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Haroldo de Campos e o "último Odisseu"
Em "Finismundo: a última viagem", Haroldo de Campos, ao articular a aventura da criação literária ao tema das viagens de Odisseu, descreve-o em tom irônico como um herói urbano, um Odisseu-ninguém, transitando em um mundo destituído de transcendência. O artigo procura investigar o modo como Haroldo de Campos desenvolve o tema das viagens de Odisseu a partir de ruínas e de restos poéticos provenientes tanto do Cânone literário quanto de seu próprio trabalho ensaístico e poético, mostrando o avesso desse último herói e a sua aventura pela linguagem
A EPOPEIA DE UM HERÓI LUSITANO: VIRIATO TRÁGICO, DE BRÁS GARCIA DE MASCARENHAS
Óscar Lopes e António José Saraiva dizem que “o rasto de influência e imitação de Os Lusíadas poderia seguir-se através de toda a história da literatura portuguesa, mesmo posteriormente ao século XVII” (Lopes, 1985: 394). A epopeia Viriato Trágico de Brás Garcia de Mascarenhas (1596-1656) vem também na senda de Os Lusíadas. Antes dela, saíram a público outros poemas épicos seiscentistas, tais como a Prosopopeia de Bento Teixeira, publicada em 1601, pequeno poema de assunto brasileiro; e a Destruição de Espanha, publicada em 1671, de André da Silva
Mascarenhas, que contém várias passagens plagiadas do Viriato Trágico, ainda então inédito. Embora tenha sido publicada apenas em 1699, o seu autor redigiu-a entre 1642 e 1656, época em que se cimenta a Restauração do reino e se empreende a defesa do mesmo contra as investidas espanholas. Obra entre o épico e o trágico, Viriato Trágico de Brás Garcia de Mascarenhas é um poema com as características
de uma epopeia, dividindo-o em vinte cantos em oitava rima. Na primeira edição, a obra aparece com 783 páginas, sendo, até ao momento, a obra literária mais extensa dedicada a Viriato. O nosso objetivo é analisar a obra nos seus aspetos épicos e trágicos
Introdução
O livro Multiculturalismo épico é resultado de algumas propostas elaboradas pelo Grupo internacional e interdisciplinar de pesquisa, também chamado GT 19, sob o título “Figuras do épico: identidade e representação nacional na literatura italiana e em países lusófonos”, cujo objetivo é pensar o épico (e/ou anti-épico) e os conceitos de “nação”, “nacionalismo” e “identidades” através de um conjunto de figuras vinculadas à construção do epos capaz de tecer e modelar relações entre (trans)territorialidades, temporalidades descontínuas e
identidades coletivas. O Grupo de Trabalho 19, criado em 2018 e coordenado por Maria Aparecida Fontes (da Università Degli Studi di Padova), faz parte de um projeto de pesquisa bem maior que reúne, sob forma de centro internacional de pesquisa, estudiosos/as de diferentes nacionalidades e de diversas áreas do
conhecimento. A partir desse espírito de colaboração e construção de um espaço comum de diálogo, idealizamos este primeiro volume sobre multiculturalismo épico, que inclui textos muito distintos, porém interdisciplinares e em completa sintonia com a produção teórica e crítica acerca do género épico,
estudos sobre a dimensão do epos nacional e transnacional em diversos territórios e culturas, não mais restritos às tradições clássicas e ao contexto europeu, o que permitiu ainda a inclusão de artigos que se propõem às releituras do épico a partir do diálogo com o Cânone Ocidental
A criatura (im)possível. Clarice Lispector entre parêntese - tranvestir e desnudar
O estudo propõe uma análise crítica dos artifícios de travestimento na obra de Clarice Lispector, particularmente em "A hora da estrela. Paralelamente à história da nordestina Macabéa, encenado pelo texto clariciano, o autor-personagem vai narrando “o próprio ato de narrar” e, metalinguisticamente, revela o “drama da linguagem”. O artifício de travestir-se e desnudar-se desconstrói as representações hegemônicas, o binômio masculino-feminino, e questiona ironicamente a figura da autoria (feminina) na literatura. Nesse teatro, enquanto Rodrigo S. M. se apresenta como ruína e alegoria, persona que joga com as máscaras do autor e do personagem, Macabéa é o boneco do ventríloquo, um produto do seu narrador, isto é, uma criatura (im)possível que só existe como projeção do personagem-auto
Going Beyond Counting First Authors in Author Co-citation Analysis
The present study examines one of the fundamental aspects of author co-citation analysis (ACA) - the way co-citation
counts are defined. Co-citation counting provides the data on which all subsequent statistical analyses and mappings
are based, and we compare ACA results based on two different types of co-citation counting - the traditional type that
only counts the first one among a cited work's authors on the one hand and a non-traditional type that takes into
account the first 5 authors of a cited work on the other hand. Results indicate that the picture produced through this non-traditional author co-citation counting contains more coherent author groups and is therefore considerably clearer. However, this picture represents fewer specialties in the research field being studied than that produced through the traditional first-author co-citation counting when the same number of top-ranked authors is selected and analyzed. Reasons for these effects are discussed
Variations on the Author
“Variations on the Author” discusses two of Eduardo Coutinho’s recent films (Um Dia na Vida, from 2010, and Últimas Conversas, posthumously released in 2015) and their contribution to the general question of documentary authorship. The director’s filmography is characterized by a consistent yet self-effacing form of authorial self-inscription: Coutinho often features as an interviewer that rather than express opinions propels discourses; an interviewer that is good at listening. This mode of self-inscription characterizes him as an author who is not expressive but who is nonetheless markedly present on the screen. In Um Dia na Vida, however, Coutinho is completely absent form the image, while Últimas Conversas, on the contrary, includes a confessional prologue that moves the director from the margins to the center of his films. This article examines the ways in which these works stand out in the filmography of a director who offers new insights into the notion of cinematic authorship
Appropriate Similarity Measures for Author Cocitation Analysis
We provide a number of new insights into the methodological discussion about author cocitation analysis. We first argue that the use of the Pearson correlation for measuring the similarity between authors’ cocitation profiles is not very satisfactory. We then discuss what kind of similarity measures may be used as an alternative to the Pearson correlation. We consider three similarity measures in particular. One is the well-known cosine. The other two similarity measures have not been used before in the bibliometric literature. Finally, we show by means of an example that our findings have a high practical relevance.information science;Pearson correlation;cosine;similarity measure;author cocitation analysis
Geografias literárias de língua portuguesa no século XXI.
O livro, cujo título já traz em si a metodologia da caminhada, reúne vários artigos à volta das formas e funções da geografia em manifestações
literárias e artísticas contemporâneas, produzidas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal. Além de conduzir à interpretação aguda das dinâmicas de nosso tempo, a escrita do espaço fez emergir um léxico pautado em categorias vizinhas: paisagem, território, fronteira e região que, entrecruzando-se com símbolos, identidade, imaginário, anunciam hipóteses de outros olhares, o que determina por que os autores escolhem certos ambientes em detrimento de outros. Os autores indagam que projeções ou "virgens epistemológicas" estes novos territórios ficcionais engendram e se estas geografias são apenas cenários ou configuram–se como cenografias de nossa época
Modernismo e modernismos (1922-2022). Diálogos entre Brasil e Europa
In questo libro vengono proposti momenti di studio e di confronto sull’“influenza” e l’impatto che il Modernismo e i suoi sviluppi ebbero in altri spazi europei (in particolare Italia e Portogallo) e nei diversi campi artistici ed estetici, rivisitando e valutando criticamente il patrimonio centenario inserito nelle reti internazionali in cui quegli autori e opere (e loro eredi) sono inseriti
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