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Os avanços do capitalismo (digital) no século XXI e a educação
Three epistemic-methodological approaches to the construction and use of technologies (hardware and software) underpin social theories and practices at the beginning of the 21st century. The first approach is characterized by the process of coding various technical objects through the development of notations, via algorithms, metadata, diagrams and computational models; the second, by the labeling of entities and movements of these entities, both animate and inanimate, so that they are more easily identifiable; and third, by the production of large amounts of data about everything that happens on Earth, transforming said data into inputs for the production of capital. From this context, this work is inserted as a theoretical activity, based on bibliographic sources, constructing an overview of the interrelations between Education and society regarding the uses of technologies, discussing the technical rationalities supported by the ideas of code construction, to carry out the various activities that are also developed by humans; of the organization of artificial memories, giving rise to the appropriation of enormous amounts of data by large transnational companies; the cataloging of all existing entities on Earth, resulting in new forms of sociability and, consequently, new ways of thinking and doing Education. The results of theoretical analysis indicate the need to carry out studies and practices in Education linked to the understanding of the modes of existence (actions and meanings) produced by the technical rationality that affects the way humans carry out sociability at the beginning of the 21st century.Tres vertientes epistémico-metodológicas de construcción y usos de tecnologías (hardware y el software) fundamentan las teorías y prácticas sociales de principios del Siglo XXI. La primera vertiente se caracteriza por el proceso de codificación de diversos objetos técnicos mediante la elaboración de notaciones, vía algoritmos, metadatos, diagramas y modelos computacionales; la segunda, por el etiquetado de las entidades, y los movimientos de estas entidades, animados e inanimados, para que sean más fácilmente identificables; la tercera, por la producción de grandes cantidades de datos sobre todo lo que sucede en la Tierra, transformando dichos datos en insumos para la producción de capital. Desde este contexto, este trabajo se inserta como una actividad de carácter teórico, basada en fuentes bibliográficas, para construir un panorama de las interrelaciones entre Educación y sociedad, en torno a los usos sociales de las tecnologías, discutiendo las racionalidades técnicas sostenidas en las ideas de construcción de códigos, para llevar a cabo las diversas actividades que también son creadas por los humanos; la organización de memorias artificiales, dando lugar a la apropiación de enormes cantidades de datos por parte de grandes empresas transnacionales; la catalogación de todas las entidades existentes en la Tierra, dando como resultado nuevas formas de sociabilidad y, en consecuencia, nuevas formas de pensar y hacer Educación. Los resultados del análisis teórico indican la necesidad de realizar estudios y prácticas en Educación vinculados a la comprensión de los modos de existencia (acciones y significados) producidos por la racionalidad técnica que incide en la forma como los humanos realizan sociabilidades en los inicios del Siglo XXI.Três vertentes epistêmico-metodológicas de construção e usos de tecnologias (hardware e software) fundamentam as teorias e práticas sociais no início do século XXI. A primeira vertente se caracteriza pelo processo de codificação dos diversos objetos técnicos mediante a elaboração de notações, via algoritmos, metadados, diagramas e modelos computacionais; a segunda, pela rotulação dos entes, e dos movimentos destes entes, animados e inanimados, para que estes sejam mais facilmente identificáveis; a terceira, pela produção de grandes quantidades de dados sobre tudo o que acontece na Terra, transformando os referidos dados em insumos para produção de capital. A partir deste contexto, este trabalho se insere como atividade de cunho teórico, com base em fontes bibliográficas, de construção de um panorama das inter-relações entre educação e sociedade, quanto aos usos sociais das tecnologias, discutindo as racionalidades técnicas sustentadas pelas ideias de construção de códigos, para realizar as diversas atividades que também são elaboradas pelos humanos; da organização de memórias artificiais, dando origem à apropriação de enormes quantidade de dados por grandes empresas transnacionais; da catalogação de todos os entes existentes na Terra, resultando em novas formas de sociabilidade e, em consequência, de novas formas de se pensar e fazer educação. Os resultados da análise teórica indicam a necessidade de realização de estudos e práticas em educação vinculados ao entendimento dos modos de existência (ações e significações) produzidos pela racionalidade técnica que afeta a forma como os humanos realizam sociabilidades no início do século XXI
Estudos Feministas da Tradução e/m Queer~cu-ir
This article addresses the results of my PhD thesis, in which I carried out a critical bibliographical review, through queer~cu-ir studies, observing how the concept of gender manifested itself in much research in feminist translation studies, to suggest feminist translation studies and/in queer~cu-ir as another theoretical proposition. At the time, my register name was still Beatriz Regina Guimarães Barboza, although everyone knew me as be rgb, non-binary person. Today I call myself transmasculine, and I bring this location to the debate as transfeminist translator. As a method, I resort to the practice of an/dança, based on the queer ethics of the first person, to entangle theoretical flows of affinities and/or contingencies of crossings, in favor of their estrangement and propositional disturbance. Finally, I self-criticize my past research and suggest other questions.Este artículo presenta los resultados de mi tesis doctoral, en la que realicé una revisión bibliográfica crítica, a través de los estudios queer~cu-ir, observando cómo se manifestava el concepto de género en muchas investigaciones en estudios feministas de la traducción, para sugerir los estudios feministas de la traducción y/en queer~cu-ir como otra propuesta teórica. Entonces, mi nombre aún era Beatriz Regina Guimarães Barboza, aunque todes me conocían como una be rgb, persona no binaria. Hoy me denomino transmasculine, y traigo esta ubicación al debate como traductore transfeminista. Como método, recurro a la práctica de an/dança, basada en la ética queer de la primera persona, para enredar flujos teóricos de afinidades y/en contingencias de cruces, en favor de su extrañamiento y perturbación proposicional. En fin, hago una autocrítica de mi investigación y sugiero otras preguntas.O presente artigo apresenta os resultados de minha tese de doutorado, na qual realizei uma revisão bibliográfica crítica, através dos estudos queer~cu-ir, observando como se manifestava o conceito de gênero em muitas pesquisas dos estudos feministas da tradução, para sugerir os estudos feministas da tradução e/m queer~cu-ir como uma outra proposição teórica. Na época, meu nome de registro ainda era Beatriz Regina Guimarães Barboza, embora todes me conhecessem por be rgb, pessoa não binária. Hoje me afirmo transmasculine e trago esta localização ao debate como tradutorie transfeminista. Como método, recorro à prática de an/dança, fundamentada pela ética queer da primeira pessoa, para enredar fluxos teóricos de afinidades e/m contingências, em prol de seu estranhamento e perturbação propositiva. Por fim, faço uma autocrítica à minha pesquisa e sugiro outras perguntas
Autorrastreamento e plataformização: significados atribuídos por acadêmicos de Educação Física
This article examines digital self-tracking of physical exercise (DSTPE) on platforms, exploring the meanings attributed by Physical Education students in initial training (PEIT). A professor and 26 PEIT participants used Strava in a didactic sequence. Data, collected via online questionnaires, were analyzed in ATLAS.ti using the General Inductive Approach, resulting in three categories: ‘self-tracking practice’, ‘professional training’, and ‘professional practice’. The identified meanings associated DSTPE with body monitoring, motivation, health self-management, emotional discomfort, physical performance, digital exclusion, privacy, knowledge object, pedagogical integration, research, adaptive assessment, remote supervision, (bio)repository, work tool, classroom topic, and digital dependency. The conclusion emphasizes that integrating DSTPE into Physical Education requires a critical approach to avoid normalizing platformization challenges, such as datafication and behavioral modulation. Further studies are essential to prevent biases and align training with digital practices in a conscious and informed manner.Este artículo problematiza el autorrastreo digital de ejercicios físicos (ADEF) en plataformas, explorando los significados atribuidos por académicos de Educación Física en formación inicial (AEFFI). Participaron un profesor y 26 AEFFI, que utilizaron Strava en una secuencia didáctica. Los datos, producidos mediante cuestionarios en línea, se analizaron en ATLAS.ti a partir del Enfoque Inductivo General, resultando en tres categorías: 'práctica de autorrastreo', 'formación' y 'actuación' profesionales. Los significados identificados asociaron el ADEF al monitoreo corporal, la motivación, la autogestión de la salud, la incomodidad emocional, el rendimiento, la exclusión digital, la privacidad, el objeto de conocimiento, la incorporación pedagógica, la investigación, la evaluación adaptativa, la supervisión remota, el (bio)repositorio, el recurso de trabajo, el tema para clases y la dependencia digital. Se concluye que la integración del ADEF a la Educación Física demanda un enfoque crítico para no naturalizar los desafíos de la plataformización, como la datificación y la modulación conductual. Es esencial profundizar los estudios en esta área para evitar sesgos y alinear la formación a las prácticas digitales de forma consciente.Este artigo problematiza o autorrastreamento digital de exercícios físicos (ADEF) em plataformas, explorando os significados atribuídos a ele por acadêmicos de Educação Física em formação inicial (AEFFI). Participaram um professor e 26 AEFFI, que utilizaram o aplicativo Strava em uma sequência didática. Os dados, produzidos via questionários on-line, foram analisados no ATLAS.ti a partir da Abordagem Indutiva Geral, resultando em três categorias: “prática de autorrastreamento”, “formação” e “atuação” profissionais. Os significados identificados associaram o ADEF a monitoramento corporal, motivação, autogerenciamento da saúde, desconforto emocional, performance, exclusão digital, privacidade, objeto de conhecimento, incorporação pedagógica, pesquisa, avaliação adaptativa, supervisão remota, (bio)repositório, recurso de trabalho, tema para aulas e dependência digital. Conclui-se que a integração do ADEF à Educação Física demanda abordagem crítica para não naturalizar desafios da plataformização, como dataficação e modulação comportamental. É essencial aprofundar estudos nessa área para evitar vieses e alinhar a formação às práticas digitais de forma consciente
Economia política do desastre e captura jurídica do risco no Brasil
This article argues that environmental disasters in Brazil have ceased to be exceptional events and have become structural components of the country’s capitalist accumulation regime. The analysis of five cases that occurred between 2000 and 2015, Araucária, Miraí, Chevron/Bacia de Campos, Ultracargo fire, and Mariana, reveals how risk is institutionalized as a method of government and how destruction becomes an opportunity for economic valorization. Grounded in historical-dialectical materialism, the study demonstrates that the State, rather than containing risks, actively manages them, and that Environmental Law, despite its precautionary and responsibility-based principles, operates predominantly ex post facto, legitimizing the administration of collapse. The articulation between capital and the State weakens public policies, normalizes tragedy, and renders environmental justice structurally unfeasible. In light of this scenario, the article calls for a rethinking of the legal and political paradigms that structure the relationship between society, the State, and nature, pointing to the need for emancipatory alternatives in the face of the contemporary socio-environmental crisis.O presente artigo parte da constatação de que os desastres ambientais deixaram de ser eventos excepcionais para se tornarem elementos estruturais da dinâmica de reprodução do capital. Ao analisar cinco grandes desastres ambientais ocorridos no Brasil no século XXI — como os rompimentos de barragens em Mariana (MG) e Miraí (MG), além dos vazamentos de óleo envolvendo Petrobras e Chevron — evidencia-se a institucionalização do risco como instrumento de governo e a conversão do sofrimento social em mecanismo de acumulação. Fundamentado no materialismo histórico-dialético, o estudo examina como a lógica expansionista do capital depende da exploração sistemática da natureza e da mercantilização da vida, sendo sustentada por um Estado que, ao invés de conter os riscos, os opera. O Direito ambiental, embora repleto de princípios de precaução e responsabilidade, mostra-se insuficiente diante da força estruturante do capital, atuando mais como instância de administração do colapso do que de sua prevenção. A articulação entre capital e Estado fragiliza os mecanismos de controle, esvazia as políticas públicas e naturaliza a tragédia como condição de governança. Neste sentido, o desastre não é um acidente, mas um sintoma sistêmico de um modelo que transforma a incerteza em método e a destruição em oportunidade de lucro. O artigo, assim, propõe repensar as bases jurídicas e políticas da relação entre sociedade, Estado e natureza, em busca de paradigmas emancipatórios que enfrentem a raiz estrutural da crise ambiental
Os Monocultivos florestais no Cone Sul e as consequências socioambientais
This article aims to analyze, from the perspective of Environmental History and through a comparative approach, the introduction of monoculture plantations of fast-growing forest species, especially Pinus spp, in the province of Misiones, Argentina, and in the state of Santa Catarina, Brazil. The research uses as sources the provincial and national legislation of Argentina, as well as the publication Misiones Forestal e Industrial, from 1983. For the Brazilian case, the state and federal legislation that guided and encouraged the expansion of the cultivation of exotic species was analyzed, allowing us to understand the socio-environmental impacts generated by this forestry model. The analysis shows that, both in Santa Catarina and in Misiones, the expansion of Pinus spp monocultures was driven by state policies, which associated this practice with economic progress, without adequately considering the social effects involved, as well as environmental effects, such as the fragmentation of ecosystems and changes in land use.Este artigo tem como objetivo analisar, sob a perspectiva da História Ambiental e por meio de uma abordagem comparativa, a introdução do monocultivo de espécies florestais de rápido crescimento, especialmente Pinus spp, na província de Misiones, na Argentina, e no estado de Santa Catarina, no Brasil. A pesquisa utiliza como fontes a legislação provincial e nacional da Argentina, além da publicação Misiones Forestal e Industrial, de 1983. Para o caso brasileiro, foram analisadas as legislações estaduais e federais que nortearam e incentivaram a expansão do cultivo de espécies exóticas, permitindo compreender os impactos socioambientais gerados por esse modelo florestal. A análise demonstra que, tanto em Santa Catarina quanto em Misiones, a expansão dos monocultivos de Pinus spp, foi impulsionada por políticas estatais, que associavam essa prática ao progresso econômico, sem considerar adequadamente os efeitos sociais envolvidos, assim como ambientais, como a fragmentação de ecossistemas e as alterações no uso da terra
Desastre, poder e conflitos na Bacia do Rio Doce: da Fundação Renova ao Acordo de Repactuação
The focus of this reflection is the Vale/BHP/Samarco disaster. The proposal is to determine whether the concept of environmental regime is a useful analytical tool for formulating comprehensive public policies capable of addressing and mitigating the various phenomenal dimensions of disasters and reducing risks and uncertainties. The differing viewpoints, tensions, and conflicts involving multiple actors are manifestations of what can be defined as contrariis legibus—that is, competing regimes, such as the state legal regime, the pricing regime, the tax regime, and local community rights. Therefore, public policies must consider that all relationships are marked by power.O objeto da reflexão é o desastre da Vale/BHP/Samarco. A proposta é verificar se o conceito de Envirotechnical Regime é uma ferramenta analítica útil à formulação de políticas públicas abrangentes e capazes de enfrentar e mitigar as várias dimensões fenomênicas dos desastres e reduzir riscos e incertezas. Os pontos de vista diferentes, as tensões e os conflitos envolvendo os múltiplos atores são manifestações do que se pode definir como contrariis legibus, ou seja, diferentes regimes em disputa, tais como regime jurídico estatal, regime de preços, regime tributário e direitos locais das comunidades. Daí as políticas públicas precisarem considerar que as relações são todas marcadas pelo poder
Encenação de si em Sangue de amor correspondido, de Manuel Puig
This paper offers a discursive analysis of the self-statements uttered by Josemar, the protagonist of Sangre de amor correspondido (1982), a novel by Manuel Puig, understood as a technique for staging his subjectivity. Drawing on Foucauldian notions of care of the self and veridiction, we propose an updated discussion by exploring how the character’s monologue—based on a real worker—reflects a crisis in practices of the self. The hypothesis is that Josemar’s discourse reflects an alienated performance, characteristic of modernity, which does not aim at truth-telling. The discursive materiality is composed of excerpts that reveal internal contradictions (stories repeated with inconsistent details) and external contradictions (fantasies contrasted with material precarity), amplified by the use of the third person, which distances Josemar from his own self. Moreover, the centrality of sexual discourse, shaped by a performance of hegemonic masculinity, reveals practices of the self reduced to non-reflective repetitions, regulated by the biopolitics of mass culture. Thus, this study highlights the impoverishment of technologies of the self in modernity, linking Josemar’s subjectivity to broader dynamics of power and social control. Este trabajo realiza un análisis discursivo de los enunciados de sí proferidos por Josemar, protagonista de Sangre de amor correspondido (1982), una novela de Manuel Puig, en tanto técnica de puesta en escena de su subjetividad. Partiendo de las nociones foucaultianas de cuidado de sí y veridicción, proponemos una actualización de la discusión, explorando cómo el monólogo del personaje, inspirado en un trabajador real, refleja una crisis de las prácticas de sí. La hipótesis es que el discurso de Josemar refleja una performance alienada, característica de la modernidad, que no apunta al decir-verdadero. La materialidad discursiva se compone de extractos que revelan contradicciones internas (historias repetidas con detalles inconsistentes) y externas (fantasías en contraste con la precariedad material), amplificadas por el uso de la tercera persona, que distancia a Josemar de su yo. Además, la centralidad del discurso sexual, pautado por una performance de masculinidad hegemónica, revela prácticas de sí reducidas a repeticiones no reflexivas, reguladas por la biopolítica de la cultura de masas. Así, este estudio evidencia el empobrecimiento de las tecnologías del yo en la modernidad, conectando la subjetividad de Josemar con las dinámicas de poder y control social.Este trabalho realiza uma análise discursiva dos enunciados de si proferidos por Josemar, protagonista de Sangue de Amor Correspondido (1982), um romance de Manuel Puig, como técnica de encenação de sua subjetividade. Partindo das noções foucaultianas de cuidado de si e veridicção, propomos uma atualização à discussão, explorando como o monólogo da personagem, inspirado em um trabalhador real, reflete uma crise das práticas de si. A hipótese é que o discurso de Josemar reflete uma performance alienada, característica da modernidade, que não visa ao dizer-verdadeiro. A materialidade discursiva compõe-se de excertos que revelam contradições internas (histórias repetidas com detalhes inconsistentes) e externas (fantasias em contraste com a precariedade material), amplificadas pelo uso da terceira pessoa, que distancia Josemar de seu eu. Além disso, a centralidade do discurso sexual, pautado por uma performance de masculinidade padrão, revela práticas de si reduzidas a repetições não reflexivas, reguladas pela biopolítica da cultura de massa. Assim, este estudo evidencia o empobrecimento das tecnologias do eu na modernidade, conectando a subjetividade de Josemar às dinâmicas de poder e controle social
A vigilância da terra e a desterritorialização em comunidades tradicionais na Bahia
This article discusses how capitalist expansion regimes, during times of crisis, wage wars to legitimize the surveillance and control of territories. The analysis is based on the advancing mining industry within traditional communities in Bahia. Grounded in discursive theory, the work draws on the theoretical framework of Foucault (1988, 2005, 2008a, 2008b, 2008c, 2010, 2014, 2018, 2021) and articulates it with the contributions of authors such as Lenin (2012), Mészáros (1930), Agamben (2017), Lazzarato (2015, 2021), and Barad (2017), among others. Our findings reveal the dimension of the “war machine of capital” (Alliez & Lazzarato, 2021; Deleuze, Guattari, 2012) as it advances through mining in Bahia. These processes promote land surveillance as the core mechanism of capitalist expansion, creating an economy driven by a logic of domination and dependency that produces a “smooth” way of living. The monopolization of natural resources, transformed into economic products and private capital, operates through governmentalization devices. The surveillance and control of land establish norms of conduct that restrict the use of space, water, and soil, configuring a biopolitical regime that legitimizes the exercise of violence and deterritorialization.Este artículo discute, a partir del avance de la minería en comunidades tradicionales de Bahía, cómo los regímenes de expansión capitalista, en fase de crisis, promueven guerras para legitimar la vigilancia y el control sobre los territorios. El trabajo se sitúa en el campo discursivo y utiliza el aporte teórico de Foucault (1988, 2005, 2008a, 2008b, 2008c, 2010, 2014, 2018, 2021) articulándolo con autores como Lenin (2012), Mészáros (1930), Agamben (2017), Lazzarato (2015, 2021) y Barad (2017), entre otros. Los resultados muestran la dimensión de la “máquina de guerra del capital” (Alliez; Lazzarato, 2021; Deleuze; Guattari, 2012) a partir de los avances de la minería en Bahía. Tales procesos promueven la vigilancia de la tierra como núcleo de los mecanismos de expansión capitalista, generando una economía guiada por una lógica de dominación y dependencia que produce un habitar “liso”. La monopolización de los recursos naturales, bajo la forma de producto económico y capital privado, opera a través de dispositivos de gubernamentalidad. La vigilancia y el control de la tierra crean normas de conducta que restringen el uso del espacio, del agua y del suelo, configurando un régimen biopolítico que legitima el ejercicio de la violencia y la desterritorialización.Este artigo discute, a partir do avanço da mineração em comunidades tradicionais da Bahia, como os regimes de expansão capitalista, em fase de crise, promovem guerras para legitimar a vigilância e controle sobre os territórios. O trabalho situa-se no campo discursivo e utiliza o aporte teórico de Foucault (1988, 2005, 2008a, 2008b, 2008c, 2010, 2014, 2018, 2021) articulando-o com autores como Lenin (2012), Mészáros (1930), Agamben (2017), Lazzarato (2015, 2021) e Barad (2017), entre outros. Os resultados mostram a dimensão da “máquina de guerra do capital” (Alliez; Lazzarato, 2021; Deleuze; Guattari, 2012) a partir dos avanços da mineração na Bahia. Tais processos promovem a vigilância da terra como núcleo dos mecanismos de expansão capitalista, gerando uma economia guiada por uma lógica de dominação e dependência que produz um habitar “liso”. A monopolização dos recursos naturais, sob a forma de produto econômico e capital privado, opera por meio de dispositivos de governamentalidade. A vigilância e o controle da terra criam normas de conduta que restringem o uso do espaço, da água e do solo, configurando um regime biopolítico que legitima o exercício da violência e a desterritorialização.
 
Racializadas Mulheres: A Escrevivência como reparação epistemológica
Faced with a successful and malefic supremacist hegemonic system that sought to racialize humanity in order to subjugate different minds and bodies, many academic institutions have sought to embrace a universal scientific methodology highly aligned with a Eurocentric and rationalist epistemological perspective. For a long time, science was based on ideas that did not consider the diversity of knowledge and beings. Furthermore, the claim of scientific universality of knowledge can cause, among other situations, embarrassment and oppression to people who use other epistemological approaches. Thus, the text addresses the dominance that colonization exerts over racialized bodies and about how colonialist logic causes epistemic violence, especially with racialized women, including academic spaces within. Appropriating the concept of Escrevivência as an alternative scientific methodology, therefore, seems to be an excellent path to epistemological reparation insofar as it recognizes knowledge and writings that are subalternized as scientific, pointing to new possibilities that transform science and life.Diante de um exitoso e nefasto sistema hegemônico supremacista que tratou de racializar a humanidade com a finalidade de subjugar diferentes mentes e corpos, muitas instituições acadêmicas trataram de abraçar uma metodologia científica universal altamente alinhada a uma perspectiva epistemológica racionalista e eurocentrada. Por muito tempo, a ciência se pautou em ideias que não contemplavam a diversidade de saberes e seres. Além disso, a pretensa universalidade científica do saber pode causar, entre outras situações, constrangimento e opressão à pessoas que se valem de outras vertentes epistemológicas. Nesse sentido, o texto aborda sobre o domínio que a colonização exerce sobre corpos racializados e sobre como a lógica colonialista causa violência de caráter epistêmico, especialmente, contra racializadas mulheres dentro dos espaços acadêmicos. Apropriar-se do conceito de Escrevivência como uma alternativa de metodologia científica, portanto, parece ser um excelente caminho de reparação epistemológica na medida em que reconhece saberes e escritos subalternizados enquanto científicos apontando para novas possibilidades que transformam a ciência e a vida
A doença e o amigo: uma análise da recusa e da negatividade na epidemia de aids em Hervé Guibert
This essay analyzes the production of dissident subjectivities within the context of the HIV/aids epidemic, focusing on refusal and negativity as political potencies. The main objective is to investigate how Hervé Guibert's autofiction "To the Friend Who Did Not Save My Life" performs a subjectivity that resists narratives of redemption and overcoming. The methodological approach is cartography, which refuses a linear history in order to map the assemblages that constitute the experience of aids. The theoretical framework articulates crip theory, which critiques compulsory able-bodiedness, with the antisocial turn of queer theory (Leo Bersani, Lee Edelman), also mobilizing concepts such as technologies of the self (Michel Foucault) and the politics of backward affects (Heather Love). It is argued that Guibert converts the degeneration of the body into text, using writing as a technology of the self to dispute the power to narrate his own finitude against the medical apparatus. The conclusion is that the work performs a shattered subjectivity that embraces shame and betrayal, aligning with a politics of "feeling backward," which insists on inhabiting the damage as a form of ethical engagement with the memory of trauma.
Este ensaio analisa a produção de subjetividades dissidentes no contexto da epidemia de HIV/aids, focando na recusa e na negatividade como potências políticas. O objetivo central é investigar como a autoficção "O amigo que não me salvou a vida", de Hervé Guibert, performa uma subjetividade que resiste às narrativas de redenção e superação. A abordagem metodológica adotada é a da cartografia, que recusa uma história linear para mapear os agenciamentos que constituem a experiência da aids. O referencial teórico articula a teoria crip, que critica a capacidade compulsória, com a vertente antissocial da teoria queer (Leo Bersani, Lee Edelman), mobilizando ainda conceitos como as tecnologias de si (Michel Foucault) e a política dos afetos retrógrados (Heather Love). Argumenta-se que Guibert converte a degenerescência do corpo em texto, utilizando a escrita como uma tecnologia de si para disputar o poder de narrar a própria finitude contra o dispositivo médico. Conclui-se que a obra performa uma subjetividade estilhaçada que abraça a vergonha e a traição, alinhando-se a uma política de "sentir-se para trás" (feeling backward), que insiste em habitar o dano como forma de engajamento ético com a memória do trauma.