Portal de Publicações Eletrônicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
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childhood epistemology in alice’s adventures in wonderland: an autonomous and experience-based field of knowledge
Este artigo analisa As Aventuras de Alice no País das Maravilhas sob a perspectiva da epistemologia da infância, argumentando que o conhecimento infantil não deve ser entendido como uma forma deficiente ou incompleta de saber em relação à racionalidade adultocêntrica. Pelo contrário, constitui um campo epistêmico autônomo construído através da experiência, da incerteza e da interação contextual. O estudo conceitua a infância não apenas como uma categoria pedagógica, mas como uma posição epistêmica distinta que existe em tensão estrutural com os regimes dominantes do conhecimento adulto. O ponto de partida é o número limitado de estudos referentes à infância que problematizam diretamente seu status epistêmico. O referencial teórico integra o conceito de injustiça epistêmica de Miranda Fricker, a teoria da aprendizagem por experiência de John Dewey e as análises de Michel Foucault sobre as relações de conhecimento-poder. Metodologicamente, o estudo emprega a leitura atenta qualitativa e a análise temática, com foco nas cenas do Campo de Croquet da Rainha, Conselhos de uma Lagarta e da Festa do Chá. Os resultados demonstram que a epistemologia adulta no texto opera através de uma autoridade arbitrária, normalizando julgamentos e discursos excludentes e, portanto, expondo suas próprias inconsistências internas. Em contraste, os modos de conhecimento de Alice se fazem através de tentativa e erro, de experiências encarnadas e da suspensão de um significado fixo. O artigo posiciona Alice no País das Maravilhas como um espaço epistemológico crítico onde são literariamente construídas formas alternativas de conhecimento associadas à infância, contribuindo, assim, para os debates interdisciplinares nos estudos da infância, na teoria literária e na filosofia do conhecimento.Alicia en el país de las maravillas desde la perspectiva de la epistemología de la infancia, argumentando que el conocimiento infantil no debe entenderse como deficiente en relación con la racionalidad adultocéntrica, sino como un dominio epistémico autónomo constituido por la experiencia, la incertidumbre y la interacción contextual. El estudio conceptualiza la infancia no solo como una categoría pedagógica, sino como una posición epistémica distinta que existe en tensión estructural con los regímenes dominantes de conocimiento adulto. Su punto de partida reside en el limitado número de estudios dentro de la investigación sobre la infancia que problematizan directamente su estatus epistémico. El marco teórico integra el concepto de injusticia epistémica de Miranda Fricker, la teoría del aprendizaje experiencial de John Dewey y los análisis de Michel Foucault sobre las relaciones conocimiento-poder. Metodológicamen-
te, el estudio emplea la lectura atenta cualitativa y el análisis temático, centrándose en las escenas del Campo de Cróquet de la Reina, Los consejos de una oruga y La fiesta del té. Los hallazgos demuestran que la epistemología adulta en el texto opera mediante la autoridad arbitraria, juicios normalizadores y discursos excluyentes, exponiendo así sus propias inconsistencias internas. En contraste, los modos de conocimiento de Alicia se configuran mediante ensayo y error, la experiencia encarnada y la suspensión de un significado fijo. El artículo posiciona Las aventuras de Alicia en el país de las maravillas como un espacio epistemológico crítico en el que se construyen literariamente formas alternativas de conocimiento asociadas con la infancia, contribuyendo así a los debates interdisciplinarios en los estudios de la infancia, la teoría literaria y la filosofía del conocimiento.This article examines Alice’s Adventures in Wonderland from the perspective of childhood epistemology, arguing that childhood knowledge should not be understood as deficient in relation to adult-centered rationality, but rather as an autonomous epistemic domain constituted through experience, uncertainty, and contextual interaction. The study conceptualizes childhood not merely as a pedagogical category, but as a distinct epistemic position that exists in structural tension with dominant adult knowledge regimes. Its point of departure lies in the limited number of studies within childhood research that directly problematize the epistemic status of childhood. The theoretical framework integrates Miranda Fricker’s concept of epistemic injustice, John Dewey’s theory of experiential learning, and Michel Foucault’s analyses of knowledge–power relations. Metho- dologically, the study employs qualitative close reading and thematic analysis, focusing on the scenes of the Queen’s Croquet Ground, Advice from a Caterpillar, and the Mad Tea Party. The findings demonstrate that adult epistemology in the text operates through arbitrary authority, normalizing judgments, and exclusionary discourses, thereby exposing its own internal inconsistencies. In contrast, Alice’s modes of knowing are shaped through trial and error, embodied experience, and the suspension of fixed meaning. The article positions Alice’s Adventures in Wonderland as a critical epistemological space in which alternative forms of knowledge associated with childhood are literarily constructed, contributing to interdisciplinary debates in childhood studies, literary theory, and philosophy of knowledge
Pedagogia hospitalar e educação indígena
A importância da implantação da Classe Hospitalar na Casa de Saúde Indígena is aimed at researchers in the educational field, healthcare professionals, educators, and public policy managers interested in promoting inclusion and education sensitive to the specific cultural characteristics of indigenous communities. The work highlights the relevance of hospital education for indigenous children admitted to the Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) in Juína, Mato Grosso, proposing the implementation of a hospital classroom coordinated by an indigenous educator. Based on Hospital Pedagogy, the approach combines therapeutic and playful methods, respecting indigenous culture and constitutional rights. This unique work fosters reflections on interdisciplinary practices, representing an important contribution to the field of indigenous and hospital education.
Keywords: hospital pedagogy; indigenous culture; inclusion.A importância da implantação da Classe Hospitalar na Casa de Saúde Indígena está dirigida a investigadores del área educativa, profesionales de la salud, educadores y gestores de políticas públicas interesados en promover la inclusión y una educación sensible a las especificidades culturales de las comunidades indígenas. La obra destaca la relevancia de la educación hospitalaria para niños indígenas hospitalizados en la Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) en Juína, Mato Grosso, proponiendo la implementación de una clase hospitalaria coordinada por un pedagogo indígena. Basada en la Pedagogía Hospitalaria, el enfoque combina métodos terapéuticos y lúdicos, respetando la cultura indígena y los derechos constitucionales. Este trabajo único fomenta reflexiones sobre prácticas interdisciplinarias, representando una importante contribución al campo de la educación indígena y hospitalaria.
Palabras clave: pedagogía hospitalaria; cultura indígena; inclusión.Esta resenha crítica analisa o livro A importância da implantação da Classe Hospitalar na Casa de Saúde Indígena, no município de Juína, estado de Mato Grosso. A Casa de Saúde Indígena tem papel essencial no suporte e acolhimento a indígenas que necessitam de tratamento especializado fora de suas aldeias. Imbuídas do propósito de evidenciar essa necessidade educacional, as autoras empreendem análise histórica e cultural do tema e discutem a importância de políticas públicas que incorporem a educação escolar aos espaços de saúde indígena. A proposta do livro está alinhada com a legislação que garante o direito à educação em ambientes hospitalares. As autoras propõem a criação de classe hospitalar com liderança indígena, indicando soluções para garantir direitos em contextos vulneráveis com respeito às culturas originárias.
Palavras-chave: pedagogia hospitalar; cultura indígena; inclusão
Currículos militarizados e insurgências monstruosas:: disputas simbólicas e resistências cotidianas nas escolas cívico-militares do Acre
O artigo analisa a militarização da educação pública no Brasil a partir da implementação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), com ênfase em sua materialização no estado do Acre. O objetivo é compreender a militarização escolar não apenas como alternativa administrativa ou pedagógica, mas como dispositivo de controle de corpos, saberes e subjetividades, em diálogo com práticas do fascismo contemporâneo. A investigação fundamenta-se na Abordagem do Ciclo de Políticas (Ball, Bowe, 1992; Mainardes, 2006, 2018) e em aportes teóricos sobre currículo, necropolítica e conservadorismo, articulando três eixos: i) o contexto político-ideológico que favoreceu a ascensão do conservadorismo e a criação do PECIM; ii) o cotidiano escolar como espaço de disciplinamento e resistência; e iii) a disputa simbólica em torno de rituais, imagens e brasões nas escolas militarizadas. Os resultados indicam que a militarização intensifica lógicas necropolíticas, mas também cria fissuras pelas quais emergem resistências e práticas insurgentes. Conclui-se que essas insurgências, compreendidas como “monstruosas”, afirmam a potência de corpos e saberes que desafiam a normatividade e os dispositivos de silenciamento, contribuindo para o debate latino-americano sobre o currículo como território de controle, resistência e invenção em tempos de autoritarismo
De la denuncia del necrocurrículo al anuncio de la docencia-resistencia: una propuesta de praxis transformadora
Este artículo propone un análisis crítico del currículo escolar a la luz del concepto de necrocurrículo, según lo planteado por Alex Garrido, entendido como un dispositivo de exclusión y borramiento de saberes de sujetos históricamente subalternizados, especialmente del cuerpo negro. Desde la perspectiva de la interculturalidad crítica y con aportes de autores como Catherine Walsh, Achille Mbembe y Paulo Freire, el texto denuncia la función normativa y reguladora del Estado en el mantenimiento de una matriz curricular eurocéntrica, colonialista y neoliberal. En este escenario, se discute el concepto de docencia-resistencia, presentado por Leandro Capella, como epistemología y praxis transformadora, basada en la epistemología crítico-liberadora de Paulo Freire, capaz de articular acciones contrahegemónicas en diferentes niveles: una resistencia docente que se manifiesta tanto en las prácticas cotidianas del aula como en la articulación con movimientos sociales y en la lucha por transformaciones estructurales en el campo educativo. La discusión presentada da lugar a la propuesta de tres cuadros, como acciones de resistencia docente orientadas a superar las violencias derivadas del necrocurrículo. Se espera, de este modo, que el artículo pueda contribuir a los debates en el campo del currículo orientados a la emancipación de los sujetos subalternizados y vulnerados por las violencias estructurales, a la superación del necrocurrículo y a la creación de nuevas gramáticas sociales que fortalezcan una práctica pedagógica liberadora y una escuela comprometida con la justicia racial, social, la pluralidad y la dignidad humana.Este artigo propõe uma análise crítica do currículo escolar à luz do conceito de necrocurrículo, conforme proposto por Alex Garrido, entendido como dispositivo de exclusão e apagamento de saberes de sujeitos historicamente subalternizados, especialmente o corpo negro. A partir da perspectiva da interculturalidade crítica e das contribuições de autores, como Catherine Walsh, Achille Mbembe e Paulo Freire, o texto denuncia a função normativa e reguladora do Estado na manutenção de uma matriz curricular eurocêntrica, colonialista e neoliberal. Nesse cenário, discute-se o conceito de docência-resistência, apresentado por Leandro Capella, como epistemologia e práxis transformadora, com base na epistemologia crítico-libertadora de Paulo Freire, capaz de articular ações contra-hegemônicas em diferentes níveis – uma resistência docente que se manifesta tanto nas práticas cotidianas de sala de aula quanto na articulação com movimentos sociais e na luta por transformações estruturais no campo educacional. A presente discussão resulta na proposição de três tabelas, como propostas de ações de resistência docente que tenham no horizonte a superação das violências decorrentes do necrocurrículo. Espera-se, desse modo, que o artigo possa contribuir para as discussões no campo do currículo que visem à emancipação dos sujeitos subalternizados e vilipendiados pelas violências estruturais, à superação do necrocurrículo e à criação de novas gramáticas sociais que fortaleçam uma prática pedagógica libertadora e uma escola comprometida com a justiça racial, social, a pluralidade e a dignidade humana.This article proposes a critical analysis of the school curriculum in light of the concept of necrocurriculum, as proposed by Alex Garrido, understood as a device of exclusion and erasure of the knowledge of historically subalternized subjects, especially the black body. From the perspective of critical interculturality and the contributions of authors such as Catherine Walsh, Achille Mbembe, and Paulo Freire, the text denounces the normative and regulatory role of the State in maintaining a Eurocentric, colonialist, and neoliberal curriculum. In this context, the concept of teaching-resistance, presented by Leandro Capella, is discussed as both epistemology and transformative praxis, based on Paulo Freire’s critical-liberating epistemology, capable of articulating counter-hegemonic actions at different levels - a form of teacher resistance that manifests in everyday classroom practices, in the articulation with social movements, and in the struggle for structural transformations in the educational field. This discussion results in the proposition of three frameworks, as proposals for teaching-resistance actions that aim at overcoming the violence produced by the necrocurriculum. It is expected, therefore, that this article may contribute to discussions in the field of curriculum that seek the emancipation of subalternized and vilified subjects from structural violence, the overcoming of the necrocurriculum, and the creation of new social grammars that strengthen a liberating pedagogical practice and a school committed to racial and social justice, plurality, and human dignity
Monstros insurgentes:: composições curriculares com professoras e crianças na educação infantil
Centro Municipal de Educación Infantil de Tiempo Completo (CMEITI), articulado con grupos de estudio y formación continua con profesoras de educación infantil. Tomando el signo del arte cinematográfico como disparador, se produjeron redes de afectos y problematizaciones que potenciaron invenciones curriculares en la vida escolar cotidiana. El estudio se organiza en tres movimientos: el primero sitúa la potencia de la formación inventiva y la problematización curricular que emerge de los encuentros en la escuela; el segundo se centra en el CMEITI como territorio de fuerzas, atravesado por la biopolítica y la necropolítica, evidenciada en la devastación del bosque y en las insurgencias de profesoras y niños ante la pérdida del verde; el tercero acompaña reverberaciones sensibles en las que arte, infancia y micropolítica atraviesan las relaciones docentes y posibilitan invenciones colectivas. Los resultados indican que los encuentros formativos, sostenidos por imágenes-cine, favorecieron desplazamientos en las concepciones pedagógicas de las profesoras que apuntan a currículos comprendidos como cuerpos colectivos en movimiento. Se concluye que, en este contexto, surgen fuerzas-monstruo que escapan a las prescripciones, irrumpen como excesos incontrolables e inventivos y producen fisuras por donde la vida insiste en florecer. Así, el currículo se convierte en un campo de disputa biopolítica, no solo territorio de regulación y captura, sino también acontecimiento intensivo y pliegue sensible entre lo instituido y lo que late como posible, evidenciando que las composiciones formativas y curriculares con profesoras y niños expanden la potencia inventiva en la educación infantil.Full-Time Early Childhood Education Center (CMEITI), articulated with study groups and continuing education with early childhood teachers. Taking the sign of cinema art as a trigger, networks of affections and problematizations were produced, which enhanced curricular inventions in everyday school life. The study is organized into three movements: the first situates the power of inventive training and the curricular problematization that emerges from encounters at school; the second focuses on the CMEITI as a territory of forces, crossed by biopolitics and necropolitics, evidenced in the devastation of the forest and in the insurgencies of teachers and children in the face of the loss of greenery; the third follows sensitive reverberations in which art, childhood, and micropolitics permeate teaching relations and enable collective inventions. The results indicate that the training meetings, supported by cinematic images, favored shifts in teachers’ pedagogical conceptions that point to curricula understood as collective bodies in motion. It is concluded that, in this context, monster-forces arise that escape prescriptions, erupt as uncontrollable and inventive excesses, and produce gaps through which life insists on flourishing. Thus, the curriculum becomes a field of biopolitical dispute, not only a territory of regulation and capture, but also an intensive event and a sensitive fold between the instituted and what pulses as possible, showing that formative and curricular compositions with teachers and children expand the inventive power in early childhood education.O artigo apresenta uma pesquisa-intervenção de base cartográfica, realizada em um Centro Municipal de Educação Infantil de Tempo Integral (CMEITI), articulada a grupos de estudos e formação continuada com professoras da educação infantil. Tendo o signo da arte do cinema como disparador, foram produzidas redes de afetos e problematizações que potencializaram invenções curriculares no cotidiano escolar. O estudo organiza-se em três movimentos: o primeiro situa a potência da formação inventiva e a problematização curricular que emerge dos encontros na escola; o segundo volta-se ao CMEITI como território de forças, atravessado pela biopolítica e pela necropolítica, evidenciada na devastação do bosque e nas insurgências de professoras e crianças diante da perda do verde; o terceiro acompanha reverberações sensíveis em que arte, infância e micropolítica atravessam relações docentes e possibilitam invenções coletivas. Os resultados indicam que os encontros formativos, sustentados por imagens-cinema, favoreceram deslocamentos nas concepções pedagógicas das professoras que apontam para currículos compreendidos como corpos coletivos em movimento. Conclui-se que, nesse contexto, insurgem forças-monstro que escapam às prescrições, irrompem como excessos incontroláveis e inventivos e produzem brechas por onde a vida insiste em florescer. Assim, o currículo torna-se um campo de disputa biopolítica, não apenas território de regulação e captura, mas também acontecimento intensivo e dobra sensível entre o instituído e o que pulsa como possível, evidenciando que as composições formativas e curriculares com professoras e crianças expandem a potência inventiva na educação infantil
Complexidade da indústria petrolífera na região metropolitana do Rio de Janeiro: As limitações na estrutura produtiva na busca pela sofisticação
In the state of Rio de Janeiro, the Metropolitan Region (RMRJ) has been the epicenter of economic activity in the state. For some time with the oil sector emerging as one of the main economic drivers. This paper aims to investigate the industrial complexity of the oil sector in the RMRJ and its ramifications for regional production structure. To this, we applied the method of economic complexity developed by Hausmann and Hidalgo. We found a prevalence of low and medium complexity industries. Our findings shows that the limited presence of high-complexity oil sector industries, impacting the regional diversification and economic development. Analysis of the interconnections between oil industries and other economic sectors reveals a noticeable “void” in the RMRJ's production structure. This paper is presented as another piece of discussion aimed at fully utilizing the potential of the Petrochemical Complex. As well as insights for policies that encourage diversification with a view to densifying the production chain and boosting regional economic growth and, so, that of the whole state.No estado do Rio de Janeiro, as principais dinâmicas econômicas sempre estiveram concentradas na Região Metropolitana (RMRJ). Há algum tempo o setor petrolífero tem se tornado um dos principais setores da economia regional. O presente trabalho busca investigar a complexidade industrial do setor petrolífero na RMRJ e seu impacto na estrutura produtiva regional. Para isso, foi aplicado a metodologia desenvolvida por Hausmann e Hidalgo sobre complexidade econômica. Observou-se que há predominância de indústrias de complexidade baixa e mediana. Os resultados mostram que há ausência /ou pouca participação de indústrias do setor petrolífero de alta complexidade. Isso implica na limitação da diversificação e do potencial desenvolvimento econômico da região. A análise das ligações entre as indústrias petrolíferas e outras atividades econômicas revela um "espaço vazio" na estrutura produtiva da RMRJ. Este trabalho se apresenta como mais uma peça de discussão visando a plena utilização da capacidade do Complexo Petroquímico. Bem como, insights para políticas que incentivem a diversificação visando o adensamento da cadeia produtiva e para impulsionar o crescimento econômico regional e, por consequência, de todo o estad
Economia solidária como instrumento de transformação social para as vítimas das chuvas na região serrana do Estado do Rio de Janeiro
As frequentes inundações na Região Serrana do Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos têm resultado em um elevado número de perdas de vidas humanas e significativos prejuízos materiais, incluindo a destruição de residências e outros bens materiais, geralmente adquiridos com esforço por seus moradores. Quando tragédias dessa magnitude acontecem, as vítimas contam com o apoio do poder público, da sociedade civil e das empresas privadas. Todavia, é importante reconhecer que esse assistencialismo não é suficiente para promover a transformação social e a emancipação para as vítimas dessas tragédias climáticas. Nesse ensaio teórico, por intermédio de pesquisas documental e bibliográfica, sem a pretensão de esgotar o tema, serão abordados os princípios da solidariedade, sustentabilidade e justiça social presentes na Economia Solidária (ES), com o objetivo de analisar como a ES pode contribuir para a transformação social das vítimas das chuvas na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Como resultado, o artigo estabelece a importância da ES que, acompanhada pela tecnologia social, são instrumentos aptos a minimizar os problemas sociais. Finalmente, aponta que a transformação social é vista como resultado da conscientização coletiva e do empoderamento dos indivíduos, destacando que a participação da população, inclusão social e sustentabilidade, auxiliam na promoção da justiça social, democracia e direitos humanos através de práticas econômicas e sociais colaborativas e inclusivas
From the Diorama to the Return of the Cabinets: Discursive Patterns in Natural History Museums Today
This is a general appraisal of the book Biodiversidade Musealizada: formas que comunicam, by Mariana Galera Soler, the result of her doctoral thesis in History and Philosophy of Science at the University of Évora. The book proposes and analyzes theoretical models on museographic patterns, based on zoological collections - the author's area of interest and work - and the way in which biodiversity is translated into the scientific discourse of the natural history museums covered. The work constitutes a detailed account of the collection of the National Museum, located in the city of Rio de Janeiro, in the period 2014-2018, prior to the fire that compromised a large part of its collections.Tratamos aqui da apreciação geral da obra Biodiversidade musealizada: formas que comunicam, de Mariana Galera Soler, resultante de tese de doutoramento em História e Filosofia da Ciência pela Universidade de Évora. O livro propõe e analisa modelos teóricos sobre padrões de museografias, a partir de coleções zoológicas - área de interesse e de atuação da autora - e a forma como é traduzida a biodiversidade para o discurso científico dos museus de história natural abordados. A obra constituiu um testemunho detalhado sobre o acervo do Museu Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro, no período 2014-2018, anterior ao incêndio que comprometeu grande parte de suas coleções.
The sacred, the profane and the superstition on Apuleius: the experience of the sacred in Imperial Rome
Este estudo analisa a representação do sagrado, do profano e da superstição no Asinus aureus (Metamorphoses), de Apuleio, examinando como essas categorias estruturam a experiência religiosa e as práticas cultuais na Roma imperial. A pesquisa concentra-se nos livros I, II, VIII, IX e XI, que evidenciam crenças populares, relatos de feitiçaria e cultos greco-orientais frequentemente classificados como externa superstitio, revelando sua recepção entre diferentes grupos sociais. A partir de uma abordagem histórico-literária, discute-se a relação entre religio e superstitio e a circulação de cultos orientais no Mediterrâneo. O estudo também problematiza o uso das categorias de Mircea Eliade e destaca a instabilidade do narrador autodiegético, cujos relatos são moldados por ironia e fabulação. Ao integrar literatura antiga, história das religiões e teoria social, a investigação contribui para o entendimento da religiosidade romana e dos estudos sobre Apuleio.This study examines the representation of the sacred, the profane, and superstition in Apuleius’ Asinus aureus (Metamorphoses), investigating how these categories structure religious experience and cultic practices in Imperial Rome. The analysis focuses particularly on Books I, II, VIII, IX, and XI, where popular beliefs, accounts of witchcraft, and Greco-Oriental cults (frequently classified by the Romans as externa superstitio) appear with greater intensity, revealing how such phenomena were perceived by different social groups, including freedmen, common individuals, and members of the educated elite. Adopting a historical-literary approach, the study discusses the relationship between religio and superstitio, as well as the circulation and reception of Oriental cults across the Roman Mediterranean. It also re-examines the applicability of Mircea Eliade’s categories, incorporating contemporary critiques of their essentialist framework and assessing their limits in light of the specificity of the Roman religious system. Moreover, the analysis considers the instability of the autodiegetic narrator as a key element for understanding the literary construction of religious experience in the novel, since the accounts are filtered through irony, fabulation, and rhetorical strategies intrinsic to the genre. By integrating ancient literature, the history of religions, and social theory, this investigation seeks to contribute to the understanding of Roman religiosity and to the advancement of Apuleian studies in Portuguese-language scholarship