Afro-Ásia
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Escravos vão à justiça na Bahia setecentista
Resenha de:ALMEIDA, Kátia Lorena Novaes. Escravos e libertos nas minas do Rio de Contas: Bahia, século XVIII. Salvador: Edufba, 2018. 346 p
A democracia racial revisitada
Neste artigo, revisito a história da democracia racial enquanto ideologia racial, cunhada entre os anos 1930 e 1940. Procuro acompanhar a negociação intelectual que ocorreu entre diversos intelectuais brancos e negros, no Brasil e nos Estados Unidos, a partir da rede tecida entre Herskovits, Ortiz, Price-Mars e Ramos, e daquela outra que envolvia os cientistas sociais das universidades de Chicago, Atlanta, Fisk e Howard, estudando as formas de integração do negro à sociedade americana. Tais conexões foram absorvidas no esforço de guerra do Departamento de Estado americano, antes e durante a guerra, para aproximar-se dos países da América Latina, ao tempo que procurava uma nova política racial doméstica que substituísse a Herrenvolk democracy, cunhada no sul americano
Famílias africanas em tempos do tráfico atlântico: o resgate de parentes em cinco cartas de alforria (Bahia, 1818-1830)
A cara da escravidão e a cara da liberdade: honra e infâmia (Corte do Brasil, 1809-1833)
Referente ao Sul-Sudeste escravista do Brasil nas três primeiras décadas do século XIX, o artigo aborda assunto pouco conhecido pela historiografia: literalmente, a cara da escravidão e a cara da liberdade. A construção da face nesta sociedade escravista estava relacionada à infâmia da escravidão e à honra da liberdade, o que levou a diferentes percepções/classificações dos rostos por agentes da Polícia da Corte do Brasil. Protagonistas de suas aparências, homens livres, forros e escravos, de diferentes naturalidades, tiveram seus “retratos falados” descritos conforme suas condições jurídicas, origens e faixas etárias. Eram homens em trânsito que saíam do Rio de Janeiro para vários destinos. A barba era um atributo crucial para atestar honra-liberdade, e sua ausência ou pouco volume caracterizavam faces escravas. Para aferir a hipótese, utilizamos despachos de escravos e passaportes de viajantes emitidos pela Polícia da Corte entre os anos de 1809 a 1833, cruzados a gravuras de viajantes e dicionários de época.
A estética da exclusão: imigrantes chineses em culturas visuais brasileiras na virada do século XX
Este artigo examina os processos que levaram trabalhadores chineses ao Brasil, analisando documentos escritos por diplomatas e funcionários da dinastia Qing que viajaram ao Brasil para abrir rotas de imigração chinesa. As autoridades Qing utilizavam nesse contexto uma palavra que pode significar tanto imigração quanto colonização (yizhi). O Brasil, para eles, apresentava-se como uma opção viável tanto para a colonização quanto para a imigração devido ao seu vasto território e a suas leis de cidadania inclusivas. Discuto as questões levantadas por intelectuais ligados ao governo Qing sobre a abertura de rotas de imigração e comércio entre a China e o Brasil, em relação às preocupações dos abolicionistas brasileiros com a emancipação, a independência nacional e o desejo de branquear a composição racial da nova nação. Este artigo explora o que chamo de estética da exclusão para descrever a produção e a circulação de culturas visuais sobre os chineses enquanto raça, as quais contribuem para o discurso global da exclusão chinesa como uma necessidade da modernização brasileira e de seu investimento no branqueamento
Ser ou não ser japonês? Um processo identitário em construção
Este artigo analisa os processos identitários vivenciados pelos imigrantes japoneses no Brasil no século XX, ressaltando o período de privações e discriminações enfrentadas por eles durante a Segunda Guerra Mundial. A marginalização dos japoneses acarretou a união desses imigrantes em torno de associações de caráter ultranacionalistas, como a Shindo Renmei. Essa conjuntura fortaleceu ainda mais o sentimento de ser um japonês que vive no Brasil, mas é um súdito fiel e leal às autoridades japonesas. Décadas mais tarde, quem perderia a guerra – dessa vez econômica – seria o Brasil, e os descendentes de japoneses viviam o fluxo inverso de seus pais e avós. Contudo, enquanto no Brasil são tratados como “japoneses”, no Japão vivem a estranha experiência de serem brasileiros com “cara de japonês”. O artigo está alicerçado em pesquisas teórico-empíricas das autoras que trazem à tona questões relevantes, como o impacto das restrições, censura na formação de identidades e o dinamismo do sentimento de pertencimento, que molda-se de acordo com o contexto histórico que o representa.
O império da supremacia branca e a Frente Negra Brasileira: as representações sobre as relações raciais da América Latina no jornal afro-americano Chicago Defender (1916-1940)
O objetivo deste artigo é demonstrar, a partir da publicação de notícias sobre a Frente Negra Brasileira (1931-1937), a construção de representações sobre as relações raciais no Brasil e na América Latina no jornal afro-americano Chicago Defender entre 1916 e 1940. Por um lado, o periódico negro divulgou entre seus leitores a ideia de fraternidades raciais estabelecidas nas nações latino-americanas, principalmente no Brasil. Por outro, demonstrou como a influência de um imperialismo norte-americano que poderia comprometer as relações sociais na América Latina pela difusão internacional de práticas racistas que haviam marginalizado os negros nos Estados Unidos já afetava a América Central. A ascensão da Frente Negra Brasileira foi considerada pelos jornalistas do Chicago Defender como o sinal do “perigo da influência racista norte-americana” nos países da América do Sul
Uma visão enviesada da organização do tráfico na Costa dos Escravos da África Ocidental
Resenha de:FUGLESTAD, Finn. Slave Traders by Invitation: West Africa’s Slave Coast in the Precolonial Era. Nova York: Oxford University Press, 2018. 443p
Marx, Freud, fetiche, capitalismo e a religião iorubá
Resenha de:MATORY, J. Lorand. The Fetish Revisited: Marx, Freud, and the Gods Black People Make. Durham: Duke University Press, 2018. 392p