Portal de Revistas da Universidade Federal do Oeste da Bahia
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Notório saber: a emergência epistêmica popular e a inclusão de saberes tradicionais nas instituições públicas de ensino superior
In recent years, an important debate has emerged in our society about the epistemic inclusion of popular traditional knowledge in education systems, particularly in public universities, through a legal device known as Notorious Knowledge. In the space of two decades, several resolutions have been passed in our public higher education institutions (IPESs) that implement the notorious knowledge, in a movement that oscillates between the recognition and inclusion of popular traditional knowledge. In this article, we discuss the social and political circumstances of what we call the Popular Epistemic Emergence, as a movement that originates and drives universities to include traditional knowledge, as well as the relevance and appropriateness of IPES resolutions based on the confluence of traditional and academic knowledge. The article aims to define more precisely what notorious knowledge is, giving an account of the limits and potential of some of its implementation experiences.En los últimos años ha surgido en nuestra sociedad un importante debate sobre la inclusión epistémica de los saberes tradicionales populares en los sistemas educativos, particularmente en las universidades públicas, a través de un dispositivo legal conocido como Saberes Notorios. En el espacio de dos décadas, han surgido varias resoluciones en nuestras instituciones públicas de educación superior (IPES) que implementan el conocimiento notorio, llevando a cabo un movimiento que oscila entre el reconocimiento y la inclusión del conocimiento tradicional popular. En este artículo, discutimos las circunstancias sociales y políticas de lo que llamamos Emergencia Epistémica Popular, como movimiento que origina e impulsa a las universidades a incluir los saberes tradicionales, así como la pertinencia y adecuación de las resoluciones de las IPES basadas en la confluencia de saberes tradicionales y académicos. El artículo pretende delimitar con mayor precisión qué es el conocimiento notorio, dando cuenta de los límites y potencialidades de algunas de sus experiencias de implementación.Nos últimos anos, tem surgido, em nossa sociedade, um debate importante sobre a inclusão epistêmica dos conhecimentos tradicionais populares nos sistemas de ensino, em particular nas universidades públicas, por meio de um dispositivo legal conhecido como Notório Saber. No intervalo de duas décadas, surgiram, em nossas instituições pública de ensino superior (IPESs), várias resoluções que implementam o notório saber, realizando um movimento que oscila entre o reconhecimento e a inclusão dos conhecimentos tradicionais populares. Neste artigo, discutimos as circunstâncias sociais e políticas do que chamamos de Emergência Epistêmica Popular, como movimento que origina e impulsiona as universidades a incluírem os saberes tradicionais, bem como a pertinência e a adequação das resoluções das IPESs a partir da confluência de saberes tradicionais e acadêmicos. O artigo pretende delimitar com maior precisão o que é o notório saber, dando conta dos limites e das potencialidades de algumas de suas experiências de implantação
Crítica textual e ensino: análise filológica de crônicas em livros didáticos
O presente artigo expõe o resultado da pesquisa na qual analisamos, através de parâmetros filológicos, crônicas do escritor capixaba Rubem Braga, presentes em livros didáticos de Língua Portuguesa, aprovados pelos PNLD dos anos de 1999, 2002 e 2005. Objetivamos com este trabalho analisar o processo de transmissão desse gênero textual, averiguando a existência de divergências, denominadas de variantes, entre o texto transcrito no livro didático e o que é indicado por este como referência / fonte. A partir do exercício de cotejo entre testemunhos, da identificação das variantes e suas classificações, a saber - omissão, adição, substituição e alteração da ordem (BLECUA,1983) - buscamos levantar hipóteses motivacionais para tais variantes, levando-se em consideração o contexto de produção e circulação dos materiais didáticos examinados. Constatamos, então, que o contexto discursivo do Livro Didático de Língua Portuguesa como um todo contribui para a existência de variantes textuais. A análise empreendida gerou como resultado a percepção de que existem diversas motivações para a produção dessas variantes, tais como: censura, abrandamento vocabular, fuga de aprofundamento de discussões que possam ser consideradas inadequadas ou desnecessárias ao público leitor, simplificação do texto com intuito de resumi-lo para disponibilização de espaço gráfico, correção gramatical, erro de cópia, entre outros. Com esse estudo buscamos refletir acerca da contribuição dos estudos filológicos para o campo ensino e para a prática pedagógica
Formação docente e ensino de língua portuguesa: onde estão os multiletramentos?
O presente trabalho tem como objetivo refletir acerca das orientações presentes na BNCC no que tange às práticas de linguagem da Cultura Digital, buscando discutir suas repercussões tanto nos programas dos cursos de formação de professores de Língua Portuguesa, quanto em documentos curriculares da educação básica. Para essa discussão, tomamos como aporte teórico a Pedagogia dos Multiletramentos (NLG, 1996), e trabalhos de autores como Rojo (2012), Ribeiro (2018), Bonilla; Pretto (2015), que discutem as tecnologias digitais e suas implicações para a educação. Nossas reflexões apontam para um horizonte em que a presença das tecnologias se faz cada vez mais relevante na formação e nas aulas dos professores, não apenas no uso dos dispositivos digitais, mas especialmente, na inserção em novas práticas sociais de linguagem
Pensamento educativo decolonial e perspectivas outras para o currículo e para formação universitária
In the context of contemporary studies on education and coloniality, there is a recognized need to reassess the history of Abya Ayla in order to revise the educational thought that permeates the curriculum. Accordingly, the text aims to recover the thoughts of indigenous and subaltern peoples with a view to developing a decolonial curriculum. To this end, concepts of modernity and postmodernity are discussed from a critique of Eurocentric thought. The relationship between capitalism, coloniality, and education is explored, questioning the role of educational institutions and teachers in proposing decolonial curricula. It concludes by emphasizing the importance of considering students\u27 desires in proposing curricula in the university context, relativizing Eurocentric knowledge, and considering other ways of thinking, learning, and being.Inmerso en el contexto de los estudios contemporáneos sobre educación y colonialidad, se evidencia la necesidad de reexaminar la historia de Abya Ayla con el fin de revisar el pensamiento educativo que impregna el currículo. Por consiguiente, el texto tiene como propósito rescatar los pensamientos de los pueblos originarios y subalternos con miras a la elaboración de un currículo decolonial. Para lograrlo, se discuten conceptos de modernidad y posmodernidad a partir de una crítica al pensamiento eurocéntrico. Se explora la relación entre capitalismo, colonialidad y educación, cuestionando el papel de las instituciones formadoras y los docentes en la proposición de currículos decoloniales. Se concluye destacando la importancia de considerar los deseos de los estudiantes en la propuesta de los currículos en el ámbito universitario, relativizando el conocimiento eurocéntrico y contemplando otras formas de pensar, aprender y ser.Inserido no contexto dos estudos contemporâneos sobre educação e colonialidade, observa-se a necessidade de reexaminar a história de Abya Ayla visando a revisão do pensamento educativo que permeia o currículo. Dessa forma, o texto tem por objetivo o resgate de pensamentos de povos originários e subalternizados com vistas a elaboração de um currículo decolonial. Para tanto, são discutidos conceitos de modernidade e pós-modernidade a partir da crítica ao pensamento eurocentrado. Explora a relação entre capitalismo, colonialidade e educação, indagando sobre o papel das instituições formadoras e docentes na proposição de currículos decolonais. Conclui ressaltando a importância de contemplar os anseios dos estudantes na proposição dos currículos no contexto universitário, relativizando o conhecimento eurocêntrico e considerando outras formas de pensar, aprender e ser
Presencia indígena en la universidad de Brasilia: : Desafíos de la permanencia
In this article I investigate the social and discursive processes of the presence of indigenous students at the University of Brasília- UnB, from my autoethnographic perspective. I start from theoretical assumptions of Critical Discourse Studies, in dialogue with studies on decoloniality, associated with critical thinking about education as a practice of liberation. The thematic focus was on the discrepancy between the policy of access for indigenous students to UnB and the effective policy of daily reception, with its gaps, aimed at our stay at the university. I start from a creative, dialogued and autoethnographic record, already defending indigenous \u27being-being\u27 in academia as an exchange of knowledge, as a proposition of a policy of permanence and inclusion, based on respect for Brazilian indigenous diversity, recording the identity marks of belonging. I start from a critical and transgressive narrative-ethnographic and autoethnographic methodology, including issues of identity and agency within the scope of discourse; I embrace reflective and decolonial stances, with the aim of having the foundation in the construction of dialogue, interaction, exchange of knowledge and resistance for the existence of a differentiated being. As results, I highlight movements of discursive and social transformation, in reflective and actional practices within UnB and highlight my experiences at the university as a starting point for broader social discussions that anchor propositions about ways of being and new forms of power to support policies for indigenous peoples to remain in academia.En este artículo investigo los procesos sociales y discursivos de la presencia de estudiantes indígenas en la Universidad de Brasilia-UnB, desde mi perspectiva autoetnográfica. Parto de presupuestos teóricos de los Estudios Críticos del Discurso, en diálogo con estudios sobre descolonialidad, asociados al pensamiento crítico sobre la educación como práctica de liberación. El foco temático estuvo en la discrepancia entre la política de acceso de los estudiantes indígenas a la UnB y la política efectiva de acogida diaria, con sus lagunas, orientada a nuestra estancia en la universidad. Parto de un registro creativo, dialogado y autoetnográfico, defendiendo ya el \u27ser-ser\u27 indígena en la academia como intercambio de saberes, como propuesta de una política de permanencia e inclusión, basada en el respeto a la diversidad indígena brasileña, registrando las marcas de identidad. de pertenecer. Parto de una metodología narrativa-etnográfica y autoetnográfica crítica y transgresora, que incluye cuestiones de identidad y agencia dentro del ámbito del discurso; Abrazo posturas reflexivas y decoloniales, con el objetivo de tener fundamento en la construcción del diálogo, la interacción, el intercambio de saberes y la resistencia por la existencia de un ser diferenciado. Como resultados, destaco movimientos de transformación discursiva y social, en prácticas reflexivas y accionarias dentro de la UnB y destaco mis experiencias en la universidad como punto de partida para discusiones sociales más amplias que anclan propuestas sobre formas de ser y nuevas formas de poder para apoyar políticas de los pueblos indígenas permanezcan en la academia.Neste artigo investigo os processos sociais e discursivos da presença de estudantes indígenas na Universidade de Brasília (UnB), a partir do meu olhar autoetnográfico. Parto de pressupostos teóricos dos Estudos Críticos do Discurso, em diálogo com os estudos sobre decolonialidade, associados ao pensamento crítico da educação como prática de libertação. O recorte temático se deu sobre a discrepância entre a política de acesso dos estudantes indígenas à UnB e a política efetiva de acolhimento cotidiano, com suas lacunas, voltada para a nossa permanência na universidade. Parto de um registro criativo, dialogado e autoetnográfico, já defendendo o “ser-estar” indígena na academia como troca de saberes, como proposição de uma política de permanência e de inclusão, baseada no respeito à diversidade indígena brasileira, registrando as marcas identitárias de pertencimento. Parto de uma metodologia de cunho narrativo-etnográfico e autoetnográfico crítico e transgressivo, incluindo as questões identitárias e de agenciamentos no âmbito do discurso; abraço posturas reflexivas e decoloniais, no propósito de ter o alicerce na construção do diálogo, da interação, da troca de saberes e da resistência para existência do ser diferenciado. Como resultados, destaco movimentos de transformação discursiva e social, nas práticas reflexivas e acionais dentro da UnB e evidencio as minhas vivências na universidade como ponto de partida para discussões sociais mais amplas e que ancoram proposições sobre modos de ser e de novas formas de poder para apoiar políticas de permanência dos povos originários na academia
Pedagogias Locais, Espiritualidades e Resistências : práticas decoloniais e poéticas esperançadoras
Central America is the result of the coloniality that was perpetuated and of the resistance to the various forms of violence that this coloniality generates. Resistance also emerges in literature, music, local narratives, and popular religiosity. This work brings together the voices of some collectives in situations of resistance, as well as resistance expressed through Central American poetry. In both cases, resistance is a source of hope, nourishes transformative social processes, favors local-contextual pedagogical practices and is nourished by liberating spiritualities.Centroamérica es el resultado de la colonialidad que se ha perpetuado y de la resistencia frente a las diversas formas de violencia que esa colonialidad genera. La resistencia también emerge en la literatura, en la música, en las narrativas locales, en la religiosidad popular. Este trabajo recoge las voces de algunos colectivos en situación de resistencia, así como de la resistencia expresada a través de la poesía centroamericana. En ambos casos, la resistencia es fuente de esperanza, nutre procesos sociales transformadores, favorece prácticas pedagógicas locales-contextuales y se nutre de espiritualidades liberadoras.A América Central é o resultado da colonialidade que se perpetua e da resistência diante das diversas formas de violência que essa colonialidade gera. A resistência também emerge na literatura, na música, nas narrativas locais, na religiosidade popular. Este trabalho reúne as vozes de alguns coletivos em situação de resistência, assim como da resistência expressa através da poesia centro-americana. Em ambos os casos, a resistência é fonte de esperança, nutre processos sociais transformadores, favorece práticas pedagógicas locais-contextuais e se nutre de espiritualidades libertadoras
Cibercultura, educação e ensino: analisando a presença da cultura digital no livro didático de língua portuguesa
A cibercultura é um fenômeno que surge a partir do desenvolvimento tecnológico da sociedade contemporânea e está presente em vários aspectos da vida, sendo fundamental para a economia, a cultura, a política e a educação. Nessa perspectiva, este texto discute os resultados de uma pesquisa realizada no Livro Didático de Língua Portuguesa (LDLP) dos Anos Finais do Ensino Fundamental II, evidenciando os aspectos de ensino, abordagem e metodologias utilizadas em relação à cultura digital no material Trilhas Sistema de Ensino da Editora FTD. O corpus de análise constituiu-se de 4 (quatro) módulos do LDLP do 9º ano, adotando-se como metodologia a Análise Documental, método que consiste em analisar e interpretar documentos de variados tipos. Chegou-se à conclusão de que a cibercultura tem importantes implicações para a educação, que pode ser transformada por meio do uso das tecnologias digitais, pois traz novas formas de acesso, produção e disseminação de informações. Em relação ao Livro Didático, observou-se que há uma preocupação da Editora FTD no enfoque da cultura digital e da cibercultura em seu material, ao abordar as práticas de linguagem do ambiente, os gêneros digitais, as discussões sobre o uso, as potencialidades e os limites das tecnologias digitais e da internet, assim como propostas de produções que favorecem o letramento digital dos/as estudantes
O ensino e aprendizagem para o letramento literário na formação docente de Letras: um estudo na Linguística Aplicada
Esta pesquisa está na área da linguística aplicada (Moita Lopes, 2006; Fabrício, 2006; Souto Maior, 2022; 2023), dos estudos discursivos bakhtinianos (Bakhtin, 2003; Volóchinov, 2017), da formação de professores (Pimenta, 1999; Souto Maior; Luz, 2022) e do letramento literário (Cosson, 2009; 2020; Souto Maior; Lima, 2018) Nosso objetivo é refletir sobre a formação de professores, analisando os discursos sobre ensino em interações em sala de aula e no Projeto Político do Curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas. Metodologicamente nos inscrevemos na linha qualitativa de pesquisa (Lüdke; André, 1986; Oliveira, 2008) e na abordagem interpretativa do discurso (Souto Maior, 2022). A partir dos resultados, destacamos a noção do ensino da literatura que visa à criticidade do/a estudante ao longo de uma prática mais ativa em relação à literatura e a pluralidade de gêneros que circundam o processo de ensino e aprendizagem
O que dizem os professores sobre a interação com estudantes surdos nas aulas de língua portuguesa do ensino médio
Este artigo é parte de uma investigação que tematizou a instauração da (inter)subjetividade entre o estudante surdo, o tradutor e intérprete de língua de sinais (TILS) e o professor de língua portuguesa. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de natureza qualitativa, com aporte teórico na teoria da enunciação, de Émile Benveniste (1995; 2006). Para compreender como se dá a construção da (inter)subjetividade entre o estudante surdo, o tradutor e intérprete de língua de sinais (TILS) e o professor de língua portuguesa, foi realizada uma pesquisa com docentes de língua portuguesa do ensino médio que possuíam estudantes surdos incluídos em turmas regulares. A metodologia contou com a aplicação de um questionário e a realização de entrevistas semiestruturadas, a partir das quais foram levantados dados, que foram transcritos e analisados à luz da teoria eleita. Os resultados apontam para a dificuldade na construção da (inter)subjetividade entre professor x TILS x estudante surdo e para a importância da presença do TILS em razão, principalmente, da falta de proficiência do professor em Língua Brasileira de Sinais