Comunicação e Sociedade (E-Journal)
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Dance and mediality: for an ontological and ethical discussion of the performative body
From the late nineteenth century we can see at least two major changes in the poetic positions in dance thus pose major challenges to philosophical and aesthetic thought about this art. The first change could be identified as a break with a legacy, a coincidental break with all the steps done by western modern dance and in particular the US. The second change could be identified with the expansion of the frontiers of dance, which includes the whole process of blurring of artistic discipline and artistic genre. The rupture and expansion are, therefore, noteworthy changes that can also be classified in post metaphysical thought. This expanded and inclusive domain of the other can still be thought through a techné not to be confused with ingenuity or the mere ability to artificer, or as an alienating eros, but as the field of performativity as permition for play and disempowerment (questioned authorship in comparison with the other), becoming therefore no man’s land. In this open and undefined field, the dancing body reveals itself as the political and ethical stage par excellence (performance) and an ontological space (performativity). This is the scope of our discussion that finds in mediality the common domain of these two approaches to dance
Alves, L. F. (Ed.) (2016). Fotografias em obras de Eduardo Souto de Moura. Matosinhos: Scopio Editions
Publicado em junho de 2016 pela Scopio Editions, o livro de Luís Ferreira Alves, Fotografias em Obras de Eduardo Souto de Moura, insere-se na categoria de Fotografia de Arquitetura..
Alves, L. F. (Ed.) (2016). Fotografias em obras de Eduardo Souto de Moura. Matosinhos: Scopio Editions
Published in June 2016 by Scopio Editions, the book of Luis Ferreira Alves, Fotografias em obras de Eduardo Souto de Moura [Photography of the architecture of Eduardo Souto de Moura] fits in the category of Architectural Photography..
(In)visibilidade de mulheres sem rosto: ética e política em imagens fotográficas de Teresa Margolles
Na contramão dos quadros morais produzidos pelos discursos fotojornalísticos tradicionais e pela cobertura mediática dos casos de femicídio no cotidiano, a artista mexicana Teresa Margolles cria obras onde a brutalidade de assassinatos em série conecta o sofrimento individual a uma responsabilidade ética coletiva. Neste texto, analisaremos as construções fotográficas de duas obras recentes da artista mexicana: La búsqueda (2014) e Pesquisas (2016). A partir das noções de vulnerabilidade e de precariedade (Butler, 2006; Butler et al., 2016), argumentamos que a relação entre violência e gênero no trabalho de Margolles é apresentada sob a forma da resistência, dirigindo-se a um comum enquanto espaço público polémico (Rancière, 2004), e instaurando a possibilidade de uma cena de interpelação (Butler, 2015). Consideramos ainda que estas obras, onde os sofrimentos individuais foram articulados em uma narrativa complexa, passíveis de interpelar os espectadores, compõem um gesto estético-político, que se acorda com a política das imagens reivindicada por pensadores como Jacques Rancière (2010b) e Georges Didi-Huberman (2012). A dinâmica política e estética que atravessa as fotografias de Margolles é relacionada ainda com a responsabilidade ética implícita na noção de rosto em Emmanuel Levinas (1982)
The (in)visibility of the faceless women: ethics and politics on the photographic images by Teresa Margolles
In the opposite side of these moralizing pictures produced by traditional journalistic and photojournalistic narratives, the Mexican artist Teresa Margolles creates art works that disclose the vulnerable condition of women in the brutality of serial murders in order to connect individual suffering to a collective ethics of responsibility. In this text, the analytical work focuses on two of Margolles recent art works: La búsqueda (2014) and Pesquisas (2016). Taking the concepts of vulnerability and precariousness (Butler, 2006; Butler et al., 2016), we argue that the relation between violence and gender in Margolles’s art work is presented as resistance addressing a common as polemical public space (Rancière, 2004), and giving place to the possibility of an interpellation scene (Butler, 2015). We also consider that this photographic work, which articulates individual sufferings in a complex narrative capable to invite spectators to a careful and reflexive contemplation, give rise to a political and aesthetical gesture that can be related to a politics of the images as it is argued by Jacques Rancière (2010b) and Georges Didi-Huberman (2012). The political and aesthetical dynamics crossing Margolles photographs is also related to the ethical responsibility voiced by Emmanuel Levinas (1982) concept of face
Interview with Sandra Barrilaro. “Photography is a fundamental tool for activism”
I met Sandra Barrilaro in Santiago de Compostela, in a session where she spoke about her experience as a member of the activist group Women’s Boat to Gaza, which defy Israel’s blockade of Gaza to show its solidarity with the resistance of Palestinian women..
House on Fire: um caso de arte política e colaborativa
Neste artigo, a arte política é pensada na confluência de quatro tendências das práticas artísticas na atualidade: a viragem social, a urgência da realidade, o impulso utópico, e as práticas colaborativas. Tal confluência é articulada com o pressuposto de que as práticas de arte política, assim configuradas, estão, pelo menos em parte, a potenciar a transição para um modelo colaborativo entre cultura artística e cultura científico-social e filosófica. Perspetivada a arte nesta dupla vertente – política e colaborativa –, o artigo focaliza-se numa investigação em progresso sobre a rede de teatros e festivais europeus House on Fire. O material que apoia a investigação é relativo ao período 2012-2015 da ação da rede, sendo composto por planos de atividade e programas. A análise do material qualitativo é ainda suportada por anotações feitas pela investigadora na qualidade de espetadora-investigadora. Os objetivos que enquadram o estudo são os seguintes: estabelecer o estatuto de agente de arte política da House on Fire; identificar, na sua programação, os focos temáticos de crítica societal; e elaborar uma tipologia exploratória das várias modalidades de colaboração entre cultura artística e cultura científico-social e filosófica
House on Fire: a political and collaborative art case
In this article, political art is perceived at the confluence of four trends in artistic practices today: the social turn, the reality urgency, the utopian impulse, and the collaborative practices. This confluence is articulated on the assumption that political art practices are, at least to a certain point, enhancing the transition to a collaborative model between artistic culture and social scientific and philosophical culture. Framed by this double perspective on art – political and collaborative –, this article is drawn from a major study about the House on Fire European network of festivals and theatres. The qualitative data that support this research consists of House on Fire’s activity plans and programmes from 2012 to 2015. The qualitative data was also analysed by resorting to research notes taken by the researcher in the position of spectator. This study is guided by the following aims: to explore the political agency position of House on Fire; to identify the focus of society criticism in the House on Fire’s programmes; and to construct an exploratory typology of collaborative modalities between artistic culture and social-scientific and philosophical culture
Comunicação da arte pela investigação aberta: sobre políticas culturais, património, gestão e receção da inovação na arte
Este artigo debate alguns dos principais modos de comunicação da arte subjacentes ao espaço público urbano, e a sua interpretação através da Investigação Aberta. Em particular, discute os regimes de comunicação presentes em locais onde ocorrem eventos culturais e artísticos, como o museu. Um dos fenómenos comunicativos aí circulantes é a literacia artística informal, processo diferente e às vezes oposto à educação formal ministrada na escola. Para tal, em primeiro lugar, são definidos dois conceitos fundamentais nos Estudos de Comunicação da Arte, e necessários para este debate: a Comunicação Pública da Arte (Public Communication of Art-PCA) e a literacia artística. Em segundo lugar, questões relativas à comunicação de arte são formuladas: a definição de políticas culturais que permitem a inclusão cultural de diversos segmentos de públicos de arte; o papel dos dispositivos digitais por forma a aprofundar a compreensão do património cultural; as estratégias de comunicação e de gestão mais adequadas para melhorar a literacia dos públicos; o processo de receção realizado pelas audiências culturais em torno de ideias e conceitos sobre a arte, partilhados em eventos artísticos. Em terceiro lugar, tais questões são situadas no seio das principais posturas teóricas e autores da área da Comunicação da Arte. Em seguida, são expostos alguns breves conselhos práticos e recomendações sobre como desenvolver uma investigação acerca da comunicação nos mundos da arte, em duas partes: a primeira sugere algumas hipóteses correspondentes às questões formuladas anteriormente. A segunda parte estabelece uma agenda sucinta e prática para realizar uma pesquisa sobre este assunto. Alguns dispositivos sociológicos emergentes, produzidos para fortalecer o impacto social e cultural da comunicação da arte, são igualmente apresentados. Finalmente, modos e metas específicos desse impacto são discutidas
Pode haver uma estética feminista?
“Pode haver uma estética feminista?” analisa a dificuldade em encontrar uma posição ontológica a partir da qual se escreva sobre as fotografias criadas por mulheres. Interroga-se acerca do desconforto de habitar, socialmente e na arte e na literatura, a posição do feminino corporizado e procura minar este desconforto através da análise estética. O ensaio argumenta que, apesar do desconforto social e intelectual de articular um espaço do feminino, na medida em que este espaço já é sempre codificado como um espaço de opressão, existe valor na interpretação da fotografia criada por mulheres através da lente da resistência feminista. O artigo reconhece que definir a palavra mulher é sempre arriscado, na medida em que este termo reflete variadas e contraditórias experiências corporizadas. E, no entanto, dentro deste risco reconhecido, emerge o único espaço de resistência possível à opressão, a oportunidade de criar um reordenamento do visível, para que a categoria da mulher oprimida, por muito irreal que seja, passe a ser refocalizada como soberana. Contudo, cada ato de refocagem da mulher deve ser culturalmente específico. Por isso, o ensaio termina com uma interpretação da série de imagens da fotógrafa etíope Aida Muluneh, intitulada Dinkinesh (ou “és bela”), recordando os restos de uma hominídea etíope que são há muito considerados como o mais antigo antepassado humano. Muluneh reivindica como etíope esta antepassada distante, vestindo-a com um extravagante vestido vermelho, usando a fotografia para refocalizar a entrada de Dinkinesh na história, concedendo a esta antepassada o poder de assombrar a modernidade