Comunicação e Sociedade (E-Journal)
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On the “Garden of Delights” as a model of analysis of the intercultural communication processes
The observation of Hieronymus Bosch’s “Garden of Delights” triptych is the starting point for a short essay on the possible interpretation of this work by its last purchaser, Filipe II of Spain. Additionally, this essay leads to the proposal of a model, based on three categories of analysis, for the critical interpretation of the global course that humanity has been taking since the beginning of the great intercontinental navigations, initially carried out by the Portuguese and the Spanish. The proposed model intends to contribute to the defragmentation of the memory of a long process marked by the tension between hegemonic forces and dynamics of interculturality
Entre música e tecnologia: condições de existência e funcionamento da indústria fonográfica brasileira no século XXI
Este artigo se propõe a discutir, por meio de material bibliográfico, documental e empírico – este último baseado em trabalho de campo e entrevistas pessoais realizadas entre julho de 2014 e junho de 2015 –, o processo de digitalização da indústria fonográfica brasileira. Para cumprir este objetivo, busca-se: observar as condições que marcam o advento da era digital; analisar a história de desenvolvimento das mídias, dispositivos e equipamentos que teriam levado a essa inflexão do mercado de discos; investigar as possibilidades de produção e distribuição musical no contexto brasileiro; percorrer os circuitos locais da pirataria, os caminhos independentes, as formas de distribuição digital e a questão dos direitos autorais. A hipótese que emerge ao final dessa empreitada é a de que a existência e o funcionamento da indústria fonográfica atual se encontram em uma trilha permeada por rupturas e continuidades. Espera-se, enfim, que esta pesquisa possa trazer novos olhares sobre as relações entre música, cultura, comunicação e tecnologia no Brasil contemporâneo. Em particular, com base numa investigação empírica, o autor reflete sobre os efeitos, as ruturas e as continuidades observados no contexto atual de digitalização
Communication of art via open research: on cultural policies, heritage and reception of innovation in art
This article debates some main modes of art communication within the urban public space, and their interpretation through Open Research. In particular, it discusses communication regimes in places where cultural and artistic events occur, such as the museum. One of the communicative phenomena circulating there is informal art literacy, which is a different and sometimes opposite process in relation to the formal education at school. Having this aim in mind, firstly two core concepts within Art Communication Studies, which are crucial to this debate, are defined: Public Communication of Art-PCA and art literacy. Secondly, questions pertaining to art communication are raised: the definition of cultural policies that allow cultural inclusion of diverse art publics segments; the role of digital devices to improve the understanding of cultural heritage; the more adequate communication and management strategies for improving publics literacy; the reception process undertaken by cultural audiences around art ideas and concepts shared through art events. Thirdly, such questions are framed within the main theoretical and authors’ positioning in Art Communication Studies. Next, some brief practical advices and recommendations concerning how to develop a research on communication within art worlds are exposed in two parts: the first part suggests some hypothesis corresponding to the previous formulated questions. The second part establishes a synthetic and practical agenda for doing a research on this subject. Some emergent sociological apparatuses, produced to improve the social and cultural impact of art communication, are also presented. Finally, specific modes and targets of this impact are discussed
Desarrumando o nosso álbum: fotografia e género
Este número da revista Comunicação e Sociedade partiu do desejo das suas editoras de cruzar saberes e trocar olhares, convocando um encontro na fronteira entre as áreas dos estudos da fotografia e dos estudos de género..
Can there be a feminist aesthetic?
Can there be a feminist aesthetic?” analyzes the difficulty of finding an ontological position from which to write about photography created by women. It interrogates the discomfort of inhabiting, socially, and in art and literature, the position of the embodied feminine, and seeks through aesthetic analysis to mine this discomfort. The essay argues that despite the social and intellectual discomfort of articulating a space of the feminine, in that this space is always already coded as oppressed, there is a value in interpreting photography created by women through the lens of feminist resistance. The article concedes that defining the word woman is always a risk, in that the term reflects manifold and contradictory embodied experiences. And yet, within this avowed risk emerges the only space of possible resistance to oppression, the opportunity to create a rearrangement of the visible so that the category of the oppressed woman, however phantasmatic, is re-envisioned as sovereign. However, each act of re-envisioning woman must be culturally specific. Hence, the essay concludes with an interpretation of Ethiopian photographer Aida Muluneh’s series of images Dinkinesh (or, “you are beautiful”), evoking the remains of an Ethiopian hominid that were long considered to be the oldest of human ancestors. Muluneh reclaims this distant ancestor as Ethiopian, dressing her in an extravagant red gown, using photography to re-envision Dinkinesh’s fall into history, granting this ancestor the power to haunt modernity
Vídeo e storytelling num mundo digital: interações e narrativas em videoclipes
Este artigo apresenta um estudo sobre as narrativas em videoclipes. Discute-se os arranjos das linguagens audiovisuais a partir de configurações estabelecidas por características dos meios de comunicação, enfatizando o papel das plataformas de difusão de informação e entretenimento como o YouTube. Sublinha-se ainda um diálogo com a linguagem do cinema e evidencia-se que, nos cenários contemporâneos, os videoclipes contam histórias. Discute-se que os videoclipes contemporâneos, em grande maioria, prolongam o tempo da música, com pausas, atuações de personagens, inserção de diálogos e outros elementos estruturantes que descaracterizam os paradigmas clássicos e convencionais da linguagem. Para a análise, o objeto do estudo são os videoclipes do cineasta canadense Xavier Dolan. A fundamentação teórica é estabelecida a partir de autores inseridos nos debates da cultura da convergência, de transmídia storytelling e das interações entre linguagens audiovisuais
Communication and art
The 31st issue of the journal, Comunicação e Sociedade, is dedicated to the theme, “Communication and Art”..
Mídia, arte e tecnologia: uma reflexão contemporânea
O presente artigo parte de um relato acerca da mercantilização cultural e seus reflexos na saturação midiática, para então traçar uma reflexão sobre tecnologia, mídia e artes contemporâneas, em especial o papel do corpo nas manifestações artísticas. Busca-se, com este trabalho, ratificar a influência da tecnologia, da massificação midiática e informacional na construção dos valores culturais contemporâneos. Será apresentada também uma reflexão sobre as atuais práticas artísticas contemporâneas como elementos que buscam evidenciar e questionar a influência massificante dos mídia e do mercado. O pano de fundo no qual se desenvolve o presente artigo são as evoluções tecnológicas, que ampliam a mercantilização cultural e tornam possíveis as profundas mudanças sociais e culturais vivenciadas pela sociedade ocidental contemporânea. Por fim é traçada uma breve análise sobre as identidades e diversidades culturais na era da teleinformática
A mulher brasileira: da fotografia colonial à fotografia portuguesa contemporânea
O presente trabalho se propõe a realizar uma análise inicial sobre a formação da imagem da mulher brasileira considerando o discurso historicamente construído e reforçado na fotografia colonial. Tal visualidade resiste através dos tempos, consistindo em uma forma de colonialismo contemporâneo por caracterizar-se como uma ação reducionista das identidades, em dissimulação de uma ideologia globalizada. A possibilidade de criação de paradoxo a esses discursos é analisada por meio da reflexão dos trabalhos de André Cepeda e Miguel Valle de Figueiredo, fotógrafos portugueses que possuem trabalhos fotográficos acerca da mulher brasileira. Nestas fotografias, a construção da mulher brasileira revelou discursos apoiados em percepções e experiências, como também em atribuições de valores generalizantes. Deste modo, concluiu-se que o entendimento sobre a imagem da mulher brasileira, conforme olhar desses fotógrafos, se mostra revestido de novos processos colonizadores em que à imagem da brasileira associa-se um corpo disponível e sensual, impreg nado pela compreensão de um corpo colonial que ainda persiste no imaginário contemporâneo
Esquecer Bárbara Virgínia? Uma cineasta precursora entre Portugal e o Brasil
Bárbara Virgínia foi uma das primeiras realizadoras de cinema em Portugal e no Festival de Cannes. Iniciando-se artisticamente como declamadora e atriz, dirigiu, muito jovem, uma longa metragem e um documentário em 1946. Imigrou em 1952 para o Brasil para trabalhar em rádio e televisão. Aí se radicou, constituiu família, abandonando a declamação, e faleceu em 2015. Neste artigo recolhemos e analisamos documentação pública e de memória privada, uma entrevista de investigação e conversas com familiares. Recorremos à história e memórias do cinema português para produzir, de um ponto de vista feminista, uma análise sócio-biográfica. Recusando a mitificação, pretendemos contribuir para a desocultação do olhar patriarcal na literatura produzida sobre esta figura. Os estudos de género de Linda Alcoff e Teresa de Lauretis, a sociologia da cultura de Pierre Bourdieu que Bev Skeggs convoca num cruzamento entre classe, género e colonialidade, e ainda investigação histórica e social sobre os contextos dos dois países alimentaram este questionamento e análise. A sócio-biografia apresentada enfoca-se nos papéis artístico e familiar de Bárbara Virgínia, pretendendo alimentar o conhecimento fino sobre barreiras de género e classe em torno das práticas culturais e profissionais na época e ainda discutir o apagamento da memória sobre a realizadora