Periódicos científicos (Universidade Federal do Espírito Santo)
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Mental health of college students after returning to face-to-face classes: a cross-sectional study
Introduction: The COVID-19 pandemic had a significant impact on mental health worldwide, particularly among university students. Objective: To assess the mental health of university students following their return to in-person classes in the post-pandemic period. Methods: This was a cross-sectional survey conducted between July and August 2022 with students from the Federal University of Espírito Santo. Data were collected through an online questionnaire sent to all students’ institutional emails. Symptoms of anxiety and depression were assessed using the Generalized Anxiety Disorder-7 (GAD-7) and the Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9). Binary logistic regression was performed, with anxiety and depression symptoms as dependent variables. Results: A total of 1,103 students participated in the study. According to the scales, 56.7% (n=625) showed scores compatible with both anxiety and depression disorders. Suicidal or self-harm thoughts were reported by 422 (38.3%) students. The logistic regression analysis indicated little to no association between the independent variables and mental health outcomes. Conclusion: The return to in-person education has brought to light a substantial number of students with undiagnosed and untreated mental disorders, highlighting the need for institutional support and targeted interventions.Introdução: A pandemia da COVID-19 teve impacto significativo na saúde mental de indivíduos em todo o mundo, especialmente entre estudantes universitários. Objetivo: Avaliar a saúde mental de estudantes universitários após o retorno ao ensino presencial no contexto pós-pandemia de COVID-19. Métodos: Estudo transversal, do tipo survey, realizado entre julho e agosto de 2022, com estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário online, enviado ao e-mail institucional de todos os estudantes. A avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão foi feita com as escalas Generalized Anxiety Disorder-7 (GAD-7) e Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9). Utilizou-se regressão logística binária, tendo como variáveis dependentes os sintomas de ansiedade e depressão. Resultados: Participaram do estudo 1.103 estudantes. As escalas indicaram que 56,7% (n=625) apresentaram escores compatíveis com transtornos de ansiedade e depressão simultaneamente. Pensamentos relacionados à automutilação ou suicídio foram relatados por 422 (38,3%) participantes. A regressão logística binária revelou pouca ou nenhuma associação entre as variáveis independentes analisadas e os desfechos de saúde mental. Conclusão: O retorno ao ensino presencial tem exposto um número significativo de estudantes com transtornos mentais não diagnosticados e não tratados, o que demanda atenção e ações institucionais específicas
The paths taken to confront violence against women in search of a new reality
Introdução: Mesmo diante de grandes avanços com a implementação da Lei Maria da Penha, sua efetividade ainda é questionada, principalmente pela falta de padronização em sua implementação. Objetivo: Revisar a literatura sobre as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, com ênfase na implementação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e na Lei Maria da Penha. Métodos: Trata-se de uma revisão de literatura narrativa, com análise de diferentes tipos de documentos (artigos, teses, dissertações, textos on-line). Foram incluídos artigos publicados em português no período de 2023 a 2024. Resultados: A mídia desempenha um papel importante ao orientar mulheres a enfrentar suas realidades, verbalizando as agressões sofridas e denunciando seus agressores para proteger a si mesmas e seus filhos, uma vez que o silêncio fortalece a sensação de domínio dos agressores. No entanto, é fundamental que, ao decidir pela denúncia, a vítima encontre medidas protetivas eficazes, iniciando por um acolhimento adequado e por espaços que ofereçam suporte à sua decisão, garantindo sua segurança contra novas agressões. Conclusão: Apesar das orientações veiculadas nas mídias, nas instituições, nas escolas e em campanhas promocionais, ainda há mulheres que não conseguem verbalizar as violências sofridas em seus lares, muitas vezes por vergonha da sociedade ou pela impossibilidade de se sustentarem sozinhas, especialmente quando possuem filhos envolvidos na relação.Introduction: Despite significant advances with the implementation of the Maria da Penha Law, its effectiveness is still questioned, mainly due to the lack of standardization in its application. Objective: To review the literature on public policies to confront violence against women in Brazil, with an emphasis on the implementation of the National Policy to Confront Violence against Women and the Maria da Penha Law. Methods: This is a narrative literature review, analyzing different types of documents (articles, theses, dissertations, online texts). The inclusion criteria considered articles published in Portuguese between 2023 and 2024. Results: The media plays an important role in guiding women to face their realities by verbalizing the aggressions they suffer and reporting their aggressors to protect themselves and their children, as silence strengthens the aggressors\u27 sense of dominance. However, it is crucial that women who decide to report violence find effective protective measures, starting with appropriate reception and spaces that support their decision and protect them from further aggression. Conclusion: Despite the information disseminated by the media, institutions, schools, and promotional campaigns, many women are still unable to verbalize the violence they experience at home, often due to societal shame or because they are unable to support themselves financially, especially when children are involved in the relationship
Intimate partner violence and eating behavior of adult women: narrative synthesis of recent evidence
Introdução: A violência por parceiro íntimo é uma importante questão de saúde pública e afeta desproporcionalmente as mulheres, estando associada a múltiplos desfechos negativos para a saúde física e mental. Objetivo: Realizar uma revisão narrativa da literatura científica sobre a relação entre violência por parceiro íntimo (VPI) e o comportamento alimentar em mulheres adultas. Métodos: Utilizaram-se as bases PubMed, SciELO e LILACS para a busca dos artigos, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2025. Resultados: Dos 30 artigos identificados, cinco atenderam aos critérios de inclusão. Os achados revelam que a VPI está relacionada a alterações significativas no comportamento alimentar, como compulsão, perda de apetite, ingestão alimentar emocional, retaliação alimentar e desenvolvimento de transtornos alimentares, frequentemente mediadas por mecanismos psicológicos. Conclusão: A escassez de estudos sobre o tema evidencia a necessidade de aprofundamento científico e de um olhar interdisciplinar por parte dos profissionais de saúde para a identificação e o manejo sensível dessas demandas.Introduction: Intimate partner violence (IPV) is a major public health issue that disproportionately affects women and is associated with multiple negative outcomes for physical and mental health. Objective: To conduct a narrative review of the scientific literature on the relationship between IPV and eating behavior in adult women. Methods: Searches were conducted in the PubMed, SciELO, and LILACS databases for studies published between 2015 and 2025. Results: Of the 30 articles identified, five met the inclusion criteria. The findings reveal that IPV is associated with significant changes in eating behavior, such as binge eating, loss of appetite, emotional eating, retaliatory eating, and the development of eating disorders, often mediated by psychological mechanisms. Conclusion: The scarcity of studies on the subject highlights the need for further scientific investigation and for an interdisciplinary approach by health professionals in identifying and sensitively managing these issues
DIVERSIDADE LINGUÍSTICA E DIVERSIDADE CULTURAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENHO CURRICULAR EM ANGOLA
A diversidade linguística em Angola é acompanhada por uma diversidade cultural, considerando que a língua reflecte os costumes e tradições dos seus falantes. Se, por um lado, esta heterogeneidade pode ser um factor dinamizador, por outro pode constituir problema, especialmente no domínio do ensino-aprendizagem, dada a tendência para a padronização de programas escolares, sem consideração das desigualdades linguísticas associadas às diferenças socioculturais das várias comunidades de falantes. A prova disso são as várias lacunas em termos de habilidades comunicativas com que nos confrontamos diariamente na actividade docente, o que nos leva a procurar maximizar as oportunidades de aprendizagem dos estudantes através do desenvolvimento de diferentes estratégias de ensino que tenham em conta as diferenças culturais, usando como base os pressupostos teóricos de Banks (2014, 2016). Este artigo pretende reflectir sobre a cultura como mediadora na planificação curricular, dado o seu papel na produção de conhecimento. Procurando responder à questão “Em que medida a intersecção entre cultura, identidade e currículo pode servir como factor potenciador para o desenvolvimento curricular no contexto angolano?”, pretendemos, através de pesquisa bibliográfica, demonstrar como aqueles elementos podem servir de pano de fundo para um desenho curricular que responda às expectativas da sociedade.
Apresentação
É com grande satisfação que apresentamos mais um volume da Revista PERcursosLinguísticos, reafirmando nosso compromisso inabalável com a promoção de produçãoacadêmica de excelência na área dos Estudos da Linguagem.Estamos convictos de que os trabalhos agora publicados desempenham um papel crucialao instigar reflexões, promover discussões e oferecer soluções para uma variedade dequestões linguísticas. Esperamos que nossos leitores tirem proveito deste novo volume.Expressamos nossa gratidão aos dedicados pesquisadores que submeteram seustrabalhos para avaliação cega por parte de seus pares, possibilitando sua divulgação pormeio da Revista PERcursos Linguísticos. Essa colaboração fortalece ainda mais aprodução de conhecimento científico sério e comprometido.Além disso e não menos importante, temos de agradecer ao nosso competente conselhoeditorial, composto por doutores de diversos centros de pesquisa do Brasil e do mundo.Seu comprometimento com as ciências e a generosidade em avaliar voluntariamente ostrabalhos enviados, produzindo pareceres consistentes, são fundamentais para o sucessocontinuado desta publicação
Microtrabalho: um estudo sobre a precarização na plataforma Amazon Mechanical Turk
Esse trabalho apresenta parte dos resultados de pesquisas em andamento, que buscam problematizar a precarização do trabalho no âmbito do chamado “capitalismo de plataforma”. Como caminho de exposição sucessiva ao tema, apresentaremos uma síntese dos dados levantados na investigação, com recorte para o microtrabalho na plataforma Amazon Mechanical Turk no Brasil. Nosso objetivo é oferecer elementos de análise sobre as formas de controle e gestão algorítmica dessa modalidade de trabalho, tomando como referência, as trocas de mensagens instantâneas (Telegram) de um grupo de trabalhadores da referida plataforma, capturadas por meio de pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, combinada à pesquisa bibliográfica e documental. Pretendemos refletir como a estrutura ideológica por traz das novas tecnologias, que se utilizam do discurso neoliberal, forjam a subjetividade desses trabalhadores, através de técnicas que incentivam o empreendedorismo e a lógica da concorrência para alcançar o sucesso e assim dissimular a precarização e a flexibilização do trabalho
Gestão do trabalho em Saúde: tensões e desafios em contexto (pós) pandêmico
Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre a gestão do trabalho em saúde durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, abordando as tensões e desafios enfrentados pelos profissionais do SUS. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, utilizando métodos bibliográficos e documentais. A análise dos documentos foi realizada por meio da confrontação com o referencial teórico, enquanto a revisão da literatura se baseou em livros, artigos, teses e dissertações. A pesquisa analisa os impactos da pandemia na gestão do trabalho em saúde, identifica as principais tensões enfrentadas pelos profissionais e analisa as estratégias adotadas. Destaca-se a importância da formação e qualificação dos profissionais de saúde diante das sequelas da pandemia. Boas práticas foram identificadas, como a implementação da telemedicina e a oferta de cursos de qualificação online. Medidas de proteção e segurança no trabalho também foram adotadas. No entanto, a ressalta-se a necessidade de enfrentar desafios, como a inadequação da formação profissional. Concluímos com a perspectiva de que o fortalecimento do SUS é fundamental para superar os desafios e garantir uma assistência de qualidade aos usuários
Práticas Antirracistas Institucionais: O caminho para o letramento racial na Assistência Social
O presente artigo parte do relato de experiência sobre o Projeto Práticas Antirracistas Institucionais, realizado com profissionais trabalhadores da Proteção Básica, um dos serviços da PNAS de modo a problematizar a temática étnico-racial e o antirracismo no âmbito das políticas da Assistência Social. Tendo em vista que as/os usuárias/os e trabalhadoras/es destes serviços são majoritariamente negros, o Projeto contribuiu para o entendimento do racismo como estruturante da trama social e historicamente responsável pela desigualdade socioeconômica, com vistas a materializar possibilidades efetivas de construção de uma sociedade antirracista, questionando a hegemonia, promovendo o conhecimento da história de forma descolonizada. O principal resultado foi o início do processo de letramento racial de aproximadamente 250 trabalhadores, o que consequentemente impactou indiretamente na população usuária atendida, através de diversas atividades desenvolvidas após a participação dos encontros.
Resistência Negra e Serviço Social: O Comitê Antirracista do CRESS-PI em diálogo com Esperança Garcia, Clóvis Moura e Nego Bispo
O presente artigo discute a relação entre o Serviço Social e o debate étnico-racial, destacando a história da profissão e suas transformações até a incorporação de uma perspectiva antirracista. A metodologia utilizada baseia-se em revisão bibliográfica e análise documental de normativas do Serviço Social e produções acadêmicas sobre o tema. A estrutura do estudo compreende uma contextualização histórica da escravidão e seus desdobramentos na constituição da questão social no Brasil, abordando o conservadorismo inicial da profissão e sua reconfiguração com o Movimento de Reconceituação. Como resultado, evidencia-se a criação de Comitês Antirracistas no âmbito dos Conselhos Regionais e Federais de Serviço Social, refletindo uma nova diretriz para a profissão. O estudo reforça a importância da inserção do debate étnico-racial na formação acadêmica e na prática profissional, demonstrando que a luta contra o racismo é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa
O mercado como fundamento da teoria racista ou do fetichismo da epiderme
O presente texto pretende prescrutar a capilaridade do processo de racialização dos seres humanos na etapa do capital monopolista escrutinando, primeiro, a conexão estabelecida entre mercado de trabalho e mercado de escravos/as, ou seja, buscando elucidar a relação dialética de continuidade e descontinuidade existente entre os referidos mercados e sua peculiaridade no desenvolvimento do modo de produção capitalista. Segundo, como a transformação dos seres humanos em mercadorias se constituiu como um ponto de inflexão para a universalização do processo de produção de mercadorias que pauta o desenvolvimento das relações capitalistas e o sistema do capital. Terceiro, como a igualdade jurídico-normativa serve de base para a constituição da desigualdade econômica e dos processos de desumanização que encontram seu coroamento na teoria racista forjada na etapa imperialista do capitalismo. Pela mediação do método dialético, são elucidadas as contradições que perpassam a sociabilidade regida pelo sistema do capital, recorrendo às posições contrapostas ao racismo apresentadas por autores, como: Karl Marx, Eric Williams, René Depestre, Augusto Buonicore, entre outros