Portal de Periódicos do GEL
Not a member yet
2109 research outputs found
Sort by
TÓPICO DISCURSIVO E TABU COMUNICATIVO EM UM RELATO SHIPIBO-KONIBO
A comunicação verbal que, tradicionalmente, envolve a relação de parentesco entre sogro(a) e genro (denominados rayos na língua Shipibo-Konibo) não se realiza diretamente entre eles, mas somente por intermédio da filha/esposa correspondente. No presente trabalho, com foco na perspectiva textual e sociocognitiva interacional, analisamos esse aspecto comunicativo em um relato oral transcrito na gramática da língua, intitulada “Transitividade na Gramática Shipibo-Konibo” (VALENZUELA, 2003). Nos contextos de interação identificados no relato, examinamos se, e de que maneira, as estratégias de organização do tópico discursivo indicam a dinâmica deste aspecto interacional de distância/proximidade entre rayos. Para isso, descrevemos o quadro tópico, que consiste em representação de uma interação, e analisamos os processos de gestão tópica e referenciação, realizados pelos participantes do relato. Conforme os resultados, argumentamos que os processos de gestão tópica revelam a proximidade interacional dos sujeitos presentes nos contextos de interação. Assim, as representações das situações socioculturais no relato refletem contrastes dos contextos de interação do passado e do presente, o que indica prováveis mudanças nas relações sociointeracionais entre rayos
Aspectualização e interação em comentários de notícias digitais
Este trabalho tem como objetivo analisar a enunciação em comentários de notícias veiculadas na rede social Facebook de jornais fluminenses (O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, Extra, O Fluminense), sob a perspectiva da teoria semiótica de linha francesa. Observaremos, particularmente, a aspectualização discursiva e mostraremos seu importante papel como recurso argumentativo na interação enunciativa nessas mídias. Tomaremos a aspectualização como a presença de um observador que inscreve um ponto de vista no processo de instauração de pessoa, tempo e espaço, avaliando-o e apreendendo-o afetivamente. A análise dos textos mostra como a aspectualização contribui para a compreensão da construção da imagem dos actantes enquanto sujeitos cognitivos e sensíveis, além de mostrar como se organizam, se delimitam e se qualificam os espaços e o tempo da enunciação, percebidos em seu dinamismo
A(S) EQUIVALÊNCIA(S) ENTRE TERMOS QUE DENOMINAM DOCUMENTOS DE VIAGEM BRASILEIROS E FRANCESES
Neste artigo, apresentamos uma análise sobre os graus de equivalência entre os termos que denominam documentos de viagem brasileiros e franceses. Para tanto, criamos quatro corpora, sendo dois compostos pela legislação que regulamenta esses documentos somada aos sites dos órgãos responsáveis por sua emissão nesses países e outros dois constituídos por uma bibliografia especializada no assunto. Para estabelecermos os graus de equivalência entre essas unidades terminológicas, fundamentamo-nos nos pressupostos teóricos da Terminologia Bilíngue (AUBERT, 2001; DUBUC, 2002). Como resultados, encontramos quatro casos de equivalentes totais, nove casos de equivalentes parciais e sete casos de vazio de equivalência. Com base nesses dados, podemos depreender que há semelhanças e diferenças no que tange aos tipos de documentos de viagem reconhecidos pelas legislações brasileira e francesa. Essa terminologia é marcada, portanto, por questões particulares de cada país que se refletem nas relações de equivalência estabelecidas entre os termos estudados. Esperamos que esses resultados contribuam para uma melhor comunicação da área, auxiliando o trabalho de especialistas em Direito e de tradutores
SMARTCAT E WORDFAST ANYWHERE: SISTEMAS DE MEMÓRIAS DE TRADUÇÃO E A DOCUMENTAÇÃO NA ÁREA AGRÍCOLA EXPORTADORA DE LIMÃO
Este trabalho tenciona analisar brevemente o desempenho de dois Sistemas de Memórias de Tradução (SMTs) com armazenagem em nuvem, a saber: SmartCat e Wordfast Anywhere, no que diz respeito ao processo tradutório (português ↔ inglês) de termos simples e complexos relacionados ao campo do comércio e exportação de produtos cítricos brasileiros. Valemo-nos, para tanto, de teorias voltadas à Tradução assistida por computador (MENDIBIL, 1995; WEININGER, 2004; STUPIELLO, 2011, 2015), às Memórias de Tradução (RIECHE, 2004, LIMA et al., 2017) e da Tradução técnico-terminológica (VILLELA, 2016; POLCHLOPEK; AIO, 2009; BARROS, 2004). Buscamos verificar alguns aspectos pertinentes ao processo tradutório da linguagem de especialidade presente em Notas Fiscais de Importação e Exportação, entre outros documentos, por meio dos SMTs a fim de investigar as aproximações e distanciamentos no tocante à tal terminologia. Os resultados apontaram para exemplos como “Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Coordenadoria de Defesa Agropecuária”/ The Secretariat of Agriculture and Supply Department of Agriculture Defense/ Department of Agriculture and Food Suplly Coordination of Agricultural Defense, o que nos leva a salientar a necessidade de enaltecer o papel do tradutor como mediador e condutor de escolhas efetivas dentro das plataformas de MTs.
Sintaxe gerativa e ensino de gramática: contribuições de estudos em PBdialetal
Neste trabalho, investiga-se como pesquisas sobre português brasileiro (PB) dialetal, em sintaxe gerativa, podem contribuir para o ensino de gramática. Para isso, faz-se inicialmente uma revisão dos estudos sintáticos de PB dialetal e posteriormente uma revisão dos estudos que tratam das contribuições da teoria gerativa para o ensino de gramática. Mostra-se que, após conhecerem pesquisas em sintaxe sobre PB dialetal, os professores obterão: uma comparação científica e analítica entre pelo menos dois sistemas, padrão e não padrão; entendimento de que as estruturas são regidas por universais; um modelo de análise no qual poderão se basear em suas reflexões sobre os fatos linguísticos; reconhecimento da competência gramatical que o aluno traz consigo para a escola; possibilidade de elaboração de formas de intervenção para ensino da gramática padrão, sem desvalorizar ou estigmatizar variedades não padrão; habilidades metalinguísticas e epilinguísticas para poderem intermediar a aquisição dessas habilidades entre os alunos, dentre outros. Conclui-se, portanto, que estudos em sintaxe gerativa têm a contribuir para a formação de professores e em consequência para o ensino de gramática na educação básica
BANCO DE DADOS SOCIOLINGUÍSTICOS DA FRONTEIRA E DA CAMPANHA SUL-RIO-GRANDENSE – BDS PAMPA – UM PERCURSO HISTÓRICO
O Banco de Dados Sociolinguísticos da Fronteira e da Campanha Sul-Rio-Grandense (BDS PAMPA) foi desenvolvido, em 1998, a partir da parceria entre a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com a finalidade de constituir um banco de dados sociolinguísticos do português falado na fronteira e na campanha sul-rio-grandense. A metodologia de formação do BDS PAMPA segue os preceitos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972, 1994). Para cada informante consta ficha social, gravação de entrevista, transcrição ortográfica dos dados linguísticos, digitalização das fichas sociais, compactação das gravações e conversão para CD-ROM. O banco de dados do BDS PAMPA tem como objetivos mostrar a importância da utilização de banco de dados sociolinguísticos para a descrição do português brasileiro e possibilitar que diversas pesquisas e trabalhos de cunho sociolinguístico sejam realizados. Além disso, neste ano de 2020, com a participação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), buscamos uma parceria interinstitucional com o objetivo de realizar recontato com informantes do Banco de Dados da década de 90, realizar novas coletas de dados nas mesmas localidades, com novos informantes, bem como elaborar uma nova ficha social, a fim de registrar outros aspectos sociolinguísticos não contemplados na ficha atual
O MARCADOR DE GÊNERO FEMININO –ABA DO WAPIXANA (ARUÁK)
Culturas distintas fazem diferentes escolhas e representações léxico-gramaticais da realidade. Em termos da categoria de gênero, enquanto o português emprega, regularmente, apenas um paradigma envolvendo o morfema -a, de feminino, oposto à ausência de marca ou a um morfema de masculino, o wapixana apresenta dois paradigmas: um para nomes inalienáveis (termos de parentesco), que opõe o morfema -ɽu de feminino ao morfema -ɽɨ, de masculino, e outro para nomes alienáveis, que opõe o morfema -aba, de feminino, à ausência de marca para masculino. O morfema -aba deste último paradigma restringe-se a nomes cujos referentes exibem o traço [+animado], exceto nomes de parentescos, que obedecem ao primeiro paradigma. Embora atestados empiricamente tais paradigmas, persiste a questão do status do formativo -aba, tratado por Santos (2006) como termo de classe e, consequentemente, como formador de palavra e não como marcador flexional de gênero. Neste trabalho, então, investigamos, numa perspectiva tipológico-funcional, especialmente nos termos de Dixon (1986) e Grinevald (2000), a natureza desse marcador: se lexical ou flexional. Os resultados apontam para uma revisão da posição de Santos