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"A Consciência da Revolução Síria": Criatividade na Busca pela Liberdade nas Faixas de Kafranbel (2011-2018)
This paper examines the revolutionary storytelling and communication process of Kafranbel, a town in northern Syria celebrated as “the conscience of the Syrian revolution”. Known for its impactful banners, the town’s production spanned from 2011 to 2018 and featured images of people holding banners with written messages, drawings, and caricatures. These banners were regularly shared on social media, reflecting a nuanced and evolving creative process. This study employs a descriptive and qualitative research methodology to analyze a dataset of images (n = 214) compiled and organized chronologically. Additionally, insights from nine semi-structured interviews conducted in Spanish, English, and Arabic are included in the analysis. These interviews involved residents, witnesses, and experts who have closely followed the uprising, providing a comprehensive understanding of Kafranbel’s communicative efforts. The findings highlight how Kafranbel’s banners emerged and consolidated as a response to both the Syrian regime’s crackdown and the threat increasingly posed by extremist groups, including the Islamic State of Iraq and Syria (ISIS). The town’s storytelling employed human-centered and persuasive elements, such as the portrayal of children and references to global struggles and icons, to engage both local and international audiences. Patterns in the banners reveal a shift in tone and language choices as the conflict intensified and the town became more desperate for help. The absence of banners during periods of intense bombing underscores the harsh realities faced by the town’s residents, which culminated in the town’s silence following its recapture by the Syrian regime and the assassination of journalist Raed Fares by ISIS-affiliated gunmen. This study fills a significant gap in existing research, offering a detailed analysis of Kafranbel’s unique communication strategy within the broader narrative of the Syrian uprising.Este artigo examina a narrativa revolucionária e o processo de comunicação de Kafranbel, uma cidade no norte da Síria amplamente reconhecida como “a consciência da revolução síria”. Célebre pelas suas emblemáticas faixas e cartazes, a produção da cidade decorreu entre 2011 e 2018, abrangendo imagens de pessoas a segurar faixas e cartazes com mensagens escritas, desenhos e caricaturas. Estas faixas e cartazes eram regularmente partilhados nas redes sociais, refletindo um processo criativo dinâmico e em constante evolução. Este estudo recorre a uma metodologia de investigação descritiva e qualitativa para analisar um conjunto de imagens (n = 214) compiladas e organizadas cronologicamente. Além disso, integra na análise as perceções de nove entrevistas semiestruturadas conduzidas em espanhol, inglês e árabe. Estas entrevistas, realizadas junto de residentes, testemunhas e especialistas que acompanharam de perto a revolta, proporcionam uma visão abrangente dos esforços de comunicação de Kafranbel. As conclusões destacam a forma como as faixas e cartazes de Kafranbel surgiram e se consolidaram como resposta à repressão do regime sírio e à crescente ameaça representada por grupos extremistas, incluindo o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Daesh). A narrativa da cidade recorreu a elementos persuasivos e centrados no ser humano, como a representação de crianças e referências a lutas e ícones globais, para envolver tanto o público local como internacional. A análise das faixas e cartazes revela uma mudança no tom e nas escolhas linguísticas à medida que o conflito se intensificava e a cidade se via cada vez mais desesperada por auxílio. A ausência de faixas e cartazes durante períodos de bombardeamento intenso evidencia as duras realidades enfrentadas pelos residentes, culminando no silêncio da cidade após a sua recaptura pelo regime sírio e o assassinato do jornalista Raed Fares por homens armados afiliados ao Daesh. Este estudo preenche uma lacuna significativa na investigação existente, oferecendo uma análise detalhada da estratégia de comunicação singular de Kafranbel no contexto mais amplo da revolta síria
Jorge de Sena, Freedom of Thought in the Media and the Portuguese-Speaking (Inter)Cultural Community
Jorge de Sena (1919–1978), um dos mais multifacetados intelectuais portugueses do século XX, deixou um legado que, de acordo com certos autores (Baltrusch, 2019; Santos, 2019), merece ser explorado mais aprofundadamente para que seja apurada a dimensão do seu contributo para o património da cultura da língua portuguesa. Autor proscrito pelo regime de Salazar, com vasta obra produzida entre Portugal, Brasil e Estados Unidos, demonstrou desde cedo a sua liberdade de pensamento, recusando sacrificá-la a filiações políticas, apadrinhamentos sociais ou correntes literárias. Se, por um lado, essa liberdade foi incompatível com uma pátria ditatorial que lhe usurpou o lugar de pertença, por outro, permitiu-lhe fazer propostas inovadoras à época, como a constituição de uma comunidade (inter)cultural de língua portuguesa. Assim, a partir da constatação de que o pensamento de Jorge de Sena sobre esta comunidade permanece sob um espesso manto de esquecimento, encontrando-se ainda por sistematizar e divulgar, é proposta a hipótese de caber aos média, e ao tratamento que deram e continuam a dar a este intelectual, uma parte da responsabilidade por esse desconhecimento. Para testar a nossa hipótese, procedemos ao mapeamento, leitura, análise de conteúdo e consequente interpretação de vários conteúdos nos média, da autoria de, ou sobre, Jorge de Sena, desde 1942 até aos dias de hoje, dividindo esse período entre antes e após o 25 de Abril de 1974. Primeiro, constata-se que durante o período ditatorial, Sena nunca deixou de exprimir a sua liberdade de pensamento nas peças que assinava. Depois, textos sobre Jorge de Sena da autoria de outros enfatizam mais o seu percurso de vida do que o seu pensamento e o seu legado intelectual.Jorge de Sena (1919–1978), recognised as one of the most versatile Portuguese intellectuals of the 20th century, left a legacy that, as some scholars argue (Baltrusch, 2019; Santos, 2019), warrants deeper investigation to fully understand his impact on Portuguese-language cultural heritage. Outlawed by the Salazar regime, Jorge de Sena built an extensive body of work across Portugal, Brazil, and the United States, asserting his intellectual independence from an early age by resisting political affiliations, social patronage, and literary trends. While this defiance clashed with the oppressive regime that denied him a place to live in Portugal, it also enabled him to propose forward-thinking ideas, such as establishing a Portuguese-speaking (inter)cultural community. Thus, based on the observation that Jorge de Sena’s views on this community remain largely overlooked and have yet to be systematically explored and disseminated, we hypothesise that the media, through their treatment of this intellectual figure, are partially responsible for this lack of recognition. To test our hypothesis, we mapped, read, analysed, and interpreted various media content by or about Jorge de Sena from 1942 to the present, dividing this period into two phases: before and after April 25, 1974. Firstly, it is evident that during the dictatorial period, Sena consistently expressed his freedom of thought in the works he produced. Secondly, texts about Jorge de Sena written by other authors emphasise his life journey more than his intellectual contributions and legacy
Dinâmicas da Desinformação Climática em Publicações de Facebook e Instagram no Brasil
This study examines the dynamics of climate disinformation in Facebook and Instagram posts in Brazil, focusing on the misrepresentation of scientific data aimed at discrediting science. We characterised the recurring themes, forms of expression, social actors involved, languages, and types of narratives that encompass fallacies, conspiracy theories, and religious viewpoints. Furthermore, we cross-referenced these categories with the presence or absence of scientific arguments to explore whether the use of science in climate disinformation serves to reinforce specific viewpoints or fuel controversy. The methodological approach included content and thematic analysis of 77 climate disinformation posts on these platforms, collected between January 1, 2023, and December 31, 2023, using the descriptors “climate change” and “global warming”. Our findings confirm the existence of a climate disinformation ecosystem with distinct Brazilian characteristics, where public discussions reinforce the notion of humanity’s demise, framed within catastrophic rhetoric and propagated by alternative media. The analysis also highlights that Facebook is increasingly a space for more explicit climate disinformation, often linked to fanaticism, as opposed to Instagram, which presents climate disinformation in a way that does not directly deny science.Neste estudo, analisamos a dinâmica da desinformação climática em publicações de Facebook e Instagram no Brasil, com enfoque nos fenômenos que envolvem a deturpação de dados científicos para desacreditar a ciência. Caracterizamos os temas em circulação, as formas de expressão, os atores sociais envolvidos, as linguagens, os tipos de narrativas que incluem falácias, teorias conspiratórias e relatos religiosos. Além disso, cruzamos essas categorias com a presença ou ausência de argumento científico para observar se o uso da ciência na desinformação climática serve para reforçar pontos de vista e impulsionar controvérsias. Para tanto, nosso caminho metodológico passou pela análise de conteúdo e temática de 77 publicações de desinformação climática nessas duas plataformas online, recolhidas entre 1 de janeiro de 2023 e 31 de dezembro de 2023, a partir dos descritores “mudanças climáticas” e “aquecimento global”. Como resultado, confirmamos a existência de um ecossistema da desinformação climática com especificidades brasileiras que fazem a discussão pública reforçar a ideia de finitude da humanidade, sob uma retórica catastrófica e agenciada por mídias alternativas. A análise também aponta que o Facebook vem se desenhando como um espaço de desinformação climática mais explícita ao se associar aos fanatismos, em contraposição ao Instagram, em que se delineia uma desinformação climática sem negação frontal da ciência
Implicações Éticas das Tecnologias de Inteligência Artificial: Direitos Autorais, Privacidade, Segurança e Regulação
This study addresses the ethical implications associated with artificial intelligence (AI) technologies, focusing on challenges related to copyright, privacy, security, and regulation. The research, conducted through a literature review, uses academic works, scientific articles, and regulatory documents as a theoretical and methodological framework to identify the ethical impacts and gaps in the application of AI in various social contexts. The work is based on a critical analysis of sources collected from recognised databases, such as Scopus, JusBrasil and Google Scholar, using criteria of relevance and duality to select the material. The main results highlight that copyright faces significant challenges due to the use of protected works in algorithm training and the lack of definition regarding authorship in AI-generated creations. On the issue of privacy, the massive collection and use of personal data exposes individuals to ethical and legal risks, highlighting the need for standards that guarantee informed consent and the protection of sensitive information. Regarding security, the risks associated with the spread of misinformation, cyberattacks and algorithmic biases require robust strategies to mitigate social and institutional damage. In the regulatory field, the study reveals significant gaps in existing legislation, emphasising the need for international and harmonised guidelines to ensure ethics in the development and use of AI. It concludes that the ethical regulation of AI requires coordinated efforts between governments, the private sector and civil society, as well as the promotion of interdisciplinary approaches to balance innovation and responsibility. The study reinforces the importance of inclusive governance that prioritises the protection of human rights and the promotion of sustainable technological development.O estudo aborda as implicações éticas associadas às tecnologias de inteligência artificial (IA), com foco nos desafios relacionados aos direitos autorais, privacidade, segurança e regulação. A pesquisa, conduzida por meio de uma revisão bibliográfica, utiliza como referencial teórico-metodológico obras académicas, artigos científicos e documentos normativos para identificar os impactos éticos e as lacunas existentes na aplicação da IA em diversos contextos sociais. O trabalho fundamenta-se na análise crítica de fontes recolhidas em bases de dados reconhecidas, como Scopus, JusBrasil e Google Académico, utilizando critérios de relevância e dualidade para selecionar o material. Os principais resultados destacam que os direitos autorais enfrentam desafios significativos devido ao uso de obras protegidas no treino de algoritmos e à indefinição sobre autoria em criações geradas por IA. Na questão da privacidade, a recolha e utilização massiva de dados pessoais expõem os indivíduos a riscos éticos e jurídicos, evidenciando a necessidade de normas que garantam o consentimento informado e a proteção de informações sensíveis. Relativamente à segurança, os riscos associados à propagação de desinformação, ataques cibernéticos e vieses algorítmicos demandam estratégias robustas para mitigar prejuízos sociais e institucionais. No campo regulatório, o estudo revela lacunas significativas na legislação existente, com ênfase na necessidade de diretrizes internacionais e harmonizadas para assegurar a ética no desenvolvimento e uso de IA. Conclui-se que a regulação ética da IA exige esforços coordenados entre governos, sector privado e sociedade civil, bem como a promoção de abordagens interdisciplinares para equilibrar inovação e responsabilidade. O estudo reforça a importância de uma governança inclusiva que priorize a proteção dos direitos humanos e a promoção de um desenvolvimento tecnológico sustentável
Journalistic Ethics in the Age of Artificial Intelligence: Towards an Update of Deontological Codes in the Ibero-American Context
Este artigo analisa criticamente e atualiza os princípios dos códigos deontológicos da comunicação na Comunidade Ibero-Americana, com o objetivo de adaptar a ética jornalística aos novos desafios impostos pelo advento da inteligência artificial (IA). Como análise qualitativa, parte da premissa de que os códigos deontológicos atuais não incluem diretrizes atualizadas para a integração da IA no trabalho jornalístico. Portanto, o objetivo é reformular alguns dos principais princípios éticos e propor condições estruturais que possam ser incorporadas nos regulamentos que regem os profissionais dos média. Para tal, foi realizada uma análise detalhada de vários códigos deontológicos, a par de entrevistas aprofundadas com três tipos de profissionais: jornalistas, académicos e consultores especializados. Alguns entrevistados também trabalham como verificadores de factos. As respostas das entrevistas foram codificadas e analisadas conforme as diretrizes do método comparativo constante (Wimmer & Dominick, 2013), utilizando a plataforma ATLAS.ti. Os resultados forneceram informações suficientes para atualizar vários princípios (transparência, critério humano, controlo de enviesamentos, verificação e cruzamento de informações, prevenção de violações de direitos, responsabilização e participação dos cidadãos), bem como para identificar quatro condições estruturais para a prática ética do jornalismo na era algorítmica (regulamentação para um novo pacto social, consciência do impacto da desinformação, literacia mediática e ética jornalística imutável; Alsius, 2011). O estudo concluiu que o uso da IA em atividades jornalísticas requer uma adaptação das normas existentes para garantir e recuperar a qualidade da informação e a confiança do público. Além disso, destaca a necessidade de uma regulamentação equilibrada que não permita abusos dos média por meio da IA, respeitando, ao mesmo tempo, a liberdade de imprensa.This article critically reviews and updates the principles of deontological codes of communication in Ibero-American Community, aiming to adapt journalistic ethics to the new challenges posed by the advent of artificial intelligence (AI). As a qualitative analysis, it starts from the premise that current deontological codes do not include updated guidelines for the integration of AI into journalistic work. Therefore, the objective is to reformulate some of the main ethical principles and propose structural conditions that could be incorporated into the regulations governing media professionals. To achieve this, a detailed analysis of various deontological codes was conducted alongside in-depth interviews with three types of professionals: journalists, academics, and expert consultants. Some interviewees also work as fact-checkers. The interview responses were coded and analysed according to the guidelines of the constant comparative method (Wimmer & Dominick, 2013) using the ATLAS.ti platform. The results provided sufficient input to update several principles (transparency, human judgement, bias control, verification and cross-checking, avoidance of rights violations, accountability, and citizen participation), as well as to identify four structural conditions for the ethical practice of journalism in the algorithmic age (regulation for a new social pact, awareness of the impact of disinformation, media literacy, and immutable journalistic ethics; Alsius, 2011). The study concluded that the use of AI in journalistic activities requires an adaptation of existing norms to ensure and recover the quality of information and the trust of audiences. Additionally, it highlights the need for balanced regulation that does not allow media abuses through AI while also respecting press freedom
Between Institutional Inertia and Systemic Vulnerability: Understanding Invisible Threats to Journalists’ Safety
Research on journalists’ safety reveals two intertwined dimensions: physical risks in conflict zones and less tangible risks to performance in comparatively safe environments. In Latvia, as elsewhere in Europe, journalists face online humiliation, harassment, hate speech, and attacks on their professional credibility. This raises two central questions: how do journalists perceive safety risks, and are media institutions equipped to provide adequate support? This paper examines the perceptions of Latvian media professionals regarding work-related safety issues and the mechanisms available to mitigate stress and risks. A mixed-methods design was applied, combining literature analysis, a two-round Delphi expert survey (25 and 23 participants from national and regional media, non-governmental organisations, and journalism-related organisations), eight semi-structured interviews with solicitors and media law specialists, case studies of court decisions, and three focus group discussions (with legal experts, media managers, and investigative journalists). The results highlight a complex threat environment in which multiple risks coexist, while support structures remain limited. Women, regional reporters, Russian-language journalists, and freelancers emerge as the most vulnerable groups, revealing safety risks shaped by both group invisibility — where their professional identities are insufficiently recognised — and concerns of invisibility — where persistent threats are normalised or dismissed. While institutional shortcomings are partly due to resource constraints and insufficient legal or psychological expertise, reluctance and reactive practices further weaken organisational responses. A lack of effective action from law enforcement and courts, combined with the rise of strategic lawsuits against public participation, reinforces a “culture of impunity”. A paradox emerges: online humiliation and harassment are omnipresent and thus routinised, making them effectively invisible despite their persistence. By contrast, cyberattacks and strategic lawsuits against public participation cases are highly visible, as they directly affect media companies’ legal and financial interests. This asymmetry of visibility exacerbates the erosion of journalists’ professional integrity and their societal role.A investigação sobre a segurança dos jornalistas evidencia duas dimensões interligadas: os riscos físicos em zonas de conflito e os riscos menos tangíveis que afetam o desempenho em contextos considerados relativamente seguros. Na Letónia, como noutros países europeus, os jornalistas são alvo de humilhações online, assédio, discurso de ódio e ataques à sua credibilidade profissional. Perante este cenário, colocam-se duas questões centrais: quais são as perceções dos jornalistas relativamente aos riscos para a sua segurança? Estarão as instituições de média preparadas para prestar o apoio adequado? Este artigo analisa as perceções dos profissionais dos média letões relativamente a problemas de segurança associados ao trabalho e aos mecanismos disponíveis para mitigar o stress e os riscos. Foi seguida uma metodologia mista que integrou análise da literatura, um painel de Delphi em duas rondas a especialistas (25 e 23 participantes de média nacionais e regionais, organizações não governamentais e entidades ligadas ao jornalismo), oito entrevistas semiestruturadas com advogados e especialistas em direito dos média, estudos de caso de decisões judiciais e três grupos focais (com especialistas jurídicos, gestores de média e jornalistas de investigação). Os resultados revelam um ambiente de ameaças complexo, onde coexistem múltiplos riscos, mas as estruturas de apoio permanecem limitadas. Mulheres, repórteres regionais, jornalistas de língua russa e freelancers surgem como os grupos mais vulneráveis, enfrentando riscos de segurança influenciados tanto pela invisibilidade de grupo — quando as suas identidades profissionais não são devidamente reconhecidas — como pela preocupação com a invisibilidade — quando ameaças persistentes são normalizadas ou desvalorizadas. Embora algumas insuficiências institucionais resultem de restrições de recursos e da falta de competências jurídicas ou psicológicas, a relutância em agir e as práticas reativas fragilizam ainda mais as respostas organizacionais. A ausência de ação eficaz por parte das autoridades policiais e dos tribunais, a par do aumento das ações judiciais estratégicas contra a participação pública, reforça uma “cultura de impunidade”. Deste modo, emerge um paradoxo: a humilhação e o assédio online são omnipresentes e, por isso, normalizados, tornando-se efetivamente invisíveis apesar da sua persistência. Em contrapartida, os ciberataques e os processos estratégicos contra a participação pública são altamente visíveis, uma vez que afetam diretamente os interesses jurídicos e financeiros das empresas de média. Esta assimetria de visibilidade agrava a erosão da integridade profissional dos jornalistas e do seu papel social
Jornalismo de Influência Regional: Uma Proposta Para as Cidades Médias Brasileiras
O artigo tem como objetivo apresentar a proposta conceitual de “jornalismo de influência regional”, voltada à atividade desenvolvida nas cidades médias brasileiras não metropolitanas, situadas no interior dos estados. A proposição parte de uma pesquisa empírica empreendida na cidade média de Imperatriz, localizada no sudoeste do Maranhão, e em 18 cidades pequenas da sua região de influência (Regiões de Influência das Cidades: 2018; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020). Como estratégia metodológica foram adotados os seguintes procedimentos: (a) mapeamento dos veículos de comunicação em funcionamento nas cidades investigadas; (b) entrevistas semiestruturadas com jornalistas de Imperatriz; (c) aplicação de questionários com moradores de Imperatriz e das cidades na sua região de influência; e (d) análise de conteúdo dos produtos jornalísticos. Os resultados obtidos indicam a existência de um jornalismo especializado na: (a) produção simultânea de notícia local e regional, a qual denominamos “notícia polarizadora”; (b) realização da cobertura noticiosa da região de influência; (c) mediação das demandas e reivindicações das pequenas comunidades do entorno; (d) informação de proximidade para o consumo da região; e (e) intermediação de fluxos informativos produzidos em outros centros urbanos.This article presents the conceptual proposal of “regional influence journalism”, centred on the journalistic practices developed in medium-sized, non-metropolitan Brazilian cities located in the interior of the states of the states. The proposal is grounded in empirical research conducted in the medium-sized city of Imperatriz, in southwestern Maranhão, as well as in 18 small municipalities within its region of influence (Regiões de Influência das Cidades: 2018; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020). The methodological strategy comprised the following procedures: (a) mapping of media outlets operating in the cities studied; (b) semi-structured interviews with journalists in Imperatriz; (c) administration of questionnaires to residents of Imperatriz and of cities in its surrounding region; and (d) content analysis of journalistic outputs. The results point to the existence of a form of journalism characterised by (a) simultaneous production of local and regional news — termed here “polarising news”; (b) news coverage that encompasses the broader region of influence; (c) mediation of the demands and concerns of nearby small communities; (d) production of local information aimed at regional consumption; and (e) intermediation of information flows originating from other urban centres
Corpos que Pintam, Espaços que Sentem
Este artigo investiga as experiências sensoriais e afetivas vivenciadas por estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo do Instituto Federal de Sergipe — campus Lagarto — durante a pintura coletiva de um mural em espaço acadêmico. A partir do referencial teórico de Juhani Pallasmaa, Maurice Merleau-Ponty, Baruch Espinoza e outros autores da fenomenologia e da filosofia da corporeidade, adota-se uma abordagem metodológica qualitativa, e a análise de conteúdo, conforme Laurence Bardin, para observação crítica dos dados coletados. Foram analisados relatos escritos espontaneamente pelos estudantes, que descreveram suas impressões, sensações e reflexões após a atividade prática. O objetivo foi identificar núcleos de sentido relacionados às emoções, sensações corporais e à apropriação simbólica do espaço vivido. Os resultados revelam que a experiência estética promoveu intensas vivências multissensoriais, ressignificação do espaço institucional e fortalecimento de vínculos afetivos e sociais entre os participantes. A escolha das cores, o uso do corpo em movimento e o envolvimento coletivo com a prática pictórica geraram um ambiente de aprendizagem que uniu expressão artística, reflexão teórica, afetividade e desenvolvimento pessoal. Dessa forma, defende-se que a arquitetura deve ser compreendida como campo sensível de experiências vividas e compartilhadas, e que práticas pedagógicas que envolvam a arte e a corporeidade podem contribuir decisivamente para a formação ética, perceptiva, crítica e sensível dos futuros arquitetos.This article investigates the sensory and affective experiences of students in the Architecture and Urbanism programme at the Instituto Federal de Sergipe — Lagarto campus — during the collective painting of a mural in an academic space. Drawing on the theoretical framework of Juhani Pallasmaa, Maurice Merleau-Ponty, Baruch Spinoza, and other authors in phenomenology and the philosophy of embodiment, a qualitative methodological approach is adopted, combined with content analysis, as proposed by Laurence Bardin, for critical observation of the collected data. The study examined spontaneous written accounts produced by students, in which they described their impressions, sensations, and reflections following the practical activity. The objective was to identify core meanings related to emotions, bodily sensations, and the symbolic appropriation of lived space. The results reveal that the aesthetic experience fostered intense multisensory encounters, a re-signification of the institutional space, and the strengthening of affective and social bonds among participants. The choice of colours, the use of the moving body, and the collective engagement with the pictorial practice generated a learning environment that brought together artistic expression, theoretical reflection, affectivity, and personal development. Thus, it is argued that architecture should be understood as a sensitive field of lived and shared experiences, and that pedagogical practices involving art and embodiment can decisively contribute to the ethical, perceptual, critical, and sensitive formation of future architects
Cinema e Realidade Virtual nas Aulas de Arte Como Meio Para Promover Integração Social e Cultural
This article discusses aesthetic experience mediated by technology in pedagogical practices involving cinema and virtual reality in art classes at Brazilian public schools. It departs from the issue of coloniality, framing it as a form of domination that perpetuates social and cultural inequalities in peripheral countries, employing visuality as a mechanism to classify, hierarchise, and aestheticise peoples and their territories. Museums and cinemas can contribute to restoring the ‘right to look’ by promoting contact with expressions of counter-visuality. However, one of the consequences of structural inequality is the difficulty of accessing these spaces due to problems with urban mobility and infrastructure. Education plays a key role in mitigating these effects by promoting aesthetic experiences through image appreciation and production technologies. The central hypothesis of this article is that pedagogical practices involving cinema and virtual reality, guided by image appreciation and production, may foster otherness and expand subjective perceptions by democratising and extending access to art. Through a bibliographical study, the article explores the ethical-aesthetic implications of image-making in pedagogical contexts. The discussion suggests that immersive aesthetic experiences allow students to develop and refine their viewpoints in pursuit of their “right to look”, thereby enhancing a critical and inclusive engagement with culture. It concludes that, when properly mediated, such technological tools enable students to appropriate their own culture and create images that reflect their identities, making the teaching-learning process more inclusive and establishing a habitus that contributes to suspending social and cultural hierarchies.Este artigo propõe um debate sobre a experiência estética, mediada pela tecnologia, em ações pedagógicas com cinema e realidade virtual nas aulas de arte em escolas públicas brasileiras. Parte-se da problemática em torno da colonialidade, configurando-a como um meio de dominação que perpetua desigualdades sociais e culturais em países periféricos, utilizando-se da visualidade como mecanismo para classificar, hierarquizar e estetizar povos e seus territórios. Museus e cinemas, podem contribuir na recomposição do “direito a olhar” por promoverem contato com expressões de contravisualidade. Porém, uma das consequências da desigualdade estrutural são as dificuldades de acesso a estes espaços devido a problemas de mobilidade urbana e infraestrutura. A educação tem um papel importante em minimizar esses efeitos, promovendo experiências estéticas com as tecnologias de apreciação e produção de imagens. A hipótese central deste texto sugere que práticas pedagógicas envolvendo o cinema e a realidade virtual, pautadas por ações de apreciação e produção de imagens, podem promover a alteridade e expandir percepções subjetivas ao democratizar e capilarizar o acesso à arte. Por meio de um estudo bibliográfico, explora-se implicações ético-estéticas da produção de imagens em ações pedagógicas. As discussões dos resultados indicam que essa experiência estética imersiva permite que os estudantes desenvolvam e qualifiquem seus pontos de vista em busca do seu “direito a olhar”, potencializando uma conexão crítica e inclusiva com a cultura. Conclui-se que tais dispositivos tecnológicos, com a mediação adequada, possibilitam aos estudantes a apropriação de sua cultura e a criação de imagens que refletem suas identidades, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais inclusivo e instaurando habitus que contribui para suspender hierarquias sociais e culturais
Olhar do Retrato Rural Através do Realismo Mágico
TERRA: Paisaje Valenciano en el Guadalquivir (LAND: Valencian Landscape in the Guadalquivir) is a visual essay that utilises photographic portraiture as a means to navigate between the visible and the invisible, the real and the magical. Far from being merely a physical representation, each portrait serves as an allegory, an open door to the symbolic, where identity is expressed not only through the face or pose but also through the invisible bond that unites each portrayed person with the land they inhabit.TERRA: Paisaje Valenciano en el Guadalquivir (TERRA: Paisagem Valenciana no Guadalquivir) é um ensaio visual onde o retrato fotográfico se torna uma ferramenta para transitar entre o visível e o invisível, entre o real e o mágico. Longe de ser uma mera representação física, cada retrato é uma alegoria, uma porta aberta ao simbólico, onde a identidade se expressa não apenas através do rosto ou da pose, mas também por meio do vínculo invisível que une cada pessoa retratada à terra que habita