Análise Psicológica
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Tendências da investigação na psicologia do desporto, exercício e actividade física
O objectivo deste artigo é fornecer uma breve panorâmica sobre a investigação na psicologia do desporto, exercício e actividade física. Abordaram-se, num aperspectiva essencialmente histórica, os principais paradigmas e linhas de investigação na área. Subjacente está a progressiva diferenciação entre a psicologia do desporto e a psicologia do exercício, pelo que se procura definir o que as distingue e apresentar separadamente os respectivos temas de investigação mais frequentes na literatura empírica actual
As duas faces de Janus da psicologia em Portugal
A fim de caracterizar o que se publica em Portugal nas revistas especializadas em psicologia, analisámos os artigos publicados desde 1996 até 2003 em três revistas: Psicologia: teoria, investigação e prática, associada à Universidade do Minho; Psychologica, associada à Universidade de Coimbra; e Análise Psicológica, associada ao Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. Após descrevermos a nacionalidade, género e filiação institucional dos autores dos artigos, classificámos o conteúdo de cada artigo em termos de área temática e de metodologia utilizada.Os resultados– muito semelhantes nas três revistas – mostram que a) os artigos provêm sobretudo de autores portugueses com filiação universitária, muitas vezes na própria instituição que publica a revista; b) os artigos versam sobretudo os domínios aplicados da clínica e da educação; c) cerca de metade dos artigos consiste em revisões de literatura ou análises conceptuais; e d) apenas cinco por cento utiliza metodologia experimental. Estes resultados são interpretados à luz do contexto universitário português, em geral, e da nossa experiência de investigação em Portugal, em particular
Atribuição de sintomas, comportamentos de saúde e adesão em utentes de Centro de Saúde da Zona Norte
Este artigo descreve um estudo, na área da psicologia da saúde, sobre a relação entre o estilo atribucional de sintomas, a prática de comportamentos saudáveis e a adesão terapêutica (avaliada em termos de toma demedicamentos). A amostra é composta por utentes de três Centros de Saúde num total de 246 sujeitos seleccionados a partir do método de amostragem estratificada para o concelho de Braga. A avaliação psicométrica incluiu o questionário de Estilo de Atribuição de Sintomas, o questionário de Hábitos de Saúde, a escala de Atitudes face aos Médicos e Medicina e escala de Adesão Terapêutica.Os resultados apontam na direcção duma relação positiva entre prática de comportamentos saudáveis e adesão terapêutica, entre o estilo atribucional somático e atitudes negativas face aos médicos. Registaram-se também diferenças ao nível do género na prática de comportamentos saudáveis. Os resultados obtidos enfatizam a necessidade de programas de promoção de saúde sobretudo nos homens e a necessidade de inclusão de variáveis cognitivas, neste caso o estilo atribucional, na prática médica
Metodologias de avaliação do desenvolvimento da cognição social da infância até à idade pré-escolar
Nas últimas décadas, a Psicologia do Desenvolvimento tem vindo a delinear o percurso do desenvolvimento sócio-cognitivo na procura de respostas a uma questão essencial – Como evoluem as capacidades de mentalização das crianças? O interesse em conhecer as fases que marcam o desenvolvimento da cognição social, desde as idades mais precoces até à consolidação da compreensão das causas psicológicas dos comportamentos, é legitimado pela importância vital com que estas fases se revestem ao nível da compreensão e comportamento sociais. Neste sentido, os objectivos do presente trabalho são: (a) descrever os três marcos sócio-cognitivos comummente descritos na literatura desde a infância até à idade pré-escolar; (b) apresentar exemplos de metodologias que permitam a sua avaliação (c) analisar as principais vantagens e desvantagens de cada uma das metodologias de forma a auxiliar a selecção por parte dos investigadores
A importância do livro Psicologia Pedagógica para a teoria histórico-cultural de Vigotski
Este trabalho objetiva apresentar uma análise sobre o livro de Lev S. Vigotski intitulado Psicologia Pedagógica publicado em 1926, com o objetivo de identificar alguns elementos que nos permita caracterizar o seu projeto científico para a psicologia. Assim, ao longo da análise, estabelecemos uma aproximação de Vigotski com o marxismo e com a dialética, indicando a intenção de Vigotski em construir uma psicologia enraizada no materialismo histórico e dialético e que tal proposição já estava idealizada no início de sua carreira, entre 1917-1923. Localizamos o livro Psicologia Pedagógica enquanto uma obra paradoxal pois ao mesmo em tempo que lança as bases para uma nova psicologia, não deixa de apontar o seu caráter transitório
Psicologia em serviços de saúde Intervenção em Centros de Saúde e Hospitais
Nesta nota didáctica os autores definem e caracterizam as diferentes actividades que podem ser desenvolvidas por psicólogos em Centros de Saúde e em Hospitais e delimitam aspectos da organização e qualidade da sua intervenção profissional
A concordância entre medidas sociométricas e a estabilidade dos estatutos sociais em crianças de idade pré-escolar
O conceito de sociometria, introduzido por Moreno (1934/1953), refere-se a um conjunto de métodos que permitem identificar, simultaneamente, a estrutura social dos grupos e a posição relativa que cada indivíduo ocupa, na referida estrutura. Não obstante a sua utilização recorrente, em diversos campos da psicologia, são poucos os estudos (e.g., Jiang & Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper, & Olsen, 2001) que, durante o período correspondente ao pré-escolar (i.e., entre os 3 e os 5 anos de idade), avaliam a questões da concordância entre as avaliações obtidas através de diferentes medidas, sendo mais comum que se considere a estabilidade de cada medida, de modo a analisar, por exemplo, a evolução das classificações sociométricas (i.e., estatuto no grupo de pares). No presente estudo, foram entrevistados 263 crianças, 140 do sexo feminino e 123 do sexo masculino, distribuídas por 11 grupos (3 de 3 anos, 4 de 4 anos e 4 de 5 anos de idade), utilizando três técnicas sociométricas diferentes: (1) nomeações – 3 escolhas positivas, 3 negativas (2) escala de apreciação (rating scale) – cada criança foi classificada entre 1 (não gosta muito de brincar) e 3 (gosta muito de brincar); e (3) comparação entre pares (paired comparisons) – escolha de uma entre duas crianças, pelo critério gosta mais de brincar, em todas as díades possíveis no grupo. Os resultados apontam para a existência de correlações estatisticamente significativa entre as diferentes medidas, isto é, coerência entre as medidas, que aumentam de magnitude em função da idade das crianças. Relativamente aos estatutos sociométricos, obtidos a partir da tarefa de nomeações, seguindo os procedimentos de Coie, Dodge e Coppotelli (1982), os resultados apontam para uma ausência de estabilidade das classificações sociométricas ao longo do desenvolvimento
Ansiedade e coping em crianças e adolescentes: Diferenças relacionadas com a idade e género
As relações entre a ansiedade e as estratégias de coping e as diferenças destes constructos em função do género e da idade foram estudadas numa amostra de 916 crianças e adolescentes, estudantes de escolas de diversos concelhos do país, com uma média de idades de 14,4 anos (DP=2,62), dos quais 45,7% pertenciam ao género masculino e 54,3% ao género feminino. As medidas de avaliação utilizadas para operacionalizar as variáveis foram a Multidimensional Anxiety Scale for Children – MASC (March, 1997) e o Coping Responses Inventory – Youth Form – CRI-Y (Moos, 1993). Os resultados obtidos indicaram que os jovens mais velhos e os indivíduos do género feminino apresentaram níveis de ansiedade mais elevados e utilizam mais estratégias de coping, quando comparados com os jovens mais novos e com os indivíduos do género masculino. De igual modo foi encontrada uma correlação positiva entre a ansiedade e o coping e uma correlação positiva entre idade e coping, no sentido em que a utilização das estratégias de coping aumentam com a idade. Os resultados encontrados foram discutidos à luz da literatura e das suas implicações para a prática clínica
Aprender a contar, aprender a pensar: As sequências numéricas de contagem abstracta construídas por crianças portuguesas em idade pré-escolar
Neste artigo fundamentamos e descrevemos uma investigação concebida para analisar o papel do nome dos números de dois dígitos, em português, no desenvolvimento numérico de crianças em idade pré-escolar. O nome dos números de dois dígitos é considerado do ponto de vista da clarificação que oferecem sobre a sua composição como conjuntos de dezenas e de unidades. Este estudo enquadra-se num projecto de investigação mais amplo, designado Projecto Mais-Pais
Treino de modelagem e visualização mental: Avaliação dos efeitos nas expectativas de auto-eficácia e desempenho de atletas de patinagem
Este trabalho procurou avaliar de que modo um programa de duas semanas de treino de modelagem e de visualização mental poderia afectar as expectativas de eficácia pessoal e o rendimento de um grupo de atletas de patinagem artística. Os sujeitos (19), todosdo sexo feminino, foram afectos a uma de três condições experimentais: grupo de controlo, sem tratamento (n=7), grupo experimental, apenas com um tratamento de modelagem (n=6) e grupo experimental com um tratamento de modelagem e visualização mental (n=6).Os resultados do estudo revelaram que não foi possível potencializar as expectativas de eficácia pessoal e o desempenho das atletas através dos tratamentos experimentais, num período de duas semanas. No entanto, apesar das limitações impostas pela dimensão da amostra e pelo curto período de tempo deduração do programa, foi possível constatar que: a) as expectativas de auto-eficácia demonstraram ser melhores preditoras do desempenho do que as expectativas de resultado; b) o desempenho passado joga um papel crucial na formação das expectativas de auto-eficácia;c) os programas experimentais permitiram incrementar a percepção das atletas relativamente ao nível de desempenho que poderiam vir a alcançar face às competências técnicas e motoras que detinham no início do programa