Afro-Ásia
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Escravos e rebeldes na Justiça Imperial: dois casos de assassinatos senhoriais em Campos dos Goytacazes (RJ), 1873
Nos dias 8 e 9 de janeiro de 1873 dois senhores de Campos dos Goytacazes, nonorte fluminense, foram assassinados por seus escravos. Os casos despertaramna época temores de uma grande agitação cativa, forçando o envio de tropaspoliciais da Corte para a cidade de Campos e a condenação dos réus nas rígidasdisposições da lei de 10 de junho de 1835. O objetivo deste artigo é analisar adocumentação judicial e burocrática gerada por esses dois casos de assassinato,buscando aprofundar o conhecimento sobre a organização do plano dos escravos,dos seus objetivos e de sua relação com o contexto emancipacionista da décadade 1870. Interessa ainda analisar o conhecimento que os cativos tinham da estruturarepressiva do Estado e como tal saber influenciou na própria organizaçãode seus movimentos rebeldes.Palavras-chave: Rebeldia escrava; Justiça criminal; Emancipação
Compadrio e escravidão em uma freguesia sul-mineira: São Tomé das Letras (1840-1870)
Na sociedade escravista brasileira, o sacramento do batismo estabelecia obrigaçõesmorais entre pessoas de diversos segmentos da sociedade (senhores, escravos,libertos, agregados, sitiantes etc.). Neste sentido, é importante que se faça umestudo das relações de compadrio dos distintos agentes sociais. Primeiramente,analisaremos os padrões gerais do compadrio (número apadrinhamentos, escolhasde padrinhos e batismo de escravos nas grandes escravarias) na Freguesia de SãoTomé das Letras, entre os anos de 1840 e 1870. Na sequência examinaremos osestudos de casos, no intuito de compreender as particularidades do compadriona região. Investigamos histórias de famílias, demonstrando distintas estratégiasde vidas em torno das tramas sociais do batismo católico.Palavras-chave: Escravidão - São Tomé das Letras - compadrio, hierarquia esenhores
O (des)encantamento do feiticeiro: Edison Carneiro e sua contribuição aos estudos afro-brasileiros
Frank Tannenbaum e os direitos dos escravos: religião e escravidão nas Américas
Desde a publicação de Slave and Citizen, de Frank Tannenbaum, em meados do século passado, os estudos comparativos entre os diferentes processos de colonização das Américas e, logo, entre os diferentes sistemas escravistas produzidos, são algo comum na historiografia. Contudo, a obra de Tannenbaum, depois de certo período de notoriedade, foi severamente criticada e quase que posta de lado – um exemplo de ostracismo historiográfico. Porém, há poucos anos, Slave and Citizen foi centro de um acalorado debate que tinha como lócus a atualidade ou não de suas contribuições. Nesse sentido, este artigo se propõe a (re)visitar o livro de Tannenbaum a partir de dois pontos específicos: primeiro, abordaremos a já citada discussão, tendo como norte o embasamento empírico, ou a falta dele, presente na argumentação dos autores; depois, realizar-se-á uma análise bibliográfica de alguns estudos recentes para tratar de algo central à tese do autor: o quanto, hoje, já se conhece sobre o acesso dos escravos às práticas religiosas na América inglesa e como a doutrina (leiga e religiosa) percebia a sua conversão ao cristianismo nessa região. Antes, contudo, devido às quase sete décadas da publicação e à sua não tradução para a língua portuguesa, procederemos uma rápida resenha da obra, retomando suas principais ideias. Apesar da concordância de que o livro tem questões problemáticas, podemos aventar que a argumentação central de Slave and Citizen – qual seja, a de que na América ibérica os escravos eram entendidos como seres portadores de alma e, portanto, inseridos na humanidade, lhes dotou de direitos, diferentemente da América inglesa, onde a doutrina religiosa os excluiu da humanidade – não foi ainda contestada do ponto de vista empírico, o que só será possível através de pesquisas monográficas que refutem, ou não, a tese de Frank Tannenbaum.
“Província (de) um grande Partido Brasileiro, e mui pequeno o Europeu”: a repercussão da Independência do Brasil em Angola (1822-1825)
A partir do uso da correspondência das autoridades coloniais angolanas da primeirametade da década de 1820, este artigo pretende examinar o impacto, emAngola, da ruptura do Reino Unido de Portugal e Brasil. uma das causas de aindependência brasileira ter repercutido na África portuguesa se deve ao número eao grau de integração dos negociantes brasileiros junto à elite mercantil angolana.Sem surpresa, até o final da querela luso-brasileira — oficialmente encerradacom o Tratado de Aliança e Amizade, de 29 de agosto de 1825 —, o combateao chamado “partido brasileiro” constituiu a principal tarefa das autoridadescoloniais de Angola, no intuito de evitar um colapso ainda maior do complexoatlântico do Império Ultramarino Português.Palavras-chave: Independência; Relações Brasil-Angola; Brasil Império;Angola Colonial