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O anseio pelo totalmente Outro: Sobre as "lágrimas dos bichos" em Adorno e Horkheimer
Com base na teoria crítica de Adorno e Horkheimer, o presente trabalho tem como objetivo apresentar a questão do sofrimento de animais no processo civilizatório. Levantamos alguns elementos relacionados às temáticas da dominação da natureza, do antissemitismo e comportamento mimético, e aos referentes à teologia negativa em Horkheimer, para poder pensar a questão animal no âmbito da ética que se baseie na ansiedade por justiça aos que padecem na nossa sociedade.Based on the critical theory of Adorno and Horkheimer, this paper aims to present the issue of animal suffering in the civilizing process. We raised some elements related to the themes of the domination of nature, anti-Semitism, and mimetic behavior, as well as those referring to negative theology in Horkheimer, in order to be able to think about the animal question in the scope of an ethics that is based on the anxiety for justice for those who suffer in our society
Consideraciones sobre la dialéctica del mito desde el pensamiento de José Carlos Mariátegui y Hegel
José Carlos Mariátegui (1894-1930) foi um pensador marxista peruano que não apenas contribuiu genuinamente para a compreensão da realidade peruana a partir de sua estrutura econômica, como também refletiu sobre as condições subjetivas da revolução, levando a sério a psicologia e os imaginários presentes na vida social das massas. Uma categoria que o auxiliou a pensar sobre isso foi precisamente a de mito. Com o objetivo de realizar uma análise do ainda pouco estudado conceito de mito presente na obra de José Carlos Mariátegui, reconstruímos, em primeiro lugar, a compreensão específica de Mariátegui sobre o mito, considerando também seus aspectos problemáticos. Em seguida, concentramos nossa atenção na constituição material do mito. Por fim, confrontamos o conceito de mito defendido por Mariátegui com a exposição feita por Hegel. Veremos que a conceitualização de Mariátegui é própria a uma filosofia que enfrenta não apenas a revolução, mas também a barbárie e o desencantamento do mundo, possuindo afinidade e sendo complementar com as teorizações de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Max Horkheimer. Ao concluir esse processo, avaliamos até que ponto o mito de Mariátegui defende a dialética hegeliana contra si mesma e retoma a discussão entre a dialética especulativa e a negativa com relação aos problemas da prática política.José Carlos Mariátegui (1894-1930) fue un pensador marxista peruano quien no solamente contribuyó de manera genuina a una comprensión de la realidad peruana a partir de su estructura económica, sino que también reflexionó acerca de las condiciones subjetivas de la revolución, tomando en serio la psicología y los imaginarios que se presentan en la vida social de las masas. Una categoría que le ayudó a pensar esto es precisamente la categoría de mito. Con el fin de llevar a cabo un análisis del todavía poco estudiado concepto de mito que se encuentra en la obra de José Carlos Mariátegui, reconstruimos, en primer lugar, la comprensión específica de Mariátegui acerca del mito, considerando a su vez sus aspectos problemáticos. Al hacerlo, nos concentramos, en un segundo momento, en la constitución material del mito. Finalmente, confrontamos el concepto de mito sostenido por Mariátegui a la exposición que de él hace Hegel. Veremos que la conceptualización de Mariátegui es propia a una filosofía enfrentada no solo a la revolución sino también a la barbarie y al desencantamiento del mundo, afinidad y complemento con las teorizaciones de Walter Benjamin, Theodor Adorno y Max Horkheimer. Al culminar este proceso, evaluamos hasta qué punto el mito de Mariátegui defiende la dialéctica hegeliana contra sí misma y reanuda la discusión entre la dialéctica especulativa y la negativa con respecto a los problemas de la práctica política
“Human Rights” as One Third of the “Rights”: “Direitos Humanos” como um terço dos “Direitos”
Human rights are basic and essential. Freedom, equality, justice, basic security (food, shelter, clothing), peace. But so are the earth rights (or the rights of the environment). And also the animal rights, or more broadly, “non-human” rights. These are rights that must be respected and protected by us, which in turn will protect and strengthen human rights. We need to move away from an anthropocentric formulation of the language of rights, and speak of “rights” more broadly, so that we do not lose sight of the fact that we are inhabitants on this planet and embraced in the bosom of magnificent nature. The more inclusive a “language we speak,” the more diverse and subtle voices do we become attuned to hear. Nishida Kitarō spoke of “seeing the form of the formless; hearing the sound of the soundless.” I apply this as a practical principle to deal with the larger environment-climate crises. Non-human beings including non-sentient things. This is an intellectual-spiritual perspective that runs deep in Nishida Kitarō’s philosophy and other Kyoto School thinkers’ thought. The more balanced a view of “rights” we cultivate—encompassing human, environmental, and all things on earth, the more flexible and robust a future path can we find for our planet. This will clarify the course of action we need to take. At least this is my hope.Keywords: Human Rights, Earth Rights, Non-Human Rights, Kyoto School
Cosmotécnica, inter-relacionalidade e tianxia: um triálogo filosófico em prol da superação da modernidade: Cosmotechnics, inter-relationality and tianxia: a philosophical trialogue in favor of overcoming modernity
Este artigo tem por objetivo estabelecer um triálogo entre o pensamento de três autores cruciais para o entendimento da filosofia chinesa e de como a temática da ciência e da tecnologia se insere em tal filosofia no âmbito de uma tentativa de superação da modernidade ocidental. A primeira contribuição vem de Yuk Hui: sua interpretação da técnica como cosmotécnica aponta para a influência central de cosmologias originárias na relação que determinado povo trava com o universo da técnica. Desta forma, este autor demonstra como a noção chinesa da técnica não coincide com a técnica grega, criando assim um vínculo caracteristicamente chinês com este universo particular, a união entre Qi (器) e Dao (道). Em seguida temos a teoria da inter-relacionalidade de Antonio Florentino Neto apontando para a não centralidade da ideia de essência na filosofia chinesa, o que estabelece o ser como um processo ao mesmo tempo em que desvincula a ciência da busca por verdades definitivas e a coloca em busca da harmonização com o mundo. Por fim abordamos a proposta de Zhao Tingyang de releitura do Sistema Tianxia (天下) que vigorou durante a dinastia Zhou. Para ele é necessário criar um sistema de governança global baseado na interiorização do mundo que supere a condição anárquica do sistema internacional atualmente fundamentado sobre Estados e influenciado por ambições imperialistas. Pontuamos que a filosofia de Yuk Hui estabelece a via de concretização de tal projeto que virtualmente superaria a modernidade ocidental.Palavras-chave: técnica, cosmotécnica, inter-relacionalidade, tianxia, modernidadeThis article intends to establish a trialogue among the thoughts of three crucial authors for understanding chinese philosophy and the way in which the topic of science and technology inserts itself in such philosophy in the scope of an attempt of overcoming western modernity. The first contribution comes from Yuk Hui: his interpretation of technique as cosmotechnics points to the central influence of original cosmologies in the way people relate themselves with the universe of technique. By doing that, this author demonstrates that the Chinese notion of technique doesn’t coincide with Greek technique, thus creating a typical chinese bond with this particular universe, the union between Qi (器) and Dao (道). Next there is Antonio Florentino Neto’s theory of inter-relationality pointing to the non-centrality of the idea of essence in chinese philosophy, thus establishing being as a process and, at the same time, disassociating science from the pursuit of definite truths and putting it in service of a harmonization with the world. Finally, we tackle Zhao Tingyang’s proposal of rereading the Tianxia System (天下) that was in effect during the Zhou dynasty. For him it is necessary to create a global governance system based on the world’s internalization capable of overcoming the anarchic condition of the current international system based upon states and influenced by imperialist ambitions. We point that Yuk Hui’s philosophy establishes a way to achieve such proposal which would virtually overcome western modernity.Keywords: technique, cosmotechnics, inter-relationality, tianxia, modernit
O Louco, o Criminoso e o Gênio: Nietzsche e suas Fontes: The Madman, the Criminal, and the Genius: Nietzsche and his Sources
The main objective of this article is to gather elements for a reflection on some of the main scientific sources used by Friedrich Nietzsche to formulate his hypotheses on the nature of the criminal, the relationships between genius, madness and crime, and the main causes of criminality, in dialogue with the psychiatry and criminal anthropology of his time.
Keywords: criminality; atavism; degeneration; madness; heredity.O objetivo principal deste artigo consiste em reunir elementos para uma reflexão sobre algumas das principais fontes científicas a que recorre Friedrich Nietzsche para a formulação de suas hipóteses sobre a natureza do criminoso, as relações entre genialidade, loucura e crime, as causas principais da criminalidade, em diálogo com a psiquiatria e antropologia criminal de sua época.
Palavras-chave: criminalidade; atavismo; degenerescência; loucura; hereditariedade
A escultura de Michelangelo como fonte na elaboração do conceito nietzschiano de Übermensch: Michelangelo’s sculpture as a source in the elaboration of the Nietzschean concept of Übermensch
This study presents, through Nietzsche’s texts and with the support of secondary literature, how Michelangelo’s sculpture constitutes itself as one of the secret sources in the elaboration of the Nietzschean concept of Übermensch. For the proposed, we analyze how much the German thinker valued throughout his work the idea of the “philosopher as sculptor” and how, in his work Thus Spoke Zarathustra, such an idea was decisive in the elaboration of the concept of Übermensch, having Michelangelo as a secret source in this matter.
Keywords: sculpture; Übermensch; MichelangeloEste estudo apresenta, através dos textos de Nietzsche e com apoio da literatura secundária, como a escultura de Michelangelo se constitui como uma das fontes secretas na elaboração do conceito nietzschiano de Übermensch. Para o proposto, analisamos quanto o pensador alemão valorizou ao longo da sua obra a ideia do “filósofo como escultor” e como, em sua obra Assim falou Zaratustra, tal ideia foi determinante na elaboração do conceito de Übermensch, tendo Michelangelo como fonte secreta neste assunto.
Palavras-chave: escultura; Übermensch; Michelangelo
Nietzsche as a (Re)Source for Self-Care: An Autistic Alexander Technique Perspective: Nietzsche como fonte para o autocuidado: Uma perspectiva da Técnica Alexander Autista
Scientific research on Autism Spectrum Disorder (ASD) can be complemented by combining qualitative methods. As a diagnosed autistic using the Alexander Technique, I initially present foundational references for an Autistic Alexander Technique perspective. After reviewing Giacoia’s reconstruction of Nietzsche’s depth psychology of ressentiment and amoral self-empowerment, I assess Nietzsche’s relevance to the practical challenge of developing a self-caring lifestyle for autistics in today’s world that goes beyond specialized disciplines such as philosophy, psychology, or music. My conclusion, positive for autistics, is that Nietzsche and F. M. Alexander both favored self-empowerment, psychophysical integration, and amoralism.
Keywords: Nietzsche, F.; Alexander, F. M.; Autism; Self-Care; Alexander Technique; Brazilian Pragmatism.A pesquisa científica sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode ser complementada por uma combinação de métodos qualitativos, inclusive humanísticos. Como autista diagnosticado que usa a Técnica Alexander, apresento inicialmente algumas referências fundamentais para uma perspectiva da Técnica Alexander para autistas. Após revisar a reconstrução de Giacoia da psicologia profunda de Nietzsche sobre o ressentimento e o autoempoderamento amoral, avalio a relevância de Nietzsche para o desafio prático de desenvolver um estilo de vida com autocuidado para os autistas no mundo de hoje que vá além das disciplinas especializadas, como filosofia, psicologia ou música. Minha conclusão, positiva para os autistas, é que Nietzsche e F. M. Alexander favoreciam o autoempoderamento, a integração psicofísica e o amoralismo.
Palavras-Chave: Nietzsche, F.; Alexander, F. M.; Autismo; Autocuidado; Técnica Alexander; Pragmatismo brasileir
A atualidade da Filosofia Yinyang: Seus fundamentos e sua influência contemporânea: The relevance of the Yingang philosophy: Its foundations and its contemporary influence
A Escola filosófica Yinyang (Yinyang Jia), provavelmente sistematizada por Zou Yan (séc. IV-III a.C.), é considerada uma das principais e de maior alcance dentre as diversas correntes de pensamento na China, estando na base das demais formas de saber, tais como a alquimia, a medicina e as artes marciais. Atualmente, o pensamento chinês se vê diante do debate entre modernidade e tradição. Neste sentido, buscando os fundamentos dessa tradição pretendemos apresentar em linhas gerais a centralidade da filosofia Yinyang como uma das formas mais profundas de compreensão da dinâmica da realidade na Filosofia Chinesa e, desta forma, destacaremos suas características, em especial os modos de compreensão do núcleo deste pensar, tais como: contradição, interdependência, oposição, inclusão mútua, ressonância, complementaridade e mudança. Enfatizaremos sua atualidade a partir de abordagens epistemológicas contemporâneas.
Palavras-chave: Filosofia Chinesa; Yinyang; Tradição; Modernidad
Imagens refletidas no céu do conhecimento: Elementos para uma análise comparativa entre o tantrismo da Caxemira e a estética hegeliana: Reflected images in the sky of knowledge: Elements for a comparative analysis between Kashmiri Tantrism and Hegelian aesthetics
Buscamos neste artigo elaborar uma análise comparativa preliminar entre duas correntes estéticas distintas. De um lado, temos a teoria estética de Hegel e de outro da estética indiana por intermédio do sistema filosófico e prático do tantra (termo que faz referência a um conjunto de textos etradições de caráter prático ritualístico). Enquanto um refinado sistema filosófico, estético e ritualístico, o tantra foi desenvolvido com o advento do tantrismo da Caxemira à partir da obra do grande filósofo Abhinavagupta (séc. X).Compreende-se que uma proposta comparativa que envolve tradições de pensamento oriundas de diferentes sistemas civilizacionais, pode gerar questionamentos. Por isso delimitamos pontos de comparação dentro de uma estrutura estética, em termos de representação, formação e comparação. Assim, temos de um lado a representação na estética no tantra, que se expressa como técnica relacionada à divinização do corpo, possuindo uma estética específica da visualização. Em contrapartida temos o pensamento de Hegel que em seus Cursos de Estética apresenta a corporeidade humana como algo concreto, porém relacionando a forma ao espírito.
Palavras-Chave: Hinduísmo, Estética, Tantra, Filosofia, Hegel
"A liberdade conquistada pelo escravo não é sua elevação à condição de novo senhor": Hegel e Marx sobre uma emancipação para além da normatividade moderna
O presente trabalho propõe explorar a interpretação alternativa oferecida por Susan Buck-Morss, endossada por Vladimir Safatle, da teoria do reconhecimento de Hegel. O objetivo último é o de responder em que medida alguns aspectos colocados em destaque por essa interpretação, apontando para os limites dos princípios e instituições modernos, reaparecem na crítica de Marx, especificamente em sua crítica à concepção acerca da propriedade moderna representada pela economia política, incapaz de enxergar o caráter contraditório de um movimento necessariamente vinculado aos fenômenos de dominação e exploração que marcam, em última instância, o aspecto alienante e fetichizante da economia de mercado capitalista. Colocar a necessidade da superação da escravidão contemporânea a Hegel, isto é, a moderna, no centro da discussão acerca do reconhecimento, implica colocar em questão aquilo que Ludwig Siep denomina o “Projeto da Modernidade” (das Projekt der Moderne). Pressupondo, como alerta Safatle, uma concepção hegemônica de emancipação e uma metafísica que lhe é inerente, esse projeto dá forte ênfase a princípios, direitos e instituições, que, na concepção de Marx, servem de condição a uma sistemática reprodução das relações de dominação modernas, e, por conseguinte, a uma constante negação de uma verdadeira emancipação. Ainda que o próprio Hegel exerça uma crítica ao “Projeto da Modernidade”, indicando os limites de um reconhecimento da pessoa e da garantia de direitos em termos unicamente jurídicos constituintes de uma liberdade abstrata, ele defende, no entanto, que as reivindicações emergentes da tradição jusnaturalista sejam integradas, como um de seus momentos essenciais, às exigências por um conceito mais largo de liberdade, que, em sua Filosofia do Direito, ele denominará, no âmbito de uma eticidade moderna, de “liberdade concreta”. Marx, no entanto, opondo-se radicalmente à posição de Hegel, mostrará de que modo o problema do reconhecimento do indivíduo como pessoa e do direito de propriedade consiste não em sua unilateralidade, a ser solucionada através de sua integração a uma noção mais larga de emancipação, mas na significação da propriedade moderna como antítese direta da propriedade baseada no trabalho próprio, que “cresce unicamente sobre seu túmulo” através de um movimento sistemático de expropriação.This paper aims to explore the alternative interpretation of Hegel's theory of recognition offered by Susan Buck-Morss and endorsed by Vladimir Safatle. The main objective is to answer to what extent some of the aspects highlighted by this interpretation – which points out to the limits of modern principles and institutions – reappear in Marx's critique, specifically in his critique of the conception of modern property represented by a political economy that is incapable of seeing the contradictory nature of a movement necessarily linked to the phenomena of domination and exploitation ultimately marking the alienating and fetishizing aspect of the capitalist market economy. To place the need of overcoming slavery in Hegel’s time, i.e. the modern one, at the center of the discussion on recognition implies calling into question what Ludwig Siep calls the “Project of Modernity” (das Projekt der Moderne). Presupposing, as Safatle warns, a hegemonic conception of emancipation and a metaphysics that is inherent to it, this project places a strong emphasis on principles, rights, and institutions which, in Marx's conception, serve as a condition for the systematic reproduction of modern relations of domination and, consequently, a constant denial of true emancipation. Although Hegel himself criticizes the “Project of Modernity” by pointing out its limitations regarding the recognition of the person and in guaranteeing rights in purely juridical terms (which are constitutive of abstract freedom), he nevertheless advocates that the claims emerging from the jusnaturalist tradition should be integrated, as one of its essential moments, with the demands for a broader concept of freedom, which, in his Philosophy of Right, he calls, in the context of a modern ethical life, “concrete freedom”. Marx, however, radically opposing Hegel's position, will show how the problem of recognizing the individual as a person and the right to property does not consist of its one-sidedness, to be solved by integrating it into a broader notion of emancipation. Instead, the problem lies in the very meaning of modern property as the direct antithesis of property based on one's own labor, which “grows only on its tomb” through a systematic movement of expropriation