Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
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“Pra não dizer que não falei das flores” e “Tropicália”: Um estudo comparativo da canção de protesto e da canção de vanguarda
O presente artigo visa colocar em perspectiva as canções Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores de Geraldo Vandré e Tropicália de Caetano Veloso, buscando traçar um comparativo entre as duas músicas evidenciando diferenças estéticas e de forma e o contexto no qual estavam inseridos os intérpretes. Na primeira seção desse texto serão levantados tópicos importantes em relação à observação dos objetos de estudo e será abordado um panorama do campo da oposição cultural à ditadura civil-militar. Na segunda seção a análise das duas canções é feita colocando em perspectiva as questões estéticas e técnicas de cada música com debates importantes já levantados por outros autores. Na última seção as reflexões finais pontuam uma breve conclusão sobre o texto e situam o debate estabelecido e as possibilidades comparativas entre as duas canções. Além disso, levantamos a questão do papel da arte e dos artistas no cenário político brasileiro atual
“Faz-se desde já sentir a necessidade de medidas repressivas contra a vagabundagem”: o imediato pós-abolição em Pelotas/RS (1888)
O presente trabalho tem por intuito apresentar uma análise sobre uma matéria de um periódico da imprensa escrita, no ano de 1888, para observar aspectos daquele cotidiano e representações noticiadas em relação a população preta e parda, livre e liberta, de Pelotas/RS, após a abolição da escravidão. Sendo assim, trabalharemos por intermédio de notícias, as formas como essa população foi reprimida e estabelecer uma reflexão que auxilie a compreender a construção do preconceito racial em Pelotas, no imediato pós-abolição. A atuação da imprensa fazia parte de um sistema de controle e classificação social, ou seja, um conjunto de práticas e processos próprios da sociedade do período, que produz e reproduz preconceitos raciais. Sendo assim, ela não apenas reproduzia o preconceito racial presente na sociedade brasileira da época, como era produtora de estereótipos racializados
Os “Menores” do Patronato Agrícola Visconde da Graça (Pelotas – 1923)
O presente trabalho é uma revisão bibliográfica sobre pesquisas que estudaram o Patronato Agrícola Visconde da Graça em seus primórdios, tentando localizar os menores negros e quais métodos foram empregados em suas matrículas, dessa forma, problematizando o contexto dessas instituições patronais dentro da temática do pós-abolição. As fontes utilizadas no trabalho são do recente NEPEC, a partir delas, pretende-se exibir possibilidades de pesquisa que percebam os menores negros e seus vínculos sociais de forma centralizada
“Era uma loucura!” – Gilberto Gil: um artista da contracultura brasileira vivenciando a contracultura inglesa
Este trabalho tem como objetivo abordar aspectos da cena contracultural na Inglaterra no fim da década de 1960 e começo de 1970 por meio da trajetória do músico Gilberto Gil. O artista é um personagem interessante para visualizarmos características gerais da contracultura, seja no Brasil ou na Inglaterra, onde conviveu com relevantes artistas e frequentou festivais símbolos da contracultura naquele país, durante o período em que esteve exilado. Como pressupostos teórico-metodológicos, utilizamos os conceitos de variação de escala e micro-história translocal para compreendermos e analisarmos a trajetória de um indivíduo em diferentes espaços. As experiências e percepções de Gil referente a cena contracultural nos fornecem elementos que estão interligados nos dois países, mas também de diferenciação, estes em grande parte devido aos distintos contextos político e social
“Talvez tenha havido injustiça, mas que tal serviu para demonstrar que felizmente em Jaguarão não existia expurgo a fazer”: A operação limpeza e a repressão a setores trabalhistas na “pacata” Jaguarão (1964)
Durante muito tempo, a história da ditadura brasileira foi narrada a partir das vivências e experiências ocorridas nos grandes centros urbanos, sobretudo no Sudeste do país. Entretanto, este é um panorama que vem aos poucos sendo revertido. Destacam-se nesses novos estudos, as vivências de outros atores sociais, esmiuçando outras formas de resistência, para além da armada, e levando em conta as especificidades dos diferentes setores da sociedade brasileira a partir de um recorte regional, por exemplo, afinal o país possui um vasto território e as formas de resistência e repressão possuem suas particularidades de acordo com o espaço em que se desenvolvem. Ao encontro dessa perspectiva caminha esse artigo que, sendo parte de uma pesquisa mais ampla, pretende discutir a Operação Limpeza e sua consequente repressão a setores trabalhistas após o Golpe de 1964 na interiorana e fronteiriça cidade de Jaguarão - RS
A trajetória de Domingo Manduré: possibilidades e estratégias indígenas em meio aos conflitos de independência no Rio da Prata (1812-1821)
O artigo tem por objetivo analisar a trajetória de Domingo Manduré, uma liderança indígena guarani que teve destacada atuação em meio aos conflitos de independência na região do Rio da Prata, em princípios do século XIX. A partir de um exercício de micro-história, se busca compreender as possibilidades que se abriam aos indígenas nessa conjuntura, bem como identificar as maneiras como agiram e, mais especificamente, a partir de quais interesses tomaram suas decisões. Através do exame de correspondências entre autoridades envolvidas nesses conflitos, foi possível evidenciar que a relevância que assumiam lideranças como Manduré nesse contexto, permitia que pudessem negociar seu posicionamento, angariando uma melhor condição social. Da mesma forma, explicitou-se que esse posicionamento podia levar mais em conta interesses econômicos do que a crença num projeto político específico
Os opostos, se não se atraem, se complementam: Alexis de Tocqueville e Karl Marx como vozes suplementares para um entendimento mais abrangente da Revolução de 1848
A longa revolução francesa é um dos temas sobre os quais os que lidam com passado mais se debruçaram e produziram, entre esses estão Alexis de Tocqueville e Karl Marx. No presente artigo, apresentarei a conjuntura dessa revolução sobre a qual tratam os autores. Em seguida, compararei as duas visões tendo como tese que, embora sejam tradicionalmente entendidos como ideologicamente opostos, Tocqueville e Marx, quando analisados em conjunto, possibilitam uma visão mais “diversa” desse processo
ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS E CEMITÉRIOS: histórias entrelaçadas no Recôncavo da Bahia
O presente artigo tem por objetivo analisar as estações ferroviárias e os cemitérios das cidades de Cachoeira e São Félix, buscando compreender as necrópoles, enquanto vestígios remanescentes relacionados com a história ferroviária da região do Recôncavo da Bahia. As ferrovias marcam uma época de crescimento econômico e do auge do trem como principal meio de transporte, conectando a região portuária às áreas produtoras do interior. A implantação da ferrovia mobilizou o deslocamento de pessoas, nacionais e estrangeiras, levando ao crescimento das cidades e vilas ao longo dos caminhos de ferro e das estações, além de introduzir novas mudanças na mentalidade e no modo de viver das comunidades locais. A pesquisa compreende a leitura desses espaços pela perspectiva teórico-metodológica da Arqueologia Industrial e dos Estudos Cemiteriais. A metodologia incluiu pesquisa bibliográfica, análises de fontes imagéticas e mapas, visitas a campo e análise e descrição da estrutura arquitetônica das estações ferroviárias. A partir dos resultados, é possível concluir que os cemitérios fizeram parte da modernização das cidades que passaram pelo processo de industrialização; nota-se também que as estações da Estrada de Ferro Central da Bahia e os cemitérios compartilham entre si a presença marcante de uma materialidade de matriz industrial que traz para as cidades de economia rural marcas e dispositivos da modernidade
AS DINÂMICAS DO FEMININO NA FUNDAÇÃO DAS CIDADES: a cultura latente na organização do patrimônio cultural urbano
A cidade tem o seu espaço dividido e classificado de várias maneiras e formas de apropriação, que nem sempre estão de acordo com os procedimentos legais dos Planos Diretores. Essas formas de apropriação são regidas por forças latentes, que mostram os princípios da fundação do núcleo urbano; mesmo que isso não seja percebido de imediato. É sobre essas forças que se pretende refletir, neste texto – compreender as dinâmicas do feminino que instituíram o patrimônio cultural, por excelência, do sapiens, as cidades. Tomamos para este estudo bases de história do urbanismo, mas, principalmente, os estudos de antropologia do imaginário e as observações e vivências urbanas tiradas dos anos vividos, enquanto um método empírico. Considerando a cidade como uma criação do microuniverso mítico sintético é que descobriremos Atena e Ártemis, Deméter e Afrodite como forças complementares que organizam os agrupamentos humanos, das vilas às grandes metrópoles