Portal de Periódicos do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEEINTER)
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    A IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/03 NAS AULAS DE ARTES VISUAIS EM CAMPO GRANDE/MS: DO CURRÍCULO À PRÁTICA PEDAGÓGICA

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    Após vinte e dois anos da criação da Lei 10.639/03, que visa trazer a obrigatoriedade da inserção de conteúdos relativos à história, cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica, o debate continua sendo uma necessidade constante. No entanto, não se trata apenas de discutir, é preciso que os dados se transformem em ações para resolver os problemas que ainda persistem em nosso ambiente escolar. A aplicação da lei não é apenas uma questão do movimento negro, mas deve ser encarada como uma questão de toda a sociedade brasileira. Assim, o presente estudo parte da hipótese de que a carência de ações pedagógicas eficazes na disciplina de artes visuais e a resistência ao currículo prejudicam a aplicação da lei, perpetuando práticas educacionais que desconsideram a diversidade cultural. Nesse viés investigativo, tomamos como objetivo geral investigar a prática pedagógica do ensino de artes visuais para aplicabilidade desta Lei. Tendo como proposta de intervenção a construção de uma formação continuada para os docentes na perspectiva interdisciplinar da cultura africana e afro-brasileira na Educação Básica, dessa forma, trazendo uma compreensão mais ampla da lei e seu cumprimento, na prática. Quanto ao aspecto metodológico, a pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa, de natureza aplicada, caráter intervencionista, com os seguintes instrumentos de construção de dados: análise documental, pesquisa bibliográfica e entrevista semiestruturada. Os sujeitos do estudo são docentes de artes visuais da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. O método utilizado terá, como base, alguns princípios da pesquisa-ação, e seguiremos as cinco etapas da colocação do problema. No tratamento da empiria, utilizamos os procedimentos da Análise Textual Discursiva (ATD), que consistem em: unitarização, categorização e comunicação. O estudo oportunizará a construção de diálogos possíveis na luta por uma educação antirracista e pela valorização da diversidade cultural, sendo um processo contínuo, que exige o engajamento de toda a comunidade escolar e da sociedade como um todo, e também possibilitar a indissociabilidade entre teoria e prática. Espera-se ainda que contribua para fortalecer a identidade cultural dos estudantes, promova um ensino mais inclusivo, uma sociedade mais justa e que as instituições de ensino busquem aprimorar a implementação da lei, garantindo que o ensino da história e cultura afro-brasileira seja feita de forma efetiva e abrangente

    “NEGRO? EU?”: IDENTIDADE RACIAL E SILENCIAMENTOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS

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    O presente trabalho apresenta os resultados de um projeto de identidade desenvolvido com turmas do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Presidente João Pessoa, localizada no município de João Pessoa, Paraíba. Intitulado “NEGRO? EU?”, o projeto teve como foco investigar como os/as estudantes reconhecem (ou silenciam) suas identidades raciais, problematizando a construção das noções de negritude nos espaços escolares a partir das intersecções entre as disciplinas de História e Geografia. A proposta partiu da inquietação sobre como a escola pública lida com as relações étnico-raciais e com a presença — muitas vezes invisibilizada — de alunos/as negros/as em seu cotidiano. A metodologia adotada foi qualitativa, com caráter participativo e investigativo. Foram realizadas rodas de conversa, análises de imagens, mapas afetivos, oficinas de leitura e produção de textos, além da aplicação de questionários e dinâmicas de autodeclaração racial. O projeto também utilizou trechos de livros, músicas e documentários que discutem a temática da negritude e o racismo estrutural. O principal recorte analítico foi a escuta ativa dos/as estudantes sobre suas percepções identitárias e os espaços — físicos, sociais e emocionais — que a negritude ocupa em suas trajetórias escolares e pessoais. Os resultados revelaram um profundo silenciamento em torno da identidade negra. Muitos/as estudantes demonstraram dificuldade em se reconhecer como pessoas negras, mesmo quando seus traços fenotípicos e histórias familiares apontavam para essa ancestralidade. O não-reconhecimento, em diversos casos, esteve associado à ausência de representatividade positiva na escola e à persistência de estigmas sociais e culturais que associam a negritude à inferioridade. As falas dos alunos evidenciaram também um certo desconforto e até negação diante da pergunta "Negro? Eu?", o que revela os efeitos de um racismo internalizado e da falta de abordagens sistemáticas sobre o tema no currículo escolar. As discussões promovidas durante o projeto contribuíram para o início de um processo de ressignificação identitária. As atividades possibilitaram que os/as estudantes refletissem sobre suas histórias, suas territorialidades e pertencimentos, articulando saberes de História e Geografia com vivências pessoais. A análise de espaços geográficos de resistência negra na cidade, como quilombos urbanos e movimentos culturais, fortaleceu a compreensão de que a negritude é vivida também como potência. Nas considerações finais, destaca-se a urgência de práticas pedagógicas que enfrentem o racismo de forma direta e que promovam a valorização das identidades negras. A experiência mostrou que é possível construir um ensino interdisciplinar que convoque os alunos a pensarem sobre quem são e sobre os territórios que ocupam, abrindo espaço para o reconhecimento e fortalecimento da identidade negra nas escolas públicas. A pergunta “Negro? Eu?” deixa de ser negação e passa a ser afirmação

    INTEGRAÇÃO DE GRANDES MODELOS DE LINGUAGEM NO ENSINO DE HISTÓRIA: UMA INICIATIVA DE CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA

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    Este trabalho investiga o uso de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) no ensino de História, baseando-se na Aprendizagem Generativa e no Conversational Framework. Por meio de revisão bibliográfica, elaborou-se um protótipo de guia pedagógico que integra IA de forma crítica, com atividades e “prompts” estruturados para metodologias ativas. Embora não aplicado empiricamente, indica potencial transformador, incentivando competências digitais, reflexão autônoma e adaptações para outras áreas

    O ENSINO DE GEOGRAFIA EM PERSPECTIVAS ÉTNICO-RACIAIS

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    Ensinar geografia é incentivar o interesse pelo mundo e compreender o espaço de forma crítica no âmbito econômico, social, ambiental e racial. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é realizar uma proposta de Ensino de Geografia em perspectivas étnico-raciais. Esta pesquisa está sendo elaborada para construir um Ensino de Geografia centrado na perspectiva étnico-racial negra a partir das escrevivências e intenções enquanto pesquisadora e pesquisador, que visam construir uma educação antirracista. Autoras como Evaristo (2023) e Guimarães (2020;2022) contribuíram para o referencial teórico desta pesquisa. Desse modo, espera-se que através desta proposta de ensino, os estudantes possam refletir, dialogar e construir pensamentos no âmbito crítico-espacial, antirracista e descolonial

    Heterossexismo, patriarcado e estupro corretivo de mulheres lésbicas

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    O presente artigo traz reflexões sobre o estupro corretivo de mulheres lésbicas. Parte-se do entendimento de que mulheres e pessoas LGBT+ estão socialmente marginalizadas em condições de inferioridade aos homens heterossexuais. Para realização da pesquisa utilizamos fontes bibliográficas de autores e autoras que debatem esta temática, e dados de ONGs atuantes na questão em tela. A pesquisa mostra como o estupro corretivo é frequente entre mulheres lésbicas e aponta os desafios postos para que possamos refletir sobre este assunto ainda tão encoberto por tabus e pactos silenciosos

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    Corpos à venda: Mercantilização de mulheres trans na vitrine do capitalismo digital

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    O capitalismo digital tem reconfigurado profundamente as relações sociais, econômicas e culturais, transformando corpos em mercadorias e performances em produtos de consumo. Nesse cenário, as mulheres trans ocupam uma posição ambígua: ao mesmo tempo em que ganham visibilidade e, em alguns casos, autonomia financeira por meio de plataformas digitais, são submetidas a processos de fetichização, exploração e marginalização. Este artigo analisa a dinâmica da mercantilização de corpos trans no contexto do capitalismo digital, com foco nas mulheres trans que, devido às barreiras sistêmicas de exclusão social e discriminação, são frequentemente empurradas para trabalhos sexualizados em plataformas online. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica crítica e análise de conteúdo de perfis em plataformas digitais voltadas à prática da prostituição como forma de comercialização dos corpos trans. O texto investiga como a performatividade de gênero e a biopolítica operam no ambiente digital, transformando identidades trans em objetos de consumo. Enquanto as plataformas oferecem espaços de autoexpressão e geração de renda, também reproduzem dinâmicas de poder desiguais, nas quais mulheres trans são reduzidas a produtos fetichizados, apagando suas lutas e subjetividades. A interseccionalidade é mobilizada para evidenciar como raça, classe e gênero se articulam na intensificação das opressões vividas por essas mulheres, especialmente as negras. O artigo também reflete sobre a contradição entre visibilidade e violência: apesar da ampla exposição de seus corpos, mulheres trans seguem vulneráveis à marginalização e à violência física. A crítica ao capitalismo digital vai além da denúncia e propõe caminhos de resistência política, ética e social, com foco na construção de plataformas mais igualitárias e no reconhecimento da dignidade das identidades trans.

    Gênero e direitos: Um olhar sob a Lei Maria da Penha

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    O presente artigo discute, a partir da teoria feminista, o gênero e a relevância de sua observância para a garantia de direitos e a forma com que se relaciona com a Lei Maria da Penha. Com base em uma metodologia qualitativa de caráter analítico-descritivo, objetiva-se, com maior especificidade, investigar a forma como foi criada a referida lei e seu papel na garantia dos direitos das mulheres; analisar o que dizem as decisões acerca de sua aplicação às mulheres trans; além de mapear dados informacionais acerca da violência de gênero no país nos últimos anos. Serão abordadas, primordialmente, premissas do debate teórico basilar da pesquisa. Após, analisa-se a supramencionada lei, sua formulação, aplicação e papel na garantia dos direitos das mulheres. Apreciando-se, por fim, dados informacionais em paralelo ao exposto. No decorrer do trabalho, observou-se, em suma, uma ampla correlação entre os ideais vigentes e disseminados na sociedade, às hierarquias de gênero, a violência e violação dos direitos das mulheres. Conjunturas históricas e culturais, como patriarcado e machismo, interferem diretamente na vida das mulheres, colocando-as em uma situação de vulnerabilidade, em razão do seu gênero. A Lei 11.340/06, surge como um avanço, garantindo e protegendo os direitos das mulheres, havendo posicionamentos favoráveis a sua aplicação às mulheres trans, visto que a lei faz referência a gênero e não sexo. Com os dados, notou-se a persistência da violência, vislumbrando-se uma relação entre escolha da vítima e sua identidade de gênero, havendo, apesar dos avanços, um longo caminho a ser percorrido

    “Sair do armário pode ser perigoso”: Estigmas e representações das homossexualidades na mídia paraense nos anos 1990

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    O presente artigo busca analisar reportagens da imprensa paraense dos anos 1990, nos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal, que abordam a homossexualidade em diferentes perspectivas discursivas. O objetivo é compreender como essas matérias ajudaram a construir sentidos sobre corpos dissidentes em meio a disputas políticas, morais e sociais. A partir de reportagens que tratam do “crescimento” da homossexualidade, da patologização promovida por profissionais da psicologia e da criação de um “Dia do Orgulho Gay”, busca-se mapear os enquadramentos e contradições presentes na cobertura midiática da época. O artigo também aponta como essas narrativas foram atravessadas pela epidemia de AIDS e suas implicações na produção de estigmas. Utilizando o conceito de Representação de Roger Chartier, pretendemos entender o papel da imprensa na construção desses estereótipos ligados às sexualidades dissidentes. A análise evidencia que, apesar de certa visibilidade, os discursos veiculados na mídia regional ainda operavam majoritariamente por meio da ironia, de preconcepções e da espetacularização da diferença, revelando os limites da liberdade sexual no contexto amazônico da década de 1990

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