Periódicos científicos (Universidade Federal do Espírito Santo)
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    Obstetric violence from an intersectional perspective: narrative review

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    Introdução: A violência obstétrica é uma questão de saúde pública, e aprofundar o estudo sobre este fenômeno é um dos caminhos para enfrentá-lo. Consiste em uma apropriação desumanizada do corpo e dos processos reprodutivos das mulheres por profissionais de saúde. Apesar disso, a vivência e as consequências desse tipo de violência não afetam todas as mulheres de forma igualitária. Objetivo: Compreender a violência obstétrica contra mulheres negras a partir da abordagem interseccional, considerando que a interseccionalidade envolve a interação entre dois ou mais eixos de subordinação/discriminação, como o racismo, o patriarcado e a desigualdade social. Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, analisando artigos publicados nas bases de dados científicas nos últimos 10 anos que abordavam essa temática. Resultados: A pesquisa constatou que mulheres negras são as principais vítimas da violência obstétrica, sendo a análise interseccional essencial para entender a magnitude dessa vitimização. A violência obstétrica contra mulheres negras extrapola a questão de gênero, envolvendo também fatores de raça e classe social. Conclusão: Conclui-se que ser negra e pobre no Brasil aumenta a vulnerabilidade à violência obstétrica, evidenciando o racismo institucional presente nos diversos serviços de saúde.Introduction: Obstetric violence is a public health issue, and deepening the study of this phenomenon is one of the paths to addressing it. It consists of a dehumanized appropriation of women\u27s bodies and reproductive processes by health professionals. However, the experience and consequences of this type of violence do not affect all women equally. Objective: To understand obstetric violence against Black women through an intersectional approach, considering that intersectionality involves the interaction of two or more axes of subordination/discrimination, such as racism, patriarchy, and social inequality. Methods: A narrative literature review was conducted by analyzing articles published in scientific databases over the last 10 years that addressed this topic. Results: The research found that Black women are the primary victims of obstetric violence, and the intersectional analysis was essential to understand the extent of this victimization. Obstetric violence against Black women goes beyond gender issues, also involving race and social class. Conclusion: It is concluded that being Black and poor in Brazil increases vulnerability to obstetric violence, exposing the institutional racism present in various health services

    Impacts of racial violence on cognitive development: epistemicide and scientific racism

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    Introdução: As relações raciais permeiam diversas dimensões da vida social e influenciam profundamente o desenvolvimento cognitivo. Este estudo insere-se em um campo teórico que questiona a produção e a distribuição do conhecimento. Objetivo: Analisar os impactos das violências raciais no desenvolvimento cognitivo, com base nos conceitos de epistemicídio e cognição inventiva, explorando como as dinâmicas de exclusão racial influenciam a memória, a inteligência e os processos de aprendizagem. Métodos: A metodologia adotada foi uma reflexão crítica, ancorada na análise de obras teóricas e na revisão da literatura científica, que revelou uma omissão acadêmica sobre o tema. Resultados: Fundamentado nas perspectivas de Sueli Carneiro, Jean Piaget, Lev Vygotsky e Virgínia Kastrup, o artigo identifica lacunas na literatura acadêmica brasileira quanto à relação entre racismo e desenvolvimento cognitivo, destacando a ausência de abordagens que conectem diretamente as dinâmicas raciais aos processos mentais. A pesquisa aponta que ambientes violentos e excludentes podem comprometer o desenvolvimento intelectual e emocional, limitando a construção de estratégias adaptativas e reforçando dinâmicas de exclusão social e acadêmica. Ao mesmo tempo, enfatiza o potencial de resistência cognitiva, no qual indivíduos e comunidades criam epistemologias e narrativas que desafiam as estruturas de poder hegemônicas. Conclusão: O epistemicídio e o racismo científico perpetuam a desvalorização das populações racializadas, reforçando hierarquias intelectuais e apagando saberes alternativos. Em contraponto, sugere-se a adoção de práticas educacionais e epistemológicas que reconheçam a pluralidade cultural e as formas inventivas de cognição como estratégias fundamentais para combater o racismo e promover uma ciência inclusiva.Introduction: Racial relations permeate various dimensions of social life and profoundly influence cognitive development. This study is situated within a theoretical framework that questions the production and distribution of knowledge. Objective: To analyze the impacts of racial violence on cognitive development, based on the concepts of epistemicide and inventive cognition, exploring how dynamics of racial exclusion influence memory, intelligence, and learning processes. Methods: The adopted methodology was a critical reflection, grounded in the analysis of theoretical works and a review of scientific literature, which revealed an academic omission on the topic. Results: Based on the perspectives of Sueli Carneiro, Jean Piaget, Lev Vygotsky, and Virgínia Kastrup, the article identifies gaps in the Brazilian academic literature regarding the relationship between racism and cognitive development, highlighting the lack of approaches that directly connect racial dynamics to mental processes. The research points out that violent and exclusionary environments can compromise intellectual and emotional development, limiting the construction of adaptive strategies and reinforcing dynamics of social and academic exclusion. At the same time, it emphasizes the potential for cognitive resistance, where individuals and communities create new epistemologies and narratives that challenge hegemonic power structures. Conclusion: Epistemicide and scientific racism perpetuate the devaluation of racialized populations, reinforcing intellectual hierarchies and erasing alternative knowledge. In contrast, it suggests adopting educational and epistemological practices that recognize cultural plurality and inventive forms of cognition as fundamental strategies to combat racism and promote inclusive science

    ALTERIDADE E NOÇÕES DE FEMINILIDADE NOS SERVIÇOS DE STREAMING: UMA ANÁLISE DA PERSONAGEM JULES DA SÉRIE EUPHORIA

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    This article aims to investigate the construction of the notion of femininity of the character Jules from the series Euphoria, based on Bakhtin\u27s (2011) postulates about alterity. We start from the representation of LGBTQIAPN+ subjects presents in media services and how they construct and perceive their own bodies in the development of their narratives. We will carry out a qualitative and interpretative research approach, having as a method of analysis the methodological contributions of the verbivocovisuality (Paula and Luciano, 2020), applied to the episodes: Shook One, Pt. II and Fuck Anyone Who\u27s Not a Sea Blob – Part 2: Jules. We realize that Jules, initially, links her femininity to the desires of the people she lives with and it is only through her personal maturity that she begins to build her femininity based on her own tastes, without overlooking the interference of others in this process of construction.Este artigo tem como objetivo investigar a construção da noção de feminilidade da personagem Jules, da série Euphoria, a partir dos postulados teóricos de Bakhtin (2011) sobre alteridade. Para tanto, partimos da representação dos sujeitos LGBTQIAPN+ nos serviços midiáticos e da forma como eles constroem e percebem seus corpos no desenvolvimento de suas narrativas. Inserimo-nos em uma pesquisa de abordagem qualitativa e de natureza interpretativista, tendo como método de análise as contribuições metodológicas da verbivocovisualidade proposta por Paula e Luciano (2020), aplicado aos episódios Shook One, Pt. II e Fuck Anyone Who\u27s Not a Sea Blob – Part 2: Jules. Como resultados, percebemos que Jules, inicialmente, atrela sua feminilidade ao desejo das pessoas com as quais convive e, somente com seu amadurecimento pessoal, passa a construir sua feminilidade com base em gostos próprios, sem desconsiderar, ainda, a interferência do outro nessa construção

    Feminicídios no Brasil e as políticas de proteção social frente à problemática

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    No contexto brasileiro, os dados estatísticos apontam para uma escalada da violência contra as mulheres, com destaque para a sua expressão mais letal: o feminicídio. Tal cenário possui íntima relação com o histórico enraizamento das relações patriarcais de gênero, o espraiamento do conservadorismo, bem como o avanço das políticas neoliberais no país, elementos estes que, de forma simbiótica, desembocam em múltiplos desafios a uma existência minimamente digna das mulheres. O feminicídio, enquanto uma violência tipicamente brutal, incide também na realidade de outros sujeitos que, até o cometimento do crime, dependiam (social, econômica e/ou afetivamente) das vítimas, a exemplo de inúmeras crianças e adolescentes que se tornam órfãos após o ocorrido. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo analisar o perfil das mulheres vítimas de feminicídios no Brasil e a ineficiência do Estado no tocante à formulação de políticas de proteção social voltadas aos núcleos familiares atravessados por esta violência, tendo por marco temporal o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). À luz do materialismo histórico-dialético de Marx, utilizamos aqui pesquisas de cunho bibliográfico e documental, considerando o emprego de arcabouços teóricos, bem como de documentos institucionais e legislações que se fazem pertinentes à apreensão da temática

    Censo Psicossocial dos usuários da saúde mental: educação permanente na RAPS/RJ

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    Este artigo discute o Censo Psicossocial dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental do Estado do Rio de Janeiro como contexto para a formação antirracista de pesquisadores do Serviço Social e de trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa se articula enquanto ferramenta para discussão acerca das políticas de equidade em saúde em uma perspectiva antirracista e antimanicomial com a RAPS. A partir de oficinas de sensibilização e de educação permanente, abordando a temática da interseccionalidade e da luta antimanicomial, por meio da metodologia da Educação Popular com profissionais da RAPS, a pesquisa viabiliza um profícuo cenário de práticas por meio de uma formação transversal na área da saúde, visando uma qualificação crítica, decolonial, antimanicolonial, antirracista e comprometida com a garantia de direitos de forma equitativa da população usuária

    Formação profissional do assistente social e os desafios para a construção de uma formação antirracista

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    O presente artigo objetiva apresentar uma síntese discursiva e reflexiva apresentada no colóquio de graduação do 18º Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social (ENPESS). Fundamenta-se nas reflexões apresentadas nos relatórios das oficinas do Projeto ABEPSS Itinerante/2023 que o elege o tema: Diretrizes Curriculares e Relações Étnico Raciais. Num esforço de uma leitura rigorosa e sistemática elegemos campos temáticos para tratar o rico material apresentado nos relatórios e realizamos o entrelaçamento dessas temáticas com as contribuições reflexivas das produções do Serviço Social e da educação. Elegemos com temáticas centrais: Educação Antirracista, Concepções de Currículo, Formação Docente, Políticas Estudantis. Aspectos Legais e as Diretrizes Curriculares. O artigo reflete que a questão étnico-racial é uma das dimensões centrais e estruturais da formação e do trabalho profissional do Assistente Social e ainda, considera que os desafios e possibilidades da construção de uma formação antirracista no Serviço Social articula-se a uma perspectiva de totalidade trazendo a mediação da diversidade, das questões de gênero, da população LGBTQIAPN+ e de outras pautas como o anticapacitismo e na compreensão de que para a construção de uma formação antirracista é necessário a defesa de um projeto societário anticapitalista

    Masthead: Masthead

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    Language policies and the (non-)place of deaf bodies in the internationalization of higher education

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    In terms of access, the internationalization movement in higher education remains limited, with a focus on physical mobility initiatives, whose participation rate is below 1% (Finardi; Amorim; Sarmento, 2024). Likewise, colonialities are embedded in this movement, allowing certain bodies and knowledges to be privileged over others (Martinez, 2023). This reality becomes evident when considering deaf individuals, whose participation in internationalization initiatives remains scarce (Pereira; Sehnem, 2019; 2021). Therefore, our aim is to discuss the (non-)place of deaf bodies within the internationalization movement and the importance of language policies (LPs) in addressing this reality. From a methodological perspective, this is a qualitative, interpretativist, and exploratory study grounded in dialogues from Critical Applied Linguistics and Decolonial Studies. Among the insights presented, we argue that a more critical and inclusive internationalization can only be (re)thought and (re)constructed through the development of LPs. In this context, we offer four foundational points for formulating a more inclusive LP for internationalization, and we highlight the inclusion of Brazilian Sign Language (Libras) in LPs from northeastern universities as an affirmative and resistant step that actively challenges the exclusions embedded in current internationalization practices.Em termos de acesso, o movimento da internacionalização do ensino superior ainda é restrito, focalizando em ações de mobilidade física, cuja participação tem incidência inferior a 1% (Finardi; Amorim; Sarmento, 2024). Igualmente, as colonialidades estão presentes nesse movimento, favorecendo que alguns corpos e saberes sejam preferidos em detrimento de outros (Martinez, 2023). Tal realidade se evidencia nos corpos surdos, cuja participação em ações de internacionalização é escassa (Pereira; Sehnem, 2019; 2021). Destarte, o nosso objetivo é o de discutir o (não-)lugar dos corpos surdos no movimento da internacionalização e a importância de políticas linguísticas (PLs) para essa realidade. Do ponto de vista metodológico, esta é uma pesquisa qualitativa, de base interpretativista e exploratória, que se apoia nos diálogos da Linguística Aplicada Crítica e dos Estudos Decoloniais. Entre os apontamentos propostos, consideramos que uma internacionalização crítica e mais inclusiva só pode ser (re)pensada e (re)feita com base na formulação de PLs. Nesse contexto, trazemos quatro pontos basilares para a formulação de uma PL com vistas à internacionalização mais inclusiva, bem como apresentamos a menção à Língua Brasileira de Sinais (Libras) em PLs de universidades nordestinas como um passo afirmativo e resistente, que desafia as exclusões da internacionalização

    Staying with the “trouble”: researching dystopias at the end of the world

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    Cet article propose une réflexion sur le processus de recherche sur le cinéma, l’art et la culture à l’époque de la catastrophe de l’Anthropocène. À partir d\u27une recherche sur la fiction spéculative dans le cinéma queer brésilien contemporain, je construis une pensée tentaculaire à travers la création de parenté interdisciplinaire entre différents concepts tels que le Chthulucène (Haraway), l\u27échec (Halberstam), l\u27érudition de la fiction (Le Guin), les vernaculaires politiques (Macharia) et la futurité queer (Muñoz).This article proposes a reflection on the process of researching Cinema, Art and Culture in times of disaster in the Anthropocene. Starting from a research on speculative fiction in contemporary Brazilian queer cinema, I construct a tentacular thought through the creation of interdisciplinary kinship between different concepts such as Chthulucene (Haraway), failure (Halberstam), scholarship of fiction (Le Guin), political vernaculars (Macharia) and queer futurity (Muñoz).O presente artigo, propõe uma reflexão sobre o processo de pesquisar Cinema, Arte e Cultura em tempos de desastre do Antropoceno. Partindo de uma pesquisa sobre ficção especulativa no cinema queer brasileiro contemporâneo, construo um pensamento tentacular através da criação de parentesco interdisciplinar entre diferentes conceitos como Chthuluceno (Haraway), fracasso (Halberstam), bolsa da ficção (Le Guin) vernáculos políticos (Macharia) e futuridade queer (Muñoz).Este artículo propone una reflexión sobre el proceso de investigación en Cine, Arte y Cultura en tiempos del desastre del Antropoceno. A partir de una investigación sobre la ficción especulativa en el cine queer brasileño contemporáneo, construyo un pensamiento tentacular a través de la creación de parentesco interdisciplinario entre diferentes conceptos como Chthuluceno (Haraway), fracaso (Halberstam), erudición de la ficción (Le Guin), vernáculos políticos (Macharia) y futuridad queer (Muñoz)

    A escuta da complexidade

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    Este texto baseia-se na instalação sonora que criei para a exposição MUṬIKKAPPAṬĀTA (nov. 2024 – jan. 2025), no RAW Material Company – Center for art, knowledge, and society, como parte da Bienal de Dakar. Esta exposição é uma jornada pelos territórios íntimos de Nathalie Vairac (1972- ). A artista, radicada no Senegal, nascida na França de pai guadalupense e mãe indiana, traça sua ancestralidade e confronta a colonização. De volta à sua terra natal, ela escreve e grava. Vairac me convidou a escutar e cenografar suas palavras no espaço expositivo. Com a ajuda dos profissionais de som Deshays e Chattopadhyay, e o trabalho pioneiro da compositora Amacher, exploro estratégias expositivas para a voz falada gravada, especificamente a tensão entre a busca formal pela não linearidade e a linearidade inerente à escuta da voz, garantindo a preservação do significado.Este texto se basa en la instalación sonora que creé para la exposición MUṬIKKAPPAṬĀTA (noviembre de 2024 – enero de 2025) en RAW Material Company, Centro de Arte, Conocimiento y Sociedad, en el marco de la Bienal de Dakar. Esta exposición es un viaje a través de los territorios íntimos de Nathalie Vairac (1972-). La artista senegalesa, nacida en Francia de padre guadalupeño y madre india, rastrea su ascendencia y se enfrenta a la colonización. De regreso a su tierra natal, escribe y graba. Vairac me invitó a escuchar y escenificar sus palabras en el espacio expositivo. Con la ayuda de los profesionales del sonido Deshays y Chattopadhyay, y el trabajo pionero del compositor Amacher, exploro estrategias expositivas para la voz hablada grabada, específicamente la tensión entre la búsqueda formal de la no linealidad y la linealidad inherente a la escucha de la voz, asegurando la preservación del significado.This essay is based on the sound installation I created for the exhibition MUṬIKKAPPAṬĀTA (Nov. 2024 – Jan. 2025) at the RAW Material Company – Center for art, knowledge, and society, as part of the Dakar Biennale. This exhibition is a journey into the intimate territories of Nathalie Vairac (b. 1972). The artist, based in Senegal, born in France to a Guadeloupean father and an Indian mother, traces her ancestry and confronts colonization. Back in her homeland, she writes and records. Vairac invited me to listen and stage her words in the curatorial space. With the help of sound practitioners Deshays and Chattopadhyay, and the pioneering work of composer Amacher, I explore expository strategies for the recorded spoken voice, and specifically the tension between the formal search for non-linearity, and the inherent linearity of listening, ensuring the preservation of meaning.Ce texte s\u27inspire de l\u27installation sonore que j\u27ai créée pour l\u27exposition MUṬIKKAPPAṬĀTA (nov. 2024 – janv. 2025) à RAW Material Company – Centre d\u27art, de savoir et de société, dans le cadre de la Biennale de Dakar. Cette exposition est un voyage à travers les territoires intimes de Nathalie Vairac (1972- ). L\u27artiste sénégalaise, née en France d\u27un père guadeloupéen et d\u27une mère indienne, retrace ses origines et confronte la colonisation. De retour dans son pays natal, elle écrit et enregistre. Vairac m\u27a invitée à écouter et à mettre en scène ses paroles dans l\u27espace d\u27exposition. Avec l\u27aide des professionnels du son Deshays et Chattopadhyay, et le travail pionnier du compositeur Amacher, j\u27explore les stratégies d\u27exposition de la voix parlée enregistrée, en particulier la tension entre la recherche formelle de non-linéarité et la linéarité inhérente à l\u27écoute de la voix, garante de la préservation du sens

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