Revistas da UCPEL (Universidade Católica de Pelotas)
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Condições de vida e o processo de trabalho dos Catadores de Papelão de Manaus
O objetivo desta pesquisa foi delinear as condições de vida e discorrer por meio do processo de trabalho, das pessoas que coletam materiais recicláveis em associações de catação das aparas de papelão, na cidade de Manaus, a partir de investigação de caráter exploratório qualitativo. A pesquisa mostrou que 20% dos catadores nunca estudaram e outros 30,0% responderam que têm o ensino fundamental incompleto, trabalham pelo menos 15 horas semanalmente, em condições muitas vezes de insalubridade, com um rendimento mensal de R$ 810,00. Esses atores iniciam seu trabalho com a catação nas ruas dos centros da cidade e o recolhimento nos pátios das indústrias, depois do processo de seleção, esse material é separado, pesado, prensado e por fim é amarrado em fardos de diferentes tamanhos até a comercialização. O trabalho realizado pelos catadores de papelão é fundamental para a promoção da reciclagem provocando uma cadeia inquestionável de benefícios ambientais à sociedade
Os incapazes para o trabalho assalariado e o programa de revisão de benefícios no Brasil
Este artigo tem como objetivo propor uma interpretação marxista acerca do Programa de Revisão de Benefícios por Incapacidade (PRBI) e suas implicações para os incapazes para o trabalho assalariado no Brasil. A partir do uso da revisão bibliográfica e da análise de dados, o texto aponta, inicialmente, aspectos teóricos acerca do papel sócio-histórico dos incapazes e de sua proteção social no capitalismo, e, posteriormente, examina criticamente o PRBI. Dentre as principais conclusões, aponta-se que, sob o argumento do combate a fraudes, as revisões e os cortes de benefícios se constituem em uma visceral ofensiva, a qual mostra-se duplamente funcional à acumulação capitalista, pois, por um lado, disponibiliza os incapazes para o trabalho assalariado à subsunção ao capital e retroalimenta a superpopulação relativa e, por outro lado, libera recursos do fundo público para o capital sem abranger os múltiplos benefícios tributários que o capital tem no país
DEUS: REPRESENTÁVEL? IRREPRESENTÁVEL? Ensaio interdisciplinar sobre as representações de Deus na psicanálise e na teologia
Quando o paciente fala de Deus na sessão, o analista põe-se em posição de investigar a natureza específica e pessoal das representações que tal referência evoca, distanciando-se de entrada, da idéia de que representações mentais de Deus têm um caráter único e imutável. O complexo-coisa, um aspecto muito particular das representações-de-coisa (Dingvorstellung) em Freud, o verdadeiro núcleo das representações-de-coisa ao qual Freud adjudicou o inassimilável, outorga ao aparelho psíquico a possibilidade de aceder a uma representação de Deus no seu sentido apofático, isto é, o sentido do mistério, invisibilidade, inefabilidade, inafigurabilidade. Este é um ponto presente desde os começos da psicanálise e que permite uma abordagem teórica e uma aproximação interdisciplinar com a Teologia Negativa, aquela que se ocupa em descrever o que não é Deus. Na atualidade, ganham força os fenômenos de transicionalidade winnicottianos na compreensão da representabilidade de Deus, destacando-se, sobretudo, como um objeto transicional especial, porque, à diferença dos objetos transicionais comuns (em sua dimensão material), as representações de Deus estão criadas a partir de materiais representacionais de objetos primários e, ademais, diferem quanto ao destino, já as últimas costumam sofrer reelaborações ao longo da vida, em todas as suas crises, inclusive na morte. A partir de duas vinhetas clínicas dos autores, um psicanalista e um teólogo, fazem uma série de considerações teórico-técnicas, pondo em relevo: 1a possibilidade de investigação clínica pormenorizada de sentimentos profundamente reprimidos (p. ex., a ambivalência) do sujeito para com o objeto; 2- a potencial fecundidade de um diálogo interdisciplinar psicanalítico-teológico, com desenvolvimento para ambas as disciplinas, rompendo-se preconceitos fundamentalistas de parte a parte; 3- a possibilidade de exame do modo como as metodologias da psicanálise e da teologia se “trabalham” epistemologicamente entre si
TEOLOGIA E PSICANÁLISE: UM ESTUDO BIOGRÁFICO INTERDISCIPLINAR - AGOSTINHO DE HIPONA E ORAÇÃO: MÍSTICA E RELAÇÕES OBJETAIS
Este artigo é paralelo a outros dois, destinados à obtenção do título de Mestre em Saúde Mental na Universidade Católica de Pelotas. Num deles, publicado no número anterior desta revista, estudavam-se as representações mentais de Deus em teologia e em psicanálise; no segundo, com as mesmas bases teóricas deste, Santo Inácio de Loyola. Neste estudam-se o fenômeno místico em Agostinho de Hipona e a oração cristã. A Escola Inglesa, que desenvolveu a teoria das relações objetais, tem, fundamentalmente a partir de D. W. Winnicott, inspirado uma nova abordagem do fenômeno religioso com as categorias da psicanálise. São seminais a respeito as obras de P. Pruyser, W. W. Meissner e A. M. Rizzuto. Mas, expõe-se outras abordagens, mais recentes, que convergem no mesmo objetivo: novas compreensões do fenômeno religioso. São elas o objeto transformacional, em C. Bollas, o ser em H. Garbarino e a posição transcendente, em J. S. Grotstein. O último, procura articular sua proposta com as transformações em “0” de Bion. Propõe-se um novo diálogo interdisciplinar entre psicanálise e teologia que pode ser dirigido tanto para o estudo do fenômeno místico quanto para aplicações práticas, como na orientação espiritual e no tratamento psicanalítico
FENÔMENO MÍSTICO: TRANSICIONALIDADE E RELAÇÕES OBJETAIS. ESTUDO INTERDISCIPLINAR DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA
Propõe-se o estudo interdisciplinar, entre um teólogo e um psicanalista, do fenômeno místico à luz da teoria winnicottiana, abordando a vida e obra de Santo Inácio de Loyola. Motiva-se este ensaio pela relevância atual do fenômeno estudado e o interesse que vem despertando nas esferas psicanalítica e teológica esta expressão ápice da experiência religiosa. Inácio revela-se uma personalidade de caráter narcisista, que, superando um prolongado período regressivo paralelo à sua progressiva conversão espiritual, acompanhada de diversificados fenômenos místicos, torna-se líder no cristianismo católico, uma personalidade rica, destacado como educador, missionário, orientador espiritual. Fundador e primeiro geral dos jesuítas, no entender de William James “foi um místico, mas seu misticismo fê-lo seguramente um dos mais poderosos engenhos humanos práticos que já viveram”.A interdisciplinaridade teológico-psicanalítica pode revelar-se útil e oportuna no estudo do fenômeno místico, fato relevante para uma época em que tanto as psicoterapias quanto a orientação espiritual religiosa têm sua busca intensificada e as experiências místicas das pessoas envolvidas requerem uma atenção mais qualificada em busca de sua saúde mental e desenvolvimento espiritual. Este estudo destinou-se à dissertação do primeiro autor no Mestrado em Saúde e Comportamento da UCPel, a qual tem o segundo autor como orientador. Completa, em sequência, na mesma dissertação, o artigo “Deus: representável? Irrepresentável? Ensaio interdisciplinar sobre as representações de Deus na psicanálise e na teologia”, publica no v. 1, n. 1, de junho de 1999, nesta mesma revista
Thanatos: Mitologia, Filosofia, Antropologia
A morte é um evento natural que interessa a todo ser vivo: uma dívida contraída ao nascer. O homo sapiens é o único ser que tem consciência da morte, o único a saber e viver na certeza de que irá morrer. A certeza do evento associa-se à dificuldade em aceitá-lo. Por isso, desde os primórdios da humanidade, o homem criou mitos cuja função foi afugentar o medo da morte, neutralizá-la mediante a convicção de que a morte abrirá o caminho para outra vida. Podemos dizer, a este propósito, que a história da cultura e das civilizações humanas encontra-se inscrita nos túmulos e nos é contada por eles. Hoje, infelizmente, a morte perdeu o direito de cidadania e tornou-se a “Grande Apólide”, escondida, rejeitada, considerada “obscena”. Falar ou escrever sobre ela é de extremo mau gosto. O que se enaltece, hoje, é a vida e o mito da eterna juventude. Só a Igreja, depositária dos ensinamentos de Cristo, teima em nos lembrar que a morte é o preço a ser pago pelo pecado de origem. Ela, todavia, foi vencida pelo sacrifício do Filho de Deus que, aceitando-a, se colocou ao nível dos mortais, para, depois, vencê-la com a sua Ressurreição. Para o cristão, o dia da morte é o Dies Natalis, o dia do nascimento para a eternidade no convívio dos eleitos
Ideologia, Conhecimento e Linguagem na formulação do trabalho humano
Este artigo pretende apresentar algumas relações entre a formulação clássica do conceito de ideologia e sua relação negativa com o processo de conhecimento e o entendimento que podemos construir do real e sua concretude. Analisa esta relação a partir da formulação marxiana do conceito de ideologia perguntado sobre o próprio trabalho de Marx em desvelar o mesmo conceito de trabalho na sociedade moderna. Por fim, estabelece uma última relação entre o processo de formulação da ideologia na relação do trabalho e o processo de entendimento sobre a linguagem como dimensão reflexiva do que se oculta da relação ideológica e do processo de valoração do trabalho
Considerações sobre a Teoria da Punição na “Filosofia do Direito” de Hegel
Este artigo faz considerações sobre a teoria da punição na Filosofia do Direito de Hegel. O texto se estrutura em três partes: a ‘Parte I’ introduz o tema e aponta os problemas enfrentados pelo direito abstrato quando da sua negação; a ‘Parte II’ faz as considerações sobre a teoria hegeliana da punição como negação da negação do direito; a ‘Parte III’ conclui o artigo relacionando cada princípio do direito natural moderno com o seu respectivo problema