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A POLITICS WITHOUT COMPROMISE: THE YOUNG HEGELIANS AND POLITICS
Este artigo tem como objectivo explorar o modo como a maior parte dos Jovens Hegelianos vieram a rejeitar todas as formas de compromisso. Começarei por mostrar como o próprio movimento dos Jovens Hegelianos nasceu de um processo de radicalização. Em seguida, irei expor alguns dos desenvolvimentos teóricos que este processo produziu e explicar porquê e como todas as formas de compromisso acabaram por ser rejeitadas. Para os Jovens Hegelianos, um compromisso é uma posição anti-dialéctica. Consiste na adopção de uma postura intermédia que não corresponde a uma mediação real. É uma forma de esvaziar conflitos e, mais exactamente, de evitar que as oposições que operam na História sejam desveladas em toda a sua integridade.This article aims at exploring how most of the Young Hegelians came to reject all forms of compromise. It will first show how Young Hegelianism itself was born from a process of radicalisation. Then, it will expound some of the theoretical developments that this process produced and explain why and how all forms of compromise came to be rejected. For Young Hegelians, a compromise is an antidialectical position. It consists in the adoption of a median posture, which does not correspond with a real mediation. It is a way of deflating conflicts and, more precisely, to avoid the oppositions at work in history being unveiled in their purity
POLITICAL INCLUSION AS A MEANS OF GENERATING JUSTICE FOR CHILDREN
In this article it is argued that the position of children can be improved by ensuring them political representation, through inclusion in democratic processes. Embedding children as equal participants in democratic processes is likely to diminish the structural disadvantages to which they are currently subjected within modern democracies. Political and social institutions will have greater incentives to act proactively to support children, and children will have the same ability as other citizens to express their approval or disapproval of public actions undertaken on their behalf. In a global environment still characterised primarily by independent nation states, democracies provide the most fertile ground for the generation of just institutions. Those institutions work best, for the most active participants in the democracy. Children are, in all states, expressly excluded from active political participation, and as such their voices, desires, needs and rights are marginalised. Political inclusion for children is a first step to address this marginalisation.Neste artigo argumenta-se que a posição das crianças pode ser melhorada se lhes for concedida representação política, mediante a sua inclusão nos processos democráticos. A inclusão das crianças como participantes iguais nos processos democráticos provavelmente atenuará as desvantagens estruturais a que estão sujeitas nas democracias contemporâneas. As instituições políticas e sociais terão maiores incentivos para agir de forma proactiva no sentido de apoiar as crianças, e as crianças terão a mesma capacidade dos demais cidadãos para exprimirem a sua aprovação ou rejeição em relação às ações públicas realizadas em seu nome. Num ambiente global ainda caracterizado principalmente por estados-nação independentes, as democracias oferecem o solo mais fértil para a criação de instituições justas. Essas instituições funcionam primacialmente para os que mais participam na democracia. As crianças estão, em todos os estados, expressamente excluídas da participação política ativa, e, nessa medida, as suas vozes, desejos, necessidades e direitos são marginalizados. A inclusão política das crianças é um primeiro passo para solucionar esta marginalizaçã
THE COSMOPOLITAN AND ENVIRONMENTAL CHALLENGES OF THE IDEA OF EUROPE IN THE AGE OF THE ANTROPOCENE
In this paper we try to show how the contemporary challenges of the global environmental crisis in the age of the Anthropocene confront us with the urgent need of reevaluating the premises of classical contractualism and designing a new idea of Europe for the 21st century. We begin by expounding the principles of what we call an enviro-social contract which takes the environmental crisis as the main axis of our ontological condition in the contemporary world to subsequently identifying in the remaining sections the main theoretical issues on the possibility of a new environmental and cosmopolitan idea of cosmopolitan Europe according to our previous arguments. We finish by proposing cities as cosmopolitan political agents which can contribute to rethink the idea of Europe through the creation of a cosmopolitan political culture in face of the current European sociopolitical and institutional crossroads.Neste artigo, tentamos mostrar como os desafios contemporâneos da crise ambiental global na era do Antropoceno nos confrontam com a necessidade urgente de reavaliação dos princípios do contratualismo clássico e de projetar uma nova ideia de Europa para o século XXI. Começamos por enfocar os princípios do que chamamos de contrato ambisocial, que considera a crise ambiental como o eixo principal de nossa condição ontológica no mundo contemporâneo, para posteriormente identificar nas seções restantes as principais questões teóricas em torno da possibilidade de uma nova ideia ambiental e cosmopolita de Europa em consonância com os nossos argumentos anteriores. Terminamos propondo as cidades como agentes políticos cosmopolitas que podem contribuir para repensar a ideia de Europa através da criação de uma cultura política cosmopolita frente às atuais encruzilhadas sociopolíticas e institucionais europeias
THE LIBERALISM OF DIVERSITY: A DEFENSE AND SOME CLARIFICATIONS
Like any book, and regardless of the degree to which it achieves its goals, Dealing with Diversity has inaccuracies and argumentative weaknesses. The careful comments received from Asha Bhandary, Stephen Macedo, and João Cardoso Rosas highlight them lucidly. In what follows, I aim to address some of the points they raise as fairly as I can and, where it is possible, to defend the work I did in my book. At the same time, the reply to such keen remarks gives me the opportunity to clarify some parts that might seem opaque. Before proceeding to consider in some detail the criticisms received, I think it is appropriate to set forth very briefly the purposes of the book
Defending Paine’s agrarian justice and the “Ground-rent”
A Justiça Agrária de Thomas Paine merece mais atenção do que aquela que até agora lhe foidedicada, pois nela Paine estabelece um argumento fundacional para um programa abrangente debem-estar social que não se encontra no seu mais famoso Os Direitos do Homem. Neste artigo,explico o argumento de Paine em Justiça Agrária e considero a objecção segundo a qual a principalfonte de receitas aí proposta – a “renda fundiária” – seria insuficiente para financiar o programa debem-estar social que propõe, na medida em que a contribuição dos recursos naturais para a produçãode valor é insignificante. Argumento que a renda fundiária justifica a imposição de um imposto nãoapenas sobre o valor dos recursos naturais usados na produção de valor, mas sobre uma porção dovalor do trabalho aplicado sobre esses recursos, e que, portanto, ela pode ser uma fonte significativade receitas. Considerações similares são aplicáveis aos sistemas de taxação baseados em recursosnaturais propostos por outros autores tais como Henry George, Thomas Pogge e alguns libertários deesquerda contemporâneos.Thomas Paine’s Agrarian Justice deserves more attention than it has received, for in it Paine providesa foundational case for a broad social welfare program that is absent in his better-known Rights ofMan. In this paper, I explain Paine’s case in Agrarian Justice, and consider the objection that the mainrevenue source Paine proposes—the “ground-rent”—is insufficient to fund the social welfareprograms he proposes because in the production of value the contribution attributable to naturalresources is insignificant. I argue that the ground-rent justifies levying a tax not just on the value ofthe natural resources used in the production of value, but on a portion of the value of the labor appliedto those resources, and therefore can be a significant revenue source. Similar considerations apply toresource-based taxation schemes suggested by others, including Henry George, Thomas Pogge, andsome modern “left-libertarians”
What is the justifiable demos of a referendum on state secession?
A prática comum em matéria de concessão de direito de voto para efeitos de referendos sobre asecessão de um estado é a de conferir esse direito apenas aos residentes na unidade secessionista,ao passo que referendos relativos a secessões urbanas são frequentemente mais abrangentes, aoatribuírem o direito de pronúncia a todos os residentes no município sob ameaça de secessão. Esteartigo analisa a justificabilidade de uma prática mais excludente no âmbito estatal a partir de doisprincípios de delimitação do demos, nomeadamente o princípio da inclusão de todos os afectadose o princípio da inclusão de todos os sujeitos [à ação estatal]. O argumento deste artigo é o de queambos os princípios legitimam um demos totalmente inclusivo nos dois âmbitos [estatal emunicipal]. No entanto, um demos deste tipo acarreta um risco considerável de dominação daminoria separatista pela maioria no âmbito estatal, risco esse que é muito menor no âmbitomunicipal. Argumenta-se que este é um argumento definitivo contra a aplicação destes princípiosaquando de referendos sobre secessão de estados; e a favor da manutenção das atuais práticas deconcessão de direito de voto.The predominant practice for enfranchisement in referendums on state secession only grants avote to residents of the secessionist unit, while referendums on urban secession are oftenall-inclusive, in the sense of enfranchising all residents of the municipality challenged bysecessionism. This paper examines the justifiability of a more exclusive practice at the state levelfrom two principles for delimiting the demos, namely the all-affected principle and theall-subjected principle. The argument of the paper is that both these principles typically sanctionan all-inclusive demos at both these levels of government. However, such a demos would carry aconsiderable risk of majority domination of a separatist minority at the state level, a risk that ismuch lower at the municipal level. The paper claims this to be a conclusive argument againstapplying these principles on referendums on state secession and thus for retaining our currentenfranchisement practices
Rawls against Rawls: on the political value of social association
This study focuses on the paradigmatic category of social association to question the general treatment of freedom of association in theories of justice. Social associations are organised, voluntary, and secondary associations that do not have any particular economic or political function and are not related to any external authority. This category is deployed to re-examine the relationship between freedom of association and the two moral powers. I support the argument that freedom of social association is not only an institutional condition for conscience, as stated by Rawls, but also has an evident direct connection with both moral powers. In particular, I show that it enables individuals to lead a life that they collectively affirm to be reasonable and valuable and develop a sense of value and confidence in their own abilities. This is the fundamental associative interest we have in self-respect, which has been rendered philosophically invisible in political liberalism by the category of nonpolitical association. I show that social associations and the right to establish such an association have a special importance for self-respect, and especially, for its social bases and I argue that institutions should provide citizens opportunities for the personal circumstances of self-respect in ensuring the social conditions necessary to establish social associations.Este estudo centra-se na categoria paradigmática da associação social de modo a indagar o tratamento dado, regra geral, à liberdade de associação no âmbito das teorias da justiça. As associações sociais são associações organizadas, voluntárias e secundárias que não têm qualquer função económica ou política específica e que não estão vinculadas a qualquer autoridade externa. Esta categoria é aqui explorada de modo a re-examinar a relação entre a liberdade de associação e os dois poderes morais. Sustenta-se o argumento segundo o qual a liberdade para a constituição de associações sociais é não apenas uma condição institucional para a consciência, tal como assumido por Rawls, mas que também tem uma conexão directa e evidente com os dois poderes morais. Mais especificamente, demonstra-se que ela permite que as pessoas vivam uma vida que eles consideram, colectivamente, como sendo razoável e valiosa e que desenvolvam uma consciência do seu valor e uma confiança nas suas próprias capacidades. Este é o interesse associativo fundamental que nós temos pelo respeito próprio, que se tornou invisível no seio do liberalismo político em virtude da categoria das associações não-políticas. Demonstra-se aqui que as associações sociais e o direito a constituir uma associação deste tipo têm uma importância especial para o respeito próprio, e mais em particular, para as bases sociais do mesmo e argumenta-se que as instituições deveriam conceder aos cidadãos as oportunidades para a emergência das circunstâncias pessoais que suportam o respeito próprio ao assegurar as condições sociais necessárias ao estabelecimento das associações sociais
Digital Content in Brazilian Sign Language (Libras): A Study of Brazilian Channels of Deaf People on YouTube
O tema deste estudo é a produção e a autoria de pessoas surdas na internet, especificamente, na plataforma de compartilhamento de vídeos e rede social YouTube, no Brasil. Trata-se de um tema de vanguarda e desvela a relação dos surdos com uma mídia digital que privilegia o vídeo, elemento este que está intimamente relacionado ao artefato cultural do povo surdo (Strobel, 2016), e valoriza a língua de sinais, que é a experiência visual. O objetivo é investigar os temas produzidos, exclusivamente em língua brasileira de sinais (Libras), por pessoas surdas nos canais do YouTube. A metodologia da pesquisa possui uma abordagem qualitativa do tipo descritiva (Gil, 2002) e utiliza, para a coleta de dados, o método dos principais itens para relatar revisões sistemáticas e meta-análises (Prisma; Page et al., 2021) com o tipo de amostragem de bola de neve (Vinuto, 2014). Foram identificados 913 vídeos postados em 11 canais de autores surdos brasileiros no YouTube, ao longo de nove anos, entre 2006, ano da criação do canal mais antigo analisado, e 2021. Os autores que contribuíram com a análise foram principalmente Festa (2012), Burgess e Green (2009/2009), Coruja (2017) e Medeiros e Rocha (2018). A partir da análise dos vídeos, foi possível identificar uma maior quantidade de vídeos com temas financeiros e observar que os vídeos com mais visualizações são sobre a língua de sinais, a identidade e a cultura surda.The subject of this article is the production and authorship of deaf people in Brazil on the internet, specifically on the video-sharing platform and social media YouTube. This cutting-edge theme unveils the relationship of deaf people with digital media that privileges video, an element closely related to the cultural artefact of deaf people (Strobel, 2016) and values sign language, which is the visual experience. It aims to explore the themes produced, exclusively in Brazilian sign language (Libras), by deaf people on YouTube channels. The research methodology has a qualitative approach of the descriptive type (Gil, 2002) and uses, for data collection, the preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses method (Prisma; Page et al., 2021) with the snowball sampling type (Vinuto, 2014). We identified 913 videos uploaded on 11 Brazilian deaf authors’ YouTube channels over nine years between 2006, the year the oldest channel analysed was created, and 2021. The contributing authors to the analysis were mainly Festa (2012), Burgess and Green (2009/2009), Coruja (2017) and Medeiros and Rocha (2018). The analysis of the videos allowed identifying more videos with financial themes and observing that the videos with more views are about sign language, identity and deaf culture
Artistic and Cultural Mediation: What Professional Profile?
A emergência de um novo grupo profissional para responder aos desafios colocados pela mudança do papel e do lugar dos artistas e das artes nas sociedades atuais, bem como da relação entre o(s) público(s) e as diversas manifestações artísticas e culturais, levou-nos a tentar (a) compreender como alguns potenciais empregadores, formadores e graduados veem o papel do mediador artístico e cultural; (b) identificar a(s) definição(ões) que propõe(m) de mediação artística e cultural; e (c) identificar os conhecimentos e competências que consideram necessários para este exercício profissional.
Uma breve revisão da literatura (Arnaud, 2018; Henry, 2014; Lussier, 2015; Mörsch & Holland, 2012) traz contribuições para uma melhor definição do conceito de mediação artística e cultural que concilia as lógicas da democratização da cultura e da democracia cultural, destacando, entre outras coisas, as finalidades que podem ser prosseguidas.
Ancorado num contexto específico da licenciatura em mediação artística e cultural da Escola Superior de Educação de Lisboa, foram realizados grupos de discussão com diplomados, docentes e profissionais cooperantes que enquadram os estagiários desta licenciatura.
Os inquiridos apresentam definições da mediação artística e cultural com dimensões educativa, social, cultural, investigativa, política e económica e um largo conjunto de conhecimentos e competências necessários para uma intervenção nessa área assim como uma multiplicidade de funções exercidas.
Concluímos com a importância de continuar a investigação no sentido de melhor circunscrever um domínio de conhecimento específico e o campo de intervenção como conceptual para a mediação artística e cultural.The emergence of a new professional group to meet the challenges posed by the changing role and place of artists and arts in current societies, as well as the relationship between the public(s) and the various artistic and cultural manifestations, has prompted us to try to (a) understand how some potential employers, trainers and graduates see the role of the artistic and cultural mediator; (b) identify the definition(s) they propose of artistic and cultural mediation; and (c) identify the knowledge and skills they consider necessary for this professional exercise.
A brief literature review (Arnaud, 2018; Henry, 2014; Lussier, 2015; Mörsch & Holland, 2012) contributes to a better definition of the concept of artistic and cultural mediation that reconciles the rationales of the democratisation of culture and cultural democracy, highlighting, among other things, the purposes that can be pursued.
Drawing on a specific context of the degree in artistic and cultural mediation of the Lisbon School of Education, graduates, teachers and cooperating professionals who supervise the trainees of this degree were engaged in focus groups.
The respondents provide definitions of artistic and cultural mediation with educational, social, cultural, investigative, political and economic dimensions, a wide range of knowledge and skills necessary for an intervention in this area, and various roles played.
We conclude with the importance of pursuing research to better circumscribe a domain of specific knowledge and the field of intervention as conceptual for artistic and cultural mediation