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    Morfologia Construcional e alguns desafios para a análise de dados históricos da língua portuguesa

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    A Morfologia Construcional é um modelo proposto pelo linguista holandês Geert Booij (2010, 2014), e que tem despontado nas análises morfológicas, dentro de uma perspectiva mais semântica, o que o aproxima de alguns pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva. Autores brasileiros, como Soledade (2013) e Gonçalves & Almeida (2014), fizeram aplicações do modelo booijiano para a língua portuguesa, salientando que, apesar de alguns avanços, há questões que precisam ser aprimoradas. O artigo que ora se apresenta segue os passos dessas leituras críticas anteriores, a que se somam as observações de Simões Neto & Soledade (2015) e Soledade (2016a, 2016b, ambas no prelo), reforçando que há muitos desafios no tratamento de dados do português, sobretudo nas questões relativas à Linguística Histórica, tanto no sentido da mudança linguística, quanto para a descrição/interpretação do português arcaico

    <i>Carurivis, camarivis e carnavivis</i>: as construções morfológicas <i>X-ivis</i> entre falantes de Salvador- BA e as evidências de um léxico líquido e complexo

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    Este trabalho interpreta o funcionamento do esquema X-ivis, que instancia carurivis, camarivis e carnavivis. Essas construções foram vistas em textos de falantes de Salvador (Bahia) e têm o intuito de evitar rimas pornográficas a partir de oxítonas terminadas em [u], [ãw] e em [aw]. A análise desse fenômeno demanda revisões em conceitos bastante fixados na literatura morfológica e lexicológica, além de exigir uma abordagem do léxico que leve em conta a liquidez da modernidade e a complexidade dos sistemas. Em se tratando de aporte teórico, os pressupostos da Linguística Cognitiva foram os principais norteadores dessa discussão, sobretudo a Teoria dos Protótipos, a Gramática de Construções, o Sociocognitivismo e a Morfologia Construcional. </p

    Morfologia Construcional e alguns desafios para a análise de dados históricos da língua portuguesa

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    A Morfologia Construcional é um modelo proposto pelo linguista holandês Geert Booij (2010, 2014), e que tem despontado nas análises morfológicas, dentro de uma perspectiva mais semântica, o que o aproxima de alguns pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva. Autores brasileiros, como Soledade (2013) e Gonçalves &amp; Almeida (2014), fizeram aplicações do modelo booijiano para a língua portuguesa, salientando que, apesar de alguns avanços, há questões que precisam ser aprimoradas. O artigo que ora se apresenta segue os passos dessas leituras críticas anteriores, a que se somam as observações de Simões Neto &amp; Soledade (2015) e Soledade (2016a, 2016b, ambas no prelo), reforçando que há muitos desafios no tratamento de dados do português, sobretudo nas questões relativas à Linguística Histórica, tanto no sentido da mudança linguística, quanto para a descrição/interpretação do português arcaico. </jats:p

    AS DERIVAÇÕES X-OSO NA PRIMEIRA FASE DO PORTUGUÊS ARCAICO (SÉCULOS XII-XIV)

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    Nesta pesquisa, pretende-se investigar como funcionava o sufixo -oso na primeira fase do Português Arcaico (séculos XIII-XIV), originário do formativo latino -ōsus. Mattos e Silva (2006, p. 21) denominam de “Português Arcaico o período da língua portuguesa que se situa entre os séculos XIII e XV”

    ESTUDO HISTÓRICO E DESCRITIVO DO SUFIXO -OSUS NA LÍNGUA LATINA

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    Segundo Soledade (2004), o formativo português -oso provém do sufixo latino -osus, -a, -um e significa ‘cheio de x’ ou ‘provido de x’. Esse sufixo possui uma vitalidade perene na história da língua, pois uma grande quantidade de palavras com -oso tem origem no latim, como ocioso (lat. otiosus, -a, -um), ao mesmo tempo em que muitas foram criadas no português, principalmente no período arcaico

    O ESQUEMA [XNI-osus]A Na LÍNGUA LATINA: UMA ABORDAGEM CONSTRUCIONAL

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    Nesta pesquisa pretende-se investigar como funcionava o esquema construcional que integrava o sufixo –osus na língua latina. Dessa forma, é fundamental apresentar os estudos sobre a Morfologia Construcional para podermos compreender como ocorreu essa construção de esquemas

    Usos antroponímicos da construção X-eiro no português

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    Este trabalho se insere no âmbito da Antroponímia, vertente onomástica que se dedica ao estudo dos nomes de pessoas, os “antropônimos”. Nesta oportunidade, objetiva-se investigar sobrenomes advindos da herança lexical portuguesa com a presença do formativo -eir(o/a) a fim de compreender qual a informação semântica veiculada em tais sobrenomes, analisando caso a caso. Tal investigação, com base nas pesquisas de Simões Neto (2020) e Rodrigues (2024), e fundamentada pelos princípios teóricos da Linguística Cognitiva (Geeraerts, 2006; Haspelmath, 2003; Lakoff; Johnson, 2002), valeu-se de corpora datados, a saber: a) fichas de matrícula preenchidas pelos imigrantes portugueses que, entre 1887 e 1889, registraram-se na Hospedaria de Imigrantes do Brás, em São Paulo; b) passaportes dos portugueses que migraram para o Brasil entre 1888 e 1890, documentação preservada pelo Arquivo da Universidade de Coimbra; e c) lista dos candidatos aprovados na primeira fase da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), em 2017, de domínio público. Em termos metodológicos, a pesquisa se dá em três etapas: a) seleção dos corpora; b) recolha dos sobrenomes, considerando a presença do formativo -eir(o/a), totalizando 105 ocorrências; e c) pesquisa etimológica, por meio da consulta aos dicionários onomásticos de Nascentes (1952), Guérios (1981) e Machado (2003), principais referências em língua portuguesa, e também ao dicionário de Cunha (2010), acerca do léxico comum. Como conclusão, ao estabelecer uma comparação entre os resultados de Simões Neto (2020) e Rodrigues (2024), observa-se uma patente similaridade no que tange à análise semântica, sendo quase todas as categorias verificadas em ambos os trabalhos. Constata-se, por exemplo, a predominância de sobrenomes com o formativo -eir(o/a) ligados às categorias “Aspectos regionais, da vegetação ou locais de proveniência” e “Aspectos profissionais, títulos ou utensílios”, representando, juntas, 85% da amostra; mas também a ausência de sobrenomes ligados às categorias “anomalias” e “atitudinais”, verificadas em meio aos nomes comuns – principalmente tratando-se de doenças ou de atitudes julgadas como depreciativas, talvez por configurarem uma espécie de tabu linguístico. O trabalho ainda tem como resultado a contribuição que oferece ao tema, aliando a perspectiva onomástica a uma análise de cunho cognitivo, focando em aspectos morfossemânticos

    As derivações X-ar e X-al na primeira fase do português arcaico (séculos XII-XIV)

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    Os sufixos portugueses –ar (familiar, escolar, rudimentar) e –al (dental, carnal, normal) têm origem nos sufixos latinos –aris e –alis. Em planos anteriores, esses sufixos latinos foram catalogados, descritos e analisados do ponto de vista fonológico, morfossintático e semântico, primeiro, em uma abordagem descritivista, depois, em uma abordagem construcional. No estudo atual, são analisados os desenvolvimentos desses dois sufixos no Português Arcaico
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