Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
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ANÁLISE DE UMA PONTE ESTAIADA COM DIFERENTES DISPOSIÇÕES DOS ESTAIS
As pontes estaiadas permitem transpor grandes vãos, utilizando seções estruturais mais esbeltas, econômicas e leves com arranjos construtivos esteticamente agradáveis, sendo assim um tipo de ponte muito adotado hoje em dia. Quanto à sua concepção estrutural, são inúmeras as formas de dispor os seus estais, sendo importante compreender como esses elementos estruturais influenciam o comportamento global da estrutura. Neste artigo analisa-se o efeito de diferentes disposições dos estais sobre os esforços que são gerados na estrutura de uma ponte estaiada. Para isso, são desenvolvidos modelos de análise, tendo como base a ponte estaiada do Rio Negro, localizada em Manaus, no estado do Amazonas. O estudo parte da modelagem considerando a disposição dos estais que mais se assemelha ao projeto efetivamente executado, sendo depois feitas as alterações necessárias para consideração de outras duas disposições alternativas dos estais, em harpa e em leque. Faz-se uma análise comparativa dos resultados obtidos para cada uma das disposições dos estais. O trabalho desenvolvido permite concluir que a disposição dos estais adotada na ponte efetivamente construída se configura como a mais satisfatória e adequada
“MEU CORPO, MEU TERRITÓRIO”: CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ARTES ENQUANTO FERRAMENTAS DE DESOBEDIÊNCIA EPISTÊMICA
O pensamento descolonial envolve ser epistemicamente desobediente e se manifesta nas mentes e corpos de grupos e comunidades – como mulheres, pessoas LGBTQIA+, moradores/as/us de bairros periféricos, pessoas de Religiões de Matrizes Africanas, trabalhadoras/es/us sexuais – que têm suas existências e suas formas de fazer-cidade constantemente interpeladas por processos de invisibilização, bem como seus patrimônios deslegitimados por narrativas brancas, cisheteronormativas e eurocêntricas. Porém, estes grupos utilizam de diversas ferramentas para reivindicar seu direito à cidade. A exposição digital “Patrimônios Invisibilizados: Para além dos Casarões, Quindins e Charqueadas”, desenvolvida pelo projeto de pesquisa “Margens: grupos em processos de exclusão e suas formas de habitar Pelotas”, foi lançada durante as comemorações do Dia do Patrimônio da cidade de Pelotas/RS em agosto de 2020 com a proposta de apresentar a cidade e seus patrimônios para além dos casarões,charqueadas e dos doces finos, tendo como foco promover patrimônios relevantespara várias comunidades. Nesta escrita apresentamos uma discussão, a partir do conceito de desobediência epistêmica de Walter Mignolo, acerca de algumas das produções artísticas e participações de artistas que apresentaram seus trabalhos na exposição digital, nas quais expressaram suas perspectivas sobre patrimônio e relações com a cidade. Nosso objetivo foi compreender como essas obras se revelaram enquanto importantes ferramentas contra a exclusão social, elitismo, misoginia, machismo, LGBTQIA+fobia, para a resistência de sociabilidades e vivências não-hegemônicas na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul
VISIBILIDADE LBT+ E RESISTÊNCIA ENTRE QUADRINISTAS BRASILEIRAS
O presente trabalho tem por objetivo analisar obras selecionadas de quadrinistas brasileiras mulheres para avaliar como seus quadrinhos são utilizados para dar visibilidade à população LBT+. Para tal, procurou-se no banco de dados BAMQ! do site Lady’s Comics quadrinistas cuja obra estivesse disponível online. Após a escolha das quadrinistas, selecionaram-se obras de cada uma delas cuja temática girasse em torno da realidade LBT+ ou que apresentasse elementos da mesma. A seguir, analisaram-se as obras selecionadas levando em conta dados teóricos de gênero e sexualidade, como Butler (2014). As obras analisadas apresentam personagens LBT+ existindo em sociedade e realizando atividades corriqueiras, como ir ao bar, ou atividades consideradas normais em nossa sociedade, como a maternidade. Assim, pode-se ver que a própria existência de personagens LBT+ em locais públicos e a performance de atividades cotidianas são consideradas formas de resistência e como a população LBT+ precisa enfrentar obstáculos para simplesmente existir e realizar tarefas consideradas comuns
ENSINO DE DANÇAS DE SALÃO: TRANSGREDINDO OS BINARISMOS DE GÊNERO
A pesquisa se insere no campo do ensino de danças de salão e tem como objetivo discutir proposições didático-pedagógicas que não estejam centradas em binarismos de gênero, sob uma perspectiva de uma pedagogia queer. As concepções tradicionais de dança de salão, muitas vezes objetificam o corpo feminino e ditam padrões de movimentos com base em papéis de gênero, assim como determinam que a condução deve ser monopólio dos homens, cabendo às mulheres apenas o papel passivo de seguir o condutor. Entretanto, a problematização destas questões sob uma perspectiva contemporânea, corrobora para uma educação inclusiva de pessoas não heterossexuais e com identidades de gênero não binárias, que geralmente são excluídas da comunidade das danças de salão. Esta investigação tem uma abordagem qualitativa e se configura como uma pesquisa-ação (TRIPP, 2005). O trabalho consiste em um recorte da pesquisa que desenvolvo no doutorado, com base na minha práxis, enquanto professor de dança em diferentes contextos educacionais. Este artigo possibilitou perceber os limites e as potencialidades das estratégias de ensino que desenvolvo nas aulas. Além disso, o diálogo com as teorias queer possibilitou questionar padrões heteronormativos da dança de salão tradicional, principalmente quanto aos estereótipos de gênero. Além de denunciar propostas heteronormativas e patriarcais de dança de salão, buscou-se com este trabalho compartilhar possíveis estratégias de ensino inclusivas quanto às questões de gênero e diversidade
VIR DE REIMS: A SOCIOBIOGRAFIA DE DIDIER ERIBON
Resenha do livro ERIBON, Didier. Retorno a Reims. Belo Horizonte: Editora Âyiné, 2021
Conflitos Socioambientais e Territorialidades em Disputa:: percepções da população ribeirinha do Acampamento Coragem sobre a UHE de Estreito (MA)
O presente artigo tem por objetivo analisar os conflitos socioambientais da Usina Hidrelétrica de Estreito (MA), a partir das vivências dos/as atingidos/as do Acampamento Coragem. A comunidade ocupa um território em Palmeiras do Tocantins (TO), que é de posse do Consórcio Estreito Energia (CESTE), empreendedor da usina, que disputa judicialmente a posse da terra desde outubro de 2015. Essa população tem enfrentado os conflitos ocasionados pela barragem de Estreito desde a sua instalação e continuam a sofrer os efeitos ocasionados pelo empreendimento. Com a vinda da barragem para a região tiveram seus direitos violados, tendo sido deslocados compulsoriamente, passando a migrar em buscas de novas territorialidades, enfrentando desmatamentos, mortandade de peixes e injustiças sociais. Os caminhos metodológicos seguem a pesquisa qualitativa, com observação participante e entrevistas exploratórias realizadas em novembro de 2019. Dessa forma, evidencia-se que os grandes empreendimentos pautam-se numa lógica neoliberal desenvolvimentista de se apropriarem dos recursos naturais como mola propulsora da economia
Editorial
A revista Novos Rumos Sociológico (Norus/PPGS/UFPEL) vem cumprindo o seu papel de apresentar visadas possíveis para se fazer sociologia na sociedade contemporânea, ampliando sempre que possível o seu escopo analítico. Um dos campos mais vigorosos e promissores é o da sociologia da ciência e das tecnologias, tema deste Dossiê: "Estudos sociais em Ciência e Tecnologia", organizado pelos professores Fabrício Neves (UNB) e Daniela Alves (UFV)
Os ideais de progresso por meio da tecnologia na Engenharia Civil brasileira: : uma relação entre o século XIX
Neste artigo investigamos qual o papel dos engenheiros civis na construção de um imaginário de modernidade e progresso tecnológico no Brasil e de que maneira isso permanece na organização da educação em engenharia atual. A pesquisa é realizada por meio de uma análise histórica da bibliografia consultada, focada na segunda metade do século XIX, quando aconteciam as Exposições Universais que impactaram o pensamento da burguesia brasileira, edas transformações que ocorreram ao longo do século XX no ensino de engenharia. Além disso, faz-se também uma análise documental das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais de Engenharia. Ao investigarmos a classe emergente dos engenheiros no país em relação com o que se considerava progresso, pode-se encontrar conexões com o ensino de engenharia do presente, como o determinismo tecnológico, a presença da inovação e a relação estreita com as empresas. Embora exista hoje uma preocupação com a responsabilização social e ambiental, salientamos a necessidade de uma educação em engenharia que seja crítica de si mesma
Entrevista com Pablo Ortellado
Pablo Ortellado é doutor em Filosofia e professor de Gestão de Politicas Publicas da EACH-USP. É coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital e colunista de política do jornal O Globo