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Dialética da libertação: Crítica e utopia na teoria da emancipação de Marcuse
A dimensão da utopia concreta é constitutiva da teoria crítica de H. Marcuse. No seu confronto com teorias tradicionais, como a de Freud, esse olhar diferenciado possibilitou uma apropriação produtiva numa perspectiva emancipatória. Alargou-se, assim, o horizonte de atuação crítica para além do princípio de realidade instituído. Ao ampliar os conceitos de classe social e de negação na dialética, Marcuse desloca o lugar social da negação, libertando a práxis social da petrificação ritualizada do marxismo ortodoxo e da interdição de certos pressupostos idealistas. Uma das consequências será a necessária afirmação da primazia qualitativa nos processos de transformação social e de luta de classes. Ao articular dialeticamente as dimensões da crítica e da utopia, Marcuse elabora uma teoria da emancipação que adquire significado especial na atualidade. Neste artigo, pretende-se apresentar os principais elementos constitutivos dessa teoria a partir de algumas obras centrais do autor
Herbert Marcuse e os destinos da hipótese repressiva
O artigo pretende desenvolver a questão marcuseana sobre a repressão enquanto fator constitutivo da sociedade. Seria a dinâmica repressiva um fator presente na sociedade contemporânea? Uma questão difícil, dado que Foucault problematiza a hipótese repressiva enquanto dispositivo crítico dos modelos sociais da biopolítica. Para o autor, a denúncia do modelo repressivo da sociedade é insuficiente para pensar as dinâmicas contemporâneas de poder sobre a vida, mediante as quais se “faz viver e deixa-se morrer”. Exercício novo do regime de liberdades que deixa sob suspeita a denúncia da repressão, que fala contra o poder e promete o gozo. Mas, nos questionamos: no cenário contemporâneo, é possível abandonar este conceito? Ou a dinâmica repressiva assume novas formas e mecanismos? Para tanto, investigamos os desdobramentos da repressão no pensamento de Marcuse. Movimento que nos faz descobrir novos aspectos do problema, como a “dessublimação repressiva”. Ao fim, à luz da biopolítica, perguntamos: o que resta de repressivo
O pensamento chinês contemporâneo e a questão da modernidade. Contemporary Chinese thought and the question of modernity. Trad. Eduardo Vichi Antunes & Liu Si (刘凘)
O ano de 1989 foi um marco histórico; uma fase de quase um século de experimentação socialista chegou ao fim. Dois mundos tornaram-se um: um mundo capitalista globalizado. A China não se desintegrou como o fizeram a União Soviética e os países socialistas do Leste Europeu. No entanto, isso, de forma alguma, impediu que a sociedade chinesa entrasse rapidamente no campo econômico da produção e do comércio globalizados. A insistência do governo chinês em relação ao socialismo não impossibilita de modo algum que se chegue à seguinte conclusão: em todos os seus comportamentos, incluindo os econômicos, políticos e culturais – e mesmo governamentais – a sociedade chinesa conformou-se completamente aos ditames do capital e às atividades de mercado. Se tentarmos compreender as condições do pensamento e da cultura chinesa da última década do século XX, precisaremos entender as mudanças supramencionadas e as transformações sociais subsequentes
Spinoza’s Critique of Religion and Its Heirs: Marx, Benjamin, Adorno.
Espinosa adentra no cânone filosófico ocidental e deixa uma herança no que diz respeito ao modo de pensar a religião, principalmente com o engenho e a condenação do Tratado Teológico-Político (TTP). Com efeito, sua origem religiosa e seu percurso intelectual extremamente crítico e secular são fatores que o marcam ainda mais como uma figura emblemática na história do pensamento, que, por sua vez, influencia diversos pensadores, principalmente no tema da formação do Estado em relação com a religião. Spinoza’s Critique of Religion and Its Heirs, ao enquadrar o autor holandês em uma tradição de pensamento caracterizada por Idit como “aristotélico-materialista”, tem por objetivo guiar o leitor através das conseqüências materiais e históricas do sistema espinosano, muito além da metafísica. A obra é focada na análise de Marx, Benjamin e Adorno com o intuito de mostrar como a crítica radical de Espinosa a religião moldou as criticas materialistas à filosofia da história. Em sua generalidade, a obra procura demonstrar como as noções antagônicas de temporalidade e história são a base para o pensamento desses teóricos críticos
Editorial
A Modernos & Contemporâneos entra em uma nova fase de consolidação enquanto um importante meio acadêmico de publicações de trabalhos filosóficos e comemora o início de seu terceiro ano de existência, atingindo uma excelente avaliação. Nesta nova fase, a Revista tem o prazer de acolher um volume especial, de três números, sendo dois deles dedicados especialmente ao tema Filosofia e Psicanálise. Esses dois números, publicados excepcionalmente nos dois primeiros quadrimestres deste ano, se justificam pela relevância do tema e inauguram, desta forma, a abertura da revista para temas especiais que merecem mais de um número. Parabenizo a equipe de trabalho, todos as nossas colaboradoras e colaboradores pelo empenho nesta tão importante tarefa que temos realizado. Em tempos de tantas adversidades, publicar, mais do que nunca, se tornou um ato de resistência.
Antonio Florentino Neto – Editor Chef
Apresentação
O dossiê especial Filosofia & Psicanálise, dividido em dois volumes, disponibiliza ao leitor contribuições de autores do Brasil, França e Argentina. Os textos, traduções e resenhas reunidos versam sobre o arcabouço teórico freudolacaniano na relação conceitual com a Filosofia e outras áreas do saber. O desenvolvimento das problemáticas teóricas e clínicas alçadas em ambos os volumes se estabelecem ou pela explicação textual, explicitando a gênese, a articulação dos conceitos psicanalíticos e suas relações intertextuais e conceituais, ou então o caminho da contraposição, relação ou confronto entre Filosofia, Psicanálise e Política. Em específico neste primeiro volume, o leitor encontrará doze artigos selecionados no dossiê, além de três artigos independentes, quatro resenhas críticas e uma tradução. A divisão dos textos do dossiê se consuma pela proximidade teórica, sendo os primeiros artigos mais vinculados ao lacanismo e suas interlocuções e, os subsequentes, ao freudismo e suas interlocuções. Os organizadores desejam a todos uma excelente leitura.
Daniel Omar Perez e Alexandre Starnin
Clinical structures and the sinthoma calembur: Clinical structures and the sinthoma calembur
No presente artigo fundamentamos a noção psicanalítica de calembur e sua relação com o sinthoma. Num primeiro momento, buscamos trazer os problemas relativos à tradução do termo freudiano ‘Kalauer’; conceito este pouco abordado por Freud e por toda a literatura psicanalítica. Em seguida, nos inserimos na compreensão e apropriação lacaniana do termo: desenvolvemos a noção de calembur no âmbito das estruturas clínicas – neurose, psicose e perversão – em correspondência com formações discursivas designadas nos jogos de linguagem. Por fim, avançamos na relação entre calembur e a expressão do sinthoma na implicação da categoria Real.
Palavras-chave: calembur; sinthoma ; estruturas clínicas; Real ; linguagem