851 research outputs found
Sort by
O ensino de teorias da tradução no curso de Letras
Neste artigo, abordo o ensino de teorias da tradução a partir do percurso histórico brasileiro que privilegia uma abordagem sobre a tradução que não desvencilha a reflexão teórica da prática e da crítica de traduções, com destaque para as obras de Paulo Rónai (1976/2012), José Paulo Paes (1990) e Paulo Henriques Britto (2012). Esta contextualização histórica serve como ponto de apoio para o meu próprio relato como professora de teorias da tradução para turmas multilíngues do curso de Letras da Universidade[1], no qual procuro refletir sobre o papel do ensino de teorias da tradução na formação tanto de tradutores como dos estudantes de Letras em geral.[1] Caso o artigo seja aceito, em todas as instâncias onde há esse termo, haverá identificação da instituição
Léxico tabu em "Los mares del Sur", de Manuel Vázquez Montalbán
O objetivo desta pesquisa foi relacionar a incidência de fatores pragmático-comunicativos na tradução de lexias simples e complexas (unidades fraseológicas) do léxico tabu, a fim de se estabelecer padrões de estratégias e técnicas de tradução. Para tanto, utilizou-se como córpus a tradução para o português brasileiro da obra "Los mares del Sur", de Manuel Vázquez Montalbán, realizada por Cid Knipel Moreira, publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Algumas obras literárias na contemporaneidade fazem uso do léxico tabu aspirando alcançar maior grau de autenticidade, na tentativa de conferir ao universo no qual circulam seus personagens o efeito de verossimilhança que o aproxime de contextos de uso real marcados social e historicamente. O romance policial, por tratar com frequência de personagens inseridos em contextos marginalizados, faz uso desse léxico, aqui entendido não só como palavras ofensivas na forma de insultos, mas também o léxico considerado obsceno como palavrões, palavras que remetem aos órgãos sexuais ou ao próprio ato sexual, o léxico escatológico, grosseiro e vulgar. Estudos contemporâneos têm demonstrado que essas lexias estão sendo cada vez mais aceitas em nossa sociedade, tanto na mídia impressa como em programas televisivos. Neste trabalho tentamos relacionar os diferentes procedimentos de tradução adotados para essas lexias às suas motivações de uso, a fim de investigar o tratamento dado a esse léxico na tradução literária (espanhol-português).Â
Sujeitos entre-línguas em contextos de imigração: incidências na subjetividade
Resumo:Este texto - integrado no projeto CNPq "Vozes (in)fames: exclusão e resistência", coordenado pela professora Maria José Coracini (Unicamp), em intercâmbio com o programa "Casadinho-PROCAD", financiado pela CAPES, durante o período de 2012-2015 -, propõe-se a analisar escritas de si de sujeitos imigrantes alemães do sul do Brasil por meio de recortes de cartas coletadas na Alemanha. Tendo como aporte teórico a Análise do Discurso de linha francesa que se entremeia com alguns fios da Psicanálise, nosso olhar se dirige às escritas de cartas de sujeitos entre-línguas, para mostrar o entrelaçamanto das línguas na constituição da subjetividade. Nessa linha, entendemos que a interpretação é sempre um gesto de captura; o que se vislumbra são rastros do sujeito cindido, uma vez que há sempre alteridade, incorporação, não-separação. Queremos analisar os enlaces e desenlaces do sujeito na, das e pelas línguas, que revelam incidências subjetivas do sujeito entre-línguas
A retomada da vibrante em coda final em ambientes on-line e off-line: a internet influenciou a escrita dos alunos
Este estudo tem foco no cancelamento da vibrante em coda final de palavra na escrita de escolares e investiga a possibilidade de espelhamento da fala. Trata-se aqui da consciência da díade fala e escrita que os noviços em processo de letramento devem apresentar, tanto mais rápido melhor, de modo a evitar erros ortográficos provenientes de fenômenos variáveis na fala, ainda que sejam comuns e não estejam, muitas vezes, sujeitos a estigmas. Partindo dos resultados de Queiroz (2016), debruça-se aqui sobre interações entre os alunos por meio digital - mais precisamente através do aplicativo WhatsApp em um comparativo com a escrita em suporte tradicional. O intuito é confrontar dois ambientes nos quais a escrita dos alunos se concretiza, o ambiente on-line e o off-line, para responder à pergunta de pesquisa
A Prova Brasil como instrumento de avaliação e planejamento de práticas escolares relativas à proficiência leitora
Neste artigo, refletimos o efeito retroativo da Prova Brasil, considerando-a como instrumento de política de gerenciamento e planejamento de práticas escolares relativas à proficiência leitora, em três escolas municipais da rede pública de ensino na cidade de Ipiaú-BA. Buscamos apresentar os impactos ou consequências sociais que a Prova Brasil pode exercer sobre o cotidiano das práticas escolares no tocante aos planejamentos em leitura das três escolas. O estudo, caracterizado como pesquisa qualitativa e quantitativa, voltou-se para a análise das práticas escolares em cotejo com os índices da Prova Brasil dessas escolas, referentes às duas últimas aplicações da Prova Brasil anos 2011/2013, sob a luz da Teoria do Efeito Retroativo. Os resultados revelaram que a Prova Brasil, no contexto estudado, não exerce efeito retroativo - nem positivo nem negative - no ensino-aprendizagem, tendo em vista que não há relação entre esse instrumento avaliativo e as práticas de ensino desenvolvidas pelas respectivas escolas. Comprovou-se também que o alcance das metas do índice de Desenvolvimento da Educação Básica não significa necessariamente o aumento da proficiência em leitura, pois verificou-se que os índices alcançados pelas escolas pesquisadas estão abaixo do ponto de corte da escala de proficiência de Língua Portuguesa do Sistema de Avaliação da Educação Básica.
Compreensão de professores de Língua Portuguesa acerca da natureza de fenômenos relacionados à fonética e à fonologia subjacentes à dificuldade de escrita de estudantes do ensino básico
As dificuldades de produção de texto apresentadas por muitos estudantes brasileiros são, periodicamente, motivo de discussão na mídia, especialmente quando são divulgados dados do ENEM, e no universo acadêmico. Professores que trabalham com avaliação de provas discursivas para ingresso nas universidades sabem que grande parte dos candidatos conclui a Educação Básica materializando em suas produções problemas que remontam ao seu processo de aquisição da escrita, tais como "concerteza", "masomenos" e "april". O fato de esses alunos deixarem os bancos escolares apresentando dificuldades dessa ordem é sintomático de uma realidade que parece indicar que a escola, de uma forma geral, não tem conseguido agir de forma eficaz na superação desses problemas. A investigação aqui proposta, que integra uma pesquisa maior ainda em andamento, tem como objetivo analisar o tratamento dispensado, por um grupo de 28 professores que atuam na rede estadual de Pernambuco, a problemas de ordem fono-ortográficas como os supracitados. Os dados de uma análise preliminar mostram que esse grupo de docentes não conhece a natureza de fenômenos como os acima citados, pois não conseguiu, em sua grande maioria, explicar os problemas. Tal dificuldade tem como consequência a inabilidade para intervir na resolução de problemas de origem fono-ortográficas.
Traduzir o verso moderno francês no Brasil: aberturas para século XXI
Ao longo do século XX consolidou-se no Brasil uma maneira de se traduzir o verso francês pautada pelo desejo de recuperar a forma do poema de partida, muitas vezes em detrimento de sua sintaxe e de seu campo imagético. Apesar dessa tendência dominante, há alguns projetos que rompem com esse paradigma. Para ilustrar nosso propósito comentaremos neste artigo algumas traduções de Baudelaire, Mallarmé e Valéry que apontam para esse caminho.Â
Formações imaginárias sobre língua inglesa pessoal e profissional
Inserido no projeto de pesquisa "Política linguística e identidade cultural: representações de língua na região de abrangência da UFFS - Chapecó- SC", este texto discute que imaginário sobre língua inglesa se inscreve em narrativas de sujeitos-professores. Como lugar teórico, inscrevemo-nos em uma perspectiva discursiva que se constitui em uma zona de interface, entre a completude e a incompletude, trabalhando com a noção de sujeito cindido, clivado e barrado pela linguagem. A constituição do arquivo é composta por cinco entrevistas semiestruturadas, gravadas em áudio, com sujeitos-professores brasileiros graduados em Letras, docentes no Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio, residentes na região de abrangência da UFFS, Campus Chapecó - SC. A partir desse arquivo selecionamos recortes discursivos nos quais se formulam sentidos sustentados em formações imaginárias sobre língua inglesa. A pergunta de pesquisa que orientou nossas análises foi: que formações imaginárias sobre língua inglesa emergem em narrativas de sujeitos-professores brasileiros? Entendemos que as formações imaginárias sobre língua inglesa se constituem por traços que apontam rupturas e tensões, pois ultrapassam o nível linguístico, para envolver aspectos identitários, históricos, sociais, políticos e educacionais. Ressoa nas narrativas uma movimentação conflituosa e estreita, rememorando a relação de fronteira, que abarca entremeio e movência (shift)
Ser ou não ser bilíngue: Os posicionamentos subjetivos de uma professora de inglês diante do Outro
As propostas da linguística para categorizar um indivíduo como bilíngue formam um espectro de possibilidades, e para torná-lo ainda mais extenso, uma abordagem psicanalítica nos oferece a possibilidade de tratarmos o tema pelo viés da singularidade, analisando como cada sujeito se inscreve discursivamente como sujeito bilíngue. Visto que me filio, aqui, ao pressuposto de que é no discurso, na relação com o Outro, que esse sujeito irá se constituir, temos que não haverá significantes que se esgotem para defini-lo como bilíngue. O corpus foi formado utilizando a metodologia dos Conversational rounds e a análise dos dizeres foi feita à luz das teorias da significação e dos quatro discursos esquematizadas por Lacan. Apresento alguns dizeres de uma professora a respeito do tema bilinguismo, destacando sua relação com a fala em língua inglesa. Pude observar giros discursivos, mas não constatei nenhum deslocamento subjetivo da professora em relação ao seu posicionamento como sujeito bilíngue, ou em relação à habilidade da fala. O principal resultado dessa pesquisa foi perceber que a definição de um sujeito bilíngue ultrapassa a singularidade de uma possível classificação para cada sujeito, uma vez que a cada giro discursivo o sujeito pode se dizer ou se colocar como sendo ou não bilíngue. Portanto, qualquer tentativa de significar o sujeito será tão evanescente quanto seus posicionamentos nos discursos. Este estudo contribui, assim, para que se considere o impossível na lida com as línguas e o modo singular como cada um lida com sua falta