IPL Journals Polytechnic Institute of Lisbon
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Usos e funções da fotografia impressa na Exposição Documentária do I Congresso da União Nacional (1934)
This article discusses the uses and functions of mass printed photography in the context of the discoursive public space exhibition of 1934 “Documentary Exhibition”, which took place in Lisbon during the 1st Congress of the National Union single party. The background and the history of the Portuguese authoritarian regime presiding over this Exhibition are addressed, as well as the exhibitions practices used, while taking into account the propaganda model that inspired it, namely the Mostra della Rivoluzione Fascista (Rome, 1932). Finally, we discuss and analyze the exhibition as ‘documentary’, propaganda and ‘factography’, questioning the possibility of applying the latter concept to the portuguese exhibition. The first section, under the responsibility of António Ferro, presented the political background of the military movement of May 28, 1926, while the second one showed the accomplishments of the dictatorship and its leader after the military coup. The success of the exhibition was mainly due to the way Ferro and his team re-used and re-contextualized the printed photography of the republican period prior to 1926, using for that purpose the archive of the magazine Ilustração Portuguesa. Equally important was the decoration of the show-rooms of the pavilion where the dictatorship’s accomplishments were presented as a counterpoint between the past and the present, chaos and order.Este artigo discute os usos e funções da fotografia impressa de massas no contexto do espaço discursivo público da Exposição Documentária de 1934, inaugurada no Palácio de Exposições do Parque Eduardo VII, durante o I Congresso da União Nacional, na Sociedade de Geografia. Apresentam-se os antecedentes e o contexto histórico do regime autoritário português em que a exposição ocorreu, discutindo-se as práticas expositivas nela desenvolvidas, tendo em conta o modelo propagandístico invocado que a inspirou, a Mostra della Rivoluzione Fascista, de Roma, em 1932. No final do artigo, discute-se e analisa-se a exposição como ‘documentário’, propaganda e ‘factografia’, problematizando-se a impossibilidade de aplicar à mostra portuguesa este último conceito. A primeira secção, sob a responsabilidade de António Ferro apresentava os antecedentes do movimento militar do 28 de Maio de 1926, enquanto a segunda exibia a obra da ditadura e do seu chefe depois do golpe militar. O êxito da exposição deveu-se em grande parte ao modo como António Ferro e a sua equipa reutilizaram e recontextualizaram a fotografia do período republicano anterior a 1926, recorrendo para isso ao arquivo da revista Ilustração Portuguesa. Igualmente importante foi a decoração das salas e dos andares do pavilhão, onde se apresentava em contraponto a obra da ditadura e do seu chefe, entre o passado e o presente, o caos e a ordem
Desafios para a historiografia do jornalismo literário português
Literary journalism has been throughout time the target for several international studies. Since it is a genre that stands out by breaking through the techniques and traditional methodologies that define the so called conventional journalism, this journalistic format opens up many ethical-practical questions about its conception, factuality and narrative choices. This type of journalism knows currently in Portugal a distinct emancipation through the writing of great names of national journalism who seek to face reality in a more humane, immersive and descriptive manner; far from the formalities of the lead or the inverted pyramid. This investigation aims to touch upon some of the edges of this type of journalistic investigation and to contribute, positively and critically, to the construction and localization of a possible historiography of Portuguese literary Journalism.A temática do jornalismo literário tem vindo a ser alvo de vários estudos internacionais. Contudo, por se tratar de um género que se distingue por um romper com as técnicas e metodologias tradicionais que marcam o jornalismo dito convencional, este formato jornalístico levanta muitas vezes questões ético-práticas sobre a sua conceção, factualidade e escolhas narrativas. Este tipo de jornalismo conhece na atualidade portuguesa uma emancipação distinta através da escrita de grandes nomes do jornalismo nacional que procuram abordar a realidade de uma forma mais humana, imersiva e descritiva; longe dos formalismos do lead ou da pirâmide invertida. Procura esta investigação limar algumas das arestas do que significa este tipo de investigação jornalística e contribuir, positiva e criticamente, para a construção e localização de uma possível historiografia do jornalismo literário português
José Compte: de la fotografía publicitaria a la propaganda en la guerra civil española (1936-1939)
Within the increasing number of scholarship devoted to Spanish photography during the Spanish Civil War (1936-1939), the production of Franco’s side has received relatively little attention until recently. The new historiography has rediscovered, however, figures like Jose Compte, a commercial photographer that during the civil war carried out an ample propagandistic work in the Francoist Spain. This paper aims to provide an overview of the photographic work carried out by Compte during the civil war. This case is symptomatic of the development of an avant-garde aesthetics in the context of fascist movements in southern Europe, with clear parallels in other works made in Italy or Portugal during the 1930s.Dentro del creciente número de estudios existente sobre la fotografía realizada durante la guerra civil española (1936-1939), la producción del bando franquista ha recibido una atención relativamente escasa hasta ahora. La historiografía reciente ha rescatado, sin embargo, a figuras como José Compte, un fotógrafo comercial, que durante la guerra civil realizó un amplio trabajo propagandístico en la España franquista. Este estudio trata de ofrecer una visión sintética de la obra fotográfica realizada por Compte durante la guerra civil, un caso que resulta sintomático del desarrollo de una estética de vanguardia en el contexto de los movimientos fascistas del sur de Europa, que tiene paralelismos claros en otros trabajos realizados en Italia o Portugal durante los años treinta
Do consumo à apropriação dos MMORPGs
This article seeks to identify and characterize some of the major changes that have led to the need to (re)think the role of the player regarding video games such as the Massively Multiplayer Online Role Playing Games (MMORPGs). Based on the criticism of the magic circle concept and on several theoretical contributions pointing out the MMORPGs as a space of negotiation that draws producers and consumers together (Jenkins, 2006; Steinkuehler, 2006; Klevjer, 2008; Consalvo, 2009; among others), we intend to demonstrate the molding to which this type of games are subjected, particularly in the video game World of Warcraft. A discussion forum of World of Warcraft was analyzed in order to highlight situations in which the negotiation of the game’s reality is present. Finally, we systematize the theoretical contributions and discuss the process underlying the molding of MMORPGs.Este artigo visa identificar e caracterizar algumas das grandes mudanças que têm conduzido à necessidade de (re)pensar o papel do jogador face a videojogos como os Massively Multiplayer Online Role Playing Games (MMORPGs). Partindo da crítica ao conceito de círculo mágico e tendo por base os diversos contributos teóricos de quem concebe os MMORPGs como um espaço de negociação que aproxima produtores de consumidores (Jenkins, 2006; Steinkuehler, 2006; Klevjer, 2008; Consalvo, 2009; entre outros), pretende-se demonstrar a moldagem a que este tipo de jogos estão sujeitos, particularmente o videojogo World of Warcraft. Para tal, e tendo por base uma análise a um fórum de discussão do videojogo em questão, procura-se evidenciar as situações em que a negociação da realidade de jogo esteja presente. Por fim, apresenta-se uma proposta que sistematiza as contribuições teóricas e estrutura o processo que estará na base da moldagem dos MMORPGs
Hume, Mick (2016). Direito a Ofender – A liberdade de expressão e o politicamente correcto. Tinta da China. (316 páginas). ISBN 978-989-671-321-8Ash, Timothy Garton (2017). Liberdade de Expressão – Dez princípios para um mundo interligado. Temas e Debates
A liberdade de expressão está sob fogo. Isso é testemunhado pelos dois livros publicados recentemente e traduzidos de imediato para português. Mick Hume, um veterano marxista do jornalismo britânico, debruça-se sobre o politicamente correto, em particular nos domínios tanto do jornalismo, da comédia e da academia, como também - menos comum - do futebol. Antes de o fazer, Hume apresenta uma história da liberdade de expressão; útil lembrete do preço que se pagou por tão precioso bem. Ora, essa história polarizou-se à volta de dois pontos: a blasfémia e o segredo de Estado. No Ocidente, a primeira questão está internamente resolvida, e a segunda foi democraticamente regulada segundo o princípio da publicidade. O problema hoje decorre em grande parte das reivindicações identitárias - o crime de blasfémia, de vertical, passou a horizontal; o processo de individualização exacerbada tornou cada pessoa um Deus para si própria, e agora reclama o respeito que lhe é putativamente devido (cf. Hume, p. 61). Mas os deuses são ciumentos, e numa esfera pública assim constituída toda e qualquer palavra é, ou pode ser, ofensiva. A ‘horizontalização’ do problema dá-lhe um ar de respeitabilidade laica, ao reduzir a questão à delimitação da esfera individual, onde se trata de compatibilizar as diferentes liberdades individuais, entendidas agora como direito a não ser ofendido (cf. Hume, p. 105). Os efeitos, contudo, são os mesmos, e é para os alcançar que se recorre a esta estratégia de “lobo no redil”, como a designa Guy Haarscher1
Folheando Lisboa: o fotolivro urbano Lisboa no Cais da Memória de Eduardo Gageiro (2003)
This article examines the representation of late Estado Novo (New State) Lisbon in Eduardo Gageiro’s Lisboa no Cais da Memória (2003). I explore how the work’s anchorage and clear affiliation to humanistic street photography set up a particular reading of the work. In this light, I will then consider how the text’s format as a photobook works to concatenate and undergird this reading to create a urban-like space in which the reader can follow in the footsteps of the flâneur/street photographer through an articulated simulation of the space-time in question.Examino neste artigo a representação do Estado Novo tardio na obra de Eduardo Gageiro, Lisboa no Cais da Memória (2003). Exploro assim o modo como a obra está ancorada e como a sua clara filiação na "street photography" conduziu a uma particular leitura do trabalho. Nesta perspectiva, abordarei pois a forma como o formato do texto, enquanto foto-livro, funciona de maneira a encadear e a sustentar a leitura, criando um espaço \u27para-urbano\u27, no qual o leitor pode seguir os passos do fotógrafo-flâneur, através de uma simulação articulada desse espaço-tempo
Medeiros, Margarida (coord. e org.) (2016). Fotogramas: ensaios sobre fotografia, Lisboa: Documenta, 2016. (222 páginas). ISBN 978-989-8833-01-3
Um fotograma é, no léxico fotográfico, uma imagem resultante do contacto de um objeto com uma folha de papel sensível à luz, depois de exposta e revelada. É uma forma de fazer fotografia sem câmara fotográfica que apela aos primórdios da história da fotografia e aos ensaios de Johann Henrich Schulze (1687-1744) na década de 20 do séc. XVIII, quando verificou que uma mistura de nitrato de prata e giz escurecia quando exposta à luz, fenómeno que não ocorria em zonas resguardadas do seu contacto
Espaço, fotografia e ‘factografia’ na propaganda do SPN
In the early years of the Portuguese’ New State (1933-1974), photography took a decisive role as a vehicle for propaganda. In fact, by adapting international models in vogue and working plastically on the images with the aim of transforming them into ideological messages, a discursive logic was tested and would bear fruit in several publications and exhibitions. However, the boldness of this approach, unprecedented for Portugal until then, soon faded. If in the Portuguese World Exhibition of 1940 not much was left of it, in the post-war period the regime’s propaganda took on another tone in the photographic image - and also in that it adapted, after all, to the spirit of the time.Logo nos primeiros anos do Estado Novo (1933-1974), a fotografia assumiu um papel determinante enquanto veículo de propaganda. Com efeito, adaptando modelos internacionais em voga e trabalhando plasticamente sobre as imagens com o objetivo de as transformar em mensagens ideológicas, testou-se uma lógica discursiva que daria frutos em diversas publicações e exposições. No entanto, o rasgo dessa abordagem, inédita para o Portugal de então, cedo se desvaneceu. Se na Exposição do Mundo Português, de 1940, pouco dela restava, no pós-guerra foi já outro o tom que a propaganda do regime assumiu na imagem fotográfica – e também nisso se adaptou, afinal, ao espírito da época
Introdução
A publicação deste número especial temático composto por onze estudos inéditos - intitulado Fotografia e Propaganda no Estado Novo - é a primeira iniciativa editorial do Projecto Fotografia Impressa. Imagem e Propaganda em Portugal (1934-1974) e resulta da chamada de trabalhos ocorrida em Janeiro de 2017, através da revista Comunicação Pública, da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), com o apoio do Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Imagem em movimento: o documentarismo no Estado Novo e a representação do povo (1933-1950)
In the early years of Estado Novo, the documentarism appears as the regime\u27s great bet in propaganda. Broadcasted images represent the values of Salazar, in particular its vision of people and popular culture. This article intends to offer a view of propaganda documentarism between 1933 and 1950. The images of people and popular culture are privileged targets of analysis. For this, the deconstruction of film discourse gains a special focus through a case approach: the documentary "The most Portuguese village of Portugal".Nos primeiros anos do Estado Novo, o documentarismo aparece como a grande aposta do regime na propaganda. As imagens veiculadas representam os valores do salazarismo, nomeadamente a sua visão de povo e da cultura popular. Este artigo pretende oferecer uma visão do documentarismo de propaganda entre 1933 e 1950. As imagens do povo e da cultura popular são alvos privilegiados da análise. Para tal, a desconstrução do discurso fílmico ganha um enfoque especial através de uma abordagem de caso: o documentário A aldeia mais portuguesa de Portugal