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A REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICO-LITERÁRIA DA MADEIRA DE ACÁCIA NO ÂMBITO DAS LOCAÇÕES CÊNICAS DAS NARRATIVAS BÍBLICAS
Heiliger Raum
Propõe-se, aqui, uma resenha crítica do livro organizado por Matthias Hopf, Wolfgang Oswald e Stefan Seiler, intitulado “Heiliger Raum: Exegese und Rezeption der Heiligtumstexte in Ex 24–40” (Espaço Sagrado: Exegese e recepção dos textos do Santuário em Ex 24-40), de 2016, pela Verlag W. Kohlhammer, ainda sem tradução para o Português. Pretende-se avaliar, no âmbito desse breve texto, a pertinência da referida obra para o campo da exegese bíblica, porquanto, em perspectiva da índole metafórica de um dos objetos de estudo mais importantes da teologia – o santuário exodal –, a interpretação da simbologia das narrativas do Pentateuco pode, também, ser considerada uma empreitada hermenêutica, conquanto seja monitorada por ferramentas metodológicas teologicamente ajustadas. O desenvolvimento, portanto, dessa abordagem ao livro de Hopf, Oswald e Seiler, percorrerá as seguintes etapas: (1) os autores; (2) a obra; (3) considerações finais
Bread on the table: an exegetical study of Ex 25.23-30; 37.10-16; Lv 24.5-9
A presente tese doutoral, por meio do rigor metodológico da análise narrativa, propõe-se a realizar um estudo exegético de Ex 25,23-30; 37,10-16; Lv 24,5-9. Tal entrepresa, por conseguinte, requer que se leia os textos de instrução e execução da construção da mesa, bem como da prescrição do ritual dos pães sobre a mesa, em perspectiva síncrona. Outrossim, em vista da sofisticação literário-teológica das narrativas do Pentateuco, há de se estabelecer, com essa análise, os valores constituintes da aliança entre o SENHOR e o seu povo no Sinai. Visto que, enquanto lócus narrativo das cenas que abrigam o objeto de estudo delimitado para essa tese, o enredo das narrativas sinaíticas, por sua vez, constitui-se como o coração do Pentateuco. Destarte, tais porções textuais catalisam os sentidos mais profundos das camadas de significado subjacentes às narrativas da Torá, com vistas à formação da sabedoria ritual constituinte da religião do Antigo Israel. Entende-se, por conseguinte, que o ritual do pão sobre a mesa simboliza a materialização dos valores teológicos constituintes do caráter do SENHOR, enquanto fundamento de sua aliança. Esses valores, portanto, vertidos no comportamento divino em face da injustiça e da opressão, agindo para libertar os oprimidos, correspondem às feições da santidade do SENHOR. Conquanto o pão simbolize a proteção e o sustento de Deus ao povo fugitivo, ele, também, representa os valores fundamentais da eleição do reino de sacerdotes e nação santa, como representantes da justiça do Deus de Israel. Ademais, sob o entendimento de que a fome corresponde ao grau máximo da desfiguração da imagem de Deus nos homens, causada pela injustiça e opressão perpetrada pelas lógicas de poder que exploram o domínio das fontes de riqueza e produção de alimento da terra, o comportamento que se requer daqueles que possuem uma comunhão de mesa com o SENHOR, é a ação para garantir o acesso digno à alimentação a todas as pessoas. Porquanto quem come desse pão, se alimenta da santidade de Deus e contrai aliança com ele. Quem é santificado pela presença do SENHOR, compartilha o pãoThis doctoral thesis, through the methodological rigor of narrative analysis, proposes to carry out an exegetical study of Ex 25,23-30; 37.10-16; Lv 24.5-9. Such undertaking, therefore, requires reading the texts of instruction and execution of the construction of the table, as well as the prescription of the ritual of bread on the table, in a synchronous perspective. Furthermore, in view of the literary-theological sophistication of the Pentateuchal narratives, it is necessary to establish, with this analysis, the constituent values of the covenant between the LORD and his people on Sinai. Because, as a narrative locus of the scenes that shelter the object of study delimited for this thesis, the plot of the Sinaitic narratives, in turn, constitutes the heart of the Pentateuch. Thus, such textual portions catalyze the deeper meanings of the layers of meaning underlying the Torah narratives, with a view to forming the ritual wisdom that constituted the religion of Ancient Israel. It is understood, therefore, that the ritual of bread on the table symbolizes the materialization of the theological values that constitute the character of the LORD, as the foundation of his covenant. These values, therefore, expressed in divine behavior in the face of injustice and oppression, acting to free the oppressed, correspond to the features of the LORD's holiness. While the bread symbolizes God's protection and sustenance of the fleeing people, it, too, represents the core values of the elected kingdom of priests and holy nation, as representatives of the justice of the God of Israel. Moreover, under the understanding that hunger corresponds to the maximum degree of disfiguration of the image of God in men, caused by injustice and oppression perpetrated by the logics of power that exploit the domain of the sources of wealth and production of food on earth, the behavior that is required of those who have a table fellowship with the LORD, it is the action to guarantee decent access to food for all people. For whoever eats this bread feeds on the holiness of God and contracts covenant with him. Whoever is sanctified by the presence of the LORD shares breadCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPE
O primeiro discurso direto do Senhor no Sinai: um estudo literário-teológico de Ex 19,3-7
O primeiro discurso direto do Senhor no Sinai apresenta-se ao ouvinte-leitor das narrativas bíblicas como um elemento cênico e artisticamente composto. Sua argumentação se conecta ao enredo exodal sob uma configuração retórica que é literariamente decisiva para o acesso ao que é sintomático nas suas camadas mais profundas de significado. O protagonista principal da trama do êxodo é o único personagem a quem o narrador lhe empresta a voz. Tal estratégia literária, no âmbito do discurso narrativo, constitui-se como a principal chave-de-leitura da história contada. A voz do Senhor – veículo da proclamação legal que transcreverá o caráter do Deus de Israel – vem aos ouvidos de sua audiência para lembrá-la da graça divina. A retrorreferência discursiva, que põe em perspectiva a reputação do Senhor, realça os seus atos salvíficos em favor dos injustiçados pelo sistema opressivo do Egito escravista. O Deus que ouviu o grito dos oprimidos – constituindo Moisés como seu porta-voz diante de faraó, ordenando-lhe que ouvisse o clamor dos escravos e fizesse cessar a opressão violenta – requer, agora, em contrapartida, que Israel ouça atentamente a sua voz. Se o povo obedecer aos termos da aliança será constituído como propriedade peculiar do Senhor, tornando-se portador de sua voz diante de todos os povos da terra, como reino de sacerdotes e nação santa. A legitimidade, entretanto, de tal ofício se estabelece mediante um comportamento exemplar, que se remete à reputação do libertador dos oprimidos. Assim como o Senhor legitimou a sua soberania – se distinguindo dos reis humanos com suas divindades – agindo em favor dos vulneráveis, a eleição de Israel se justifica, unicamente, na representação dos interesses salvíficos do soberano de toda a terraThe Lord's first direct discourse at Sinai presents itself to the reader-listener of biblical narratives as a scenic, artistically composed element. His argument connects to the exodal plot under a rhetorical configuration that is literally decisive for access to what is symptomatic in its deeper layers of meaning. The main protagonist of the exodus plot is the only character to whom the narrator lends his voice. This literary strategy, within the scope of the narrative discourse, constitutes the main key-of-reading of the story told. The voice of the Lord - the vehicle of the legal proclamation that transcribes the character of the God of Israel - comes to the ears of his audience to remind them of divine grace. The discursive retro reference, which puts the reputation of the Lord in perspective, emphasizes its saving acts in favor of those wronged by the oppressive system of slavery Egypt. The God who heard the cry of the oppressed - constituted Moses as his mouthpiece before Pharaoh and commanded him to hear the cry of the slaves and to stop violent oppression - now requires, in return, that Israel listen carefully to his voice. If the people obey the covenant terms, it will be constituted as a peculiar property of the Lord, becoming the bearer of his voice before all the peoples of the earth, as a kingdom of priests and a holy nation. The legitimacy, however, of such office is established by exemplary behavior, which refers to the reputation of the liberator of the oppressed. Just as the Lord has legitimated his sovereignty – by distinguishing himself from human kings with their deities – acting on behalf of the vulnerable, Israel's election is justified only in representing the salvific interests of the sovereign over the whole earthCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPE
O Senhor evoca o passado para reiterar o presente e anunciar o futuro
Em perspectiva da índole literária das narrativas do Pentateuco, propõem-se, por meio desse sintético exercício empírico, uma análise acerca das feições artísticas dos textos da Bíblia Hebraica em contribuição ao campo da exegese bíblica contemporânea. Desde os tempos das antigas traduções, os estudos de intepretação das Sagradas Escrituras têm se dedicado a prover, tanto aos tradutores como aos ouvintes-leitores, acesso à sabedoria que emana do mundo narrado pelas tradições literárias ancestrais do povo de Deus. Destarte, os recentes avanços no âmbito dos estudos bíblicos, sobretudo as contribuições feitas pela análise narrativa, têm se demonstrado inovadores no que tange à compreensão da retórica que configura o discurso narrativo das histórias fundantes da fé judaico-cristã. A pequena unidade literária que abriga o primeiro discurso direto do Senhor no monte Sinai (Ex 19,4-6a), portanto, constitui-se como uma representação de como o narrador, ao emprestar sua voz ao personagem protagonista, pragmaticamente aproxima seu narratário das camadas de significado mais profundas da história narrada. A estratégia discursiva, por conseguinte, em que o discursista evoca o passado para reiterar o presente e anunciar o futuro, é constituinte daquilo que aqui se pretende demonstrar permeando a sintaxe e o tecido verbal das palavras do Senhor ao seu povo
A SUSPENSÃO DO JUÍZO EM KANT E O DISTANCIAMENTO INTELECTIVO EM ZUBIRI: limites e convergências
O presente texto se propõe a comentar acerca dos limites e convergências entre o pensamento kantiano sobre a suspensão do juízo e a ideia zubiriana de distanciamento intelectivo. Tal entrepresa, por conseguinte, requer que se faça uma breve aproximação ao contexto destes dois autores, em perspectiva de um diálogo com alguns expoentes da tradição filosófica ocidental. Entretanto, o diálogo com esses diversos autores não possui, aqui, em virtude da exiguidade de espaço disponível, possibilidade de um aprofundamento. Destarte, abordar-se-ão, apenas, linhas gerais do pensamento dos filósofos selecionados. Conquanto se trate de uma leitura mais extensiva, contudo, demonstrar-se-á que embora existam limites entre o pensamento de Kant e Zubiri, certas convergências se constituem como elementos que razoavelmente podem dar conta de diversas críticas desferidas, ao longo dos tempos, a ideia kantiana de suspensão do juízo
A arte perdida das escrituras
Publicado originalmente em inglês sob o título The Lost Art of Scripture: Rescuing the Sacred Text e vertido ao português em edição recente (2024) pela Companhia das Letras, o volumoso ensaio A Arte Perdida das Escrituras, de Karen Armstrong, apresenta-se como uma das mais ambiciosas tentativas contemporâneas de repensar o lugar dos textos sagrados no imaginário religioso e cultural da humanidade, não a partir de uma perspectiva dogmática ou apologética, mas por meio de uma análise histórico-comparativa que percorre as mais variadas tradições – do judaísmo antigo à modernidade ocidental, passando pelo cristianismo, pelo islã, pelo hinduísmo e pelo budismo –, sempre com a intenção de mostrar que o que hoje se convencionou tratar como escritura foi, em seus contextos originários, menos um compêndio de verdades absolutas a serem cridas e mais uma prática estética, comunitária e ritual, cujo sentido se desdobra justamente na medida em que resiste à fixidez de interpretações unívocas. Assim, em contraposição às leituras fundamentalistas que, ao longo dos séculos XIX e XX, reduziram tais textos a registros factuais, bem como às abordagens racionalistas que os descartaram como meras superstições, Armstrong propõe recuperar a escritura como arte, como espaço simbólico em que mito, rito, memória e silêncio confluem para produzir não tanto um sistema dogmático quanto uma experiência transformadora, estética e ética, que tem por horizonte último a formação de comunidades compassivas e a abertura ao inefável
Águia ou abutre? (Ex 19,4)
As primeiras palavras que o Senhor, Deus de Israel, dirige, no monte Sinai, a seu povo por meio de Moisés envolvem uma imagem ou metáfora. Deus afirma “ter carregado” seu povo “sobre as asas” de uma determinada espécie de pássaro, “trazendo-o”, dessa forma, “a si mesmo” (Ex 19,4). A maioria das traduções da Bíblia transmite a palavra hebraica em questão – nəšārim, plural de nešer – como “águias”. Contudo, tal opção parece ser o resultado de reflexões hodiernas sobre valores estéticos e/ou morais, sem reconhecer, de modo suficiente, o contexto histórico-cultural do mundo narrado. Em vista disso, o estudo aqui apresentado se propõe a revisitar as vinte e seis ocorrências de nešer na Bíblia Hebraica e algumas imagens pertencentes às culturas do Egito e do Antigo Oriente Próximo, sendo que tais estudos iconográficos se tornam um auxílio importante para a exegese bíblica.</jats:p
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