Portal de Periódicos da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco)
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ENSINO REMOTO EMERGENCIAL E A SAÚDE MENTAL DE PÓS-GRADUANDOS: O SOFRIMENTO PSÍQUICO DISCENTE EM TEMPOS DE PANDEMIA
A pandemia de covid-19 afetou, substancialmente, a qualidade de vida e a saúde mental de pessoas por todo o mundo. No Brasil, diante das medidas de isolamento social e do fechamento de comércios e instituições de ensino, o Ministério da Educação (MEC) aprovou o Ensino Remoto Emergencial (ERE), que tencionou substituir aulas em caráter presencial por aulas em formato remoto, até a contenção total da doença. Diante de um modelo de ensino inédito e das desigualdades socioeconômicas que caracterizam à sociedade brasileira, surge a preocupação com a saúde mental de discentes na pós-graduação, considerando que o ambiente acadêmico, por si só, já é fonte de tensões que induzem o sofrimento psíquico. À vista disso, este estudo buscou identificar as dificuldades enfrentadas durante o ERE na pós-graduação, aspirando apurar a correlação entre o inédito modelo de ensino e o sofrimento psíquico discente. A pesquisa de campo, de métodos mistos, foi aprovada pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos (COPEP). O estudo contou com a participação de 77 pós-graduandos de um Programa de Pós-Graduação em Educação de uma universidade estadual paranaense, que preencheram, remotamente, um survey interseccional com 89 questões. Os resultados apontam que cerca de 68% dos pós-graduandos sofrem de ansiedade, 47% acreditam que o ERE avariou, negativamente, a experiência com a pós-graduação, sendo que 39% julgam que o ERE foi nocivo à formação acadêmica. Ao refletir sobre esses dados, concluiu-se que o ERE prejudicou a saúde mental dos pós-graduandos, ao passo em que subsidiou práticas que promoveram sofrimento psíquico à população discente. 
ACESSIBILIDADE ATITUDINAL E A PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL:: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA REMOTA PARA DOCENTES NO ENSINO SUPERIOR
No atual contexto de pandemia as instituições de ensino superior se viram mobilizadas a realizarem adequação dos processos de ensino-aprendizagem para o formato de Ensino Remoto Emergencial. Por outro lado, houve um aumento expressivo de adoecimento mental por parte de discentes face as incertezas provenientes do momento, bem como a necessidade de fortalecer serviços de apoio psicológicos aos estudantes. Tais demandas sinalizam para a acessibilidade atitudinal como uma forma de promoção da saúde mental no contexto universitário. Este artigo tem por objetivo relatar a experiência de uma formação pedagógica remota para docentes sobre acessibilidade atitudinal e sua relação com a promoção de saúde mental no contexto universitário. Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, em que se apresenta resultados obtidos na execução da IV Jornada de Educação Inclusiva, evento realizado em uma instituição de ensino superior localizada em Governador Valadares – MG. Resulta-se que a acessibilidade atitudinal no contexto universitário é necessária para se pensar o processo de ensino e aprendizagem sem barreiras atitudinais que impeçam e/ou dificultam a inclusão social, a partir de ações que combatam práticas de discriminações, estigmas, estereótipos e preconceitos direcionadas a pessoas pertencentes a grupos minoritários historicamente excluídos dos processos sociais. Conclui-se que a formação pedagógica de docentes vivenciada de forma remota promoveu a reflexão sobre as contribuições da acessibilidade atitudinal para a promoção da saúde mental no contexto universitário
APRESENTAÇÃO DO EDITORIAL REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NA CONTEMPORANEIDADE
Esse dossiê intitulado Representações Sociais na Contemporaneidade retrata alguns dos trabalhos que foram apresentados durante a segunda edição, sendo a primeira em dimensão internacional, do Congresso Internacional Interdisciplinar sobre Representações Sociais e sobre Qualidade de Vida (CIRSQVASF), que aconteceu entre 15 a 17 de dezembro de 2021, com objetivo de contribuir para assegurar a dignidade como elemento básico da qualidade de vida dos cidadãos, principalmente em tempos de pandemia, além de ser um espaço para construção de conhecimentos a partir de pesquisas do campo da saúde, da educação, do meio ambiente, cultura, direitos humanos, etc. O evento, promovido pelo Grupo de Pesquisa Interdisciplinar sobre Saúde, Educação e Educação Física (Gipeef), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em parceria com pesquisadores(as) de universidades do Brasil, Estados Unidos da América, França, Espanha e Portugal, teve como parte de sua programação a I Olimpíada Internacional Virtual de Casos Clínicos de Cuidados em Saúde (Olymhealthcare), além de mesas-redondas, oficinas, apresentações de trabalhos, premiações e atividades de intervenção. Ao todo, durante os três dias de congresso, foram realizadas 14 mesas redondas, uma oficina, dois momentos de apresentação de trabalhos, uma atividade de promoção à saúde e uma atividade cultural, com a Orquestra Sinfônica Coral, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), além das três etapas da Olymhealthcare. As Olimpíadas foram inseridas na programação como estratégia educacional, proporcionando aos discentes a oportunidade de aprender, demonstrar conhecimentos e habilidades. Tivemos a intenção de possibilitar aos discentes a experiência vivenciada na competição entre equipes e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento docente de cursos da área da saúde, no acompanhamento da elaboração dos casos clínicos, da sua aplicação e avaliação. Assim, esse dossiê está composto por três artigos instigantes e interessantes que nos despertam à vontade do entendimento e elucidação dos objetos estudados. Os artigos tratam sobre: a) O primeiro artigo, escrito por Greice Sabadini (UFES), Priscilla de Oliveira Martins-Silva (UFES) e Ramon Missias-Moreira (GIPEEF/UNIVASF) Representações Sociais e Thematas em carreira, teve o objetivo de identificar os thematas que promovem a construção das representações sociais de carreira dos profissionais jovens e mais velhos inseridos na área de negócios; b) A pesquisa desenvolvida pelas autoras Suzana Borba e Rejane Dias da Silva, ambas da UFPE, trouxeram reflexões sobre as Representações Sociais de Formação Inicial pelos licenciandos em Música da UFPE, e objetivou compreender as representações sociais no processo de formação inicial de professores de Música da UFPE; c) A terceira investigação apresentada neste dossiê, é recorte de uma pesquisa de Doutorado em Educação, intitulada Professores universitários de cursos de Educação Física da Espanha em suas Representações Corporais digitais, com o objetivo de analisar as representações corporais no facebook de um grupo de professores de cursos de Educação Física da Espanha, tendo o suporte da Teoria das Representações Sociais, assim como os estudos da Subjetividade, Cibercultura e as Pedagogias Corporais. Os autores Ramon Missias-Moreira (GIPEEF/UNIVASF) e Manuela Hasse (Universidade de Lisboa, Portugal), argumentam que esses corpos virtualizados não conseguem ficar no tédio e por isso eles são modificados rapidamente a cada clique intencional e isso renova as representações e suas mensagens, suas histórias. Esse espetáculo tem uma programação rápida para começar, agitar, fazer barulho e depois se despedir da forma mais alegre e convidativa para uma próxima. Esse ciclo retroalimenta esse processo de espetacularização corporal com diversos intuitos, mas podemos assegurar que independentemente de quais sejam os objetivos iniciais e os que se modificam no “entre”, sempre acontecem aprendizagens. São dois territórios contínuos de aprendizagem: o corpo individual e o corpo coletivo (o facebook). Dessarte, é com uma imensa alegria, grande satisfação que convidamos e desejamos a todos(as) uma prazerosa e profícua leitura dos artigos que valorizam a Teoria das Representações Sociais e estão nessa edição suplementar
As várias cores do fogo: o Auto de São Lourenço, de José de Anchieta
As peças teatrais escritas por José de Anchieta promovem um grande embate entre uma simbologia cristã, que quer mostrar-se superior, e uma simbologia de matriz indígena, interpretada pela visão jesuítica. O propósito deste trabalho é investigar as diferentes significações evocadas pelo elemento fogo no Auto de São Lourenço, com base no trabalho de Gaston Bachelard e no imaginário cristão. Através da análise empreendida, demonstra-se que o fogo, na perspectiva cristã, remete sempre a Deus, enquanto as significações evocadas pelo fogo na cultura indígena referem-se a vivências costumeiras e tradicionais e a outras possibilidades de êxtase religioso
COMO ESTAR LÁ MESMO À DISTÂNCIA? DESAFIOS DE UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA DURANTE A PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)
o artigo tem como objetivo refletir sobre uma experiência da extensão universitária (ainda em curso) em tempos de pandemia do novo coronavírus (covid-19). O objetivo é apresentar um conjunto de ações desencadeada como alternativas para continuar apoiando bairros periféricos de São José dos Campos/SP, em especial, o bairro Rio Comprido, um assentamento irregular, onde um grupo de docentes/pesquisadores e alunos/as de diferentes cursos à saber desenvolviam, até dezembro de 2019, um projeto de extensão que visa a construção de Plano Popular de regularização fundiária por meio de metodologias participativas. Após a divulgação do governo do Estado de São Paulo do plano de combate a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o grupo de extensionista, incluindo professores e alunos, iniciaram uma reflexão sobre possibilidades de apoiar o bairro por meio de ações orientadas nos eixos: prevenção e combate a infecção por covid-19, informação “atenção” às Fake News, segurança alimentar, cuidados com a saúde física e emocional e fortalecimento da Escola Municipal do bairro atendido. Espera-se com o artigo colaborar para a reflexão sobre a extensão universitária em tempos de pandemia e divulgar possibilidades de ações que possam a vir a inspirar outras iniciativas pelo país
INTERPRETAÇÃO E INTERVENÇÕES NO ESPAÇO ESCOLAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE SOBRADINHO - BA (BRASIL)
A percepção e interpretação ambiental possibilitam reflexões sobre o presente, para o planejamento de um futuro almejado. O projeto de extensão "Construções rurais sustentáveis: tecnologias criativas voltadas para agricultores familiares nos territórios do Sertão do São Francisco" foi realizado pela Universidade Federal do Vale do São Francisco junto aos alunos do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio da Escola Família Agrícola de Sobradinho, Bahia. Os objetivos foram: despertar o senso crítico entre os/as estudantes da EFAS a respeito da organização do espaço escolar, por meio de metodologias participativas, dentre as quais destacaram-se as técnicas de percepção e interpretação ambiental; e incentivar o emprego de materiais e tecnologias construtivas alternativas sustentáveis. O projeto possibilitou a realização de palestras e oficinas, com intervenções no espaço escolar. A troca de experiências entre a equipe executora e a comunidade externa retificou a importância da extensão na formação universitária, fortalecendo a tríade ensino, pesquisa e extensão na academia e na educação básica e profissional
EM BUSCA DOS FUNDAMENTOS ANCESTRAIS DA CAPOEIRAGEM: VIVENCIANDO A CAPOEIRA ANGOLA COM MESTRE JOÃO GRANDE
Em agosto de 2018 o primeiro autor deste trabalho esteve com o mestre João Grande em sua academia, em Nova Iorque e, dentre outras coisas, conversamos sobre os fundamentos ancestrais da capoeiragem. Apresentamos as memórias daqueles momentos em duas categorias de análise, surgidas ao longo dessa experiência. A primeira, a corporalidade, se referindo às funções corporais do cabeceiro e do tabaréu, à ideia do jogo de dentro e do jogo de fora, ao ‘freio’ de corpo e os golpes praticados. A segunda categoria, o berimbau, se remete à condução da roda, ao significado dos toques e às formações de bateria. Esperamos que este relato sirva como incentivo na busca dos fundamentos ancestrais da capoeiragem, pois apenas assim poderemos fazer um exercício ético de reparação e preservação, além da disseminação responsável da Capoeira Angola Ancestral
PROGRAMA A COR DA CULTURA E O RESGATE DE UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTA
No ano de 2003, a Lei 10.639 estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de conteúdos de História da África e dos negros no Brasil em todo currículo dos sistemas de ensino. A lei foi regulamentada pelo parecer 03/2004 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Culturas Afro-brasileiras e Africanas. Com base na referida Lei, no ano de 2004, o Canal Futura em parceria com a Petrobras, o Cidan - Centro de Informação e Documentação do Artista Negro, o MEC – Ministério da Educação e Cultura, a Fundação Palmares, a TV Globo e a Seppir - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial iniciaram o projeto educativo “A Cor da Cultura”. O presente artigo visa abordar a importância do programa “A Cor da Cultura” na discussão sobre História e Cultura afro-brasileiras e africanas, mediante a implementação de uma pedagogia antirracista, difundida em todo país, que produziu materiais audiovisuais, ações culturais e coletivas visando práticas positivas e de reconhecimento