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O fado: destinos e oportunidades do ‘ser português’: um estudo sobre fado e emigração
Portugal é, na acepção da historiadora Heloísa Paulo, um país “exportador de gente” (2000: 61). Este êxodo resulta, segundo o geógrafo Orlando Ribeiro, de uma tradição expansionista portuguesa. Todavia, se nos detivermos a ler os pedidos de emigração escritos na primeira pessoa, deparamos com uma realidade bem diferente dessa visão idílica. A emigração portuguesa é um fenómeno que se verifica desde há mais de 500 (Arroteia 1983: 15). Deslocalizados e duplamente estigmatizados (pela sociedade para onde emigra e pelos seus conterrâneos que, no país de origem, o discriminam social e culturalmente), os emigrantes encontraram formas de construir o seu ‘lugar’ nos países de acolhimento: criaram os seus rituais, definiram os seus tempos fortes, ... estas comunidades nascentes construíram a sua identidade na relação entre um imaginário de origem e os outros, a sociedade com que têm de interagir, noutra língua, no país de acolhimento.
O fado, um género musical português amplamente difundido pelos media, desempenhou um papel crucial neste processo, possibilitando a construção desses “lugares da memória” nos quais, segundo Pierre Nora, “apreendemos essencialmente a nossa diferença, a imagem do que já não somos” (1897). Na pesquisa que venho a desenvolver junto de emigrantes portugueses e seus descendentes, o fado marca presença em eventos comunitários e, inclusive, no percurso individual de jovens. Segundo emigrantes que entrevistei, o fado é “a nossa casa, se ouvimos cantar o fado sabemos logo que está ali Portugal” (entr. Sr. João). Ou seja, para essas pessoas o fado pré-determina e pré-classifica experiências de identificação. Re-semantiza o aqui e agora – nos territórios de acolhimento desses emigrantes – e faz viver um discurso sobre o passado, uma memória supostamente comum. Conscientes deste poder aglutinador do fado, consulados portugueses, associações de emigrantes e outras instituições, promovem ocasiões e criam lugares de emergência do fado. Ou seja, recontextualizam o fado, na acepção de Bauman e Biggs, no espaço da emigração portuguesa, através da evocação de um passado comum. Estas iniciativas são responsáveis por uma dinâmica que vai muito além da vivência nostálgica de um tempo/espaço perdidos ao configurar alternativas de identificação e a renarração de discursos da memória.
Este estudo visa compreender o papel do fado em comunidades emigrantes portuguesas residentes em França e na Suíça, a partir da análise de uma associação – Associação Cultural Portuguesa de Estrasburgo - o programa Alfama, da Rádio Alfa, Paris, produzido por Amílcar Sanches e as fadistas Cindy Peixoto, Júlia Silva e Mariana Correia.publishe
Collaborative artistic reconfiguration of the tango dance towards fado
Fado began to be known as a musical genre in the taverns and brothels of Lisbon
in the middle of the 19th century. Chronicles of the time refer to the fact that Fado
had a danced expression with a marked bodily sensuality (Pais 2012; Carvalho
1903). At the beginning of the 20th century, these bodily expressions of which we
have no records were censored. In 1999 the author of this work began to promote
the dance of Tango with the music of Fado in a recreational club in the Madragoa
neighborhood where there was regularly Fado. This practice that was born in the
milonga was gaining popularity among Portuguese dance couples and Fado
musicians. The former argue that from the steps and the embrace of tango they
can give a corporal expression to the meaning of the poem and the music of Fado
(something that does not happen to them with tango text lyrics). The latest report
the pleasant feeling of playing while watching the dance and listening to the
rhythmic shuffling of the feet, without missing the ritual of the Fado houses "which
asks for absolute silence, mysterious gloom, and a certain dose of sadness in the
heart" (Pimentel 1903). The author, in his double perspective of researcher and
dancer, observes that when Fado is sung in the milonga, the couples adapt their
movements to the narrative of the story and the musical cadence of Fado. This
two-decade experience corroborates the idea that there is a relationship between
Fado and Tango, and that from the crossing of both cultures, reconfigurations of
Tango dance and new body gestures towards Fado music emerge. In this work, a
couple of professional dancers who dance in Fado houses and develop
collaborative research with fadistas will show examples where tango movements
are reconfigured towards ways of moving that adapt to the expressive musical
characteristics of Fado.publishe
O fado entre culturas
Ricardo Ribeiro é o convidado do programa. O fadista já deu espetáculos por todo o mundo, participou em vários festivais internacionais e tem, até agora, três álbuns editados. Ricardo Ribeiro afirma que o fado é “Tudo o que acontece. É ter um jeito de artista para moldar o fado à voz. O fado de ser fadista é a sina de todos nós”. É um dos intérpretes de fado mais reconhecidos da atualidade, assinalando, no seu jeito tão peculiar, a profunda ligação do fado com outras culturas, relembrando assim raízes profundas no Mediterrâneo.info:eu-repo/semantics/publishedVersio
O fado é estranha alegria
Um duplo CD aúdioO FADO É ESTRANHA ALEGRIA, de Armando Nascimento Rosa, é um álbum duplo, publicado em 2019, constituído por quarenta temas musicais, cujas líricas se encontram para leitura integral no documento anexo. Um texto de introdução às quarenta líricas, bem como um enquadramento da criação poético-musical de que se trata, é apresentado por Nascimento Rosa nas páginas iniciais deste mesmo documento, sob o título «Estamos sempre a começar». Em termos de autorias, de entre os quarenta temas que integram o duplo álbum O FADO É ESTRANHA ALEGRIA, trinta e quatro músicas são originais de Nascimento Rosa, que é também o autor de trinta e duas líricas (sendo uma delas glosa explícita à pessoana ‘Autopsicografia’). Seis músicas pertencem a fados tradicionais, dois deles de autoria popular (Fado Menor e Fado Corrido) e os outros quatro, respectivamente, de Armando Machado (Fado Súplica), Fontes Rocha (Fado Isabel), Miguel Ramos (Fado Calixto) e Raúl Ferrão (Fado Carriche); todos eles com letras originais de Nascimento Rosa, que é ainda o autor das músicas para oito poemas de Fernando Pessoa, Natália Correia, Miguel Torga, Florbela Espanca, António Patrício, e Tiago Torres da Silva. O FADO É ESTRANHA ALEGRIA é um projecto apoiado pelo Gabinete de Projectos Especiais e Inovação do Instituto Politécnico de Lisboa (na 3.ª edição do ID&CA) e pelo Fundo Cultural da Sociedade Portuguesa de Autores, que permitiu a sua gravação em estúdio com um colectivo de músicos (Miguel Silva, Manuel Ferreira, João Vaz, Paulo Neves e Jaume Pradas), sob a direcção do maestro e pianista Mário Rui Teixeira, produtor musical do duplo álbum, que conta com os convidados: António Barbosa, no violino, bem como os cantores Duarte, André Baptista, Vânia Duarte, Vanda Junot, e Maria Repas Gonçalves, em cinco duetos vocais com Nascimento Rosa. O CD tem edição e distribuição digital pela CD Baby e uma edição física com apoio da Câmara Municipal de Évora e da Câmara Municipal de Ponta Delgada.ABSTRACT - O FADO É ESTRANHA ALEGRIA / FADO IS STRANGE JOYFULLNESS, by Armando Nascimento Rosa, is a double CD, published in 2019, consisting of forty musical themes, whose lyrics are available for full reading in the attached document. An introductory text to the forty lyrics, as well as a framework of the poetic-musical creation in question, under the title "We are always beginning", is presented by Nascimento Rosa in the opening pages of this same document, one which includes two lyrics written in English. In terms of authorship, of the forty songs in the double album FADO IS STRANGE JOYFULLNESS, thirty-four songs are originals by Nascimento Rosa, who is also the author of thirty-two lyrics (one of which is based on a poem by Fernando Pessoa). Six songs have melodies from traditional fados, two of them by popular authorship (Fado Minor and Fado Corrido) and the other four, respectively, by Armando Machado, Fontes Rocha, Miguel Ramos and Raúl Ferrão; all of them with original lyrics by Nascimento Rosa, who also put into music eight poems by Fernando Pessoa, Natália Correia, Miguel Torga, Florbela Espanca, António Patrício, and Tiago Torres da Silva. FADO IS STRANGE JOYFULLNESS is a project supported by Gabinete de Projectos Especiais e Inovação do Instituto Politécnico de Lisboa (Polytechnic Institute of Lisbon) and by the Cultural Fund of the Portuguese Society of Authors, which allowed its studio recording with several musicians (Miguel Silva, Manuel Ferreira, João Vaz, Paulo Neves and Jaume Pradas), under the direction of the conductor and pianist Mário Rui Teixeira, the music producer, with the following guests: António Barbosa, on the violin, as well as the singers Duarte, André Baptista, Vânia Duarte, Vanda Junot, and Maria Repas Gonçalves, in five vocal duets with Nascimento Rosa. The CD has a digital edition and distribution by CD Baby and a physical edition with the support from Town Hall of Évora and Town Hall of Ponta Delgada.info:eu-repo/semantics/publishedVersio
Museum of fado in Lisbon
Práce se zabývá návrhem muzea fado v Lisabonu. Melancholickou, plačící, nadějeplnou, magickou, cestou, fado=osud.The thesis proposes a museum fado in Lisbon. Melancholic , crying , hopeful , magical
Na galáxia sonora : sobre o fado de Coimbra
Adopting Zumthor's viewpoint that form equals force, the author analyses the fado of Coimbra as a recent tradition which is in movement; the article goes on to review rapidly the morphological and semantical changes which the fado of Coimbra has undergone from its probable origins until the present day
Poemas para fado: alguns exemplos
Nesta dissertação, depois de traçar uma breve panorâmica sobre a origem e características do fado, analisa-se um corpus selecionado de poemas portugueses contemporâneos, quer originalmente compostos para fado, quer divulgados por fadistas. Pretende-se, assim, iluminar alguns aspetos temáticos e estilísticos da escrita poética para fado, discutindo a sua especificidade e refletindo sobre a simbiose entre texto poético e texto musical. Num segundo momento, a título exemplificativo, apresenta-se uma breve análise de algumas das composições incluídas no volume Letras do fado vulgar, de Vasco Graça MouraIn this dissertation, after providing a concise overview of the origin and features of fado, we analyse a set of selected contemporary Portuguese poems which were either originally composed as fado lyrics or extensively performed by renowned fado singers. We thus seek to shed some light on some of the thematic and stylistic properties of poetic texts intended to be used in fado, discussing its specificity and, at the same time, reflecting on the interdependence of poetic and musical texts. Taking them as an example, we subsequently analyse some of the poems included in Vasco Graça Moura’s volume entitled Letras do fado vulgar.Mestrado em Português Língua Estrangeira/Língua Segund
Quando o Fado é confissão: "e na minha confissão/vão as rimas do meu fado"
O fado nasceu na década de 1830. De lá para cá foi quase tudo: sátira, canção de
combate contra o regime e a igreja, voz contra as injustiças sociais ou como
crónica de costumes; foi “canto peregrino”, canção de amor e saudade, de ciúme e
de traição, elogio musicado das virtudes da singeleza ou da modéstia. O fado foi
ainda lenitivo para quem partiu à procura de melhor, cartão de visita em viagens
para destinos onde não se falava português. Do fado, por ser considerado inferior,
fugiram alguns poetas; desse mesmo fado se aproximaram outros poetas à boleia
de um olhar arrojado e diferente.
O fado pode ser um género musical. Mas o fado pode ser também uma confissão.
Para isso não basta cantar-se o fado Menor ou o Mouraria, juntar-lhe poesia e um
conjunto de guitarras. Para o fado ser confissão é preciso reunir um conjunto
de condições: quem canta, o que canta, quando canta, onde canta ou como canta.
Em 1927 começaria a censura; em 1962 Amália gravaria o álbum Busto. Nos 35
anos que medeiam uma data e outra o fado viveu um tempo durante o qual a
criatividade das letras se expandiu até ficar do tamanho dos bairros populares,
das vidas dos seus moradores; um tempo durante o qual se cantaram as vidas
corriqueiras com palavras que eram de todos, porque entendidas por todos. Um
período durante o qual o fado, pela sua dimensão de partilha e de expressão de
intimidade, mais se aproximou de ser prece, pranto ou pregão Um período
durante o qual o fado mais se aproximou de ser confissão, tal como a conhecemos
no sentido da Religião.
O objectivo deste trabalho é o de definir – entre 1927 e 1962 – as condições em
que o fado é confissão e as condições em que é apenas um género musical.Fado was born in the 1830s. Since then Fado was almost everything: satire, voice
against the regime, the church or social injustice, a mere chronicle; Fado was a
song of love and longing, jealousy and betrayal, musical praise of the virtues of
simplicity and modesty; Fado was solace for those who emigrated in search of a
better life; Fado was a business card on destinations where Portuguese was not
spoken. Fado, being considered inferior, drove off some poets; other poets
approached Fado because of someone’s audacious and distinctive look.
Fado can be a musical genre. But Fado can also be Confession. It is not enough,
though, to sing the Menor or the Mouraria, to add some poetry and a set of guitars.
For Fado to be Confession it is necessary to meet some conditions: who is singing,
what, when, where and how is someone singing.
In 1927 censorship is established; in 1962 Amália records the album Busto. In the
meantime, Fado lived a time during which the creativity of the poetry
encompassed the small neighbourhoods and their inhabitants; a time during
which the poets sang the everyday lives using words that everyone understood. A
period during which Fado, due to its dimensions of sharing and expression of
intimacy, came to being a prayer, weeping or cry. A period during which Fado
came to being Confession, as we know it in the religious sense.
The purpose of this work is to define - between 1927 and 1962 - the conditions
under which Fado is confession and the conditions under which it is just a musical
genre
Fado Seminar
The Fado Seminar will be held in room 3 at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon (ICS-UL), on Friday, July 12, from 3:00 to 5:00 pm.O Seminário FADO decorrerá na sala 3 do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), no próximo dia 12 de Julho, das 15h00 às 17h00
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