Análise Psicológica
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    As reacções criminais do Direito Penal Português na perspectiva de reintegração social

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    Os autores elaboram uma reflexão sobre o sistema punitivo português nomeadamente sobre os objectivos das penas vigentes, i.e., a retribuição, a prevenção geral e a prevenção especial. Destacam em particular as penas privativas de liberdade, pena de multa e penas de substituição, analisando as suas vantagens e inconvenientes à luz das possibilidades de reintegração do indivíduo no quadro social de referência. Salientam as penas de substituição que evitam que o indivíduo seja exposto ao sistema prisional e que veja as suas relações sociais e profissionais interrompidas

    Desigualdades na divisão do trabalho familiar, sentimento de justiça e processos de comparação social

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    Os estudos sobre a organização familiar mostram que, apesar do ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, poucas mudanças ocorreram na divisão do trabalho familiar entre os cônjuges. Assim, as práticas familiares desiguais mantêm-se em sociedades baseadas numa ética igualitarista sem que, paradoxalmente, esse facto suscite um sentimento de injustiça. Esta constatação originou diversas tentativas de explicação, sendo uma delas que as comparações, selectivas, efectuadas pelas mulheres as levam a considerar a divisão desigual do trabalho familiar apropriada. O presente trabalho procura questionar esta explicação e mostrar que a maior parte das comparações entre homens e mulheres levam a avaliar comportamentos semelhantes de forma diferente, na medida em que esses comportamentos são ajustados aos papéis de género tradicionais e, logo, as suas avaliações assentam numa duplicidade de critérios. É proposto que a utilização de critérios idênticos para os julgamentos relativos às competências e aos papéis dos homens e das mulheres é uma condição indispensável para a justiça social

    Psicologia Forense em Portugal: Uma história de responsabilidades e desafios

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    O presente artigo traça os contornos gerais do desenvolvimento da psicologia forense em Portugal, primeiro enquanto ramo de um campo de saber mais vasto – o da Psicologia da Justiça ou Jurídica – e mais recentemente como disciplina autónoma que tem vindo a receber cada vez mais solicitações da parte das entidades judiciais. Neste sentido são apresentados dados da prática pericial forense da Unidade de Consulta de Psicologia da Justiça da Universidade do Minho, bem como resultados de investigações recentes que atestam a aceitação da prática da avaliação forense junto de magistrados judiciais. Face aos novos desafios e ao aumento de solicitações e reforçando a necessidade de uma postura ética que salvaguarde o desempenho profissional, o autor procede a algumas recomendações que devem nortear o trabalho do perito de psicologia forense

    Queixas subjectivas de saúde, afectividade negativa e utilização de serviços de saúde: Diferenças de género

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    Os objectivos deste estudo são caracterizar as queixas subjectivas de saúde e investigar em que medida existem diferenças de género em relação às queixas subjectivas de saúde, à afectividade negativa e à utilização de serviços de saúde. Foi delineado um estudo transversal no qual uma amostra de 1113 participantes de ambos os sexos (64% mulheres) preencheu um questionário que incluía medidas sobre as queixas subjectivas de saúde, afectividade negativa, utilização de serviços de saúde e informação socio-demográfica. Os resultados sugerem que, em relação às queixas subjectivas de saúde, as pseudoneurológicas são as que se apresentam mais frequentemente. Quanto às diferenças de género, verificamos que estas existem nas queixas de dores músculo-esqueléticas, pseudoneurologia e alergia, bem como na escala total. Os resultados indicam ainda que são as mulheres que, em média, utilizam mais os serviços de saúde. Não existem diferenças de género na afectividade negativa. Abordamos neste estudo, um tópico que poderá ter implicações para a saúde, a médio e longo prazo. Julgamos ser um contributo importante para caracterizar o contexto português em termos das queixas subjectivas e fornecer indicadores sobre os comportamentos relacionados com a saúde na população portuguesa, destrinçando as diferenças entre homens e mulheres

    O efeito da psicoterapia sobre o rendimento académico

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    Após a revisão da literatura existente sobre a influência do aconselhamento e da psicoterapia sobre o insucesso académico os autores apresentam os resultados de um estudo sobre o efeito da intervenção psicoterapêutica no rendimento académico no Instituto Superior Técnico. A amostra constituiu-se por 56 alunos que recorreram ao Núcleo de Aconselhamento Psicológico durante os anos lectivos 1996/97 e 1997/98 e que fizeram entre 4 e 43 sessões de psicoterapia individual. Estes alunos mostraram um aumento de 28% no número de exames aprovados no ano seguinte em comparação com o ano anterior à intervenção psicoterapêutica, enquanto o grupo de controlo não mostrou alterações no aproveitamento escolar no mesmo período. Os autores explicam que o efeito encontrado foi bastante superior ao encontrado em estudos anteriores devido ao maior número de sessões efectuadas pelos alunos

    Grupo de suporte para mulheres de veteranos de guerra: Um estudo qualitativo

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    As consequências dos episódios traumáticos vividos em teatro de guerra afectam não só a vítima directa mas também a esposa/companheira do próprio veterano. A intervenção psicológica junto das mulheres dos veteranos é importante a dois níveis: por um lado porque estas mulheres apresentam psicopatologia e dificuldades na relação conjugal. Por outro lado, a recuperação do próprio veterano é facilitada através da melhoria da sua relação marital que contribui de forma significativa para a redução da sintomatologia depressiva, ansiosa e de hostilidade. Neste estudo participaram 10 mulheres casadas com veteranos de guerra com PTSD que frequentaram um grupo de suporte. Através duma metodologia qualitativa procuramos conhecer os motivos da inscrição no grupo, os aspectos mais importantes daparticipação, a aprendizagem efectuada, os aspectos mais difíceis da participação, as mudanças na relação conjugal e familiar e os problemas apresentados. Os resultados indicam que estas mulheres sentem uma grande necessidade de conviver e partilhar problemas, ao longo dos anos anularam as suas próprias necessidades e vivem em função do bem-estar do marido desinvestindo de cuidar da sua saúde física. A intervenção teve um efeito positivo promovendo um maior conhecimento e compreensão sobre o PTSD, um aumento das competências de resolução de problemas, comunicação e de estratégias de coping para lidar com o stress e, finalmente, uma maior motivação para operar mudanças em casa a nível conjugal. As mulheres relataram também efeitos positivos ao nível da saúde física e psicológica. Este estudo realça a importância da intervenção junto das mulheres no sentido de minimizar os efeitos negativos do convívio prolongado com a sintomatologia de PTSD por parte do veterano

    A contratransferência na clínica psicanalítica contemporânea

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    Atualmente, a contratransferência tem adquirido relevância no contexto terapêutico, passando a ser vista como instrumento de trabalho do psicoterapeuta. O objetivo deste trabalho foi compreender como a contratransferência vem sendo utilizada por psicoterapeutas psicanalíticos, a fim de aprofundar o conhecimento sobre como ela se manifesta na prática clínica. Foram entrevistados três psicoterapeutas, escolhidos pelo critério de conveniência. Os relatos foram dispostos em quatro categorias definidas a priori a partir da revisão bibliográfica e dos objetivos traçados para a pesquisa. Os resultados revelaram que a contratransferência foi considerada como uma ferramenta que auxilia na compreensão do paciente e daquilo que se passa na sessão. É utilizada como recurso terapêutico, mas seu uso suscita cuidados. Um dos entrevistados não revela sua contratransferência, enquanto os outros dois revelam em algumas situações. Raiva, irritação e impotência foram consideradas como sentimentos contratransferenciais de difícil manejo, assim como aqueles causados por pacientes com transtornos de caráter, perversão sexual e dependência química. Concluiu-se que os psicoterapeutas que participaram do estudo levam em consideração os sentimentos e significados inconscientes do que ocorre entre a dupla terapeuta-paciente, considerando que a pessoa real do psicoterapeuta também atravessa todo o processo analítico

    Escala de Integração Social no Ensino Superior (EISES): Metodologia de construção e validação

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    Neste artigo apresentamos o processo de construção e de validação da Escala de Integração Social no Ensino Superior (EISES). Este processo conduziu ao teste de duas estruturas factoriais hipotéticas (bi e tridimensional; ambas hierárquicas) (LISREL8-SIMPLIS). Recorremos a estudantes universitários do 1.º ano da Universidade do Minho (amostragem de conveniência). Os dois estudos conduzidos, exploratório (N=142) e confirmatório (N=447), revelaram as dificuldades em operacionalizar duas dimensões de cariz mais estritamente institucional. As preocupações iniciais dos estudantes reportaram-se, principalmente, ao bem-estar pessoal e ao estabelecimento de novas relações, dimensões da satisfação consigo e com os outros (estrutura factorial bidimensional hierárquica). Estas dimensões e o equilíbrio emocional (estrutura factorial tridimensional hierárquica) representam as áreas problemáticas da integração social dos estudantes. Por último, discutimos a validade da EISES e a sua utilização na investigação e no aconselhamento junto dos estudantes

    Qualidade da vinculação e desenvolvimento sócio-cognitivo

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    O presente estudo aborda as implicações da qualidadeda relação de vinculação no modo como a criança conceptualiza e raciocina sobre o mundo social. Os investigadores que trabalham na área da vinculação defendem que o pensamento social da criança reflecte diferentes internalizações de aspectos das primeiras interacções. Os participantes do estudo foram 50 díades mãe criança, do distrito de Lisboa, Portugal. A média de idade das crianças era de 41 meses, sendo 27 raparigase 23 rapazes. As idades das mães variavam entre os 27e ao 42 anos (α = 32,26; dp = 4.34). As crianças passavam em média 6.80 horas no Jardim-de-infância. As famílias pertenciam à classe social média de acordo com os padrões portugueses. Foi pedido às mães que completassem o Attachment Q-Set (Waters, 1995), com vista a analisar a qualidade da relação de vinculação. O pensamento social das crianças foi avaliado através da Bateria de Provas Sócio-cognitivas deStrayer, Gravel, Pagé, e Biazutti (1994). Dois investigadores analisaram o conteúdo do discurso das crianças (Pearson > .89). As medidas do pensamento social utilizadas foram a compreensão pró-social, a descentração cognitiva e a descentração afectiva. Através da análise hierárquica de clusters, e com base nas representações maternas foram identificados três grupos de crianças com estilos de vinculação significativamente diferentes. Estes resultados estão, até certo ponto, de acordo com a taxonomia proposta por Ainsworth. Com base nos três grupos de crianças identificados pelas mães, ou seja, o Grupo Seguro, o Grupo Inseguro-Resistente e o Grupo Inseguro-Evitante analisou-se através de uma Análise de Variância a CompreensãoPró-social e a Descentração Cognitiva e Afectivados referidos grupos. A nível da Compreensão Pró-social Global não se verificaram diferenças significativas entre os 3 grupos, tal como na Compreensão Pró-social– Resposta. Contudo, na Compreensão Pró-social – Justificação foram encontradas diferenças significativas entre os grupos (f (49, 2)=5.045, p0.05). Os resultados obtidos neste estudo suportam estudos prévios que afirmam que a expressão e compreensão das emoções de crianças, em idade pré-escolar, estão relacionadas com as interacções e a relação estabelecida entre a figura de vinculação durante os períodos da primeira e segunda infância (Denham, 1997;Denham & Couchoud, 1990; Denham, Zoller & Couchoud,1994)

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