Griot : Revista de Filosofia
Not a member yet
709 research outputs found
Sort by
O direito internacional e o futuro da cidadania democrática na filosofia de Juergen Habermas
Habermas discusses the chances for the establishment of world citizenship in contemporary society, marked by multiculturalism and the process of globalization. Habermas identifies the historical configuration of the post-national constellation, and from there themed the transition from international law to the law of citizens of the world, which aligns the concept of citizenship to the idea of human rights. Habermas analyzes the Kantian idea of a cosmopolitan state in which citizens are legal subjects of their respective States and members of a cosmopolitan entity. Kant elaborates on the concept of world republic, which Habermas disagrees with, but offers the example of the European Union for a discussion on the realization of a just and peaceful international order. Based on the Kantian orientation of constituting an order of world citizenship, Habermas discusses the conformation and viability of this idea in contemporary times. For Habermas, it is possible to spell out the idea of cosmopolitan citizenship. From the European Union, cooperation between States and citizens shows that a cosmopolitan community is needed to complement an international community of States.Habermas discute as chances para a instituição de uma cidadania mundial na sociedade contemporânea, marcada pelo multiculturalismo e pelo processo de globalização. Habermas identifica a configuração histórica da constelação pós-nacional, e partir daí tematizada a transição do direito internacional para o direito de cidadãos do mundo, que alinha o conceito de cidadania à ideia de direitos humanos. Habermas analisa a ideia kantiana de estado cosmopolita em que os cidadãos são sujeitos jurídicos de seus respectivos Estados e membros de uma entidade cosmopolita. Kant elabora o conceito de república mundial, que Habermas discorda, mas oferece o exemplo da União Européia para uma discussão sobre a realização de uma ordem internacional justa e pacífica. A partir da orientação kantiana de constituição de uma ordem de cidadania mundial, Habermas discute a conformação e a viabilidade dessa ideia na contemporaneidade. Para Habermas, é possível soletrar a ideia de cidadania cosmopolita. A partir da União Européia, a cooperação entre Estados e cidadãos mostra que se faz necessária uma comunidade cosmopolita em complementação a uma comunidade internacional de Estados
O mundo é o grande espelho da consciência: reflexões sobre as implicações quânticas do idealismo absoluto de Hegel
In the field of quantum physics studies, Heisenberg's thought provokes very relevant reflections for an articulation between science and metaphysics, given the importance attributed to the subject in the collapse of the superposition between wave and particle. From an idealistic perspective, the importance given to the subject in the observation of quantum phenomena can be considered a stage of the development of consciousness within the scope of the phenomenology of Hegel's spirit. Quantum physics, under an idealistic perspective, represents a fundamental moment in the recognition and dialectical overcoming of the dualisms produced by the subject himself in his relationship with the world.No campo de estudos em física quântica, o pensamento de Heisenberg suscita reflexões muito relevantes para uma articulação entre ciência e metafísica, dada a importância atribuída ao sujeito no colapso da superposição entre onda e partícula. Sob uma perspectiva idealista, a importância dada ao sujeito na observação dos fenômenos quânticos pode ser considerada uma etapa do desenvolvimento da consciência no âmbito da fenomenologia do espírito de Hegel. A física quântica, sob uma perspectiva idealista, representa um momento fundamental no reconhecimento e superação dialética dos dualismos produzidos pelo próprio sujeito em sua relação com o mundo
Condições filosóficas para uma estética husserliana
This paper presents philosophical conditions for the foundation of a specifically Husserlian aesthetic. Therefore, will be at first considered philosophical equivalences of two modalities of conscious experience: phenomenological and aesthetic. Thereafter, we highlight some of the concepts that guide Husserlian phenomenology as perception, intuitive experience, imagination and image consciousness. We present a conceptual approach of phenomenological experience as an experience of immediate awareness that has in perception the privileged path to access data originating from intentional objects. Aesthetics experience as a specific type of perception and loss, becomes a modality of phenomenological experience, insofar as it integrates, in itself, the same subject and object in a relationship properly intentional experience, functioning as a perfect paradigm of phenomenological perception opposed to naturalized experience model. Both aesthetics and phenomenology make it possible to centralize conscious experience in relation to world-consciousness, much more than the objective characterization of the world or any purely psychological facts. In both philosophical fields, imagination has a prominent status.Este artigo apresenta as condições filosóficas para o estabelecimento de uma estética especificamente husserliana. Para tanto, são primeiramente consideradas as equivalências filosóficas entre duas modalidades de experiência consciente: a fenomenológica e a estética. Por conseguinte, destacamos alguns dos conceitos que norteiam a fenomenologia husserliana como percepção, experiência intuitiva, imaginação e consciência de imagem. Apresentamos uma aproximação conceitual entre a experiência fenomenológica, como experiência de consciência imediata que tem na percepção o caminho privilegiado para o acesso aos dados originários dos objetos intencionais. A experiência estética, enquanto tipo específico de percepção e sensação, converte-se em uma modalidade de experiência fenomenológica, na medida em que integra, em si mesma, sujeito e objeto em uma relação propriamente intencional funcionando como um perfeito paradigma da atitude perceptiva fenomenológica contraposta ao modelo de experiência naturalizada. Tanto a estética quanto a fenomenologia possibilitam a centralização da experiência consciente como relação consciência-mundo, muito mais do que a caracterização objetiva do mundo ou de quaisquer fatos puramente psicológicos. Em ambos os campos filosóficos a imaginação possui um status de destaque
A pandemia e o isolamento social a partir de Rousseau
The aim of this paper is to connect the COVID-19 pandemic with philosophical elements taken from Jean-Jacques Rousseau. Three main points will be covered: the philosopher and the isolation; the nomenclature on the idea of social isolation; and the way in which the socio-political organization of a certain community is essential in order to obtain success or face failure in situations classified as catastrophic.Este artigo busca relacionar a pandemia de COVID-19 com elementos filosóficos tirados da reflexão de Jean-Jacques Rousseau. Três pontos principais serão analisados: o filósofo e o isolamento; a nomenclatura em torno da ideia de isolamento social e, por fim, o modo como a organização político-social de certa comunidade é imprescindível para o sucesso ou o fracasso do enfrentamento de situações classificadas como catastróficas
A lei natural como vontade de potência: considerações nietzschianas acerca da legislação da natureza
The present investigation strives to show Nietzsche's considerations about natural law. Since the German philosopher bases his thinking on an organicist conception, in principle one is led to think of a welcome and even a positive emphasis on natural law. However, in several passages of his writings Nietzsche is hostile towards natural law, mainly because it acts as a framework, measurement and calculation of the movement of nature. Natural law, for this reason, consists in falsifying nature. For, the legal mechanisms are imposed on the free action of nature, depriving it of its organic singularity to fit it in an artificial rationality. The free action of nature cannot be captured by rational framing mechanisms dictated by natural law. However, Nietzsche recognizes in the will to power a kind of natural law that acts on natural phenomena without constraining them, but leads them to the highest peaks of force.
A presente investigação se empenha em mostrar as considerações de Nietzsche acerca da lei natural. Dado que o filósofo alemão baseia o seu pensamento em uma concepção organicista, em princípio se é levado a pensar em uma acolhida e até ênfase positiva quanto a lei natural. No entanto, em diversas passagens de seus escritos Nietzsche se mostra hostil quanto a lei natural, por principalmente atuar como enquadramento, medição e cálculo do movimento da natureza. A lei natural, por essa razão, consiste em falsificação da natureza. Pois, os mecanismos legais se impõem sobre o livre atuar da natureza, destituindo-a de sua singularidade orgânica para enquadrá-la numa racionalidade artificial. O livre atuar da natureza não pode ser capturado por mecanismos de enquadramento racional ditados pela lei natural. Contudo, Nietzsche reconhece na vontade de potência uma espécie de lei natural que atua sobre os fenômenos naturais sem os constranger, mas os conduz até os mais altos cumes da força.
A tipificação das regras e seus sentidos de obrigação
This article analyzes the concept of “rules” from the conception of law presented by Herbert Hart in his work The Concept of law, showing how the rules of law differ from others types of rules such as those of morality, customary, and so on. We will do this through the distinction between the sense of obligation that the rules have, highlighting, at the same time, the normative aspect inherent in the legal rules.O presente artigo analisa o conceito de “regras” a partir da concepção de direito apresentada por Herbert Hart em sua obra O Conceito de Direito, mostrando como as regras do direito diferem de outros tipos de regras como as da moralidade, costumeiras, etc. Faremos isso através da distinção entre os sentidos de obrigação que as regras possuem, evidenciando, ao mesmo tempo, o aspecto normativo inerente às regras jurídicas.
A ciência pode tudo? Considerações éticas sobre tecnobiociência e valores a partir de Hans Jonas
In this article we intend to analyze the relationship between science and values from the philosophy of Hans Jonas. It starts with an analysis of the change identified by the author with regard to the new status of knowledge in modernity, which gives rise to the so-called technobioscience, born from the articulation between knowing and doing, in view of a new power. It is about showing how the old formulation of knowledge as contemplation gave way to the utilitarian idea of knowledge as exploration, although in such a version, the claim of neutrality and absolute freedom is maintained, characteristic of the old moral island represented by knowledge pre-modern. Jonas argues in favor of an articulation of technobioscience with ethics, in order to provide the values capable of guiding knowing, doing and power in technological civilization.Nesse artigo pretende-se analisar a relação entre ciência e valores a partir da filosofia de Hans Jonas. Parte-se de uma análise da mudança identificada pelo autor no que tange ao novo status do saber na modernidade, que dá origem à chamada tecnobiociência, nascida da articulação entre saber e fazer, em vista de um novo poder. Trata-se de mostrar como a antiga formulação do conhecimento como contemplação deu lugar à ideia utilitarista de conhecimento como exploração, embora em tal versão, mantenha-se a reivindicação de neutralidade e de liberdade absoluta, própria da antiga ilha moral representada pelo saber pré-moderno. Jonas argumenta a favor de uma articulação da tecnobiociência com a ética, a fim de fornecer os valores capazes de orientar o saber, o fazer e o poder na civilização tecnológica
Animales Cínicos
Alongside the reprimands of Diogenes the Dog, the philosophy of bitterness of Émile Cioran and the neo-Cynicism of Peter Sloterdijk, there would be –in the author’s opinión- a Cynical lineage that speaks for itself, despite its “doctrinal” differences, of the survival until today of this true pariah of philosophy. The conjecture that follows is that the notion of animality is the core from which each of these “Cynical philosophies” is born. From this line, ancient Cynicism, or a good part of it, reappears in Sloterdijk’s neo-Cynicism, which is supplied with a technological critique related to the “animalistic” roots of Diogenes’ sect.Junto a las reprimendas de Diógenes el Perro, la filosofía de la amargura de Émile Cioran y el neo-Cinismo de Peter Sloterdijk, se conformaría –en opinión del autor- un linaje Cínico que habla por sí mismo, pese a sus diferencias “doctrinales”, de la supervivencia hasta hoy de este verdadero paria de la filosofía. La conjetura que se sigue es que la noción de animalidad es el núcleo desde donde nace cada una de estas “filosofías Cínicas”. De esta laya, el Cinismo antiguo, o buena parte de él, reaparece en el neo-Cinismo de Sloterdijk, avituallado de una crítica tecnológica emparentada con las raíces “animalescas” de la secta de Diógenes.Junto a las reprimendas de Diógenes el Perro, la filosofía de la amargura de Émile Cioran y el neo-Cinismo de Peter Sloterdijk, se conformaría –en opinión del autor- un linaje Cínico que habla por sí mismo, pese a sus diferencias “doctrinales”, de la supervivencia hasta hoy de este verdadero paria de la filosofía. La conjetura que se sigue es que la noción de animalidad es el núcleo desde donde nace cada una de estas “filosofías Cínicas”. De esta laya, el Cinismo antiguo, o buena parte de él, reaparece en el neo-Cinismo de Sloterdijk, avituallado de una crítica tecnológica emparentada con las raíces “animalescas” de la secta de Diógenes
A concepção política dos direitos humanos: algumas objeções
In the current debate on human rights, the political conception is attractive in its ability to try to find solutions to the central questions and problems, which the orthodox conception has difficulties in solving, because of its own nature (the political formulation of human rights) it does not need a moral foundation that is independent of the recognition established by international law and practice. On the one hand, it is necessary to recognize that the current practice and the international doctrine consider human rights as tools addressed, mainly, to establish the limits of the legitimate sovereignty of the state, thus, recognizing the plausibility of the political conception. On the other hand, the article intends to show that this specific function, while important, should not exhaust all that human rights perform. Therefore, the political conception runs the serious risk of weakening the normative force of human rights and conflating two different agendas, that of human rights and that of global justice. To go through this argument, first of all, the article presents the contemporary genesis of the political conception of human rights based on the work of John Rawls. Secondly, it focuses on the reformulation given by Raz and Beitz’s approaches. Finally, in the third section, I criticize three main assumptions which ground the current paradigm of political conception of human rights.
No atual debate sobre os direitos humanos, a concepção política se mostra atraente em sua habilidade de tentar encontrar soluções às questões e problemas centrais, que a concepção ortodoxa teve dificuldades em solucionar, que ocorre justamente por ela (a formulação política dos direitos humanos) não necessitar de um fundamento moral, que seja independente do reconhecimento estabelecido pelo direito e pela prática internacional. Por um lado, é preciso reconhecer que a prática atual e a doutrina internacional consideram os direitos humanos como instrumentos destinados, principalmente, a estabelecer os limites da soberania legítima de estado, dessa forma, reconhecendo a plausibilidade da concepção política. Por outro lado, pretende-se mostrar que essa sua específica função, porquanto importante, não deve esgotar tudo o que os direitos humanos desempenham. Se assim o for, a concepção política correria o sério risco de enfraquecer a força normativa dos direitos humanos e de misturar duas agendas diferentes, aquela dos direitos humanos e aquela da justiça global. Para percorrer essa argumentação, em um primeiro momento, o artigo apresenta a gênese contemporânea da concepção política dos direitos humanos com base nos trabalhos de John Rawls. Em um segundo momento, as ressignificações dadas por ela através das abordagens de Raz e Beitz. Por fim, em um terceiro momento, critico três principais pressupostos que fundamentam a sustentação do atual paradigma da concepção política de direitos humanos.