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Gêneros textuais em pesquisa com professores de Língua Portuguesa: contribuições e desafios da parceria entre universidade e escola
Este trabalho traz reflexões sobre um percurso de pesquisas desenvolvido no âmbito do Grupo de pesquisa FALE - Formação de professores, Alfabetização, Linguagem e Ensino (UFJF). Iniciamos em 2007, a partir de demandas de professores de ensino básico, uma pesquisa para a elaboração de documento de orientação curricular e materiais didáticos para o trabalho com a língua portuguesa no ensino fundamental. Em seguida, realizamos pesquisa exploratória para investigar o uso do documento e, mais tarde, uma pesquisa-ação para modelização de gêneros textuais e sua transposição em aulas de Língua Portuguesa. Para tanto, utilizamos como embasamento teórico o interacionismo sociodiscursivo (BONCKART, 1999; 2010; DOLZ e SCHNEUWLY, 2004; MACHADO, 2005; MACHADO E CRISTÓVÃO, 2006) e as teorias de letramentos (STREET 1984, 1995, 2010, 2014; KLEIMAN, 1995, 2001a, 2007; SOARES, 1998), buscando algumas aproximações. Os resultados obtidos ao longo desses anos de trabalho têm trazido elementos novos para as reflexões acerca dos processos de construção de conhecimento pelos professores sobre gêneros textuais e sua transposição didática. Além disso, têm revelado as contribuições e os desafios da pesquisa para a formação de professores e a possibilidade uma relação mais próxima entre universidade e escola
Falarra tanto que cansarra: a aspiração de /v/ no morfema verbal -ava no falar de Fortaleza-CE
Este estudo aborda o enfraquecimento da fricativa /v/, no falar popular de Fortaleza, cuja realização ocorre, como em ta[v]a (manutenção) ~ ta[h]a (aspiração), em contexto de pretérito imperfeito do indicativo da primeira conjugação (/ava/). Nosso objetivo é analisar, à luz da Sociolinguística Variacionista, o efeito de fatores linguísticos e sociais sobre a realização variável da fricativa /v/ na comunidade de fala fortalezense e averiguar se o fenômeno encontra-se em variação estável ou se há indícios de uma mudança em progresso. Nossa amostra é constituída por 48 informantes do projeto Norma Oral do Português Popular de Fortaleza (NORPOFOR). No contexto aqui analisado, foram obtidos 1.816 dados, dos quais 839 (46,2%) foram de aspiração. As variáveis apontadas pelo GoldVarb X como relevantes foram (nesta ordem): escolaridade, registro, frequência de uso, faixa etária, tipo de sílaba, gênero/sexo e dimensão do vocábulo. A variável linguística mais relevante, a frequência de uso, mostrou que quanto mais usual um termo, maior será a aspiração de /v/. A escolaridade, a variável mais importante de todas, é aliada da variante aspirada entre os informantes com 0 a 4 anos de escolarização, o que reforçou a hipótese de estigmatização do fenômeno nesta comunidade de fala; a faixa etária indicou que os maiores índices com a variante aspirada ocorreram, preferencialmente, na faixa de 50 anos ou mais, o que nos apontou indícios de uma mudança em progresso
Caminhos da (re)exploração: A Carta em Caminha, Oswald e Bonassi
Este artigo analisa um exemplo de intertextualidade na produção literária  brasileira. Para tanto, três foram os nomes eleitos: Pero Vaz de Caminha, com A Carta; Oswald de Andrade, em texto selecionado da obra Pau-Brasil, e duas minificções extraídas de Passaporte, do contemporâneo Fernando Bonassi. Procurou-se pensar em como as possibilidades dialógicas desses textos se engendraram e como o trato com o referencial alterou-se de época para época. Buscou-se, também, mirando seu caráter dialógico, perceber a presença de um tópico recorrente nas manifestações artísticas e culturais em nosso país: quem somos. Ou, ainda, quem nos tornamos
A partilha do eu como pragmática da enunciação e performance narrativa contemporânea no romance Flores Artificiais
Este trabalho analisa a estratégia narrativa que engendra o romance Flores artificiais, de Luiz Ruffato, referenciada no desenraizamento e no despertencimento que caracterizam o sujeito na contemporaneidade. O constante e irreversível deslocamento geográfico que articula as inúmeras vozes e pontos de vista presentes nas micronarrativas que compõem a obra mobiliza um narrador também em trânsito, responsável por organizar um imbricado jogo entre as personas do eu/tu e do ele/eles para construir uma nova pragmática da enunciação. Em uma travessia pontuada por máscaras de representação e desdobramento de consciências, o não-lugar de fala de personagens superpostas revela uma fragmentação não apenas do sujeito, mas também da memória, tornada imagem, e do tempo. A espacialidade impressa na estrutura narrativa sugere o estilhaçamento e a descontinuidade da experiência em seu incessante e errante movimento de significação do anonimato contemporâneo. Na busca de uma construção identitária, por meio de um projeto literário centrado na reorganização da linguagem como premissa, é a relação entre alteridades e rastros a estratégia narrativa capaz de desvelar a partilha do eu
Uma leitura do poema "Da Liberdade", de Mariana Ianelli
Resumo: O objetivo deste trabalho é ensaiar uma leitura do poema "Da Liberdade", o décimo dos doze poemas que compõem o livro Almádena, de Mariana Ianelli, de 2007. Buscaremos seguir a lição de João Luiz Lafetá (2004) em sua "Leitura de \u27Campo de flores\u27", ou seja, "tentar uma leitura compreensiva, procurando surpreender-lhe a construção", observando as atitudes do eu lírico (enunciação lírica, apóstrofe lírica e canção) propostas por Wolfgang Kayser. Partiremos da materialidade do texto, sua sintaxe, seu ritmo, passando pela constituição dos sentidos e tentando chegar à sua significação mais profunda para sondar o "tom" e a "tensão" que o constituem. Outro apoio que consideramos é o texto de Alfredo Bosi (2003), "A interpretação da obra literária", principalmente as noções de evento e forma, além da atitude em relação ao método de análise, compartilhada por Lafetá: "ir e vir do todo às partes, e das partes ao todo"
Para ver e ler: a Jornada de Passo Fundo e a cultura contemporânea
 Resumo: Em mais de trinta anos de existência, o projeto da Jornada Literárias de Passo Fundo, uma das maiores movimentações culturais do Brasil na formação de leitores, tem buscado, nas dinâmicas de promoção do livro e da literatura, dialogar com as inovações tecnológicas e com a pluralidade de mídias das quais foi e é contemporânea. De forma semelhante, no diálogo com a contemporaneidade, a Jornada tem aberto espaço aos novos escritores, convidando-os a participar das várias atividades que permitem o encontro entre esses autores e o público leitor. Este artigo pretende apresentar o percurso da Jornada em diálogo com as múltiplas mídias através dos cartazes que integraram a divulgação do evento, refletindo, também, sobre a estética de alguns jovens escritores convidados ao projeto, os quais também, em sua obra, permitem refletir sobre as relações entre a literatura e as demais manifestações artísticas da contemporaneidade.
Seis teses sobre os valores da literatura
Este texto faz faz parte do livro Os Valores da Literatura, ainda inédito. Integra entrevista concedida aos professores Rauer Ribeiro Rodrigues (UFMS) e Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha (UFU), para a revista Letras & Letras, da Universidade Federal de Uberlândia
O tratamento da diversidade e variação linguísticas em livros didáticos de Português
Neste trabalho, analiso como a diversidade e a variação linguísticas são tratadas nos Livros Didáticos de Português (LDP) nos anos finais do ensino fundamental, na tentativa de problematizar como as atividades propostas nesses materiais didáticos tematizam conceitos sociolinguísticos importantes, tais como o conceito de norma e as relações entre fala e escrita e oralidade e letramento. As análises dos dados validaram a nossa hipótese de que nos LDP, que circulam atualmente nas escolas brasileiras, ainda predomina a submissão das marcas da diversidade e da variação linguísticas aos processos de normatização da língua, mesmo onde se propõe apresentar e discutir a variação linguística. As análises validaram, também, o nosso entendimento de que tais atividades dos LDP fazem parte do processo de valorização da norma padrão como a única variedade legítima e a modalidade escrita formal como aquela gramaticalmente organizada