Portal de Periódicos de Ciências Humanas e Filosofia, da Universidade Federal Fluminense
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Sociólogo e machista o tempo inteiro: uma análise feminista interseccional sobre uma crise institucional
Este artigo foi desencadeado após a realização de uma disciplina e os incômodos que compareceram na leitura do diário de campo de Françoise Lourau presente no livro de René Lourau, “Sociólogo em tempo integral”. Em seu diário de campo, Françoise narra uma série de assédios que enfrentou na ocupação de Pont-Achard, por sua condição enquanto mulher, sendo reduzida a esposa, mãe e amante pelos homens que a cercava. Nosso objetivo foi fazer um debate analítico-metodológico sobre os avanços que os Feminismos, as Epistemologias do Sul e o Paradigma Interseccional trazem para a Psicologia Institucional utilizando como material de análise nossas experiências como mulheres dentro da academia e o diário de campo de Françoise Lourau. Utilizamos o conceito de Outsider Within, de Patricia Hill Collins, para trazer esse lugar da forasteira de dentro que nos permite infiltrar a Academia para subvertê-la de dentro.
Psicologia social e Epistemologias Afrodiaspóricas
Este ensaio objetiva traçar considerações críticas sobre os processos de colonialidade, inspirados em concepções de conhecimento ocidental eurocêntrico, que se mostram ainda hegemônicos no país, a invisibilizar e aniquilar epistemes, fazeres e saberes alternativos e diversos. Para tanto, será realizado uma dialogia crítica entre este modelo societário e epistêmico hegemônico com uma epistemologia afrodiaspórica em solo brasileiro. O ensaio é concluído convidando à reflexão para continuar a construção de uma psicologia social descolonizada, que abarque e seja incorporada por uma epistemologia compreensiva e ético-poética que busque conviver com os paradoxos mais do que solucioná-los, atendo-se aos interstícios e às zonas do entre nas relações, sempre dinamicamente imprevisíveis, mais do que aos entes individualizados em relação. E que, ademais, reconheça e dialogue com a pluralidade viva e incalculada de saberes e fazeres que compõem a dinâmica da história das experiências e interações da vida sendo vivida em cada lugar
O ódio e o desenvolvimento do Eu em Os instintos e seus destinos
Desde início de sua teoria, Freud se preocupou em descrever e explicar a agressividade e a hostilidade presentes nos pensamentos, ações e comportamentos do ser humano. Segundo suas hipóteses, ela se manifestaria, inicialmente, ligada aos instintos sexuais no complexo de Édipo (1996[1900]), no instinto de apoderamento (2018[1905]) e no estágio sádico-anal (2018b[1913]). Em Introdução ao narcisismo (2018[1914]), o autor relaciona a fase narcísica, a hostilidade, a agressividade e os instintos do Eu, criando condições para pensar o papel do ódio no desenvolvimento psíquico, em Os instintos e seus destinos (2018[1915]). Este estudo tem como objetivo analisar criticamente essa obra de 1915, tendo em vista elucidar o papel do ódio na constituição e no desenvolvimento do Eu. Procuramos mostrar também que pesquisas subsequentes chegaram a conclusões semelhantes àquelas de Freud, o que ressalta a relevância e atualidade de suas ideias
Amizade, Subjetividade e Conceito Fenomenológico de Mundo em Hannah Arendt
Este trabalho discute a experiência da amizade como fenômeno do mundo comum, baseado na intersubjetividade do diálogo ao viabilizar a produção de subjetividades éticas; estas, caracterizadas pela relação estreita entre a “faculdade do pensamento” e o agir. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de inspiração fenomenológica, fundamentada na teoria política de Hannah Arendt, cuja perspectiva de alcance contempla uma reflexão sobre a dimensão política da Psicologia, ao agir em prol da mundanidade do homem (seu modo de ser-no-mundo). Perpassa, primeiramente, pela gênese do conceito amizade (Philía) e sua relação com a tradição aristotélica-ciceroniana. Em seguida, enfatiza a relação entre o advento da subjetividade e a Era Moderna. Por fim, relaciona a amizade com o conceito fenomenológico de mundo desenvolvido pela filósofa (influenciada por Martin Heidegger) e, em seguida, com a Psicologia Social. Conclui-se que a amizade constrói um modo de ser dialógico ao influenciar a interação e construção do meio social
Aborto em nossas práticas profissionais
Este trabalho intenta discutir a assistência às mulheres em situação de abortamento. Apesar de contextualizar a discussão sobre o aborto no âmbito nacional e circunscrever a matéria como pertencente ao campo dos Direitos Humanos, Sexuais e Reprodutivos, enfatiza também a sua relação com a Saúde Pública, a partir de uma reflexão sobre a prática profissional realizada em uma maternidade pública, no município do Rio de Janeiro. Considera a necessidade não só de descriminalização e legalização do aborto, mas também a criação de estratégias para interferir no modo como as mulheres são assistidas, visto que elas são alvo de violências institucionais diversas, baseadas na lógica patriarcal.
As ciências na construção dos discursos (pós) modernos sobre a condição juvenil
Buscando evitar uma visão fragmentada ou reduzida sobre o nosso objeto de estudo, este trabalho tem o objetivo de compreender o fenômeno contemporâneo do ser jovem e os discursos sobre as juventudes a partir de diversos saberes. Nesse sentido buscaremos mostrar as contribuições e limitações que as ciências trazem para a condição juvenil, tentando verificar as relações, afirmações, limitações e contradições que essas apresentam em seus discursos. Para isso, primeiramente apresentaremos a concepção biológica juvenil, em seguida a visão de juventude relatada pela psicologia e psicanálise e, por fim, olharemos para o fenômeno das juventudes sob a ótica das ciências sociais e de como os jovens se mostram nos diversos contextos em que estão inseridos
Trabalho no rol dos culpados: (re) inserção profissional e sistema prisional
O sistema prisional surge com o propósito de reeducar o preso para que ele não venha a reincidir em ações desviantes. Nesse contexto, o trabalho assume centralidade como medida de ressocialização. A presente pesquisa teve como objetivo caracterizar os convênios de incentivo ao trabalho desenvolvidos no sistema prisional da região da Grande Florianópolis na perspectiva da reinserção profissional. De abordagem qualitativa e delineada como um estudo de casos múltiplos, foram estudadas quatro Unidades Prisionais da região da Grande Florianópolis por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicadas em servidores das Unidades selecionadas. A partir dos dados coletados, foi possível identificar 22 convênios de incentivo ao trabalho, cujas atividades são desenvolvidas em oficinas instaladas por organizações dentro do próprio sistema prisional. Foram identificadas atividades distanciadas da realidade do mercado de trabalho, expondo os presos a tarefas monótonas e repetitivas, sem estreita relação com o aprimoramento das competências socioprofissionais.