Griot : Revista de Filosofia
Not a member yet
    709 research outputs found

    Hegel e a certeza sensível

    Full text link
    The purpose of this article is to follow a precise period of the trajectory of the experience of consciousness in Hegelian philosophy.  It was chosen the subsection “sense-certainty or this or the aiming” of the Phenomenology of Spirit as standpoint. In a first moment, the aspects that Hegel calls “natural conscience”, based on his “immediate knowledge” are underscored. Since such perspective, it is analyzed the cognitive-instrumental relationship between consciousness and the object of consciousness, notably when the object is considered essential, namely, as "This". In as much as it is targeted, the “This” reveals itself as an “This-here-now” as something that carries itself its negation, that is, the “this" has the role of a mediation process anchored in the universality contained in the particularity. This notion of universal imposes on the “immediate conscience” a set of premises that it could not accept under the risk of being mischaracterized. The main aspect amid them concerns the impossibility of saying what its object is and, therefore, aspiring to constitute itself as knowledge. Finally,  it is highlighted that the failure of this first form of knowledge that calls itself a “certainty” exposes the pedagogical character of the dialectical procedure developed in the Phenomenology of the Spirit: the consciousness improves itself with its own illusions, losing itself under the immanence of its experiences, its failures and the process of overcoming, upon on the act of experiencing.El propósito de este artículo es seguir parte de la trayectoria de la experiencia de la conciencia en la filosofía hegeliana, tomando como punto de incisión el inciso “La certeza sensible o el ‘esto’ y la ‘suposición” de la Fenomenología del Espíritu. En un primer momento, intentaremos exponer lo que Hegel llama "conciencia natural", a partir de su llamado "conocimiento inmediato". Con esto, analizaremos la relación cognitivo-instrumental tejida entre la conciencia y el objeto de la conciencia, especialmente cuando el objeto se considera esencial, es decir, como “Esto”. Al ser apuntado, el “Esto” se revela como un “Esto-aquí-ahora”, como algo que lleva consigo su negación, es decir, como un proceso de mediación anclado en la universalidad contenida en la particularidad. Esta noción de universal impone a la “conciencia inmediata” una serie de premisas que no podría aceptar bajo el riesgo de ser mal caracterizada. La principal se refiere a la imposibilidad de decir su objeto y, por tanto, de aspirar a constituirse en conocimiento. Finalmente, destacamos que el no instruir esta primera forma de conocimiento que se autodenomina una “certeza” expone el carácter pedagógico del procedimiento dialéctico desarrollado en la Fenomenología del Espíritu: el de la conciencia que se perfecciona con las ilusiones que pierde en la inmanencia de sus experiencias, de sus fracasos y superación, es decir, en el acto mismo de experimentar.Le but de cet article est de suivre une partie de la trajectoire de l'expérience de la conscience dans la philosophie hégélienne, en prenant comme point d'incision la sous-section « La Certitude sensible: le Ceci et ma visé du Ceci” de la Phénoménologie de l'Esprit. Dans un premier temps, nous tenterons d'exposer ce que Hegel appelle la «conscience naturelle», sur la base de sa soi-disant «connaissance immédiate». Avec cela, nous analyserons la relation cognitivo-instrumentale tissée entre la conscience et l'objet de la conscience, notamment lorsque l'objet est considéré comme essentiel, à savoir comme «Ceci». Lorsqu'il est ciblé, le «ceci» se révèle comme un «ceci-ici-maintenant», comme quelque chose qui porte avec lui sa négation, c'est-à-dire comme un processus de médiation ancré dans l'universalité contenue dans la particularité. Cette notion d'universel impose à la «conscience immédiate» une série de prémisses qu'elle ne saurait accepter sous peine d'être déformée. Le principal concerne à l'impossibilité de dire son objet et, par conséquent, d'aspirer à se constituer en savoir. Enfin, nous soulignons que l’échec instructif de cette première forme de connaissance qui se qualifie de «certitude» expose le caractère pédagogique de la procédure dialectique développée dans la Phénoménologie de l'Esprit: celle de la conscience qui se perfectionne avec les illusions qu'elle perd dans l'immanence de leurs expériences, leurs échecs et leurs dépassements, c'est-à-dire dans l'acte même de faire l’expérience.O objetivo deste artigo consiste em acompanhar parte da trajetória da experiência da consciência na filosofia hegeliana, tomando como ponto de incisão a subseção “Certeza-sensível ou o isto ou o visar” da Fenomenologia do Espírito. Num primeiro momento, trataremos de expor o que Hegel denomina “consciência natural”, tomando por base seu dito “saber imediato”. Com isso, analisaremos a relação cognitivo-instrumental tecida entre a consciência e o objeto da consciência, notadamente quando o objeto é posto como essencial, a saber, como o “Isto”. Ao ser visado, o “Isto” revela-se como um “Isto-aqui-agora”, como algo que traz em si sua negação, isto é, como um processo de mediação ancorada na universalidade contida na particularidade. Essa noção de universal impõe à “consciência imediata” uma série de premissas que esta não poderia aceitar sob o risco de se descaracterizar. A principal dentre elas diz respeito à impossibilidade de dizer seu objeto e, por conseguinte, de aspirar a constituir-se enquanto conhecimento. Por fim, destacamos que o malogro instrutivo dessa primeira forma de saber que denomina a si mesmo uma “certeza” expõe o caráter pedagógico do procedimento dialético desenvolvido na Fenomenologia do Espírito: o da consciência que se aperfeiçoa com as ilusões que perde na imanência de suas experiências, de seus fracassos e superações, isto é, no próprio ato de experienciar

    Finitude e personalização: a escolha original em Sartre

    Full text link
    This article aims to analyze in Sartre's philosophy the notion of personalization. Inserted in the framework of existential psychoanalysis, this notion elucidates about the original choice and the existential project. Since his first works, Sartre has presented an impersonal transcendental conscience, so that freedom as nadification is independent of psychic life. We want to demonstrate that from the development of existential psychoanalysis freedom is not separated from the notion of personalization, but presupposes it due to the finitude condition of freedom. In this case, although it presupposes an impersonal transcendental field, freedom can only be apprehended concretely through personalization. This presupposes a necessary relationship between ontology and existential psychoanalysis in the elucidation of freedom, history, and the man.Este artigo tem por objetivo analisar na filosofia de Sartre a noção de personalização. Inserida nos quadros da psicanálise existencial, tal noção nos esclarece acerca da escolha original e do projeto existencial. Desde seus primeiros trabalhos Sartre nos apresenta uma consciência transcendental impessoal, de modo que a liberdade como nadificação é independente da vida psíquica. O que queremos demonstrar é que a partir do desenvolvimento da psicanálise existencial a liberdade não é separada da noção de personalização, mas a pressupõe devido à condição de finitude da liberdade. Neste caso, embora pressuponha um campo transcendental impessoal, a liberdade só é apreensível concretamente a partir da personalização. Isso pressupõe uma relação necessária entre a ontologia e a psicanálise existencial na elucidação da liberdade, da história, do homem

    A história e o impossível: Walter Benjamin e Derrida

    Full text link

    A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin, como experimento de pensamento: uma investigação do fazer literário como fazer filosófico

    Full text link
    This essay intersects literature and epistemology in order to understand what it means to take “The left hand of darkness” (1969), as proposed by the author Ursula K. Le Guin, as a thought experiment. As we look at Science Fiction as a literary genre and how it relates to the notion of thought experiment, we conclude that Science Fiction authors, through the imaginary displacement they perform as they create people, worlds, political organizations, and explore the relations between subjects within these imaginary structures, also draw thought experiments that are able to deal with important aspects of the human experience.O presente trabalho se configura em um diálogo entre as áreas da literatura e da epistemologia para compreender o que significaria entender “A Mão Esquerda da Escuridão” (1969) como um experimento de pensamento. Ao aproximarmos a ficção científica enquanto gênero da noção de experimento de pensamento, concluímos que o deslocamento imaginativo realizado por autores de ficção científica, ao inventar pessoas, mundos, diferentes organizações políticas, e ao explorar, também, relações entre sujeitos dentro dessas estruturas e organizações sociais, elaboram experimentos de pensamento capazes de lidar com importantes aspectos da experiência humana

    Dissonâncias e ressonâncias da filosofia kantiana sobre a filosofia de Maine de Biran

    Full text link
    The purpose of this paper is to question the legitimacy of the intervention that determines Kant's philosophy over Maine's philosophy of Biran. We will maintain, in this research, that Biranism is not a kind of Kantism and that the French philosopher's oppositions to the German philosopher are more striking than the apparent compatibility between them. To prove this proposition, we will demonstrate that the Biranian theses are essentially Biranian, contesting the words of our Lachelier that “Maine de Biran is Kant”, and also that Maine de Biran was never a Kantian in strict sense, following a path opposite to that of the German philosopher, distancing himself from his philosophy and from any determinant influence of Kant.O objetivo deste artigo é questionar a legitimidade da intervenção determinante da filosofia de Kant sobre a filosofia de Maine de Biran. Sustentaremos, nesta pesquisa, que o biranismo não é uma espécie de kantismo e que as oposições do filósofo francês ao filósofo alemão são mais contundentes do que as aparentes compatibilidades entre elas. Para comprovar essa proposição, demonstraremos que as teses biranianas são essencialmente biranianas, contestando as palavras de Lachelier de que “Maine de Biran é o nosso Kant”, e, também, que Maine de Biran nunca foi um kantiano em stricto sensu, seguindo uma via oposta à do filósofo alemão, distanciando-se de sua filosofia e de qualquer influência determinante de Kant

    A soberania do discurso em Górgias: persuasão e engano

    Full text link
    Logos is a central Greek term for the construction of the sophistic movement. Gorgias de Leontinos, one of the main representatives of the first generation of this movement, proposed to reflect, in Elogio de Helena, about the discourse as a great and sober master, able to produce persuasion in Helena and denouncing this persuasive power at the same time. In the first part of this study, we intend to situate logos as a producer of experiences in its listener, which is important in understanding the persuasive power. In the second part, the fabrication of experiences, different from persuasion, is identified with a fictitious reality produced due to voluntary deception. Because this experience of deception is voluntary, the reason for the sovereignty of logos is for Gorgias, in which speech, in addition to persuading, can serve as a possible instrument for the fabrication of learning, whose artistic experience his own text exemplifies.Lógos é termo grego central para a construção do movimento sofístico. Górgias de Leontinos, um dos principais representantes da primeira geração desse movimento, propôs-se a refletir, em Elogio de Helena, sobre o discurso como um grande e soberano senhor, capaz de ao mesmo tempo produzir persuasão em Helena e denunciar esse poder persuasivo. Na primeira parte deste estudo, pretendemos situar o lógos como fabricador de vivências em seu ouvinte, o que sugere a compreensão do poder persuasivo. Na segunda parte, a fabricação de vivências, diferente da persuasão, se identificará com uma realidade fictícia produzida devido ao engano voluntário. Por ser voluntária essa experiência do engano, o motivo da soberania do lógos está para Górgias, em que o discurso, além de persuadir, pode servir como instrumento possível para a fabricação de aprendizados, cuja experiência artística o seu próprio texto exemplifica

    Medo: o novo mal-estar da humanidade

    Full text link
    Uncertainty, insecurity and vulnerability have become commonplace in contemporary societies. This article aims an interdisciplinary reflection on the social and political construction of fear in liquid modernity. Zygmunt Bauman, Leonidas Donskis, Martha Nussbaum, Hannah Arendt, Ulrich Beck, Boaventura de Sousa Santos, Bernard Henri-Levy and Umberto Eco are some of the authors that we will put into dialogue to better understand the multiple narratives of fear in an era deeply marked by destruction social certainties, the worsening of social inequalities, the logic of predatory capitalism, the resurgence of nationalisms of exclusion, as well as ethnic-cultural particularisms, which move from xenophobic and racist discourses and, finally, new risks , such as ecological degradation and the pandemic COVID19, which currently plagues contemporary societies and domesticates social behaviors.Incerteza, insegurança e vulnerabilidade tornaram-se lugares comuns nas sociedades contemporâneas. Este artigo pretende uma reflexão interdisciplinar sobre a construção social e política do medo na modernidade líquida. Zygmunt Bauman, Leonidas Donskis, Martha Nussbaum, Hannah Arendt, Ulrich Beck, Boaventura de Sousa Santos, Bernard Henry-Levy e Umberto Eco são alguns dos autores que iremos colocar em diálogo para melhor compreender as múltiplas narrativas do medo numa era profundamente marcada pela destruição das certezas sociais, pelo agravamento das desigualdades sociais, pelas lógicas de um capitalismo predador, pelo ressurgimento de nacionalismos de exclusão, bem como de particularismos étnico-culturais, que se movem a partir de discursos xenófobos e racistas e, por fim, pelos novos riscos, como a degradação ecológica e como a pandemia COVID19, que atualmente assola as sociedades contemporâneas e domestica os comportamentos sociais

    Sobre as paixões humanas em Thomas Hobbes

    Full text link
    The article aims to identify as the main passions that run through the Hobbesian theoretical corpus. To this end, the exhibition will begin by analyzing the mechanism of the passions founded by the author. Next, it will be highlighted how unbridled passions make peaceful coexistence between individuals unfeasible, establishing a scenario in which conflicts are inevitable. Two passions will be analyzed in more detail: vainglory and fear. After emphasizing that the Hobbesian man tends naturally to his own benefit, to competition and to domination, representing a threat to the other, it will be pointed out how the State asserts itself as the necessary that aims to discipline like passions. This part of the argument will analyze as desirable passions for the maintenance of civil life, with emphasis on hope, the desire for comfort and delight, the desire for knowledge and the arts, as well as for fear and vainglory itself.O artigo tem como objetivo identificar as principais paixões que perpassam o corpus teórico hobbesiano. Para tanto, iniciar-se-á a exposição analisando o mecanismo das paixões fundamentado pelo autor. A seguir, será destacado de que modo as paixões desenfreadas inviabilizam a convivência pacífica entre os indivíduos, estabelecendo um cenário em que os conflitos são inevitáveis. Tendo isto em vista, duas delas serão analisadas mais pormenorizadamente: a vanglória e o medo. Após ressaltar que o homem hobbesiano tende naturalmente para o benefício próprio, para a competição e para a dominação, representando uma ameaça para o outro, será assinalado como o Estado se afirma como o artifício que objetiva disciplinar as paixões. Esta parte da argumentação analisará as paixões desejáveis para a manutenção da vida civil, com destaque para a esperança, para o desejo de conforto e deleite, para o desejo de conhecimento e das artes, assim como para o próprio medo e a vanglória

    Corpo, cotidiano e reprodução: considerações sobre o neoliberalismo a partir de Silvia Federici

    Full text link
    This paper seeks to present in detail Silvia Federici's considerations about neoliberalism, having as a center of discussion the way in which the body, reproduction and daily life are mobilized by the author. In this perspective, a materialistic condition of the way of becoming possible of individuals will be presented to the extent that we are fundamentally bodies whose connection to social totality is mediated by rooting in the situated particularity of daily life. Therefore, also dialoguing with other authors such as Simone de Beauvoir, Rosa Luxemburgo and Henri Lefebvre, it is a question of presenting the development of a perspective that places the daily reproduction of life as a central productive force for the social being and, sedimented as habits in the body, produces and reproduces ways of being, the basis from which considerations about neoliberal logic will be understood, and thus, the importance of Federici’s feminist critical approach to the capitalist mode of production will be marked.Este trabalho busca apresentar em detalhes as considerações de Silvia Federici sobre o neoliberalismo, tendo como centro de discussão a forma em que as noções de corpo, reprodução e cotidiano são mobilizados pela autora. Nesta perspectiva, será apresentada uma condição materialista do modo de vir a ser possível dos indivíduos na medida em que somos fundamentalmente corpos cuja ligação à totalidade social se dá mediada pelo enraizamento na particularidade situada do cotidiano.  Assim, dialogando ainda com outros autores tais como Simone de Beauvoir, Rosa Luxemburgo e Henri Lefebvre, trata-se de apresentarmos o desenvolvimento de uma perspectiva que coloca a reprodução cotidiana da vida como uma força produtiva central para o ser social e, sedimentada como hábitos no corpo, produz e reproduz modos de ser, base a partir da qual as considerações sobre a lógica neoliberal serão compreendidas, assim como ficará marcada a importância da abordagem crítica feminista de Federici em relação ao modo de produção capitalista

    Da concomitância entre direitos humanos e direito: sobre a base fundacional da democracia como um sistema público de direito com caráter antifascista

    Full text link
    The paper aims to clarify the sense of contemporary fascism, particularly from the example of the Brazilian Bonsolarism, defining it as an anti-systemic, anti-institucional, anti-juridical and infralegal perspective with a personalist, devoted, voluntarist, spontaneous and militant character which starts from inside judiciary and in terms of subversion of the relation among law, politics and moral, and that, by means of politicization and partisanship of law, branches to the political system, serving as instrument to the fratricide political war among parties, from there linking to civil society in the form of constitution of a digital-social mass-militia of acclamation oriented to an anti-systemic posture. In this dynamic, the fascism has two constitutive and streamlining cores: on one side, it subverts the correlation of human rights and law, delegitimizing and truly destroying the ontogenetic primacy, the separation, the differentiation, the self-referentiality and the overposition of law in relation to politics and moral, as the subsidiarity of them regarding law; on other, it leads to the deconstruction from inside to judiciary and political system of the highly institutionalist, legalist, technical, formal and depersonalized perspective which is proper to them, eliminating the centrality of the judiciary and, them, delegitimizing its regulator role regarding to political system and to the social dialectics, normalizing the totalizing regression caused by political-moral colonization of the democratic law. By reconstructing the pluralist and universalist democracy’s meta-normative and generative basis as a public system of law, that is, the co-originality of universality of human rights, pluralism and law, the condition of ontogenetic primacy, independence, self-subsistence and overposition of law in relation to politics and moral, as the subsidiarity of these regarding to law, we will point to the renewal of this systemic, systematic, procedural, mediated, instancial, progressive and publicized perspective of the public system of law, in the interrelation, separation and overposition of judiciary and political system, demarcated by a strong ideal of methodological-procedural-axiological institutionality, legality, technicality, formality and depersonalization, which eradicates the politicization and partisanship of law and, by devolving the complete integrality to law-judiciary, confines the democracy’s political system and civil society to their true limits which are its structural basis: the human rights, the legal process and the public system of law, with the necessity of full translation of politics and moral to law, delimitating the pluralist and universalist democracy as a public system of law oriented to the production of universality in/as/by legality.O texto procura esclarecer o sentido do fascismo contemporâneo, em particular a partir do exemplo do bolsonarismo, definindo-o como uma perspectiva antissistêmica, anti-institucional, antijurídica e infralegal com caráter personalista, vocacionado, voluntarista, espontaneísta e militante que começa dentro do judiciário e sob a forma de subversão da relação direito, política e moral e que, por meio da politização e da partidarização do direito, se ramifica ao sistema político, servindo de instrumento para a guerra político-partidária fratricida, dali se vinculando à sociedade civil em termos de produção de uma massa-milícia digital-social de aclamação com caráter e orientação antissistêmicos. Nesse diapasão, o fascismo possui dois núcleos constitutivos e dinamizadores: por um lado, subverte a correlação entre direitos humanos e direito, deslegitimando e, na verdade, destruindo a primazia ontogenética, a separação, a diferenciação, a autorreferencialidade e a sobreposição do direito em relação à política e à moral, bem como a subsidiariedade destas em relação àquele; por outro, consiste na desconstrução desde dentro do judiciário e do sistema político da perspectiva altamente institucionalista, legalista, tecnicista, formalista e despersonalizada que é própria a eles, eliminando a centralidade do judiciário e, com isso, deslegitimando seu papel regulador do sistema político e da dialética social, normalizando a regressão totalizante ocasionada pela colonização político-moral do direito democrático. Ao reconstruirmos a base metanormativa e geracional da democracia pluralista e universalista como um sistema público de direito, isto é, a co-originariedade de universalidade dos direitos humanos, pluralismo e direito, a condição ontogenética primigênia, independente, autossubsistente e sobreposta do direito em relação à política e à moral, bem como a subsidiariedade destas em relação àqueles, apontaremos para a retomada dessa perspectiva sistêmica, sistemática, processual, mediada, instancial, progressiva e publicizada do sistema público de direito, no caso na interrelação, na separação e na sobreposição de judiciário e sistema político, demarcada por um forte ideal de institucionalidade, legalidade, tecnicalidade, formalismo e despersonalização metodológico-procedimental-axiológicos, o qual erradica a politização e a partidarização do direito e, ao devolver a integridade plena ao direito/judiciário, confina o sistema político e a sociedade civil democráticos aos seus verdadeiros limites, que também são suas bases estruturantes: os direitos humanos, o devido processo legal e o sistema público de direito, com a necessidade de tradução plena da política e da moral ao direito, delimitando a democracia pluralista e universalista como um sistema público de direito orientado à produção da universalidade na/como/pela legalidade

    709

    full texts

    709

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Griot : Revista de Filosofia
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇