Griot : Revista de Filosofia
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Crítica de Marx à metafísica da economia política
In developing his materialist conception of history, Marx creates, at the same time, a critique to the Hegelian thought next to a critique of political economy. Those critiques are mainly concentrate in his works written throughout his youth, in particular the Misery of Philosophy. Based on this work of Marx, the present paper aims to discourse on the metaphysics of political economy, whose critique is directed mainly to Proudhon responding to the work Philosophy of Misery, in which Proudhon tries to provide, in a metaphysical bias, the bases for the social problems, applying the Hegelian dialectic to the method of political economy. For Marx, the Proudhonist ideology, which is expressed in that work, is totally reformist and utopian. In contrast to the Proudhonist thought, and explaining simultaneously the foundations that constitute the theory of social being, which is woven by the capitalist mode of production, Marx publishes in 1847 his work the Misery of Philosophy in response to Proudhon's Philosophy of Misery.Ao desenvolver a sua concepção materialista da história, Marx elabora, ao mesmo tempo, uma crítica ao pensamento hegeliano acompanhada de uma crítica à economia política. Tais críticas estão condensadas principalmente em suas obras de juventude, dentre elas destaca-se a Miséria da Filosofia. O presente texto objetiva, a partir dessa obra, dissertar sobre a metafísica da economia política cuja crítica dirige-se principalmente à Proudhon, em resposta à sua obra Filosofia da Miséria na qual Proudhon, tenta, num viés metafísico, fornecer as bases para os problemas sociais, através da aplicação da dialética de Hegel ao método da economia política. Para Marx, a ideologia proudhoniana expressa em tal obra apresenta-se totalmente reformista e utópica. Em contraposição ao pensamento de Proudhon, e simultaneamente explicitando os fundamentos constitutivos da teoria do ser social tecido pelo modo de produção capitalista, Marx publica em 1847 a sua obra Miséria da Filosofia em resposta à Filosofia da Miséria de Proudhon
Como não esquecer de viver o presente: um ensaio sobre a espiritualidade do amor
Pierre Hadot shows us, in his interpretations of Goethe and the tradition of spiritual exercises, that true love has a transforming potential, since it corresponds to an exercise of the spirit capable of revealing the ideal that surrounds and constitutes the reality of lovers. Differently, Foucault explains, by Baudelaire and the culture of the aesthetics of existence, that the transfiguring practice of love propitiates the creation of the present time as if through fiction and not by the presence of the ideal in the real. Therefore, perhaps we can affirm that the spirituality of love, conceived by Hadot, would reside in the eternalization of the present moment and in the universalization of the soul, whose beauty articulates the lovers ideally to the Nature. On the other hand, in the case of the foucauldian aesthetics of existence, the spirituality of love would concern the fictional violation of the condition that binds the self, the others and the world to the nostalgia for the past or to the anxiety for the future. Thus, in this essay we envisage (a) to point out the differences between Hadot and Foucault regarding the experience of the present time and the spirituality of love in order to (b) indicate how both would understand the historical movement of the self and the others in the world.Pierre Hadot nos mostra, em suas interpretações sobre Goethe e a tradição dos exercícios espirituais, que o amor verdadeiro possui um potencial transformador, pois corresponde a um exercício do espírito capaz de desvelar o ideal que envolve e constitui a realidade dos amantes. Diferentemente, Foucault explica, através de Baudelaire e da cultura da estética da existência, que a experiência transfiguradora do amor propicia a criação do tempo presente como que por ficção e não pela presença do ideal no real. A partir disso, talvez possamos afirmar que a espiritualidade do amor, concebida por Hadot, residiria na eternização do instante presente e na universalização da alma, cuja beleza articula os amantes idealmente à Natureza. Por outro lado, no caso da estética da existência foucaultiana a espiritualidade do amor concerniria à violação ficcional da condição que ata o si, os outros e o mundo à saudade do passado ou à ansiedade pelo futuro. Sendo assim, neste ensaio vislumbramos (a) pontuar as diferenças entre Hadot e Foucault no que concerne à vivência do tempo presente e à espiritualidade do amor para (b) indicarmos de que modo ambos compreenderiam a movimentação histórica do si e dos outros no mundo.  
Uma análise do Nominalismo de Avestruz
In this paper, I discuss the Ostrich Nominalism. At first, I attempt a clarification of main theses of Devitt. In addition, I analyze whether this kind of nominalism can be considered a solution to the problem of universals. After arguing that this theory does not consider the problem of universals a pseudoproblem, I discuss three criticisms against Ostrich Nominalism. Ontological commitment is the topic of first criticism. I argue that this notion does not provide a sufficient ontological criterion. Later, I analyze the regress infinite argument. The ostrich nominalist argues that all relational solutions to the problem of universals have this problem. However, I advocate that infinite regress argument does not refute all relational solutions. Finally, I analyze an external criticism. Rodriguez-Pereyra maintains that ostrich nominalism cannot be understood as a truthmaking theory.O objetivo deste artigo é analisar criticamente o Nominalismo de Avestruz. Em primeiro lugar, apresento as teses principais dessa solução, bem como analiso se ela deve ser considerada uma solução para o problema dos universais. Apesar de argumentar que essa teoria não considera o problema dos universais um pseudoproblema, levanto uma série de problemas contra esta posição. Em geral, levantei três críticas principais. A primeira concerne ao critério quantificacional. Argumentei que esse critério apresenta problemas se interpretado como critério ontológico. Entendo que esse critério não pode ser utilizado para solucionar o problema dos universais. A segunda crítica concerne ao problema do regresso. O Nominalismo de Avestruz possui como um dos eixos centrais de sua argumentação o problema do regresso ao infinito. Argumentei, contudo, que tal problema não afeta todas as soluções relacionais. Por último, exploro uma crítica externa. Analiso a resposta de Melia ao problema dos truthmakers, levantado por Rodriguez-Pereyra
Natureza e ontologia em Merleau-Ponty e Whitehead
In the late 1950’s, Merleau-Ponty shifted his research focus from phenomenology to ontology. Such a transition involves the articulation of his previous studies of perception and corporeity with the philosophical unfolding of the postulates of physics and biology from the first half of the century. By reformulating the concept of nature, fostered not only by the sciences mentioned above but also by Whitehead's metaphysics, Merleau-Ponty proposes the admission of nature as a temporal flux of self-producing meaningful expressiveness, incorporating temporality and negativity into the core of being, something that before was exclusive of the being-for-it-self. Merleau-Ponty's flesh, as we shall see, is in harmony with Whitehead's notion of process, pointing to a certain pre-socratic hylozoism in the ontology of both. That being said, the purpose of the paper is to examine Merleau-Ponty's indirect ontology, indicating its convergence with Whitehead's philosophy, so we can finally introduce an incipient critique based on the work of Francisco Varela. It is argued here that the concept of autopoiesis may indicate an alternative to Merleau-Ponty’s notion of nature.No final da década de 1950, Merleau-Ponty desloca seu foco de investigação da fenomenologia à ontologia. Tal transição envolve a articulação de seus estudos prévios acerca da percepção e da corporeidade com os desdobramentos filosóficos dos postulados da física e da biologia da primeira metade do século. A partir de uma reformulação do conceito de natureza, fomentada não só pelas ciências supracitadas como pela metafísica de Whitehead, Merleau-Ponty propõe a admissão da natureza como um fluxo de expressividade temporal autoprodutora de sentido, incorporando ao âmago do ser a temporalidade e a negatividade antes exclusivas ao para-si. A carne de Merleau-Ponty, como veremos, está em harmonia com a noção de processo de Whitehead, apontando assim um certo hilozoísmo pré-socrático na ontologia de ambos. Dito isso, o objetivo do artigo consiste em examinar a ontologia indireta de Merleau-Ponty, indicando sua convergência com a filosofia de Whitehead para, finalmente, introduzirmos uma crítica incipiente a partir da obra de Francisco Varela. Defende-se aqui que o conceito de autopoiesis pode indicar uma alternativa à noção merleau-pontiana de natureza
Pensar a biopolítica a partir da teologia: contribuições de Agamben
The 2007 publication, Homo Sacer II, 2, Il Regno e la Glória, is milestone in agambenana work. On the one hand, the project Homo Sacer that was to the genealogy of political power rides to new and decisive dimension: the paradigm of economic theology, which helps to explain more precisely the relationship between the kingdom and the government, and the reaches the biopolitical diagnosis. On the other hand, Agamben believes to have found this book the arcana of power: the glory. The conception of politic as administration, ὀιχονομία, government in which the omnipresence of the economy expands for all aspects of social life is index-cloaking movement that reaches the glory its maximum expression.A publicação de 2007, Homo Sacer II, 2, Il Regno e la Gloria, constitui marco na obra agambenana. Por um lado, o projeto Homo Sacer, que tinha por objetivo a genealogia do poder político, ascende a nova e decisiva dimensão: desvela o paradigma da teologia econômica, que permite explicar com maior precisão a articulação entre o reino e o governo, e os alcances do diagnóstico biopolítico. Por outro, Agamben crê haver encontrado nesse livro o arcano do poder: a glória. A concepção da política como administração, ὀιχονομία, governo no qual a onipresença da economia expande-se por todos os aspectos da vida social é índice do movimento que alcança na glória sua máxima expressão
Rousseau e o paradoxo da censura
This article aims to analyze the apparent contradiction between the institution of censorship in the Social Contract of Rousseau and the censorship he suffered in Geneva and Paris. With this aim, we will analyze the concept of censorship in the Social Contract and the Rousseau’s arguments in the works: Letters of the Mountain and the Letter to Christophe Beaumont, supported in the work of some experts on Rousseau's political work. Our studies allow us to conclude Jean-Jacques Rousseau does in fact, admit the possibility of censorship; however, the action of the censors must be restricted by public opinion, just like the prince’s actions by the laws. In addition, if there is a similar process it should meet all the requirements of the civil law of the State where censorship takes place. Both in Paris and in Geneva Rousseau disagrees with the way they dealt with him and his works.Este artigo tem por objetivo analisar a aparente contradição entre a instituição da censura no Contrato Social de Rousseau e a censura que sofreu em Genebra e Paris. Para tanto analisaremos o conceito de censura no Contrato Social e os argumentos utilizados por Rousseau nas obras Cartas escritas da Montanha e a Carta à Christophe Beaumont, com apoio na obra de alguns comentadores da obra política de Rousseau. Nossos estudos nos levam a concluir que Jean-Jacques Rousseau admite, de fato, a possibilidade da instituição da censura, no entanto, a ação dos censores deve ser restrita pela opinião pública, tal como a do príncipe em relação às leis. Além disso, se há um processo semelhante deveria atender todos os requisitos da legislação civil do Estado no qual ocorre. Tanto em Paris, como em Genebra Rousseau discorda do modo como procederam em relação às suas obras e sua pessoa
Baudelaire: prolegômenos a toda biografia existencial sartreana futura
The aim of this article is to analyze the way the French philosopher Jean-Paul Sartre modalizes, through the existential psychoanalysis elaborated in L’être et le néant (1943), his existential biography about the poet Charles Baudelaire. In Baudelaire (1947), we will be able to locate the prolegomena to any future existential biography, therefore, Sartre’s modus operandi of biographical research/writing.Neste artigo pretendemos analisar a maneia pela qual o filósofo francês Jean-Paul Sartre modaliza, a partir da psicanálise existencial elaborada em L’être et le néant (1943), sua biografia existencial sobre o poeta Charles Baudelaire. Em Baudelaire (1947), seremos capazes de localizar os prolegômenos a toda biografia existencial sartreana futura, isto é, o modus operandi de investigação/escrita biográfica de Sartre
América latina, o discurso filosófico-sociológico da modernidade, a ce-gueira histórico-sociológica das teorias da modernidade: notas programá-ticas para uma práxis decolonial latino-americana
In this paper, we defend that euronorcentric theories of modernity which pursuit the philosophical-sociological reconstruction of the process of the Western modernization (or European, or the evolutionary-constitutive pattern of development of the contemporary industrialized societies) are characterized for a historical-sociological blindness which is marked by three basic points: (a) the understanding of the Western modernization as a self-referential, self-subsistent, self-sufficient, endogenous and autonomous process of development, so that there would be modernity as rationalization and all the rest as traditionalism, position that, on the other hand, does not prevent the theories of modernity of correlating modernity-modernization, rationalization, universalism and human evolution; (b) the separation between cultural modernity and social-economic modernization, the first as a sphere purely normative, and the second as a sphere basically instrumental, logical-technical, with the purpose of saving a normative concept of epistemological-moral universalism which is the cultural modernity itself; and (c), as condition of that philosophical-sociological reconstruction, the erasing, the deletion and the silencing about the colonialism as a consequence of the development of the Western modernization as a whole. We argue that a Latin-American decolonial praxis has in the denounce, unveiling and deconstruction of this historical-sociological blindness assumed by euronorcentric theories of modernity in their reconstruction of the process of the Western modernization its fundamental epistemological-political starting point to become itself an alternative to the modernity’s normative paradigm, to ground its (Latin-American) philosophical-sociological discourse about Western modernization and its correlation with colonialism. Neste artigo, defendemos que as teorias euronorcêntricas da modernidade, cujo mote é a reconstrução filosófico-sociológica do processo de modernização ocidental (ou europeia, ou o padrão evolutivo-constitutivo das sociedades industrializadas desenvolvidas contemporâneas) sofrem de uma cegueira histórico-sociológica que é caracterizada por três pontos básicos: (a) o desenvolvimento dessa mesma modernização ocidental como um processo autorreferencial, auto-subsistente, auto-suficiente, endógeno e autônomo, de modo que haveria a modernidade enquanto racionalização e todo o resto enquanto tradicionalismo, o que, por outro lado, não impede as teorias da modernidade de correlacionarem modernidade-modernização, racionalização, universalismo e gênero humano; (b) a separação entre modernidade cultural e modernização econômico-social, a primeira enquanto esfera puramente normativa e a segunda enquanto esfera basicamente instrumental, lógico-técnica, com o objetivo de salvar-se um conceito normativo de universalismo epistemológico-moral que se confunde com a própria modernidade cultural; e (c), como condição de tudo isso, o apagamento do e o silenciamento sobre o colonialismo enquanto uma consequência do desenvolvimento da modernização ocidental como um todo. Argumentamos que uma práxis decolonial latino-americana tem na denúncia, no desvelamento e na desconstrução dessa cegueira histórico-sociológica das teorias euronorcêntricas da modernidade em sua estilização do processo de modernização ocidental o ponto de partida epistemológico-político fundamental para constituir-se como alternativa ao paradigma normativo da modernidade, para fundar o seu (latino-americano) discurso filosófico-sociológico da modernização ocidental em sua correlação com o colonialismo
O teatro das relações n’As origens do pensamento grego de Vernant
In this study, dedicated specifically to The Origins of Greek Thought, we would like to show how Vernant’s analysis method of the different moments that defined the human’s history proceeds above all through the systematic examination of the constitutive relations that differentiated them as such or such. However, as its development is unfolded, we also believe that we can demonstrate the existence of a thought implicating a series of concepts that, from the perspective of a philosophical reflection, have inseparably bounded to them an understanding on the problem of the nature of action, as well as the relation between action and the sense or animation that it expresses in its performance. When defining the different elements and roles of a historical context, not as isolated terms in and by themselves, but through the complex state of interactions which they found themselves in, Vernant demonstrates to conceive a character as that which distinguishes itself for the actions he performs, but these actions, on the other hand, as an activity that solely differentiates as such or such together with what it’s interacting with. Furthermore, this condition has shown us to be accompanied by the capacity of action to express the constitutive relations that it entertains with its surroundings. Far from suggesting a timeless Form that could subsist indifferent to the changes happening at the level of the interactions between the elements of a network of relations, the animations expressed by its characters are autochtonous and varies at the same speed in which their activity transforms.Neste estudo, dedicado especificamente ao livro As Origens do Pensamento Grego, gostaríamos de mostrar como o método de análise de Vernant dos diferentes momentos que definiram a história humana procede, sobretudo, através do exame sistemático das relações constituintes que os diferenciaram como tal ou qual. Todavia, à medida que explicitado em seu desenvolvimento, acreditamos também poder demonstrar a existência de um pensamento implicando uma série conceitos que, do ponto de vista de uma reflexão filosófica, trazem inseparavelmente consigo uma compreensão sobre o problema da natureza da ação, assim como da relação entre uma ação e o sentido ou animação que ela exprime no seu exercício. Definindo os diferentes elementos e papéis de um contexto histórico, não isoladamente à maneira de termos em si e por si, mas a partir do complexo jogo de interações em que eles se encontram, Vernant demonstra conceber um personagem como aquilo que se caracteriza pelas ações que exerce, mas estas ações, por sua vez, como uma atividade que não se diferencia como tal senão juntamente àquilo com o qual ela interage. Ademais, tal condição mostrou-se para nós como acompanhada pela capacidade da ação de exprimir as relações constituintes que ela entretém com seu entorno. Longe de sugerir uma Forma atemporal que subsistiria indiferente às mudanças acontecendo ao nível das interações entre os elementos de uma rede de relações, as animações expressas pelos seus personagens são autóctones e variam na mesma velocidade que sua atividade se transforma
O problema da objetividade jornalística: duas perspectivas
As a fundamental value of the activity, journalistic objectivity has already been conceptually investigated by several academic studies whose results, although published in books and magazines in the area, did not change the way information consumers, journalists and even journalism teachers philosophically understand objectivity and, consequently, its application in the routines and procedures of journalistic practice. This article aims to carry out the bibliographic review of two important works by Brazilian authors that investigated the notion of objectivity. We will discuss Luiz Amaral’s work "The Objectivity of Journalism" and Wilson Gomes's work "Journalism, Facts and Interests", inventing his ways of understanding and discussing this fundamental notion of the activity philosophically.Como valor fundamental da atividade, a objetividade jornalística já foi investigada conceitualmente por diversos estudos acadêmicos cujos resultados, apesar de publicados em livros e revistas da área, não alteraram a maneira como consumidores de informação, jornalistas e até mesmo professores de jornalismo entendem filosoficamente a objetividade e, consequentemente, a sua aplicação nas rotinas e procedimentos da prática jornalística. Este artigo tem o objetivo de realizar a revisão bibliográfica de dois importantes trabalhos de autores brasileiros que investigaram a noção de objetividade. Vamos discutir as obras “A objetividade jornalística”, de Luiz Amaral e “Jornalismo, fatos e interesses”, de Wilson Gomes, inventariando as suas maneiras de compreender e também debater filosoficamente essa noção fundamental para a atividade