Griot : Revista de Filosofia
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    A tese da transparência do sentido segundo Frege e Dummett

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    We present in the present paper the role of the thesis of the transparency of content in Frege and Dummett's thought, in order to reveal the reasons of these authors to adhere to such thesis. The first part of the text is dedicated to Frege. In this part it is shown that the thesis of transparency underlies Frege's understanding of his criteria for equality of sense, and that the transparency of sense acts as a premise in one of his arguments in favor of the introduction of the notion of sense. The second part is dedicated to Dummett. At first, we shall see how he reconstructed a Fregean argument in favor of the distinction between sense and reference. In this reconstruction, the transparency of meaning is characterized by opposition to the opacity of reference. In the last movement of the text, we describe how, for Dummett, the thesis of transparency must be understood in the light of the equivalence between meaning and knowledge.Apresentamos no presente texto o papel da tese da transparência do conteúdo nas concepções de sentido de Frege e Dummett, a fim de revelar as razões desses autores para aderir a tal tese. A primeira parte do texto é dedicada a Frege. Nessa parte mostra-se que a tese da transparência subjaz ao modo como Frege entendeu seus critérios para a igualdade de sentido, e que a transparência do sentido atua como premissa em um de seus argumentos em favor da introdução da noção de sentido. A segunda parte é dedicada a Dummett. De início, veremos como ele reconstruiu um argumento fregeano em favor da distinção entre sentido e referência. Nessa reconstrução a transparência do sentido é caracterizada por oposição à opacidade da referência. No último movimento do texto, descrevemos como, para Dummett, a tese da transparência deve ser entendida à luz da equivalência entre significado e conhecimento. &nbsp

    A reflexão epistemológica de Habermas e a sua proposta de racionalidade comunicativa

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    Jürgen Habermas is a modern thinker who presents us with a rationality capable of creating spaces of freedom that correspond to the ideals of social emancipation that have always crossed the horizon of Western modernity. Through several studies by this author, including critical contributions to his theory, we will develop his epistemological reflection and his relevant contribution to the renewal of German critical theory. We will begin by presenting his critique on positivism, and then summoning the dispute with Gadamer about hermeneutics. Habermas adopts hermeneutics, albeit with some criticism, as a facilitator of self-reflection that allows revealing to social sciences the errors of both objectivist social science and vulgar analysis of language. We will follow this thinker's perspective on the interests that guide knowledge and, finally, we will take into account his theory of communicative rationality, which stresses Habermas's universalist optimism, based on a healthy pluralism that allows human consensus.Jürgen Habermas es un pensador moderno que nos presenta una racionalidad capaz de crear espacios de libertad que corresponden a los ideales de la emancipación social que siempre han cruzado el horizonte de la modernidad occidental. A través de varios estudios de este autor, incluidas las contribuciones críticas a su teoría, desarrollaremos su reflexión epistemológica y su contribución relevante a la renovación de la teoría crítica alemana. Comenzaremos presentando su crítica del positivismo y luego convocando la disputa con Gadamer sobre la hermenéutica. Habermas adopta la hermenéutica, aunque con algunas críticas, como un facilitador de la autorreflexión que permite revelar a las ciencias sociales los errores tanto de las ciencias sociales objetivistas como del análisis vulgar del lenguaje. A continuación se presenta la perspectiva de este pensador sobre los intereses que guían el conocimiento y, finalmente, abordaremos la teoría de la racionalidad comunicativa, que afirma el optimismo universalista de Habermas, basado en un pluralismo saludable que permite el consenso humano.Jürgen Habermas é um pensador moderno que nos apresenta uma racionalidade capaz de criar espaços de liberdade que correspondem aos ideais de emancipação social que sempre cruzaram o horizonte da modernidade ocidental. Através de vários estudos deste autor, incluindo contributos críticos à sua teoria, iremos desenvolver a sua reflexão epistemológica e a sua relevante contribuição para a renovação da teoria crítica alemã. Começaremos por apresentar a sua crítica ao positivismo, para depois convocar a disputa que protagonizou com Gadamer em torno da hermenêutica. Habermas adota a hermenêutica, ainda que com algumas críticas, como facilitadora de autorreflexão que permita revelar às ciências sociais os erros quer da ciência social objetivista, quer da análise vulgar da linguagem. Segue-se a perspetiva deste pensador acerca dos interesses que orientam o conhecimento e, por fim, empreenderemos uma abordagem à teoria da racionalidade comunicativa, que afirma o otimismo universalista de Habermas, assente num saudável pluralismo que permite o consenso humano

    A dialética das tradições de pesquisa de Alasdair Macintyre

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    Known mainly for his rescue of Aristotelian-inspired virtue ethics, Alasdair MacIntyre is responsible for the creation of a sophisticated theory of rationality and the conflict between rival perspectives, built on an understanding of the concept of traditions of enquiry. MacIntyre’s view is clearly inspired on discussions from the philosophy of science, with which it shows important points of convergence, but it strays away from them in some fundamental issues, presenting itself as a peculiar kind of dialectics of  traditions of rational enquiry, wich by itself presents a wider scope than that of the traditional theories of science. Such traditions replace, for MacIntyre, units exhibited in current debates, such as theories, paradigms, research programs, and conceptual schemes. Even although he deals with themes such as epistemic crises and transitions between perspectives, MacIntyre’s emphasis is rather on the conflict, sometimes continuous, between rival traditions, which allows for a distinctive approach in the face of problems such as that of epistemic progress. The general lines of the MacIntyrean program are here shown, and a special emphasis is put on its approximations and divergences relatively to the canons of the aforementioned discussions.Conhecido principalmente por seu resgate da ética das virtudes de inspiração aristotélica, Alasdair MacIntyre é responsável pela criação de uma sofisticada teoria da racionalidade e do confronto entre perspectivas rivais, elaborada sobre uma compreensão acerca do conceito de tradições de pesquisa. A visão de MacIntyre claramente se inspira em discussões oriundas da filosofia da ciência, com as quais mostra importantes pontos de convergência, mas se afasta consideravelmente delas em alguns pontos fundamentais, apresentando-se como uma espécie peculiar de dialética das tradições de pesquisa racional, que por si apresenta um escopo de aplicação mais vasto que o das tradicionais teorias da ciência. Tais tradições substituem, para MacIntyre, unidades presentes nos debates correntes, tais como as teorias, os paradigmas, os programas de pesquisa e os esquemas conceituais. Embora lide com temas como o das crises epistêmicas e o das transições entre perspectivas prima facie incomensuráveis, a ênfase de MacIntyre, é sobre o conflito, por vezes contínuo, entre tradições rivais, o que permite uma abordagem diferenciada face a problemas como o do progresso epistêmico. Trata-se aqui de exibir as linhas gerais do programa macintyreano, abordando de modo particular as aproximações e afastamentos em relação aos cânones das discussões referidas

    A naturalização da fenomenologia como proposta de solução do paradoxo da ficção

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    Starting from the precept that emotions need to be directed to real objects, or at least believed to be real, the paradox of fiction points to the irrationality of emotions stemming from fictional narratives. Since different methodologies meet this dilemma and have been dealing with its solution since its identification, a possible solution would be to associate findings and theories of different currents in the search for a more complete solution of the problem. By proposing the naturalization of phenomenology as an aid in the formulation of an elucidation, this article investigates naturalization not as a substitution of cognitive theories in phenomenology, but as a collaboration between areas that approach identical problems in different ways and may facilitate a resolution of the paradox. As a result of the approximation between investigations by subjectivity and empiricism, an opportunity for experiment design is identified that intends to broaden the knowledge needed to solve the paradox.Partindo do preceito que emoções precisam ser direcionadas a objetos reais, ou ao menos que se acredite serem reais, o paradoxo da ficção aponta a irracionalidade de emoções provindas de narrativas ficcionais. Visto que metodologias diferentes encontram esse dilema e têm se ocupado de sua solução desde sua identificação, uma possibilidade de resolução seria a de associar descobertas e teorias de diferentes correntes na busca por uma solução mais completa do problema. Pela proposta de naturalização da fenomenologia como auxílio na formulação de uma elucidação, esse artigo investiga a naturalização não como uma substituição das teorias cognitivas na fenomenologia, mas como uma colaboração entre áreas que abordam, por caminhos diferentes, problemas idênticos e que podem facilitar uma resolução do paradoxo. Como resultado da aproximação entre as investigações pela subjetividade e pelo empirismo identifica-se uma oportunidade de design de experimentos que  tenciona ampliar o conhecimento necessário para a solução do paradoxo

    Themata e pathosformeln: quando a história da ciência e a história da arte revelam afinidades conceptuais

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    This article presents a comparative analysis of two concepts proposed and developed in two very different areas: the concept of themata, proposed by Gerald Holton in the area of ​​the history of science and related to the processes of production and diffusion of scientific knowledge, and the concept of Pathosformeln, proposed by Aby Warburg in the area of  history of art and related to some important historical and epochal continuities of artistic production. Despite the very different disciplinary contexts in which they were proposed, and despite the specificities that naturally ensure the identity of each of the concepts, it is shown in this article how themata and Pathosformeln have undeniable and important affinities. In fact, both correspond to entities that have a long historical persistence, a cyclical nature, and a great disciplinary, cultural and epochal transversality, in conjunction with a great capacity to assume specific forms at a given time and in a given context. Despite the roots in very different areas, the affinities are strong enough to recognize that themata and Pathosformeln belong to a conceptual network with great potential for understanding, not only the science and art, but also the historical and transdisciplinary dynamics of culture in general.Este artigo apresenta uma análise comparativa de dois conceitos propostos e desenvolvidos em duas áreas muito distintas: o conceito de themata, proposto por Gerald Holton na área de história da ciência para dar conta dos processos de produção e difusão do conhecimento científico, e o conceito de Pathosformeln, proposto por Aby Warburg na área de história da arte para dar conta de importantes continuidades históricas e epocais da produção artística. Apesar dos contextos disciplinares tão distintos em que foram propostos, e apesar das especificidades que naturalmente asseguram a identidade própria de cada um dos conceitos, mostra-se neste artigo como themata e Pathosformeln têm inegáveis e importantes afinidades. De facto, ambos correspondem a entidades dotadas de longa persistência histórica, natureza cíclica e grande transversalidade disciplinar, cultural e epocal, em conjugação com uma grande capacidade de assumir formas específicas numa determinada época e num determinado contexto. Apesar de terem raízes em áreas muito distintas, as afinidades são suficientemente fortes para reconhecer aos themata e às Pathosformeln a pertença a uma mesma rede conceptual com grande potencialidade para a compreensão, não apenas da ciência e da arte, mas também das dinâmicas históricas e transdisciplinares da cultura em geral

    A liberdade como causalidade da razão pura: entre o formalismo da lei e a sua aplicação à natureza

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    The present paper brings a reading of Immanuel Kant's Critique of Practical Reason (1788), seeking support on two central axes: a) the formulation of the categorical imperative; b) the doctrine of the fact of reason. The choice of this course supports the position that, despite the innumerable formulations given to the imperative of morality throughout the GMS, there would be, in the terms of the second Critique, a clearer and more precise formulation of this principle. Regarding the doctrine of the fact of reason, it will be treated in two ways: on the one hand, from an attempt to reconstruct Kant's original theses, based on the philosopher's textual course; on the other, showing to what extent this doctrine represents a change of position in relation to the impossibilities found in the GMS. The aim will be to show how Kant fails to engage in the task of analytically deducing the concept of freedom from the concept of will, and the appeal to the fact of reason is precisely the distinguishing feature of this change. From this, it will be concluded that not only pure reason can be practical, but only pure reason, not empirically constrained reason, is unconditionally practical. Finally, we will talk about the distinction between will and arbitrariness, emphasizing its meaning for the understanding the concept of autonomy and its relation to Kant's concept of anthropology and human nature.Seguiremos com a leitura da Crítica da razão prática (1788), de Immanuel Kant (1724-1804), buscando apoio em dois eixos centrais: a) a formulação do imperativo categórico; b) a doutrina do fato da razão. A escolha desse percurso sustenta a posição de que, não obstante as inúmeras formulações dadas ao imperativo da moralidade ao longo da Fundamentação, haveria, nos termos da segunda Crítica, uma formulação mais clara e precisa desse princípio. Em relação à doutrina do fato da razão, a mesma será tratada em dois sentidos: de um lado, a partir de uma tentativa de reconstrução das teses originais de Kant, com base no percurso textual do filósofo; de outro, mostrando em que medida essa doutrina representa uma mudança de posição em relação às impossibilidades encontradas na FMC. O objetivo, com efeito, será o de mostrar como Kant deixa de ocupar-se da tarefa de deduzir analiticamente o conceito de liberdade a partir do conceito de vontade, sendo, precisamente, o apelo ao fato da razão o traço distintivo dessa mudança. Disso se concluirá que não apenas a razão pura pode ser prática, mas que só ela, e não a razão restringida empiricamente, é incondicionalmente prática. De saída, falaremos da distinção entre vontade e arbítrio, ressaltando seu significado para a compreensão do conceito de autonomia face à antropologia e à natureza humana

    A constituição hermenêutica filosófica das ciências humanas em Hans-Georg Gadamer

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    This article aims to analyze, from the work Truth and Method, as main perspectives that can support a hermeneutic philosophical device inherent as human sciences. The main hypothesis is that Gadamer develops a non-methodological reflection for human sciences guided by the inextricable relationship between critical hermeneutics and language, understood as the dialogic way of interpreting interpretation. To develop such a hypothesis, three moments are relevant: the first moment presents Gadamer's non-methodological path from the appropriation of the concepts of touch, game and art. In the second moment, the security or maturation of hermeneutic devices in the human sciences, based on the notion of hermeneutics of fatality developed by Heidegger. In the third moment, use the approximation between hermeneutics and language as a point of dialogue with tradition, thus bringing it to the fore of the historic and effective conscience. It was concluded that the hermeneutic constitution of the human sciences has as main objective to prepare a hermeneutic conscience.O presente artigo tem como objetivo analisar, a partir da obra Verdade e Método, as principais perspectivas que dão fundamentação para a tese gadameriana de uma hermenêutica filosófica inerentes as ciências humanas. A hipótese principal é que Gadamer desenvolve uma reflexão não-metodológica para as ciências humanas guiada pela relação inextricável entre hermenêutica crítica e a linguagem, entendida como o modo de ser dialógico da interpretação. Para desenvolver tal hipótese, três momentos são relevantes: primeiro momento apresenta o caminho não-metodológico de Gadamer a partir da apropriação dos conceitos de tato, do jogo e da arte. No segundo momento, avança sobre o amadurecimento gadameriano da hermenêutica das ciências humanas a partir da noção de hermenêutica da faticidade desenvolvida por Heidegger. No terceiro momento, constitui a aproximação entre hermenêutica e linguagem como ponto de diálogo com a tradição, fazendo-se, assim, aflorar a consciência história efeitual. Conclui-se que a constituição da hermenêutica das ciências humanas tem por objetivo principal preparar para uma consciência hermenêutica

    Cálculo e medida na transição de o nascimento da tragédia para Humano, demasiado humano: as paixões como questão

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    The following article is about the notions of calculation and measurement in Nietzsche’s work, to be more precise, in the transition between his first works and his intermediate one. Our intention is elucidating how these notions that sound little Dionysian – and, as consequence, little nietzschean – can be part of the entirety of the Nietzsche’s work, and more, be essentials to understanding of his thought. To achieve this objective, he shares with us his idea of “to create ourselves as work of art”. Lastly, we try make clear that when we introduce those notions as calculation and measurement in nietzschean philosophy, that would never make him seems a rationalist or moralist philosopher, i.e., someone that show and sets conduct rules considerate appropriate.O presente artigo discute as noções de cálculo e medida na obra de Nietzsche, mais especificamente na transição do seu período inicial para o período intermediário. Com isso, nossa intenção é explicitar como tais noções que soam tão pouco dionisíacas – e consequentemente, nietzschianas – podem fazer parte do conjunto da obra de Nietzsche e, mais ainda, serem essenciais para a compreensão de seu pensamento. Para que esse objetivo fosse alcançado, foram necessários os desdobramentos de conceitos como paixões e criação na obra nietzschiana, fazendo reaparecer características do conceito de apolíneo, que são praticamente despercebidos uma vez que o filósofo combina seus dois conceitos anteriores. Porém, ao fazer isso, ele compartilha conosco sua ideia de “criar a si mesmo como obra de arte”. Por fim, tentamos deixar claro que quando introduzimos tais noções como cálculo e medida em sua filosofia, isso jamais o faz parecer um filósofo racionalista ou moralista, isto é, alguém que busque apresentar e estabelecer determinadas regras e normas de conduta consideradas apropriadas

    Da disciplina à necropolítica, o papel do trabalho e da seguridade em Foucault e na atualidade

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    The transition of the worker (European) from the Middle Ages to the Modern forced the bourgeois means of production to create ways of positivizing the culture of labour. Beyond the ideologies and misery, themselves, as promoters of the work culture, what we intend in this article is to highlight the role of social security as instruments of subjectivation and normalization, originally disciplinary; using a Foucauldian reading of the theme. We will start from how disciplinary techniques have adjusted workers' bodies to work and have fixed them with the help of pension funds, until we come to the current understanding of social security reforms and counter-reforms as a result of what has today been recognized as a necropolitics. Currently, no longer only of European workers (but global), seen as something that in the name of a biopolitics has become this ultra-defence of life. A defence that, on the edge, would justify even the death of a large part of the population. Therefore, we have the passage from biopolitics to necropolitics. And in the same order, we have the passage of a social security system which is no longer made for the aid or the fixation of the worker, but for the management of the use and disposal (death itself) of this same subject in the labour market.A transição do trabalhador (europeu) da Idade Média para a Moderna forçou os meios de produção burgueses a criarem modos de positivar a cultura do trabalho. Para além das ideologias e da própria miséria como impulsionadores da cultura do trabalho, o que pretendemos neste artigo é jogar luz sobre o papel das previdências como instrumentos de subjetivação e normalização, originalmente disciplinares; utilizando então uma leitura foucaultiana do tema. Partiremos do como as técnicas disciplinares ajustaram os corpos trabalhadores para o trabalho e fixaram-nos com o auxílio das caixas previdenciárias, até chegarmos à compreensão atual das reformas e contrarreformas previdenciárias como resultados disto que tem sido reconhecido hoje como uma necropolítica. A atualidade, não mais apenas dos trabalhadores europeus (mas globais), vista então como algo que em nome de uma biopolítica se converteu nesta ultradefesa da vida. Uma defesa que, no seu limite, justificaria até mesmo a morte de larga parcela da população. Temos então a passagem da biopolítica para a necropolítica. E na mesma ordem, temos a passagem de um sistema previdenciário que não é mais feito para o auxílio ou a fixação do trabalhador, mas para a gestão do uso e do descarte (propriamente a morte) deste mesmo sujeito frente ao mercado de trabalho

    A virtude não se ensina, se evoca: uma reflexão sobre arete e paideia em Martin Heidegger

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     Accepting Heidegger’s call for “another beginning”, from greek original thought, this essay rethinks the notions of paideia and arete. We impose over the paideia over investigated by Werner Jaeger, Heidegger’s own interpretation, as well as Danielle Montet. Arete is reexamined through a new light brought by Antonio Caeiro’s new work on the subject. Well prepared by unusual thoughts of these thinkers on paideia and arete, we venture to reopen the debate on the possibility or not that virtue could be taught. Our conclusion is along with Socrates that definitely virtue cannot be taught, at least not at all as the sophists and “modern” thinkers and educators pretend, but yes, of course, there can be a paideia of arete.Atendendo ao chamado de Heidegger por “outro início”, desde o pensamento originário grego, são reconsideradas as noções de paideia e de arete. À paideia exaustivamente investigada por Werner Jaeger é imposta a interpretação do próprio Heidegger e de Danielle Montet. Enquanto a arete é reexaminada através de uma nova luz lançada pela obra de António Caeiro. Enfim, devidamente preparado pelo pensamento inusual destes pensadores sobre paideia e arete, se reabre o debate sobre a possibilidade ou não da virtude ser ensinada. Concluímos com Sócrates que definitivamente ela não pode ser ensinada, não ao modo pretendido dos sofistas e dos “modernos” pensadores e educadores, mas que sim há certamente possibilidade de uma “paideia da arete”

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