UFV Journals (Universidade Federal de Viçosa)
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A fabricação do sujeito neoliberal:: uma análise da educação financeira em slides do novo ensino médio paulista
A Educação brasileira vem enfrentando transformações significativas de orientação neoliberal, como a reforma do Ensino Médio. Em meio dessas mudanças, a Educação Financeira (EF) ganha espaço nos currículos com propostos questionáveis. No estado de São Paulo, cenário desta pesquisa, a EF se tornou um componente curricular obrigatório para algumas séries específicas. Além disso, a Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo implementou, em 2023, materiais digitais, os chamados slides, que contém conteúdo e atividades a serem desenvolvidas nos diferentes componentes, de uso obrigatório pelos docentes em suas aulas. Com base nessas premissas, este estudo busca compreender quais temáticas compõem os slides de EF, discutindo sobre o modo como aspectos do neoliberalismo se fazem presentes neles. Para alcançar tal objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa do tipo documental, na qual foram analisados os slides do componente de EF, do ano de 2024, referentes ao Ensino Médio. Com base nas ideias de Pierre Dardot e Christian Laval sobre as implicações do neoliberalismo na sociedade foi possível concluir que a EF trabalhada nesses materiais se aproxima de uma visão mercadológica, preocupada com a formação do sujeito neoliberal – aquele que se adapta ao sistema e se responsabiliza por seus sucessos e seus fracassos. Ainda, o foco dos materiais está, majoritariamente, na organização pessoal e no ensino de produtos financeiros voltados para investimentos. Por fim, não foram identificadas atividades que convidem os estudantes a refletirem sobre o sistema neoliberal, nem a discutirem sobre os problemas sociais, reduzindo as experiências ao cunho individual
A abordagem da educação inclusiva em dissertações e teses brasileiras da área de ensino de ciências:: quem cabe aqui?
A legislação educacional brasileira e a literatura científica ainda apresentam confusões conceituais entre os termos educação inclusiva e Educação Especial, comumente tratados como sinônimos. Diante disso, esta pesquisa surgiu da necessidade de identificar e analisar quem são os sujeitos presentes nas discussões sobre educação inclusiva em dissertações e teses da área de Ensino de Ciências no Brasil. Foi realizado um Estado da Arte, de natureza qualitativa, sendo identificadas 26 pesquisas (23 dissertações e 3 teses). Os dados foram organizados a partir de tabelas e figuras, além da análise lexicométrica dos seus resumos por meio do IRAMUTEQ. Os resultados revelam confusões conceituais nas pesquisas analisadas, que, em sua totalidade, estão voltadas para a Educação Especial, não contemplando outros grupos diversos de estudantes. Os resultados também explicitam algumas tendências metodológicas dessas pesquisas, estabelecendo uma reflexão sobre como a educação inclusiva tem sido discutida no campo do Ensino de Ciências no país
O que os docentes de Matemática narram sobre as práticas educativas mediadas pelas tecnologias digitais no ensino remoto?
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Mestrado Profissional em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal de Viçosa (UFV), MG. O objetivo do estudo foi compreender as práticas educativas em Matemática mediadas por Tecnologias Digitais durante o Ensino Remoto, no contexto da pandemia da Covid-19. A investigação partiu da seguinte questão: O que os docentes de Matemática narram sobre as práticas educativas mediadas pelas Tecnologias Digitais no Ensino Remoto? Com abordagem qualitativa, o cenário da pesquisa foi composto pelas escolas públicas estaduais dos municípios pertencentes à Superintendência Regional de Ensino de Ponte Nova - MG. Os participantes do estudo foram os professores de Matemática da Educação Básica. A produção de dados ocorreu por meio de questionário semiestruturado e entrevistas on-line. Os resultados indicaram que os docentes utilizaram ferramentas como Google Meet, YouTube, Google Classroom e Conexão Escola 2.0. Concluiu-se que, apesar dos desafios enfrentados, os professores demonstraram resiliência e criatividade ao explorar as potencialidades das Tecnologias Digitais no ensino remoto de Matemática
O ensino de ciências em espaços educativos não formais: : representações sociais de docentes da educação infantil e contribuições para a formação continuada
O presente estudo teve por objetivo compreender as representações sociais de Ciências por docentes atuantes na Educação Infantil, na tentativa de obter indicadores para a elaboração de proposta formativa capacitadora do ensino de Ciências focada em atividades realizadas em espaços educativos não formais. De natureza qualitativa e exploratória, o estudo teve como sujeitos participantes 31 professores(as) e bolsistas dos Laboratórios de Desenvolvimento Infantil e Humano, da Universidade Federal de Viçosa. A partir da análise prototípica, identificou-se as representações sociais de Ciências, constatando-se o possível núcleo central. A partir de princípios da análise do discurso, verificou-se que os sujeitos valorizam os espaços educativos não formais como ferramentas pedagógicas e reconhecem a importância de planejar e explorar adequadamente esses ambientes. Sugerindo também, pelas peculiaridades da formação inicial desses(as) docentes, a necessidade de criação de espaços de diálogos potencializadores da sua prática docente, consolidados em educação continuada em serviço
Ensinar com emoção: : uma análise empírica sobre afetividade e formação docente em Matemática
Este artigo, que constitui um recorte da dissertação de mestrado da autora, investiga como a afetividade se manifesta na prática pedagógica de professores de Matemática e analisa a relação entre sua presença e a formação docente. A partir de uma abordagem mista, com a participação de 59 docentes de Minas Gerais, os dados foram sistematizados em gráficos que revelam percepções, lacunas formativas e estratégias afetivas empregadas no cotidiano escolar. Fundamentado em Wallon, Vygotsky e Freire, o estudo aponta a necessidade urgente de integrar a dimensão afetiva à formação inicial e continuada, promovendo uma educação matemática mais humana, motivadora e eficaz
Realidade do futebol feminino a partir do Campeonato Sergipano de 2024
Introdução: O futebol feminino no Brasil passou por décadas de proibição institucional que afetou o seu desenvolvimento. Desde então, a modalidade tem avançado, resultando na criação do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em 2013, que hoje conta com três divisões e mais de 60 equipes. Apesar desse crescimento, ainda há desigualdades regionais marcantes. Em Sergipe, o futebol feminino é pouco estudado, especialmente a sua principal competição oficial, o Campeonato Sergipano de Futebol Feminino. Diante disso, torna-se fundamental analisar como as equipes se preparam para disputar o campeonato.
Objetivos: Identificar o nível de organização e estrutura das equipes participantes do Campeonato Sergipano de Futebol Feminino em 2024.
Amostra: A amostra foi composta de 42 atletas e 5 membros de comissão técnica inscritos no Campeonato Sergipano de Futebol Feminino em 2024.
Métodos: Foram utilizados questionários semiestruturados, respondidos de forma digital por atletas e comissão técnica, além de um diário de campo realizado pela pesquisadora deste estudo.
Resultados: A amostra foi constituída por 47 respondentes, sendo 42 atletas e 5 membros de comissão técnica. Os resultados indicam que o futebol feminino em Sergipe ainda se mantém em um nível amador, evidenciado pela falta de planejamento, estrutura, investimento, visibilidade e valorização.
Conclusão: Conclui-se que o desenvolvimento do futebol feminino em Sergipe depende de ações concretas e contínuas, e espera-se que pesquisas futuras contribuam para fortalecer essa pauta
Editorial
A RBF apresenta mais um número este ano, com oito artigos, com alguns temas inéditos que nunca foram publicados em nossa revista. Temos recebido um importante fluxo de artigos, de diversas partes do Brasil, um excelente sinal da vitalidade da RBF e de interesse por parte do público acadêmico. Para o próximo número, já temos um quantitativo de artigos que darão condições de publicar de forma temática sobre o futebol feminino. Uma abordagem também deferente esse ano, com um número inteiro temático. O processo de registro do DOI da RBF segue em andamento, e pretendemos finalizar isso antes do final do ano.
Este número tem como primeiro artigo abordando de forma inédita um tema extremamente interessante, porém, pouco estudado que é o futebol no ambiente do paradesporto, em especial o futebol de atletas amputadas. Um trabalho realizado por um grupo de estudos da Universidade Federal do Ceará, com foco na área da psicologia.
O segundo artigo buscou avaliar a força e potência muscular dos membros inferiores em atletas sub-20 de futebol antes e após um protocolo de exercícios. O treinamento de força é algo extremamente presente no futebol de base. Os resultados obtidos são interessantes para observar a efetividade desta forma de treino no ambiente de formação de jogadores de futebol. Esse trabalho foi realizado por um grupo de estudos da Universidade Franciscana no Rio Grande do Sul.
O terceiro artigo realizado pelo grupo de estudos da UFJF aborda a influência do efeito da idade relativa (EIR) na seleção de atletas de futebol das categorias de base na cidade de Juiz de Fora. Os achados indicam situações diferentes de impacto do EIR dependendo do ambiente que o jovem jogador está inserido. Para quem atua no futebol de base é uma leitura muito interessante.
O quarto artigo também apresenta um estudo inédito na RBF, ao tratar do analista de desempenho. Um trabalho realizado na Universidade do Extremo Sul Catarinense, que buscou mapear a estrutura dos departamentos de mercado dos clubes brasileiros, os métodos de análises, os indicadores de desempenho e a função do analista de mercado no Brasil. O analista de desempenho é um segmento de trabalho no futebol relativamente novo, e o artigo apresenta um “raio x” atual sobre essa questão. Leitura especialmente interessante para quem deseja ingressar neste mercado de trabalho.
O quinto estudo teve como foco realizar uma análise de 15 partidas da fase eliminatória da Eurocopa 2020 (oitavas, quartas, semifinais e final), totalizando 114 finalizações convertidas em gol. Compreende uma importante análise para se “entender” a dinâmica tática e técnica de um dos maiores campeonatos mundiais, auxiliando assim a compreender a evolução do futebol. Um trabalho que envolveu profissionais de diferentes universidades.
O sexto artigo foca novamente sobre o impacto do treinamento de força, mais especificamente o treinamento pliométrico em jovens jogadores (13 – 15 anos), realizado na Universidade do Vale do Sapucaí, Rio Grande do Sul. O grupo etário que foi feito estudo compreende uma etapa de formação do jovem jogador pode ser considerada como uma “fase sensível” para o ganho de força. O estudo foi desenvolvido de forma longitudinal sendo super interessante com uma metodologia bem descrita. Os resultados sinalizam a efetividade deste tipo de treinamento para jovens jogadores.
O sétimo artigo foi uma revisão bibliográfica densa sobre a coordenação motora no futebol, buscando entender suas aplicações práticas e importância teórica. A coordenação motora é uma qualidade física básica fundamental para o desenvolvimento de uma boa técnica por parte de um jogador. Um atleta de futebol somente poderá ter um excelente domínio dos fundamentos do jogo com uma boa base coordenativa. A leitura desse artigo é fundamental para quem trabalha com a formação de jovens jogadores, de maneira a entender o processo de formação do esquema motor de jogador e sua aplicabilidade junto ao futebol. Trabalho realizado por um grupo de estudos da UFOP.
O último artigo deste número complementa uma abordagem nutricional relativa ao micronutriente ferro, apresentado no número anterior. Os autores realizaram também uma revisão bibliográfica avaliando os trabalhos com levantamento dietético deste mineral em jogadoras de futebol, observando se o consumo está adequado ou não às necessidades esperadas em jogadoras de futebol profissional, em conjunto com a suplementação deste mineral. O artigo foi realizado por um grupo de estudos em nutrição esportiva da UFV. Um texto fundamental para entender a situação prática do consumo dietético do ferro, permitindo assim uma referência importante para os nutricionistas, médicos e fisiologistas que atuam no futebol.
Esperamos que todos os artigos deste número aporte informações interessantes sobre os mais variados temas que envolvem o futebol. Reiteramos que sua ajuda é extremamente importante em divulgar nosso trabalho além de enviar artigos com de boa qualidade. Espero que desfrutem dos artigos deste número.
Prof. Dr. João Carlos Bouzas Marins
Editor Chefe da Revista Brasileira de Futebo
IAC 2560 Nelore: resistance to Colletotrichum lindemuthianum, with slow seed coat darkening
The common bean cultivar IAC 2560 Nelore has an indeterminate type II growth habit, a normal 80-day cycle, a mean 1000-seed weight of 290 grams, and a yield potential of 5,508 kg ha-1. It is resistant to Colletotrichum lindemuthianum physiological races 81, 465, and 479
Transcriptomic analysis of Musa acuminata cv. Mas reveals salinity stress-responsive small open reading frames
Soil salinity severely limits crop productivity, especially in fruit crops such as banana (Musa acuminata L.). While most studies focus on protein-coding genes, small open reading frames (sORFs) are emerging as potential regulators of salinity stress responses. This study aimed to investigate the transcriptional response of sORFs in M. acuminata cv. Mas under salinity stress using RNA sequencing and NanoString validation. Transcriptomic analysis was performed on banana plantlets treated with 0 mM and 300 mM NaCl to assess gene expression under control and high salinity conditions. A total of 136 differentially expressed sORFs were identified, including 131 annotated and 5 novel sORFs. Gene Ontology analysis showed their enrichment in oxidoreductase activity, ion transport, and photosynthesis, while KEGG analysis highlighted roles in tryptophan metabolism and MAPK signaling. These findings reveal the potential regulatory functions of sORFs in banana salinity stress responses and underscore their potential as targets for developing salinity-tolerant cultivars
Genética & inclusão: : contribuições para a superação do modelo biomédico na abordagem das aneuploidias humanas
Apresentamos, neste relato de experiência, uma sequência didática (SD) sobre Genética & Inclusão, desenvolvida com turmas do 9º ano do Ensino Fundamental em um Colégio de Aplicação. A SD envolveu atividades práticas de observação dos cromossomos no microscópio, análise de cariótipos com aneuploidias e uma roda de conversa, buscando promover reflexões sobre diversidade e inclusão. Tal abordagem foi motivada pela verificação do uso de terminologias para as aneuploidias em livros didáticos que perpetuam o modelo biomédico de compreensão das síndromes tais como: “anomalias”, “aberração genética”, “mongoloide”, contribuindo para o aumento do preconceito e, consequentemente, para a discriminação dos indivíduos. A SD despertou grande interesse dos estudantes, possibilitando a compreensão de conceitos centrais da Genética e a problematização das perspectivas capacitista e biomédica, com ênfase no modelo social para a compreensão das síndromes genéticas. A SD mostrou-se adequada para o 9º ano do Ensino Fundamental, podendo também ser desenvolvida com estudantes do Ensino Médio. A SD completa e os recursos didáticos utilizados são disponibilizados no artigo de modo a possibilitar a reprodução e a adaptação pelos docentes de Ciências Naturais e Biologia interessados em desenvolver aulas que contribuam para promover a inclusão