Estudos Bíblicos
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O “novo” em Paulo
A irrupção da prática de Jesus tem no “novo” seu mais forte referencial. O paradigma do Reino de Deus anunciado por Jesus é a boa-nova. O anunciar da boa-nova por Jesus não é inovação nem novidade. O próprio precursor de Jesus anuncia a preparação para a chegada do Messias na perspectiva do novo Êxodo. No decorrer de sua prática, são inúmeras as situações onde Jesus recorre ao universo do novo para anunciar o Reino de Deus. Nascer de novo, odre novo, vinho novo, tirar coisas novas do baú, novo céu e novo mandamento são algumas das expressões mais conhecidas. Esta compreensão do novo inaugurado pela prática de Jesus irá fazer eco nas comunidades primitivas. Paulo é, acima de tudo, o apóstolo do Evangelho, da boa-nova. Também a tradição cristã irá expressar sua herança literária recorrendo ao novo, neste caso, ao novo mandamento. Este artigo tematiza o novo no Novo Testamento, particularmente nos escritos de Paulo. Investiga o lugar do novo no pensamento e escritos paulinos. Na sequência do discurso de Jesus, Paulo fala em nova criatura e nova vida. Os escritos paulinos compõem os textos da nova aliança
Governo, nação e profecia: atormentadores ou promotores “do beijo”?
Este artigo apresenta as relações de conflito entre governantes e governados, profetas e profecia a partir do estudo das relações entre filisteus e israelitas no Antigo Testamento. Convida os leitores do texto bíblico a atuarem como arautos, não permitindo que a nossa omissão cale a profecia, e não concordando com partidarismos injustos e opressores. Instiga à sensatez e à coerência bíblica na cidadania
Jesus dominando o mar: esperança em meio à tragédia no Evangelho de Marcos
Esse artigo procura mostrar como o Evangelho de Marcos contém uma mensagem profunda sobre a realidade social e política na qual viviam os cristãos da Palestina no século 1 dC. Diante da dominação violenta do Império Romano, e das desigualdades criadas por um sistema injusto, a mensagem do Evangelho produz esperança para as comunidades que sofriam debaixo dessa política. Como chave de leitura está a menção ao mar, símbolo do poderio marítimo do Império Romano, na seção de 4,1–6,54, em que os textos mostram Jesus sentando sobre o mar, dominando-o, afogando nele uma legião e andando sobre ele. Assim, o Evangelho alimenta a esperança da vitória da vida sobre a morte
A casa de Saul e suas divindades
The region and period generally associated with King Saul, i.e., the plateau of Benjamin in the Early Iron I-IIA Period (c. 1125-875 B.C.E.), has been the subject of intense debate over the past fifteen years. While European, North American, and Israeli archaeological and exegetical studies have remained restricted to socio-demographic and political discussion of the region, the religious beliefs and practices of the region's inhabitants have been neglected. In contrast to this strand, the present study examines the archaeological, epigraphic, and biblical sources of the period to identify the deities supposedly worshipped by the house of Saul. Such a task, described as impossible by prominent scholars in recent years, is made possible by the conceptual framework entitled "magical-mythic networks," which observes religion through a communicological perspective and by integrating data from visual culture neglected by these scholars. In order to identify the deities worshiped in the region, the artistic traces are analyzed materially and iconographically, and then compared to the names of known individuals (anthroponyms) and places (toponyms) to see the possible designations of the deities. Thus, by using the social organization and data from multiple sources, the article proposes two levels of deities that were likely part of the inhabitants' religious experience, as well as their possible identification.A região e o período geralmente associados ao rei Saul, i.e., o platô de Benjamim no Período do Ferro I-IIA inicial (c. 1125-875 aEC), tem sido alvo de intensos debates nos últimos quinze anos. Enquanto estudos arqueológicos e exegéticos europeus, norte-americanos e israelenses têm permanecido restritos à discussão sócio-demográfica e política da região, as crenças e práticas religiosas dos habitantes tem sido negligenciada. Em contraposição a essa vertente, o presente estudo examina as fontes arqueológicas, epigráficas e bíblicas do período para identificar as divindades supostamente cultuadas pela casa de Saul. Tal tarefa, descrita como impossível por proeminentes estudiosos nos últimos anos, faz-se possível pelo quadro conceitual intitulado “redes mágico-míticas”, que observa religião através de uma perspectiva comunicológica e pela integração de dados da cultura visual negligenciados por esses estudiosos. Dessa forma, ao utilizar a organização social e os dados de múltiplas fontes, propõem-se dois níveis de deidades que provavelmente fizeram parte da experiência religiosa dos habitantes, tal qual a possível identificação dessas deidades. 
Orientações de Paulo contra a idolatria na Comunidade de Corinto: a carne sacrificada aos ídolos (1Cor 8–10)
Paulo responde a um dos problemas levantados pelos Coríntios, ou seja, o das carnes sacrificadas aos ídolos e vendidas nos mercados da cidade. Comer ou não comer? É idolatria ou não? A comunidade estava dividida. Os mais esclarecidos, isto é, os fortes, afirmavam: Os ídolos não existem. Portanto, pode-se comer. Os menos esclarecidos, isto é, os fracos, tinham suas dúvidas. A opinião de Paulo é clara: Não há problema nenhum em comer dessas carnes, mas a solidariedade deve prevalecer. Portanto, em vez de perder o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu, é melhor abster-se, logo o cristão não devia comer dessa carne oferecida aos ídolos
Grandes projetos na Bíblia e a resistência do povo
Apresenta-nos um amplo leque de grandes e impopulares projetos descritos em perspectiva crítica pela Bíblia: a construção da Torre de Babel (Gn 11,1-9); o bezerro de ouro (Ex 32,1-35); o gigante de pés de barro do livro do profeta Daniel (Dn 2,1-49); o mercado no entorno do templo de Jerusalém (Mt 21,12-13); o comércio ao redor da deusa Ártemis na cidade de Éfeso (At 19,23-40) e o dragão do Apocalipse (Ap 12,1-12). Aquilo que é comum a todos estes textos é, justamente, a resistência popular aos megaprojetos idolátricos que visam não o bem das populações camponesas, da periferia dos grandes centros urbanos e das nações submetidas ao poder imperial
A sabedoria do pobre salva a cidade: leituras de Eclesiastes 9,14-16
Como “antídoto” contra a megalomania dos poderosos, a Bíblia em Ecl 9,14-16 nos apresenta a sabedoria do pobre, a qual difere, totalmente, daquela dos que planejam a “cidade” (sociedade) sem levar em conta o seu povo. A “sabedoria é mais que acumulação de saberes, sabença. É um saber depurado: prioriza o que importa e, nele, seu sentido e relevância”. O pobre possui aquela desconfiança sábia que lhe faz ter a prudência necessária perante os grandes e ricos projetos. Gruen conclui que “o sábiopobre tem como enxergar a situação, e dar passos para furar o cerco: cultivando a utopia, a esperança, o ‘viver no mundo sem ser do mundo’ (Jo 15,19), sem medo do isolamento, e do ódio de adversários que isso implica”
O bem-viver e a decisão fundamental em Mt 6,19-34
Partindo da proposta do bem-viver dos povos andinos, vamos examinar o texto central do Sermão da Montanha de Mateus (Mt 6,19-34). Inicialmente, situamos o texto no contexto do Sermão do Monte. Depois, veremos como Jesus propõe a busca do reinado de Deus e de sua justiça, enquanto projeto estrutural que garante dignidade para todas as pessoas. Para optar por esse projeto é preciso superar o sistema cuja meta é o acúmulo de dinheiro. E para viver a nova justiça do reinado de Deus, faz-se necessário ter um coração novo e olhos sãos