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    Mulheres e a descolonização: o que exibem as telas? Entrevista com Maíra Zenun

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    In a modern colonial world-system, imagining and capturing the look of women is, in itself, an urgent job. Not only because sexism is not an epiphenomenon of colonialism, but because it is a structuring apparatus of the patriarchal and sexist modern-colonial world in which we (still) live in. We propose to think about gendering  decolonizating through an interview with Maíra Zenun, co-founder of International Film Festival of Cova, talking about what´s on display  in Portugal and how to decolonize the screens. Num sistema mundo moderno-colonial, imaginar e capturar o olhar das mulheres é, em si, um trabalho urgente. Não só porque o sexismo não é um epifenómeno do colonialismo, mas porque é um aparelho estruturante do mundo patriarcal e sexista moderno-colonial em que (ainda) vivemos. Propomo-nos pensar na descolonização sexista através de uma entrevista com Maíra Zenun, cocriadora da Mostra Internacional de Cinema na Cova, em Portugal para pensarmos sobre o que está em exibição em Portugal e como descolonizar as telas de cinema.&nbsp

    Sara Serpa. 2020. Recognition: music for a silent film. Biophilia Records.

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    Book reviewsRecensõe

    A performance de um agitador intelectual: intervenções crítico-teóricas de Pessoa

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    The purpose of this study is to understand the critical-theoretical gesture of Pessoa, by following a path different than his programmatic one, which means underlining its controversial dimension. For that purpose, three texts are analysed that cover central moments in his trajectory, where the writer stages the role of the public man. It is not by chance that these are also some of his most polemic interventions: I. “The new Portuguese poetry” (1912); II. “Portuguese provincialism” (1928); and “Interregnum – a defense and justification for the military dictatorship in Portugal” (1928).O objetivo deste estudo é compreender em que consiste o gesto crítico-teórico de Pessoa através de um caminho diverso ao programático, isto é, sublinhando o seu caráter controverso. Para tanto, abordamos três textos que cobrem momentos centrais de sua trajetória e nos quais o escritor encena o papel de homem público. Não por acaso, trata-se também de algumas de suas intervenções mais polêmicas: I. “A nova poesia portuguesa” (1912); II. “O provincianismo português” (1928); e III. “O interregno – defesa e justificação da ditadura militar em Portugal” (1928)

    Concepção stahliana de Corpo

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    The Theoria medica vera (1708), by G. E. Stahl, is a reference work concerning the medical art and the notion of human body. Demarcating himself simultaneously from the modern iatromecanism, throughout the articulation between mechanism and finality, and from the Hippocratic-Galenic tradition by means of overlapping the notion of structure to that of a well-tempered mixture. The controversy with Leibniz, subsequent the publication of TMV, constituted an opportunity for Stahl explanation of several points of his theory, namely on the organism, the power of the soul over the body, and the proportion between body and soul. Stahl’s originality lies in the hegemonic position of the soul, and its power to directly and immediately moving its own body.A Theoria Medica Vera (TMV) (1708), de G. E. Stahl, é uma obra de referência acerca do sentido da arte médica e da noção de corpo. Demarca-se simultaneamente do iatromecanismo moderno, através da articulação entre mecanismo e finalidade, e da tradição hipocrático-galénica, através da sobreposição da noção de estrutura à de mistura bem temperada. A controvérsia com Leibniz, subsequente à publicação da TMV, constituiu uma oportunidade para Stahl explicitar e aprofundar diversos aspectos da sua teoria, nomeadamente a respeito do organismo, do poder da alma e do ajustamento entre o corpo e a alma. A originalidade de Stahl reside na posição hegemónica da alma e sua capacidade de agir directa e imediatamente sobre o seu corpo

    Using the Past. The Middle Ages in the Spotlight. Conferência Internacional

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    A iniciativa “Using the Past. The Middle Ages in the Spotlight” resultou da colaboração institucional estabelecida entre o Mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha, várias unidades de investigação de universidades portuguesas (IEM, IHC, IELT e CHAM, da NOVA FCSH; o CH-FL da Universidade de Lisboa, o CSHC da Universidade de Coimbra), e três universidades estrangeiras (ITEM-Universidad Complutense de Madrid, EHESS de Paris e Universidade de Lincoln).A iniciativa nasceu com dois objetivos claros: por um lado, criar um fórum de discussão para todos aqueles investigadores interessados nos usos do passado medieval e, por outro lado, desenvolver vários projetos colaborativos que permitissem avaliar até que ponto a Idade Média está presente no campo da criação artística contemporânea

    Sdubid, o retrato da atualidade — Análise da arte de Tommy Cash

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    Post-modernity translates to a society increasingly concerned with numbers and information systems. This work explores the effects of this movement from an analysis of social semiotics of the video clip Sdubid by Tommy Cash, from the concepts of Dataism by Harari (2015); the social semiotics of Martins (2017) and the imaginary of Durand (1993). Among the results of the work, there is a growing feeling of dissatisfaction on the part of the majority of society, which tends to grow rapidly and can cause a major disruption in a short time.A pós-modernidade translada para uma sociedade cada vez mais preocupada com os números e com os sistemas de informação. Este trabalho explora os efeitos deste movimento a partir de uma análise de semiótica social do videoclipe Sdubid de Tommy Cash, a partir dos conceitos de Dataísmo de Harari (2015); da semiótica social de Martins (2017) e do imaginário de Durand (1993). Dentre os resultados do trabalho destaca-se um sentimento de insatisfação crescente por parte da maioria da sociedade, que tende à um rápido crescimento, podendo causar uma grande ruptura em pouco tempo

    Dissemina Lab – novos enfoques de gênero e raça na mídia contemporânea

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    This paper investigates the role of the Media in the configuration of Brazilian racial relations in the contemporary context. Based on the work developed in the Dissemina Lab study group, composed of Black students from Universidade Federal Fluminense, it reinforces the importance of training professionals in ​​Social Communication in universities, with a critical eye on the participation of the Media in the structuring of Brazilian racial relations. Departing from the category of “Brazilian cultural neurosis” (Gonzalez [1983] 2020a), we acknowledge media racism as repressed and establishing, in its discourse, power relations that subject Black people to exclusion, in a racialized regime of representation (Hall 2016). Through the analysis of a few contemporary examples in the media, different strategies of concealing racism were observed.Este artigo investiga o papel da Mídia na configuração das relações raciais brasileiras no contexto contemporâneo. Partindo do trabalho desenvolvido no grupo de estudos Dissemina Lab, composto por alunes negres da Universidade Federal Fluminense, reforça a importância da formação de profissionais na área da Comunicação Social nas universidades, com um olhar crítico sobre a participação da Mídia na estruturação das relações raciais brasileiras. A partir da categoria de “neurose cultural brasileira” (Gonzalez [1983] 2020a), entende-se que o racismo midiático é recalcado e instaura, em seu discurso, relações de poder que submetem pessoas negras à exclusão, em um regime racializado de representação (Hall 2016). Através da análise de alguns exemplos contemporâneos, foram observadas diferentes estratégias de ocultamento do racismo na mídia

    Modos de descolonizar: o trauma é brasileiro, de Castiel Vitorino Brasileiro

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    This work proposes a research on the artistic production and clinical practice of Castiel Vitorino Brasileiro – visual artist, psychologist and macumbeira – as a device for promoting healing, criticizing racialization and reinventing the memories of colonialism. The framework consists of looking into colonialism as a lingering phenomenon, ceaselessly reproducing itself as a historical and collective trauma through everyday racism. To speak of trauma, in this case, is to deal with the illnesses of subjects marginalized by the regime of racialization that organizes bodies (black and indigenous, in Brazil) between killable and livable. Thus, in the articulation between colonialism, racism and their modes of mortification – or, in other words, from a past that keeps returning as an open wound –Castiel Vitorino Brasileiro's work is located at the crossroads of other modes of subjectification and decolonization of the subject, through the cultivation of afro-diasporic memories. The proposal adresses the colonial system’s production of the black body (Hortense J. Spillers), the redistribution of colonial violence as self-care (Jota Mombaça), the psychological effects of colonialism (Frantz Fanon), everyday racism as colonial trauma (Grada Kilomba), practices of mediation of resistance to death (Achille Mbembe) and de-identification as cultural and political subversion (José Esteban Muñoz). The upheaval of Castiel Vitorino Brasileiro takes place in the movement with which her body escapes from the coloniality that insists on racializing and imprisoning subjects. Enjoying the freedom of disobedience with which she manipulates energies and colonial violence, the artist, psychologist and macumbeira produces devices of fight and healing as self-care for herself and her allies. It is mainly in the recreation of memories, in its visionary and subversive force, that the Brazilian trauma is conjured. In this process, the disruption of oblivion has to do with the imagination of a new reality in which the word of command is liberation and life. Este trabalho propõe uma investigação da produção artística e prática clínica de Castiel Vitorino Brasileiro – artista visual, psicóloga e macumbeira – como dispositivo de promoção de cura, crítica da racialidade e reinvenção das memórias do colonialismo. O enquadramento consiste em olhar o colonialismo como fenômeno atualizado e reproduzido incessantemente, enquanto trauma histórico e coletivo, no racismo cotidiano. Falar em trauma, neste caso, é tratar de adoecimentos de sujeitos subalternizados pelo regime de racialização que organiza os corpos (negros e indígenas, no Brasil) entre matáveis e vivíveis. Assim, na articulação entre colonialismo, racismo e os seus modos de mortificação – ou, em outros termos, de um passado que retorna como ferida aberta ao presente – a obra de Castiel Vitorino Brasileiro se localiza na encruzilhada entre outros modos de subjetivação e descolonização do sujeito, através do cultivo de memórias afro-diaspóricas. Propomos uma análise da obra de Castiel Vitorino Brasileiro como gesto de descolonização epistêmica e insurgência ético-política na contemporaneidade do Brasil, para a qual será mobilizada uma reflexão sobre a produção do corpo negro pelo sistema colonial (Hortense J. Spillers); a redistribuição da violência colonial como autocuidado (Jota Mombaça); os efeitos psíquicos do colonialismo (Frantz Fanon); o racismo cotidiano como trauma colonial (Grada Kilomba); as práticas de mediação e resistência à morte (Achille Mbembe); e a desindentificação como subversão cultural e política (José Esteban Muñoz). O levante de Castiel Vitorino Brasileiro se dá no meneio com que seu corpo escapole da colonialidade que insiste em produzir a racialidade e aprisionar os sujeitos nela identificados. Gozando a liberdade da desobediência com que manipula energias e a violência colonial, a artista, psicóloga e macumbeira produz dispositivos de luta e cura enquanto autocuidado de si e das suas. É principalmente na recriação das memórias, em sua força visionária e subversiva, que o trauma brasileiro é conjurado. Nesse processo, a disrupção do esquecimento tem que ver com a imaginação de uma nova realidade cuja palavra de ordem é libertação e vida

    “Liberdade” by Fernando Pessoa: a parodic re-writing of “The Tables Turned” by William Wordsworth in a context of censorship

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    This article argues that the poem “Liberdade”, by Fernando Pessoa, written in a context of censorship, is a parody of the poem “The Tables Turned”, by William Wordsworth. The apology of nature opposed to culture presented in Wordsworth’s lines is resumed by Pessoa, but with a very different purpose. Pessoa, in a seemingly light tone, uses the contrast between nature and culture to adapt it to the ideology of Salazar, the Portuguese dictator, which narrowed the intellectuals’ freedom of speech. Whereas Wordsworth praises nature as the source of ethics, Pessoa empties the nobility of this encomium while praising nature for merely being the opposite of human obligations (such as reading). Pessoa’s subject, indolent and insouciant, seems to occupy the place which Salazar destined to the intellectuals: the one of critical acephaly. Yet, there are elements in the poem that show the underlying irony of the role played by the subject. The use of irony, one of the techniques of parody, implies not a connivance with Salazar’s politics of censorship, but a harsh criticism of it.O artigo defende que o poema “Liberdade”, de Fernando Pessoa, é uma paródia do poema “The Tables Turned”, de William Wordsworth, escrita num contexto ditatorial. A apologia da natureza, por oposição à cultura, apresentada neste último poema é retomada em Pessoa, mas com um propósito muito diferente. Pessoa, num tom aparentemente leve, serve-se do contraste entre natureza e cultura para o adaptar à ideologia de Salazar, o ditador português, que restringia a liberdade de expressão dos intelectuais. Enquanto em Wordsworth a natureza é laureada como fonte de ética, Pessoa esvazia a nobreza deste elogio ao louvar a natureza por ser apenas o oposto das obrigações humanas (como, por exemplo, ler). O sujeito pessoano, indolente e despreocupado, parece ocupar o lugar a que Salazar destinou os intelectuais: o da acefalia crítica. Porém, há elementos do poema que dão conta da ironia subjacente ao papel representado pelo sujeito e a partir dos quais podemos ler não uma conivência com a política censória de Salazar, mas uma feroz crítica à mesma

    O estrangeiro indesejável: O Brasil e António Aniceto Monteiro (lutas, tramas, diplomacias e polícias)

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    At the end of February 1945, the Portuguese mathematician António Aniceto Monteiro embarked to Rio de Janeiro, hired by the National Faculty of Philosophy of the University of Brazil, starting an exile of more than thirty years in South America. This article describes his activity as an anti-fascist that led him to be persecuted by the Brazilian authorities and prevented him from returning to Brazil, when he went into exile in Argentina at the end of 1949, where he died in 1980. It also describes how he was persecuted in 1959, when he managed to visit Brazil for a few months at the invitation of the Brazilian Center for Research in Physics.No final de Fevereiro de 1945, o matemático português António Aniceto Monteiro embarca para o Rio de Janeiro contratado pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, dando início a um exílio de mais de trinta anos na América do Sul. Este artigo descreve a sua actividade como antifascista, que levou a que fosse perseguido pelas autoridades brasileiras e impedido de regressar ao Brasil quando se exilou na Argentina no final de 1949, onde veio a falecer em 1980. Descreve ainda a perseguição que lhe foi movida, em 1959, quando conseguiu fazer uma visita de poucos meses ao Brasil a convite do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

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