendo que s?o tr?s os obst?culos realistas para a estabilidade e coopera??o internacionais: aqueles advindos da tentativa de universalizar valores nacionais, a disputa pelo poder e as preocupa??es com poder relativo. Uma vez que agentes internacionais reconhecem que a coopera??o pode trazer maiores benef?cios que a n?o-coopera??o eles podem buscar um cen?rio em que a coopera??o ocorra com maior seguran?a. Para esse fim, uma solu??o para o primeiro obst?culo, como a que proponho, pode diminuir a relev?ncia dos outros dois. Para propor tal solu??o fa?o uso dos conceitos de consenso sobreposto e do equilibrio reflexivo de maneira an?loga ?quela como eles aparecem na Justi?a como Equidade de John Rawls. Dou ? minha teoria o nome de Legitimidade como Equidade e estabele?o como ponto fixo provis?rio os valores do Jus Cogens Internacional. Estabele?o uma virtude correlata ? prud?ncia aristot?lica para os agentes internacionais e divido a Legitimidade como Equidade em uma fase preliminar e outra institucional. Defendo o uso do equilibrio reflexivo na Legitimidade como Equidade contra suas principais obje??es, garantindo sua validade. A Tese proposta, quando respaldada por uma teoria como a Legitimidade como Equidade, se justifica
O déficit sociológico do republicanismo de P. Pettit: interfaces com a teoria crítica de Honneth
Este trabalho estabelece uma interlocução entre o republicanismo neorromano de Philip Pettit e a teoria crítica de Axel Honneth. A discussão empreendida gira entorno do tema da liberdade e seus respectivos desdobramentos. Procurei no decorrer da pesquisa elencar elementos que me permitiram sustentar que a liberdade como não-dominação formulada por Pettit padece de um déficit social. Por conseguinte, sugeri que algumas categorias da teoria crítica de Honneth poderiam enriquecer a linguagem do republicanismo, a saber, a noção de reconhecimento, patologia social e o modelo teórico-metodológico de reconstrução normativa. O empreendimento teórico de Pettit avança muito na construção de um conceito de liberdade entendida como não-dominação, especialmente na crítica ao liberalismo, porém, Pettit fica preso a uma descrição analítica do fenômeno da dominação, perdendo de vista o potencial de crítica social que o conceito de não-dominação enseja. Como consequência disso Pettit formula um modelo de participação democrática, na forma de contestação, cujo pressuposto de base é uma concepção estritamente jurídica de pessoa. Tal pressuposto resulta em um esvaziamento da noção de povo e deixa o republicanismo fraco do ponto de vista sociológico. Argumento, junto com John McCormick, que o republicanismo de Pettit perde a clivagem socioeconômica dada por Maquiavel e acaba sendo refratário à dimensão social do conflito. Apresento na sequência a teoria crítica de Honneth como alternativa ao que chamo aqui de déficit sociológico da teoria republicana. Por fim, faço uma crítica ao estado nacional brasileiro à luz da teoria crítica e, ao mesmo tempo, levanto ligeiros questionamentos sobre o potencial do republicanismo e da teoria crítica oferecerem respostas aos dilemas sociais do Brasil.This study establishes a dialogue between the neo-Roman republicanism of Philip Pettit and the critical theory of Axel Honneth. The discussion revolves around the theme “freedom” and its developments. I sought, during the research, to list elements that allowed me to sustain that freedom as non-domination, formulated by Petit, suffers from a social deficit. Therefore, I proposed that some categories from Honneth’s critical theory could enrich the language of republicanism, namely, the notion of recognition, social pathology, and the theoretical-methodological model of normative reconstruction. Petit’s theoretical undertaking advances a lot in the construction of a concept of freedom, understood as non-domination, especially in the criticism of liberalism, and yet Petit sticks to an analytic description of the phenomenon of domination, losing sight of the potential for social criticism that the concept of non-domination entails. Consequently, Petit formulated a model of democratic participation qua contestation, whose basic assumption is a strictly juridical conception of the person. This assumption results in a deflation of the notion of people and turns the republicanism weak from the sociological point of view. I argue, together with John McCormick, that Pettit’s republicanism loses the socioeconomic cleavage given by Machiavelli and ends up being refractory to the social dimension of the conflict. I present, in turn, Honneth’s critical theory as an alternative to what I call the sociological deficit of the republican theory. Finally, I outline a criticism of the Brazilian national state in the light of critical theory and, at the same time, raise some questions about republicanism’s and critical theory’s potential to offer answers to Brazilian social dilemmas
Paulino de Oliveira: o escriba, o cronista e a cidade
Who would be this person, born at Rio Pomba’s riverside in Zona da Mata Mineira, next to Furtado de Campos town, Rio Novo’s district, in the arms of Dona Berlamina and Seu Joaquim? Who would be the child who learnt the first letters with Dona Milota, and who made a pact with a comet of only leaving this world in its tail when the comet returned? This boy made himself a man and discovered himself as a typographer apprentice, who later, on the brownish river bed of the Paraibuna wrote about trams, old houses, and Juiz de Fora’s history and its myriads of characters. This research focused on the book Chronicles: Paulino de Oliveira (2001), aims to check out the origins of the deep intent to unravel Juiz de Fora’s pathways and make them registered history in chronicles. Moreover this paper proposes to (re)discover the chronicler Paulino de Oliveira and (re)visit in his writings the writer and memoirist which (re)signified each part of the city through observation to describe acts and facts of a beating Juiz de Fora at the turning of the 19th to the 20th Century. At that moment of the city the intellectual life was on the rise and by consequence many newspapers with serialized stories appeared registering the first writings of some who would become renowned literates in the Brazilian scenery. The research of Paulino de Oliveira’s production and his place as an author amongst his peers is the same as to research the thin limit of literature and journalism. The theory which is the basis to this research is exploratory, bibliographical and documental, having its pillars on the works of Antônio Olinto, Jornalismo e literatura [Journalism and Literature] (1955), Alceu Amoroso Lima, O jornalismo como gênero literário [Journalism as a Literary Genre] (1969), Antonio Candido, A maioridade da crônica [The Chronicle in its Adulthood] (2014), e Milton Santos, Por uma outra Globalização: do pensamento único à consciência universal [Toward an Other Globalization] (2000). All these works aim to elaborate a relationship between journalism and literature, as well as scribe and writer, supported by archival theory and theories of memory.Quem seria este mineiro nascido às margens do Rio Pomba na Zona da Mata mineira, próximo a Furtado de Campos, distrito de Rio Novo, nos braços de Dona Berlamina e de Seu Joaquim? Quem seria o moleque que aprendera as primeiras letras com Dona Milota e fizera um pacto com o cometa de somente ir embora deste mundo, na sua cauda, quando este regressasse? Este é um menino que se fez rapaz e foi se descobrir aprendiz de tipógrafo, que um dia veio no leito moreno do Paraibuna escrever sobre o bonde, os sobrados, sobre a história de Juiz de Fora, com seus diversos personagens. Esta pesquisa pretende, portanto, a partir da obra Crônicas: Paulino de Oliveira (2001), investigar de onde veio tamanha sanha em desvendar os caminhos de Juiz de Fora e transformá-los em memórias registradas em crônicas. Apresenta como proposta (re)descobrir o cronista Paulino de Oliveira e (re)conhecer em suas produções o escritor e o memorialista, que (re)significaram cada parte da cidade ao demonstrar seu talento para observação e, por meio dela, descrever os fatos e atos de uma pulsante Juiz de Fora no final do século 19, início do século 20. Nela a intelectualidade despontava de maneira necessária e, por consequência, com ela, surgiram vários jornais e seus folhetins, que registraram os primeiros atos de escrita daqueles que se tornariam grandes literatos no cenário nacional. Pesquisar a produção de Paulino de Oliveira e o lugar que ele ocupa como ator e seus pares é pesquisar a fronteira sutil que separa a literatura do jornalismo. A teoria que fundamenta esta pesquisa é exploratória, bibliográfica e documental, utilizando, principalmente, os estudos de Antônio Olinto – Jornalismo e literatura (1955); Alceu Amoroso Lima – O jornalismo como gênero literário (1969); Antonio Candido – A maioridade da crônica (2014) e Milton Santos – Por uma outra Globalização: do pensamento único à consciência universal (2000), no que consiste investigar a relação entre jornalismo, literatura, escriba e escrevente apoiada pelas teorias arquivísticas e de memória.PROQUALI (UFJF
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