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    As estratégias de leitura de Nietzsche: O caso August Schlegel: Nietzsche’s Reading Strategies: The Case of August Schlegel

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    Nietzsche inicia suas leituras do pensador romântico August Schlegel nos anos de formação em Pforta e as retoma, inúmeras vezes, no período de elaboração de O nascimento da tragédia. O jovem ocupa-se com diferentes escritos de tal pensador, tanto seus estudos sobre teoria da arte, publicados em Lições sobre belas letras, quanto seus estudos sobre a tragédia grega, publicados em Lições sobre arte dramática. Pretendo, neste trabalho, a partir do exame de diversos registros de leituras, como excertos, anotações, escritos não-publicados, e seus desdobramentos na obra publicada, refletir sobre as fontes de Nietzsche e a relação muito peculiar de Nietzsche com suas fontes. Palavras-Chave: Nietzsche; August Schlegel; fontes; leitura; apropriaçãoNietzsche commenced his engagement with the Romantic thinker August Schlegel during his formative years at Pforta, and subsequently returned to him on numerous occasions during the period of writing The Birth of Tragedy. The young deals with various writings of this thinker, both his studies on art theory, published in Lessons on Fine Arts, and his studies on Greek tragedy, published in Lessons on Dramatic Art. In this paper, I intend to reflect on Nietzsche’s sources and Nietzsche’s very peculiar relationship with his sources by examining various reading records, such as excerpts, notes, unpublished writings, and their unfolding in the published work. Keywords: Nietzsche; August Schlegel; sources; reading; appropriatio

    A relação de Nietzsche com suas fontes filosóficas: Uma taxonomia dos usos: Nietzsche’s relation to his philosophical sources: A taxonomy of uses

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    The aim of this paper is, firstly, to present some reasons of why source criticism is a particularly promising methodological approach when applied to Nietzsche’s work. Starting from a first taxonomy, devoted to the various methodological approaches in the history of philosophy, I argue that source criticism is particularly well suited to dealing with Nietzsche’s work, due to the enthymematic nature of the ways he presents his arguments as well as to the nature of some of his substantive philosophical commitments (such as ethical perfectionism and descriptive fictionalism). Next, I propose a second taxonomy, which classifies the variety of connections Nietzsche establishes with his philosophical sources: spiritual affinity, programmatic commitment and instrumental appropriation. Keywords: taxonomy, source criticism, historiography of philosophy, Nietzsche.Meu propósito nesse artigo é, em primeiro lugar, apresentar as razões que tornam a adoção do estudo de fontes, no caso específico da obra de Nietzsche, um recurso metodológico particularmente promissor. Partindo de uma primeira taxonomia, consagrada às diversas abordagens metodológicas no domínio da história da filosofia, argumento que um estudo de fontes se ajusta particularmente bem à obra de Nietzsche, tanto pelo caráter entimemático de sua forma de apresentação dos argumentos quanto pela natureza de alguns de seus compromissos filosóficos substantivos (como o perfeccionismo ético e o ficcionalismo descritivo). Proponho, por fim, uma segunda taxonomia (dos usos), que tipifica a variedade de relações que ele estabelece com suas fontes filosóficas: afinidade espiritual, filiação programática e apropriação instrumental. Palavras-chave: taxonomia, estudo de fontes, historiografia da filosofia, Nietzsch

    Zhao Tingyang, Tianxia e Direitos Humanos: Zhao Tingyang, Tianxia and Human Rights

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    The diversity that constitutes the world encompasses various forms of existence and social and political organization. In this sense, drawing from a significant concept from ancient China, the contemporary Chinese philosopher Zhao Tingyang developed a theory that can provide significant insights into how we can understand human rights through the lens of Chinese philosophy, history, and culture: the Tianxia theory. This article, stemming from a presentation at the IX Colloquium of Eastern Philosophy, briefly explores the connection of this theory to the notion of human rights.Keyworlds: Confucianism, Daoism, humanity, coexistence, interrelatednessA diversidade que compõe o mundo compreende várias formas de existência e de organização social e política. Neste sentido, a partir de um conceito significativo da China antiga, o filósofo contemporâneo chinês Zhao Tingyang elaborou uma teoria que pode dar direcionamentos significativos sobre como podemos entender os direitos humanos a partir da filosofia, da história e da cultura Chinesa: a teoria Tianxia. Este artigo, resultante da apresentação no IX Colóquio de Filosofia Oriental, relaciona de forma breve a conexão desta teoria à noção de direitos humanos.Palavras-chave: Confucionismo, daoísmo, humanidade, coexistência, inter-relacionalidade

    O lobo dentro da criança: Otimismo e hesitação na literatura evolucionária de Lu Xun: The Wolf Inside the Child: Optimism and Hesitation in Lu Xun’s Evolutionary Literature

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    In this work, we propose the image of the wolf, symbol of brutality and violence, as a key to understanding the evolutionary literature of Lu Xun (1881-1936), particularly the shift in tone between his first book of short stories, Call to Arms (Nahan, 呐喊, 1923), and his second, Hesitation (Panghuang, 彷徨, 1926). The wolf, whose days were numbered in the first book with the arrival of the new human, appears in the second work roaming free and devouring the children of China. Lu Xun’s pessimism, generated by his later experiences, devoured his early optimism. We will demonstrate how the wolf symbol is connected to and can be interpreted in terms of Lu Xun’s belief in the ethical evolution of humans and in the new humanity, as in Nietzsche’s Thus Spoke Zarathustra. This interpretation explains Lu Xun’s critique of Confucian traditional culture, which would be fundamentally static and focused on the models of the past. Keywords: Lu Xun; Wolf; Evolutionary ethics; Confucian culture; NietzschePropomos neste trabalho a imagem do lobo, símbolo da brutalidade e violência, como uma chave para o entendimento da literatura evolucionária de Lu Xun (1881-1936), em especial a mudança de tom que se observa entre seu primeiro livro de contos, Grito (Nahan, 呐喊, 1923), e o segundo, Hesitação (Panghuang, 彷徨, 1926). O lobo, que no primeiro livro está com seus dias contados com o surgimento do novo homem, aparece na segunda obra à solta e a devorar as crianças da China. O pessimismo gerado pela experiência do autor devora o seu otimismo inicial. Mostramos ainda como a imagem do lobo se articula com a filosofia pessoal de Lu Xun, isto é, sua crença no evolucionismo ético, e na nova humanidade conforme Nietzsche em Assim Falou Zaratustra, o que explica a sua crítica à cultura confucionista tradicional, a qual seria fundamentalmente estática e voltada aos modelos do passado. Palavras-chave: Lu Xun; Lobo; Evolução ética; Cultura confuciana; Nietzsche

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    Freud, um nietzscheano pessimista? Freud, a pessimistic Nietzschean?

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    Tendo como pano de fundo os grandes temas que geraram e ainda geram muitas comparações entre Nietzsche e Freud, o presente artigo discute fundamentalmente um aspecto da recepção freudiana do filósofo alemão: como o tratamento dedicado ao tema do sofrimento é um dos principais vínculos entre esses dois pensamentos e, de modo mais amplo, entre filosofia e psicanálise. Independentemente de quanto o psicanalista de fato tenha lido da obra do filósofo, há um contexto mais amplo que comprova a genuína preocupação da época com o tema e, por conseguinte, assegura o possível diálogo entre os dois pensadores: a “controvérsia” sobre o pessimismo. Sob esse ponto de vista, busca-se contribuir para um debate mais amplo em que não apenas a psicanálise, mas também a filosofia, são consideradas práticas terapêuticas que, como reações ao sofrimento, transformam, e ao mesmo tempo, criam subjetividades. Palavras-chave: Nietzsche; Freud; Sofrimento; Pessimismo.Having as a backdrop the big themes that generated and still generate many comparisons between Nietzsche and Freud, this paper fundamentally discusses one aspect of the German philosopher’s Freudian reception: how the treatment dedicated to the theme of suffering is one of the main links between these two thoughts and, more broadly, between philosophy and psychoanalysis. Regardless of how much the psychoanalyst actually had read of the philosopher’s work, there is a broader context that proves the genuine concern of the time with the topic and, therefore, ensures possible dialogue between the two thinkers: the “controversy” over pessimism. From this point of view, we seek to contribute to a broader debate in which not only psychoanalysis, but also philosophy, are considered therapeutic practices that, as reactions to suffering, transform and, at the same time, create subjectivities. Keywords: Nietzsche; Freud; Suffering; Pessimism

    Nietzsche entre ruínas e risos: Paul Bourget e Charles Baudelaire como fontes da décadence: Nietzsche among ruins and laughter: Paul Bourget and Charles Baudelaire as sources of décadence

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    Based on the research already conducted by Nietzsche-Forschung, especially by Mazzino Montinari, Giorgio Colli, Giuliano Campioni, and Karl Pestalozzi, this article aims to develop and elucidate to what extent Nietzsche’s engagement and confrontation with the works of Paul Bourget and Charles Baudelaire contribute to the final formulations of his theory of decadence, as presented in his works from 1888, particularly in “The Case of Wagner.” It argues that Nietzsche places the concept of decadence at the center of his later philosophy as a fundamental strategy for his greater task, the transvaluation of values. Keywords: Décadence; Nietzsche; Baudelaire; Transvaluation; BourgetPartindo da pesquisa de fontes já realizada pela Nietzsche-Forschung, sobretudo por Mazzino Montinari, Giorgio Colli, Giuliano Campioni e Karl Pestalozzi, o presente artigo tem por objetivo desenvolver e explicitar em que medida e extensão se dá o contato e o confronto de Nietzsche com as obras de Paul Bourget e Charles Baudelaire para as derradeiras formulações da sua teoria da décadence, tal como se apresenta nas obras de 1888, sobretudo em O Caso Wagner. Argumenta-se que Nietzsche posiciona o conceito de décadence no centro de sua filosofia tardia como estratégia fundamental para a sua tarefa maior, a transvaloração dos valores. Palavras-chave: Décadence; Nietzsche; Baudelaire; Transvaloração; Bourget

    Power for the Powerless: Martin Luther King, Jr.'s Late Theory of Civil Disobedience

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    Martin Luther King, Jr.’s “Letter from a Birmingham Jail” has been canonized as an essential statement of the political theory of civil disobedience. This article examines the early reception of King’s essay and the development of the liberal idea of civil disobedience it has become synonymous with to argue that its canonization coincided with, and displaced, the radicalization of King’s developing thinking about disobedience. It examines published and archival writings from 1965 through 1968 to reconstruct King’s power-oriented theory of “mass” civil disobedience as it developed in response to the dual challenges of white backlash and Black Power. The basic challenge of mass civil disobedience is how to mobilize liberating acts of taking power without undercutting the possibility of transformative integration through sharing power. To articulate this dilemma, this article draws on an undertheorized category from John Rawls’s A Theory of Justice to conceptualize disobedience as a practice of militant love.A “Carta de uma prisão em Birmingham”, de Martin Luther King Jr., foi canonizada como uma afirmação essencial da teoria política da desobediência civil. Esse artigo examina a recepção inicial do ensaio de King e o desenvolvimento da ideia liberal de desobediência civil, da qual virou sinônimo, de maneira a argumentar que sua canonização coincidiu com, e deslocou, a radicalização do desenvolvimento do pensamento de King a respeito da desobediência. O artigo examina escritos publicados e arquivados de 1965 até 1968 para reconstruir a teoria de desobediência civil “massificada” orientada ao poder de King conforme se desenvolveu em resposta ao duplo desafio do backlash branco e do movimento Black Power. O desafio básico da desobediência civil de massa é como mobilizar atos libertadores de tomada de poder sem erodir a possibilidade de integração transformadora através do compartilhamento de poder. Para articular esse dilema, esse artigo se inspira em uma categoria pouco teorizada de Uma teoria da justiça, de John Rawls, para conceitualizar a desobediência como uma prática de amor militante

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